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Utilizado pelos dirigentes como instrumento de "chantagem",
segundo definição do deputado federal e líder do Governo Aldo
Rebelo (PC do B/SP), o artigo 19º do Estatuto de Defesa do
Torcedor é o principal ponto de discórdia entre a CBF, aliada
ao clube dos 13, e o Ministério dos Esportes.
Os dirigentes mostram pavor com a possibilidade de assumirem
responsabilidade por qualquer ato de violência dentro e fora
dos estádios, conforme a interpretação que fazem da lei. Por
outro lado, o ministro Agnelo Queiroz afirma que não existem
razões para o medo exacerbado que precipitou a decisão de
paralisar o Campeonato Brasileiro. De acordo com Queiroz,
clubes e dirigentes receberiam punições apenas no caso de
os atos de violência acontecerem em decorrência de falhas
na segurança.
Entende-se por falha o descumprimento da obrigação de disponibilizar
"central técnica de informações, com infra-estrutura suficiente
para viabilizar o monitoramento por imagem do público presente".
Ainda de acordo com o capítulo IV da lei, os clubes também
seriam responsáveis por manter "um médico e dois enfermeiros-padrão
para cada dez mil torcedores presentes à partida".
"O que exigimos é um controle rigoroso dos torcedores, como
a central de vídeo, saber quem é a pessoa responsável pela
segurança dentro do estádio e cumprir as exigências em relação
aos procedimentos de evacuação do local e informações sobre
o acesso de determinadas torcidas ao estádio", analisou o
ministro dos esportes. "Se o torcedor briga com outro quem
será punido com rigor é o próprio torcedor, não haveria punição
para o dirigente", completou Queiroz.
Para o advogado Luiz Felipe Santoro, diretor do Instituto
Brasileiro de Direito Desportivo, a questão da responsabilidade
dos clubes em relação à violência dentro e fora dos estádios
não está clara. "A lei diz responsabilidade objetiva e isso
significa responsabilidade dos clubes mesmo sem culpa", disse.
"O problema é que a lei foi mal escrita", continuou. "Esse
artigo 19 esteve para ser vetado. Eu acho que os dirigentes
não semexeram antes porque tinham certeza que o artigo seria
vetado em algum momento", concluiu Santoro.
O experiente jurista Ives Gandra Martins concorda com a dúvida
que o texto da lei desperta. "O problema é que (a lei) trata
os agentes da segurança pública como força auxiliar quando
ela deve ser prioritária segundo a constituição", argumentou
o advogado.
A discórdia poderia ter sido evitada antes ou houve precipitação
na votação do Estatuto? Para o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS),
os clubes erraram a não questionar as normas. Ao mesmo tempo,
o parlamentar acredita que o Congresso não discutiu a lei
em profundidade. "Os clubes e a CBF não discutiram conosco.
Há itens muito bons no Estatuto do Torcedor, que garantem
a ele boas condições e segurança em seu lazer. Do outro lado,
a lei tem monstrengos, frutos da fraca discussão. Isso não
era uma matéria de urgência e houve precipitação".
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