| Parte mais interessada na polêmica
entre dirigentes e o Código do Torcedor, o torcedor está
perplexo com a decisão dos presidentes de oito clubes,
do Clube dos 13 e da Confederação Brasileira de
Futebol (CBF) de suspender todas as competições
do futebol brasileiro por tempo indeterminado.
Os presidentes de duas maiores torcidas organizadas de São
Paulo criticaram duramente a postura dos cartolas de cancelar
toda a rodada. O presidente de honra da Mancha Alviverde,
Paulo Serdan, acredita que a decisão dos dirigentes
foi apenas mais um dos vários desrespeitos que vêm
sendo cometidos contra o torcedor nos últimos anos.
'Eles (dirigentes) estão barrando o futebol pois eles
serão prejudicados com essa nova lei. Quando não
beneficia a quadrilha, não dá certo. É
sempre assim', comenta Serdan. Para ele, o torcedor já
vem sendo desrespeitado há muito tempo. 'Os clubes
que têm mais de cumprir. Eles tratam a gente como cachorro
no estádio. Agora, eles precisam ter responsabilidades',
explica.
O presidente da Mancha Alviverde lembra que há vários
problemas encontrados no Parque Antártica durante os
jogos do Palmeiras. 'O torcedor não tem torneira no
Parque. Não há sinalização na
entrada do estádio. Há muito tumulto na (rua)
Turiassu, enquanto não tem ninguém na Antártica,
nem na Francisco Matarazzo. Além disso, eles desviam
o dinheiro do borderô. Por isso, eles estão tão
revoltados assim', analisa.
Para o presidente da Torcida Tricolor Independente, uma das
principais do São Paulo, também falta responsabilidade
aos dirigentes. 'Para eles (dirigentes), o torcedor só
tem obrigação de comprar o ingresso e se virar.
No estádio não tem água, nem comida decente.
O tratamento é que nem vândalo. É uma
falta de respeito com o torcedor', aponta Alessandro Santana.
Entretanto, ao contrário da Mancha Alviverde, a Tricolor
Independente apóia a decisão dos clubes. 'A
gente está acostumado a ser tratado assim. Eles estão
certos em parar o campeonato. Nós não vamos
ficar entrando em polêmica. Seremos passivos a partir
de agora', explica Santana.
Para ele, o principal problema será a aplicação
das leis previstas no Código, como a presença
de ouvidor nos estádios e a responsabilidade dos dirigentes,
em caso de problemas de segurança comprovados dentro
do estádio. 'Este negócio é muito bonitinho
no papel, mas não vai funcionar. A gente quer ver na
prática. Duvido que eles vão respeitar a gente',
acredita o presidente da torcida são-paulina.
Já a Mancha Alviverde promete mobilizar seus torcedores.
Em 12 de junho, a torcida fará um encontro na quadra
da torcida com a presença de José Luiz Portella,
um dos responsáveis pelo Código do Torcedor.
'Será uma chance de esclarecer as dúvidas que
temos. Nós temos direito e vamos exigir dos dirigentes
isso. Agora é hora de dividir as responsabilidades.
As coisas não serão mais apenas nossas', avalia
Serdan.
Os dois presidentes explicaram que são contrários
ao aumento dos preços dos ingressos, que foi uma das
medidas levantadas pelos dirigentes dos clubes que decidiram
pela paralisação do futebol brasileiro. 'É
um absurdo o torcedor pagar por isso. Nós é
que temos que processar esses caras, pois temos uma programação
de caravanas para ver os jogos e ainda não sabemos
o que fazer. Antes de fazer isso, eles devem melhorar a comida,
o preço de tudo no estádio para depois cobrar
algo', lembra o presidente da Mancha Alviverde.
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