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21/05/03
Governo promete não cair na chantagem
O artigo da discórdia
O que diz o seu time
O que diz o torcedor
Presidentes das organizadas falam em 'desrespeito'
Conheça melhor o Estatuto do Torcedor
Leia o Estatuto na íntegra
Parte mais interessada na polêmica entre dirigentes e o Código do Torcedor, o torcedor está perplexo com a decisão dos presidentes de oito clubes, do Clube dos 13 e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de suspender todas as competições do futebol brasileiro por tempo indeterminado.

Os presidentes de duas maiores torcidas organizadas de São Paulo criticaram duramente a postura dos cartolas de cancelar toda a rodada. O presidente de honra da Mancha Alviverde, Paulo Serdan, acredita que a decisão dos dirigentes foi apenas mais um dos vários desrespeitos que vêm sendo cometidos contra o torcedor nos últimos anos.

'Eles (dirigentes) estão barrando o futebol pois eles serão prejudicados com essa nova lei. Quando não beneficia a quadrilha, não dá certo. É sempre assim', comenta Serdan. Para ele, o torcedor já vem sendo desrespeitado há muito tempo. 'Os clubes que têm mais de cumprir. Eles tratam a gente como cachorro no estádio. Agora, eles precisam ter responsabilidades', explica.

O presidente da Mancha Alviverde lembra que há vários problemas encontrados no Parque Antártica durante os jogos do Palmeiras. 'O torcedor não tem torneira no Parque. Não há sinalização na entrada do estádio. Há muito tumulto na (rua) Turiassu, enquanto não tem ninguém na Antártica, nem na Francisco Matarazzo. Além disso, eles desviam o dinheiro do borderô. Por isso, eles estão tão revoltados assim', analisa.

Para o presidente da Torcida Tricolor Independente, uma das principais do São Paulo, também falta responsabilidade aos dirigentes. 'Para eles (dirigentes), o torcedor só tem obrigação de comprar o ingresso e se virar. No estádio não tem água, nem comida decente. O tratamento é que nem vândalo. É uma falta de respeito com o torcedor', aponta Alessandro Santana.

Entretanto, ao contrário da Mancha Alviverde, a Tricolor Independente apóia a decisão dos clubes. 'A gente está acostumado a ser tratado assim. Eles estão certos em parar o campeonato. Nós não vamos ficar entrando em polêmica. Seremos passivos a partir de agora', explica Santana.

Para ele, o principal problema será a aplicação das leis previstas no Código, como a presença de ouvidor nos estádios e a responsabilidade dos dirigentes, em caso de problemas de segurança comprovados dentro do estádio. 'Este negócio é muito bonitinho no papel, mas não vai funcionar. A gente quer ver na prática. Duvido que eles vão respeitar a gente', acredita o presidente da torcida são-paulina.

Já a Mancha Alviverde promete mobilizar seus torcedores. Em 12 de junho, a torcida fará um encontro na quadra da torcida com a presença de José Luiz Portella, um dos responsáveis pelo Código do Torcedor. 'Será uma chance de esclarecer as dúvidas que temos. Nós temos direito e vamos exigir dos dirigentes isso. Agora é hora de dividir as responsabilidades. As coisas não serão mais apenas nossas', avalia Serdan.

Os dois presidentes explicaram que são contrários ao aumento dos preços dos ingressos, que foi uma das medidas levantadas pelos dirigentes dos clubes que decidiram pela paralisação do futebol brasileiro. 'É um absurdo o torcedor pagar por isso. Nós é que temos que processar esses caras, pois temos uma programação de caravanas para ver os jogos e ainda não sabemos o que fazer. Antes de fazer isso, eles devem melhorar a comida, o preço de tudo no estádio para depois cobrar algo', lembra o presidente da Mancha Alviverde.

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