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O Estatuto do Torcedor, sancionado
pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva no último
dia 15 e causa da revolta de parte dos cartolas, é a
resposta do Governo Federal a um problema crônico do futebol
brasileiro: o péssimo tratamento dado ao torcedor que
acompanha o seu clube, em especial aquele que vai ao estádio.
Dividida em doze capítulos, incluindo disposições
gerais e transitórias, a lei pode ser definida como um
'Código de Defesa do Consumidor' adaptado ao futebol.
A primeira parte refere-se à organização
das competições e seus regulamentos. Determina
que as entidades que administram os eventos publiquem, tanto
em locais visíveis quanto na Internet, as informações
completas sobre os torneios. Exige ainda que os organizadores
designem o Ouvidor da Competição, que deve estar
à disposição dos torcedores para receber
dúvidas, críticas e sugestões. O regulamento
dos campeonatos deve ser divulgados até 60 dias antes
de seu início.
O Capítulo IV, onde está o Artigo 19º,
é a grande causa da polêmica: trata da segurança
do torcedor. Entre outras medidas, a lei estabelece que os
clubes são responsáveis por solicitar a presença
de agentes públicos de segurança, contratar
seguro de acidentes pessoais ao torcedor, disponibilizar um
médico, dois
enfermeiros-padrão e uma ambulância para cada
dez mil torcedores presentes à partida. As entidades
responsáveis pela organização e seus
dirigentes, respondem, independentemente da existência
de culpa, pelos prejuízos causados ao torcedor que
decorram de falhas de segurança, dentro e fora dos
estádios.
Os três capítulos seguintes estão relacionados
a aspectos de conveniência ao torcedor. Comprovante
de pagamento de ingressos, assentos numerados, acesso a transporte
seguro e organizado, serviços de estacionamento, qualidade
das instalações físicas dos estádios
e dos produtos alimentícios vendidos.
Algumas medidas possuem um prazo de seis meses para serem
executadas, como a instalação de câmeras
de vídeo nas dependências dos estádios.
O Estatuto do Torcedor prevê punições
aos dirigentes que não cumprirem a lei, desde multas,
suspensão até mesmo o afastamento do cargo.
O texto, aprovado na Câmara e no Senado e em vigor desde
a semana passada, pode sofrer alterações, de
acordo com os interesses dos comandantes do futebol brasileiro.
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