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Por Hélder Guimarães, especial para a GE.Net
Quatro empates por 0 a 0, média de 2,4 gols por jogo e até
agora nada do melhor do mundo, Ronaldinho Gaúcho. Essa Copa
está decepcionando? Show mesmo, só a Argentina contra Sérvia
e Montenegro. Será que os hermanos nos roubaram o favoritismo?
E o Ronaldo? É mesmo a parceria dele com Adriano o problema
da seleção brasileira?
Nessa época, são 180 milhões de técnicos brasileiros com
opinião formada para cada uma dessas perguntas. A GE.Net
conversou com oito deles, que também são treinadores durante
os quatro anos sem Copa do Mundo: Nelsinho Baptista, Estevam
Soares, Dario Pereira, Candinho, Givanildo de Oliveira, Carlos
Roberto, Vagner Mancini e Cuca. Todos fizeram um balanço desse
início de Mundial.
Apenas dois não gostaram dos pouco mais de dez dias de Copa
do Mundo: Nelsinho Baptista e Carlos Roberto. O que ninguém
discorda, no entanto, é que o Mundial só vai empolgar realmente
a partir da segunda fase. No mata-mata, a Argentina, seleção
que ao lado de Alemanha e Inglaterra encheu os olhos da maioria,
vai ter sua prova de fogo.
E o Brasil, deve mudar? Nelsinho, Givanildo e Cuca se abstiveram
da pergunta. O uruguaio Dario Pereira está quase satisfeito
com nossa seleção, enquanto Estevam Soares alteraria taticamente
a equipe. Os demais não resistiram e criticaram como torcedores,
principalmente a dupla de peso Adriano/Ronaldo. Carlos Roberto,
que, além de Juninho Pernambucano e Robinho pede também pela
entrada de Cicinho, arriscou até um palpite para a decisão.
| Gazeta Esportiva.Net: O nível da
Copa do Mundo está bom? |
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Nelsinho
Baptista: Por enquanto, o nível não está dos melhores.
Mas, quando chegarmos às oitavas-de-final, vai melhorar
porque as equipes que estarão na disputa vão ser as
melhores. Teremos jogos mais empolgantes. Até agora,
não vimos um futebol assim. Muitos jogadores ainda não
mostraram o que podem fazer.
Estevam Soares: Estou gostando da Copa. O nível
está melhorando, algumas seleções estão bem na competição.
É normal que a aplicação do futebol de força e velocidade
que se tem hoje diminua um pouco os espaços, não encha
os olhos, mas, acredito que, a partir das oitavas, vai
melhorar ainda mais. Só vão ficar as melhores seleções.
Dario Pereira: O nível está bom. Estamos no
começo e os times ainda estão evoluindo, não mostraram
tudo. A Alemanha está jogando bem, a Argentina também
e o Brasil é um dos que ainda pode melhorar. Mas a Copa
vai melhorar nessa segunda fase, porque aí você elimina
os rivais mais fracos, ficam os times fortes.
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Candinho: Está melhor que o das últimas Copas.
É lógico que não está ótimo, mas melhor que as outras
está.
Givanildo de Oliveira: Está bom. Alguns jogos
não têm agradado, mas, em geral, o nível está bom.
Carlos
Roberto: Não está muito bom. Não tem nenhum time
que tenha conseguido manter uma regularidade. A República
Tcheca começou bem, era uma seleção que todo mundo apostava,
mas caiu no segundo jogo. A Itália também foi assim.
O nível não está legal mesmo, tanto no coletivo quanto
individualmente. Não tem nenhum jogador que tenha conseguido
se destacar.
Vagner Mancini: O nível está bom, mas dentro
do esperado. O futebol europeu alçando muitas bolas
na área, usando velocidade. O africano com muita força,
habilidade, mas ainda sem malícia. O asiático de extrema
velocidade, mas também muito ingênuo. O sul-americano
é aquilo que a gente já conhece daqui.
Cuca: A maioria dos jogos foi bom.
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| GE.Net: Qual seleção é a destaque
do Mundial até agora? |
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Nelsinho Baptista: Nenhuma das seleções me encantou
ainda. É muito prematuro para você apontar alguma e
dizer que ela vai ser a campeã.
Estevam
Soares: É difícil falar. Todas as seleções grandes
estão conseguindo os resultados. A Alemanha, que está
jogando em casa, está mais equilibrada. Portugal tem
evoluído também. Mas acho que os favoritos continuam
sendo os mesmos: Brasil, Alemanha, Itália, Inglaterra,
Portugal. A Argentina, pela equipe e o esquema que tem,
pode ser uma candidata forte.
Dario Pereira: A Argentina foi a equipe que
ganhou e conseguiu dar espetáculo. A Espanha também,
quando fez 4 a 0 na Ucrânia. Mas as goleadas só vão
encantar mesmo daqui para frente, quando forem em cima
de adversários mais fortes. Quando o rival é mais fraco
e está perdendo, acaba abaixando a cabeça e fica mais
fácil. A emoção vai ser agora, na segunda fase.
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Candinho:
A Alemanha, a Inglaterra e a Argentina são as seleções
que se apresentaram melhor até agora. Elas podem perder
quando chegar em um mata-mata, mas, até aqui, foram
as que mais se destacaram.
Givanildo de Oliveira: A Argentina, sem dúvida.
A própria Inglaterra e a Alemanha também estão jogando
bem e podem chegar.
Carlos Roberto: Vou apostar nas tradicionais.
Para mim, vai dar Brasil e Alemanha na final.
Vagner
Mancini: A Argentina, pelos dois jogos que fez,
com futebol leve e solto, e a Alemanha, com muita força,
devem ser citados. Mas a Copa só começa realmente nas
oitavas-de-final.
Cuca: Não adianta falar em favoritismo agora
porque vai começar o mata-mata. É um jogo que decide
tudo, e nesses confrontos as seleções com mais tradição
levam vantagem.
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GE.Net: Se você fosse o treinador da seleção
brasileira, mexeria na equipe?
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Nelsinho Baptista: O Parreira vem trabalhando
com esse grupo há quase 4 anos. Ninguém se não ele pode
dizer o que é correto ou não. É o que eu disse: muitos
jogadores ainda não mostraram o que podem fazer. Mas,
depois desta terceira partida, talvez ele já tome alguma
decisão de mexer na equipe.
Estevam Soares: Eu mudaria. Temos bons jogadores,
mais ainda não temos um bom time. Não que esses jogadores
que estão lá não tenham qualidade, não é isso, mas o
esquema não está batendo. O Adriano, por exemplo, está
jogando fora do lugar que ele rende melhor. O Zé Roberto
está bem, mas eu não o utilizaria como primeiro volante,
ou quase como um terceiro zagueiro, como o Parreira
já fez. O Zé Roberto é jogador para atuar mais solto.
Você pode formar um bom time com quem está lá. Compreendo
a insistência do Parreira em usar os dois atacantes
(Adriano e Ronaldo) nos primeiros jogos, mas ele já
tinha que ter visto que está difícil assim. Se ele quiser
insistir nessa formação, com os dois enfiados, tem que
mudar a maneira deles jogarem. Talvez com os dois marcando
a saída de bola do adversário, que têm passado muito
entre eles, melhore.
Dario
Pereira: Está bom assim. A única coisa que a gente
vê, que está claro, é que o Ronaldo não está na melhor
forma física dele. O Robinho está muito bem e ele está
pedindo para entrar, mas o Parreira tem mesmo que das
mais uma chance para o Ronaldo. Ele só vai ficar bem
fisicamente jogando. É bom agora, que o Japão é um adversário
mais tranqüilo. O Ronaldo também tem muito nome e isso
chama a marcação. Por isso, talvez seja melhor mesmo
o Robinho entrar no segundo tempo, para dar velocidade.
O Ronaldinho Gaúcho é outro que ainda não mostrou tudo
que sabe.
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Candinho: Eu não jogaria com os dois atacantes
pesados lá na frente, o Adriano e o Ronaldo. Não sou
só eu que estou vendo isso. É todo mundo. Eu colocaria
mais um jogador de meio, o Juninho, no lugar do Ronaldo.
E, se bobear, eu tiraria também o Adriano e colocaria
o Fred.
Givanildo
de Oliveira: Não tenho que discutir isso. O técnico
é o Parreira e ele é quem sabe o que é melhor para o
time. O desempenho está normal. Eles não têm jogado
bem, mas têm conseguido os resultados.
Carlos Roberto: Na realidade, por mais que
todos os brasileiros depositassem esperança nesses jogadores,
o time não está rendendo. A gente espera que isso mude
a partir do terceiro jogo. Se eles não se aplicarem
taticamente, não vai dar. Não dá para a gente só fazer
esse futebol de quadrado, que está parecendo um 4-2-4.
Esse time está pedindo um Cicinho na lateral direita,
um Robinho no ataque. Depois que o Robinho entra, todo
mundo começa a correr. Precisamos de sangue novo.
Vagner Mancini: Fica difícil falar de fora.
O Parreira tem suas razões para manter o time assim,
mas eu mudaria. O ataque está muito carregado, sem velocidade.
A entrada do Juninho, ou do Robinho, melhoraria isso.
O Fred, depois que fez o gol, passou a ser mais uma
opção interessante. O problema é que o Adriano e o Ronaldo,
que está fora de forma, jogam da mesma maneira. Lá na
frente, nós temos dois gigantes, mas sem mobilidade.
Cuca:
Com tanto tempo que o Parreira tem no futebol, tantas
conquistas, a gente fica até desarmado para falar isso.
Cabe a nós só assistir e torcer. O que o povo todo questiona
é que o Ronaldo e o Adriano não podem jogar juntos,
mas isso é muito complexo, as opções são muitas. Essa
decisão cabe ao Parreira.
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