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20/06/2006


Por Hélder Guimarães, especial para a GE.Net

Quatro empates por 0 a 0, média de 2,4 gols por jogo e até agora nada do melhor do mundo, Ronaldinho Gaúcho. Essa Copa está decepcionando? Show mesmo, só a Argentina contra Sérvia e Montenegro. Será que os hermanos nos roubaram o favoritismo? E o Ronaldo? É mesmo a parceria dele com Adriano o problema da seleção brasileira?

Nessa época, são 180 milhões de técnicos brasileiros com opinião formada para cada uma dessas perguntas. A GE.Net conversou com oito deles, que também são treinadores durante os quatro anos sem Copa do Mundo: Nelsinho Baptista, Estevam Soares, Dario Pereira, Candinho, Givanildo de Oliveira, Carlos Roberto, Vagner Mancini e Cuca. Todos fizeram um balanço desse início de Mundial.

Apenas dois não gostaram dos pouco mais de dez dias de Copa do Mundo: Nelsinho Baptista e Carlos Roberto. O que ninguém discorda, no entanto, é que o Mundial só vai empolgar realmente a partir da segunda fase. No mata-mata, a Argentina, seleção que ao lado de Alemanha e Inglaterra encheu os olhos da maioria, vai ter sua prova de fogo.

E o Brasil, deve mudar? Nelsinho, Givanildo e Cuca se abstiveram da pergunta. O uruguaio Dario Pereira está quase satisfeito com nossa seleção, enquanto Estevam Soares alteraria taticamente a equipe. Os demais não resistiram e criticaram como torcedores, principalmente a dupla de peso Adriano/Ronaldo. Carlos Roberto, que, além de Juninho Pernambucano e Robinho pede também pela entrada de Cicinho, arriscou até um palpite para a decisão.
Gazeta Esportiva.Net: O nível da Copa do Mundo está bom?

Nelsinho Baptista: Por enquanto, o nível não está dos melhores. Mas, quando chegarmos às oitavas-de-final, vai melhorar porque as equipes que estarão na disputa vão ser as melhores. Teremos jogos mais empolgantes. Até agora, não vimos um futebol assim. Muitos jogadores ainda não mostraram o que podem fazer.

Estevam Soares: Estou gostando da Copa. O nível está melhorando, algumas seleções estão bem na competição. É normal que a aplicação do futebol de força e velocidade que se tem hoje diminua um pouco os espaços, não encha os olhos, mas, acredito que, a partir das oitavas, vai melhorar ainda mais. Só vão ficar as melhores seleções.

Dario Pereira: O nível está bom. Estamos no começo e os times ainda estão evoluindo, não mostraram tudo. A Alemanha está jogando bem, a Argentina também e o Brasil é um dos que ainda pode melhorar. Mas a Copa vai melhorar nessa segunda fase, porque aí você elimina os rivais mais fracos, ficam os times fortes.

Candinho: Está melhor que o das últimas Copas. É lógico que não está ótimo, mas melhor que as outras está.

Givanildo de Oliveira: Está bom. Alguns jogos não têm agradado, mas, em geral, o nível está bom.

Carlos Roberto: Não está muito bom. Não tem nenhum time que tenha conseguido manter uma regularidade. A República Tcheca começou bem, era uma seleção que todo mundo apostava, mas caiu no segundo jogo. A Itália também foi assim. O nível não está legal mesmo, tanto no coletivo quanto individualmente. Não tem nenhum jogador que tenha conseguido se destacar.

Vagner Mancini: O nível está bom, mas dentro do esperado. O futebol europeu alçando muitas bolas na área, usando velocidade. O africano com muita força, habilidade, mas ainda sem malícia. O asiático de extrema velocidade, mas também muito ingênuo. O sul-americano é aquilo que a gente já conhece daqui.

Cuca: A maioria dos jogos foi bom.

GE.Net: Qual seleção é a destaque do Mundial até agora?

Nelsinho Baptista: Nenhuma das seleções me encantou ainda. É muito prematuro para você apontar alguma e dizer que ela vai ser a campeã.

Estevam Soares: É difícil falar. Todas as seleções grandes estão conseguindo os resultados. A Alemanha, que está jogando em casa, está mais equilibrada. Portugal tem evoluído também. Mas acho que os favoritos continuam sendo os mesmos: Brasil, Alemanha, Itália, Inglaterra, Portugal. A Argentina, pela equipe e o esquema que tem, pode ser uma candidata forte.

Dario Pereira: A Argentina foi a equipe que ganhou e conseguiu dar espetáculo. A Espanha também, quando fez 4 a 0 na Ucrânia. Mas as goleadas só vão encantar mesmo daqui para frente, quando forem em cima de adversários mais fortes. Quando o rival é mais fraco e está perdendo, acaba abaixando a cabeça e fica mais fácil. A emoção vai ser agora, na segunda fase.

Candinho: A Alemanha, a Inglaterra e a Argentina são as seleções que se apresentaram melhor até agora. Elas podem perder quando chegar em um mata-mata, mas, até aqui, foram as que mais se destacaram.

Givanildo de Oliveira: A Argentina, sem dúvida. A própria Inglaterra e a Alemanha também estão jogando bem e podem chegar.

Carlos Roberto: Vou apostar nas tradicionais. Para mim, vai dar Brasil e Alemanha na final.

Vagner Mancini: A Argentina, pelos dois jogos que fez, com futebol leve e solto, e a Alemanha, com muita força, devem ser citados. Mas a Copa só começa realmente nas oitavas-de-final.

Cuca: Não adianta falar em favoritismo agora porque vai começar o mata-mata. É um jogo que decide tudo, e nesses confrontos as seleções com mais tradição levam vantagem.

GE.Net: Se você fosse o treinador da seleção brasileira, mexeria na equipe?

Nelsinho Baptista: O Parreira vem trabalhando com esse grupo há quase 4 anos. Ninguém se não ele pode dizer o que é correto ou não. É o que eu disse: muitos jogadores ainda não mostraram o que podem fazer. Mas, depois desta terceira partida, talvez ele já tome alguma decisão de mexer na equipe.

Estevam Soares: Eu mudaria. Temos bons jogadores, mais ainda não temos um bom time. Não que esses jogadores que estão lá não tenham qualidade, não é isso, mas o esquema não está batendo. O Adriano, por exemplo, está jogando fora do lugar que ele rende melhor. O Zé Roberto está bem, mas eu não o utilizaria como primeiro volante, ou quase como um terceiro zagueiro, como o Parreira já fez. O Zé Roberto é jogador para atuar mais solto. Você pode formar um bom time com quem está lá. Compreendo a insistência do Parreira em usar os dois atacantes (Adriano e Ronaldo) nos primeiros jogos, mas ele já tinha que ter visto que está difícil assim. Se ele quiser insistir nessa formação, com os dois enfiados, tem que mudar a maneira deles jogarem. Talvez com os dois marcando a saída de bola do adversário, que têm passado muito entre eles, melhore.

Dario Pereira: Está bom assim. A única coisa que a gente vê, que está claro, é que o Ronaldo não está na melhor forma física dele. O Robinho está muito bem e ele está pedindo para entrar, mas o Parreira tem mesmo que das mais uma chance para o Ronaldo. Ele só vai ficar bem fisicamente jogando. É bom agora, que o Japão é um adversário mais tranqüilo. O Ronaldo também tem muito nome e isso chama a marcação. Por isso, talvez seja melhor mesmo o Robinho entrar no segundo tempo, para dar velocidade. O Ronaldinho Gaúcho é outro que ainda não mostrou tudo que sabe.

Candinho: Eu não jogaria com os dois atacantes pesados lá na frente, o Adriano e o Ronaldo. Não sou só eu que estou vendo isso. É todo mundo. Eu colocaria mais um jogador de meio, o Juninho, no lugar do Ronaldo. E, se bobear, eu tiraria também o Adriano e colocaria o Fred.

Givanildo de Oliveira: Não tenho que discutir isso. O técnico é o Parreira e ele é quem sabe o que é melhor para o time. O desempenho está normal. Eles não têm jogado bem, mas têm conseguido os resultados.

Carlos Roberto: Na realidade, por mais que todos os brasileiros depositassem esperança nesses jogadores, o time não está rendendo. A gente espera que isso mude a partir do terceiro jogo. Se eles não se aplicarem taticamente, não vai dar. Não dá para a gente só fazer esse futebol de quadrado, que está parecendo um 4-2-4. Esse time está pedindo um Cicinho na lateral direita, um Robinho no ataque. Depois que o Robinho entra, todo mundo começa a correr. Precisamos de sangue novo.

Vagner Mancini: Fica difícil falar de fora. O Parreira tem suas razões para manter o time assim, mas eu mudaria. O ataque está muito carregado, sem velocidade. A entrada do Juninho, ou do Robinho, melhoraria isso. O Fred, depois que fez o gol, passou a ser mais uma opção interessante. O problema é que o Adriano e o Ronaldo, que está fora de forma, jogam da mesma maneira. Lá na frente, nós temos dois gigantes, mas sem mobilidade.

Cuca: Com tanto tempo que o Parreira tem no futebol, tantas conquistas, a gente fica até desarmado para falar isso. Cabe a nós só assistir e torcer. O que o povo todo questiona é que o Ronaldo e o Adriano não podem jogar juntos, mas isso é muito complexo, as opções são muitas. Essa decisão cabe ao Parreira.

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