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28/06/2006
Foto: Reuters

Simon: estréia desastrosa
 
Poll: será que ele sabe que dois amarelos provocam a expulsão?
 
Ivanov: deixou a violência correr

Por Thiago Azevedo, especial para a GE.Net

A Copa do Mundo tinha tudo para ser a competição que privilegiasse os atletas que quisessem jogar futebol, e não usar e abusar da catimba dentro de campo. A orientação da Fifa para os árbitros foi justamente essa: proteger quem joga e punir quem impede jogar. Porém, os ‘homens de preto’ não têm correspondido à altura e seguem cometendo seus equívocos pelos gramados da Alemanha.

Até aqui neste Mundial, já foram cometidos erros de todos os gostos. Em Itália x Gana, por exemplo, o brasileiro Carlos Eugênio Simon deixou de marcar dois pênaltis para a equipe africana. A mesma Itália teve uma penalidade duvidosa para a sua seleção nas oitavas-de-final, contra a Austrália, assinalado pelo espanhol Luis Medina Cantalejo aos 48 minutos do segundo tempo.

O mexicano Benito Archundía, por sua vez, não deu um gol legítimo para a França no empate por 1 a 1 com a Coréia do Sul, alegando que a bola não teria entrado por inteiro. Já o inglês Graham Poll fez ainda pior. Na partida entre Croácia e Austrália, ele mostrou três cartões vermelhos ao zagueiro croata Simunic, antes de expulsá-lo de campo.

O marco da má arbitragem na Copa, no entanto, foi o jogo entre Portugal e Holanda, no domingo, em Nuremberg, pelas oitavas-de-final. Foram apenas 52 minutos efetivos de bola rolando e um show de violência e jogo sujo, no qual o árbitro russo Valentin Ivanov ficou totalmente perdido. O saldo final foi um recorde em Copas do Mundo: 16 cartões amarelos e quatro vermelhos.

“Foi uma partida à altura das expectativas em relação à emoção mas que, por outro lado, não dá para dizer que a arbitragem tenha sido exatamente impecável”, disse o presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter. A "Batalha de Nuremberg" fez com que a entidade ligasse o seu sinal amarelo e começasse a se preocupar com os rumos da arbitragem no Mundial.

De acordo com o dirigente, os juízes não estão usando os mesmos critérios em todos os jogos, gerando descontentamento de todos os lados. “Observei que as instruções não estão sendo seguidas de forma consistente de uma partida para outra. Quando um técnico reclama para mim que um atleta seu puxou a camisa do adversário e recebeu cartão amarelo em um jogo, e que no seguinte o rival não recebeu nada em uma ocasião semelhante, o que devo responder?”, argumentou.

Ainda assim, há quem acredite que o nível dos árbitros e assistentes na Alemanha está bom – ou pelo menos melhor do que quatro anos antes, na comparação com a Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão. “A arbitragem está boa. Pelo menos, melhor que 2002 ela está. Houve uma evolução boa na parte física e também na disciplinar”, avaliou o presidente do Sindicato dos Árbitros do Estado de São Paulo, Sérgio Correa. Para o dirigente brasileiro, os erros que aconteceram são normais, já que os "homens do apito", antes de tudo, ‘são humanos’.

Ferrenho opositor ao uso da tecnologia à serviço da arbitragem, Joseph Blatter acredita que o nível das atuações dos apitadores irá melhorar na reta final da Copa, mas não deixar de pensar nas próximas competições. Para ele, deve haver um maior investimento na formação e, sobretudo, na profissionalização dos árbitros. “Se desejarmos partidas melhores, precisamos também de árbitros melhores. Por isso, precisamos fomentar a profissionalização da arbitragem e aumentar a rede de pessoas que decidem quem são os melhores. Sem dúvida, farei com que a Fifa lidere este debate assim que a Copa do Mundo estiver terminada”, prometeu.

Com melhora ou não nos próximos jogos, o Mundial da Alemanha já entrou para a história. Nas 56 partidas realizadas até agora, os árbitros mostraram 310 cartões amarelos e 25 vermelhos, que superaram de longe os recordes anteriores. Até então, o maior número de amarelos fora na última edição, com 272, e o recorde de vermelhos foi registrado na França-1998 com 22 exclusões. E isso após 64 partidas nas duas edições. Vale lembrar que o número de faltas pouco aumentou nos últimos quatro anos (de 35,4 para 36,4).

Veja abaixo alguns dos erros deste Mundial cheio de jogadas duvidosas:
Partida Árbitro Polêmica
Brasil 3 x 0 Gana
27/6 - Oitavas-de-final
Lubos Michel (ESV) Segundo gol do Brasil marcado em impedimento
Itália 1 x 0 Austrália
26/6 - Oitavas-de-final
Luis Medina Cantalejo (ESP) Pênalti duvidoso aos 48 minutos do segundo tempo, que Totti marca e dá vitória aos italianos
Portugal 1 x 0 Holanda
25/6 - Oitavas-de-final
Valentin Ivanov (RUS) Holanda reclama de dois pênaltis. Deixou os dois times cansarem de dar carrinhos, trocar empurrões e ignorou até cabeçadas.
Argentina 2 x 1 México
24/6 - Oitavas-de-final
Massimo Busacca (SUI) Árbitro anula gol de Messi, aos 46 minutos do segundo tempo, que daria vitória aos argentinos no tempo normal, alegando impedimento
Suíça 2 x 0 Coréia do Sul
23/6 - Primeira fase
Horacio Elizondo (ARG) No segundo gol da Suíça, assistente marca impedimento de Frei, árbitro valida gol e sul-coreanos ainda reclamaram de um pênalti
Ucrânia 1 x 0 Tunísia
23/6 - Primeira fase
Carlos Amarilla (PAR) Tunisianos reclamam do pênalti marcado a favor da Ucrânia, que resultou no gol da vitória de Shevchenko
Croácia 2 x 2 Austrália
22/6 - Primeira fase
Graham Poll (ING) Árbitro não marca dois pênaltis para Austrália. Além disso, só expulsou o croata Simunic após dar três cartões amarelos.
Gana 2 x 1 EUA
22/6 - Primeira fase
Markus Merk (ALE) Norte-americanos reclamam de pênalti dado para Gana, que resulou no gol da vitória dos africanos
Portugal 2 x 1 México
21/6 - Primeira fase
Lubos Michel (ESV) Miguel tira bola com a mão na área, mas árbitro não marca pênalti no lance. Vale lembrar que o português já tinha cartão amarelo.
Paraguai 2 x 0 Trinidad
20/6 - Primeira fase
Roberto Rosetti (ITA) Árbitro anula gol do paraguaio Caniza, quando o placar estava 1 a 0. Foi marcado impedimento inexistente na jogada.
França 1 x 1 Coréia do Sul
18/6 - Primeira fase
Benito Archundía (MEX) Após escanteio, Vieira marca de cabeça, goleiro tira a bola após passar a linha e árbitro não valida o gol.
Itália 1 x 1 EUA
17/6 - Primeira fase
Jorge Larrionda (URU) Uruguaio anula gol marcado por Beasley, pois alega que McBride, impedido, interferiu na jogada. Norte-americanos reclamaram.
Itália 2 x 0 Gana
12/6 - Primeira fase
Carlos Eugênio Simon (BRA) Seleção de Gana reclama de duas penalidades não marcadas pelo árbitro brasileiro
Polônia 0 x 2 Equador
9/6 - Primeira fase
Toru Kamikawa (JAP) No segundo gol do Equador, Delgado recebe em posição irregular
Alemanha 4 x 2 Costa Rica
9/6 - Primeira fase
Horacio Elizondo (ARG) Alemães reclamam de gol não assinalado, que Porras tira em cima da linha e chiam do segundo gol costarriquenho com impedimento

 

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