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03/07/2006
Foto: Reuters

Aos 24 anos, o "Imperador" Adriano é um dos atletas que devem formar a base da renovada seleção para 2010.

Por Raul Flávio Drewnick

São Paulo (SP) - A derrota por 1 a 0 no Waldstadion foi o último suspiro de uma geração vitoriosa, que ficará para sempre marcada pelos insucessos traumáticos diante da França de Zidane, em 1998 e 2006. Apesar dessas manchas no currículo, muitos dos jogadores que foram goleados na Copa da França, xingados na saída do hotel em Frankfurt e vaiados no Brasil foram responsáveis por um dos períodos mais ricos de nosso futebol.

Foi sob o comando de Carlos Alberto Parreira e a coordenação de Zagallo que o Brasil retornou à rota de conquistas após duas décadas de hiato desde a Copa de 1970. Três foram as finais consecutivas até o pentacampeonato com Luiz Felipe Scolari, em 2002. Antes disso, em 1994, desacreditada, a seleção voltou dos EUA com a taça e com boas sementes plantadas.

No banco de reservas, Ronaldo participava de sua primeira Copa, com 17 anos de idade, mas foi apenas um espectador. Outro reserva, o lateral Cafu, que depois se tornaria o capitão do penta, entrou durante as vitórias sobre EUA (oitavas-de-final), Holanda (quartas-de-final) e Itália (final). Agora, é certo que os jogadores que já passaram dos 30 anos, vão deixar a seleção.

São os casos de Dida (de 32 anos), Rogério Ceni (33), Cafu (36), Emerson (30), Zé Roberto (31), Ricardinho (30), Mineiro (30), e Gilberto (30), que devem seguir o exemplo de Juninho Pernambucano e Roberto Carlos, os primeiros a anunciarem a saída da seleção. Se mantiver sua tradição de renascer das cinzas, Ronaldo ainda tem alguma chance de disputar a Copa de 2010, quando estará com 33 anos, mesma idade dos reservas Gilberto Silva e Cris.

Apesar de elogiada, a zaga brasileira também deve passar por renovação ao menos no banco de reservas. Afinal, os titulares Lúcio e Juan têm idade para ir a outra Copa. Ambos chegariam à África do Sul com 32 e 31 anos, respectivamente, enquanto Luisão terá 29 anos no próximo Mundial.

Devido ao constante surgimento de talentos no Brasil, as possibilidades da renovação, já defendida por Parreira na chegada ao país, são muitas. A primeira será no próprio banco de reservas com a chegada de Wanderley Luxemburgo, hoje no Santos. Consigo, ele trará parte da comissão com que trabalha no alvinegro da Baixada Santista.

Dos jogadores que foram para a Alemanha, o novo comandante deve contar com Robinho (de 22 anos), Fred (22), Adriano (24), Kaká (24), Cicinho (26), Ronaldinho Gaúcho (26) e Júlio César (26), que continuarão brigando por vaga no elenco.

Nesta disputa devem entrar alguns atletas da geração de novatos que não conseguiu sequer se classificar para as Olimpíadas de Atenas, após campanha trágica no Pré-Olímpico de 2004. Por isso, o trabalho nas seleções de base será fundamental nesta renovação. Uma geração que pôde se gabar de brilhar com os títulos nos Mundiais Sub-20 e Sub-17 em 2003, mas que também amargou o fracasso e uma era sem valores notáveis dois anos depois.

Mais do que o pragmatismo do “futebol de resultados” justificado por Parreira em toda campanha na Alemanha por causa do sucesso de 1994, o gol marcado por Thierry Henry na partida de 1º de julho acabou com um ciclo. Resta agora esperar que o trabalho feito pela nova comissão técnica mantenha o caminho das glórias nos últimos 12 anos e o encantamento que brilhou nos comerciais, mas não no campo.

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