Foto: Reuters

Aos 24 anos, o "Imperador" Adriano é
um dos atletas que devem formar a base da renovada
seleção para 2010. |
Por Raul Flávio Drewnick
São Paulo (SP) - A derrota por 1 a
0 no Waldstadion foi o último suspiro de uma geração
vitoriosa, que ficará para sempre marcada pelos insucessos
traumáticos diante da França de Zidane, em 1998 e 2006.
Apesar dessas manchas no currículo, muitos dos jogadores
que foram goleados na Copa da França, xingados na saída
do hotel em Frankfurt e vaiados no Brasil foram responsáveis
por um dos períodos mais ricos de nosso futebol.
Foi sob o comando de Carlos Alberto Parreira e a coordenação
de Zagallo que o Brasil retornou à rota de conquistas
após duas décadas de hiato desde a Copa de 1970. Três
foram as finais consecutivas até o pentacampeonato com
Luiz Felipe Scolari, em 2002. Antes disso, em 1994,
desacreditada, a seleção voltou dos EUA com a taça e
com boas sementes plantadas.
No banco de reservas, Ronaldo participava de sua primeira
Copa, com 17 anos de idade, mas foi apenas um espectador.
Outro reserva, o lateral Cafu, que depois se tornaria
o capitão do penta, entrou durante as vitórias sobre
EUA (oitavas-de-final), Holanda (quartas-de-final) e
Itália (final). Agora, é certo que os jogadores que
já passaram dos 30 anos, vão deixar a seleção.
São os casos de Dida (de 32 anos), Rogério Ceni (33),
Cafu (36), Emerson (30), Zé Roberto (31), Ricardinho
(30), Mineiro (30), e Gilberto (30), que devem seguir
o exemplo de Juninho Pernambucano e Roberto Carlos,
os primeiros a anunciarem a saída da seleção. Se mantiver
sua tradição de renascer das cinzas, Ronaldo ainda tem
alguma chance de disputar a Copa de 2010, quando estará
com 33 anos, mesma idade dos reservas Gilberto Silva
e Cris.
Apesar de elogiada, a zaga brasileira também deve
passar por renovação ao menos no banco de reservas.
Afinal, os titulares Lúcio e Juan têm idade para ir
a outra Copa. Ambos chegariam à África do Sul com 32
e 31 anos, respectivamente, enquanto Luisão terá 29
anos no próximo Mundial.
Devido ao constante surgimento de talentos no Brasil,
as possibilidades da renovação, já defendida por Parreira
na chegada ao país, são muitas. A primeira será no próprio
banco de reservas com a chegada de Wanderley Luxemburgo,
hoje no Santos. Consigo, ele trará parte da comissão
com que trabalha no alvinegro da Baixada Santista.
Dos jogadores que foram para a Alemanha, o novo comandante
deve contar com Robinho (de 22 anos), Fred (22), Adriano
(24), Kaká (24), Cicinho (26), Ronaldinho Gaúcho (26)
e Júlio César (26), que continuarão brigando por vaga
no elenco.
Nesta disputa devem entrar alguns atletas da geração
de novatos que não conseguiu sequer se classificar para
as Olimpíadas de Atenas, após campanha trágica no Pré-Olímpico
de 2004. Por isso, o trabalho nas seleções de base será
fundamental nesta renovação. Uma geração que pôde se
gabar de brilhar com os títulos nos Mundiais Sub-20
e Sub-17 em 2003, mas que também amargou o fracasso
e uma era sem valores notáveis dois anos depois.
Mais do que o pragmatismo do “futebol de resultados”
justificado por Parreira em toda campanha na Alemanha
por causa do sucesso de 1994, o gol marcado por Thierry
Henry na partida de 1º de julho acabou com um ciclo.
Resta agora esperar que o trabalho feito pela nova comissão
técnica mantenha o caminho das glórias nos últimos 12
anos e o encantamento que brilhou nos comerciais, mas
não no campo. |