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06/07/2006

Por Paulo Amaral

Barueri (SP) - Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Adriano e Ronaldo. Os 11 titulares escolhidos por Carlos Alberto Parreira para carregar a esperança de 180 milhões de brasileiros em conquistar a sexta estrela para o Brasil na Copa da Alemanha naufragaram, e muitos deles, de quebra, encerraram seus ciclos com a camisa verde e amarela.

Felipe (Marcelo); Amaral (Eduardo), Luizão (David), Thiago e Carlinhos (Marcelo); Ji-Paraná, Roberto (Denílson), William (Lucas) e Anderson; Luís Adriano e Danilinho (Lenny). Em Barueri, bem longe da terra onde Zidane enterrou o sonho brasileiro, o técnico Nelson Rodrigues trabalha forte com um grupo de jogadores jovens e dois objetivos fundamentais: preparar a nova geração de talentos do Brasil para dar início à esperada reformulação na seleção principal, tão cobrada por Carlos Alberto Parreira após a eliminação brasileira na Copa, e buscar o título que falta ao futebol pentacampeão, o ouro olímpico.

Coordenados pelo ex-lateral-esquerdo Branco, campeão do mundo com a seleção brasileira na Copa dos Estados Unidos, em 1994, o técnico Nelson Rodrigues, o assistente Floraci Pereira, o preparador físico Paulo Camello e o treinador de goleiros Ricardo Cruz apostam no trabalho que vem sendo desenvolvido e não têm dúvidas quanto ao sucesso da nova geração canarinho.

Após uma geração sub-20 criticada pelo terceiro lugar no Mundial de 2005, que terminou com a Argentina (de Lionel Messi) como campeã, a comissão iniciou um novo trabalho e deposita toda sua confiança em Anderson, Lenny e companhia. Para eles, o grupo atual pode compensar o fiasco de Robinho, Kaká e companhia, que perderam a vaga nas Olimpíadas de 2004 para o Paraguai, e fazer o sonho brasileiro se tornar realidade.

“Essa geração que está surgindo é comparável àquela que tinha Diego, Robinho, Kaká em termos de talento e tem tudo para arrebentar no Sul-americano, no Mundial, no Pan e nas Olimpíadas. O Brasil pode ficar tranqüilo, pois as seleções que vêm pela frente são maravilhosas”, assegura Branco, empolgado com a capacidade técnica do time sub-20.

Questionado sobre o fiasco da última “geração de ouro”, o coordenador repete basicamente o discurso da época da eliminação ante os paraguaios, quando já exercia sua atual função. “O que fica de lição daquilo é que só a parte técnica não vale. Se quando entrarmos em campo não igualarmos a vontade com que nossos adversários nos enfrentam, vai ficar difícil. É preciso espírito de luta e determinação e essa geração tem tudo na mão. O sucesso só depende deles”, avisa com uma justificativa bem próxima do fracasso recente da seleção principal.

Menos crítico em relação a Diego, Robinho, Kaká e companhia, o técnico Nelson Rodrigues prefere concentrar seu discurso no atual grupo. “Nosso trabalho é formar o maior número de jogadores possível para a seleção principal, e isso passa também pelo time olímpico. A qualidade técnica desse time é muito grande e acredito que muitos deles poderão estar em campo para ajudar o Brasil a conquistar a tão sonhada medalha de ouro em 2008”, projeta.

A confiança dos comandantes reflete diretamente no discurso dos atletas. Anderson, principal revelação do Grêmio depois de Ronaldinho Gaúcho, e que hoje defende as cores do Porto, de Portugal, é um dos muitos atletas da equipe que guarda dentro de si o sonho do ouro olímpico. Camisa dez e principal nome do time de Nelson Rodrigues, o ex-gremista é puro otimismo.

“O ouro olímpico é o nosso objetivo, mas primeiro temos que pensar em fazer o melhor pela sub-20 no Sul-americano. Passei por todas as categorias de base e seleção é sempre seleção, por isso precisamos dar o melhor e o máximo de nós. Acredito muito no potencial desse grupo e acho que podemos chegar bem às Olimpíadas, mas temos que dar um passo de cada vez”, discursa o meia, com a autoridade de um veterano.

Autoridade no discurso também mostra Ji-Paraná. Revelado nas escolinhas de futebol do Corinthians aos 13 anos, o agora capitão da seleção sub-20 não destoa do discurso e também aposta suas fichas na nova geração brasileira para acabar com o jejum olímpico do país. “Pela qualidade dos jogadores e também pela idade do grupo, podemos apostar na possibilidade de ganhar o ouro olímpico sim. Basta nos prepararmos com afinco e dedicação, dando sempre o melhor”, receita.

Companheiro de Ji-Paraná no Corinthians, o lateral-direito Eduardo Ratinho, peça importante na conquista do Campeonato Brasileiro do ano passado pelo Timão, decreta, deixando a modéstia de lado, o que o mais fanático torcedor sonha em ouvir de um jogador que veste a camisa verde e amarela. “Somos o futuro da seleção brasileira e vamos cumprir todas as etapas, uma de cada vez. Se Deus quiser, com muito trabalho, estaremos nas Olimpíadas lutando pelo ouro. Trabalhando duro, a gente chega lá”, conclui.

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