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Por Paulo Amaral
Barueri (SP) - Dida; Cafu, Lúcio,
Juan e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Kaká
e Ronaldinho Gaúcho; Adriano e Ronaldo. Os 11 titulares
escolhidos por Carlos Alberto Parreira para carregar a esperança
de 180 milhões de brasileiros em conquistar a sexta
estrela para o Brasil na Copa da Alemanha naufragaram, e muitos
deles, de quebra, encerraram seus ciclos com a camisa verde
e amarela.
Felipe (Marcelo); Amaral (Eduardo), Luizão (David),
Thiago e Carlinhos (Marcelo); Ji-Paraná, Roberto (Denílson),
William (Lucas) e Anderson; Luís Adriano e Danilinho
(Lenny). Em Barueri, bem longe da terra onde Zidane enterrou
o sonho brasileiro, o técnico Nelson Rodrigues trabalha
forte com um grupo de jogadores jovens e dois objetivos fundamentais:
preparar a nova geração de talentos do Brasil
para dar início à esperada reformulação
na seleção principal, tão cobrada por
Carlos Alberto Parreira após a eliminação
brasileira na Copa, e buscar o título que falta ao
futebol pentacampeão, o ouro olímpico.
Coordenados pelo ex-lateral-esquerdo Branco, campeão
do mundo com a seleção brasileira na Copa dos
Estados Unidos, em 1994, o técnico Nelson Rodrigues,
o assistente Floraci Pereira, o preparador físico Paulo
Camello e o treinador de goleiros Ricardo Cruz apostam no
trabalho que vem sendo desenvolvido e não têm
dúvidas quanto ao sucesso da nova geração
canarinho.
Após uma geração sub-20 criticada pelo
terceiro lugar no Mundial de 2005, que terminou com a Argentina
(de Lionel Messi) como campeã, a comissão iniciou
um novo trabalho e deposita toda sua confiança em Anderson,
Lenny e companhia. Para eles, o grupo atual pode compensar
o fiasco de Robinho, Kaká e companhia, que perderam
a vaga nas Olimpíadas de 2004 para o Paraguai, e fazer
o sonho brasileiro se tornar realidade.
“Essa geração que está surgindo
é comparável àquela que tinha Diego,
Robinho, Kaká em termos de talento e tem tudo para
arrebentar no Sul-americano, no Mundial, no Pan e nas Olimpíadas.
O Brasil pode ficar tranqüilo, pois as seleções
que vêm pela frente são maravilhosas”,
assegura Branco, empolgado com a capacidade técnica
do time sub-20.
Questionado sobre o fiasco da última “geração
de ouro”, o coordenador repete basicamente o discurso
da época da eliminação ante os paraguaios,
quando já exercia sua atual função. “O
que fica de lição daquilo é que só
a parte técnica não vale. Se quando entrarmos
em campo não igualarmos a vontade com que nossos adversários
nos enfrentam, vai ficar difícil. É preciso
espírito de luta e determinação e essa
geração tem tudo na mão. O sucesso só
depende deles”, avisa com uma justificativa bem próxima
do fracasso recente da seleção principal.
Menos crítico em relação a Diego, Robinho,
Kaká e companhia, o técnico Nelson Rodrigues
prefere concentrar seu discurso no atual grupo. “Nosso
trabalho é formar o maior número de jogadores
possível para a seleção principal, e
isso passa também pelo time olímpico. A qualidade
técnica desse time é muito grande e acredito
que muitos deles poderão estar em campo para ajudar
o Brasil a conquistar a tão sonhada medalha de ouro
em 2008”, projeta.
A confiança dos comandantes reflete diretamente no
discurso dos atletas. Anderson, principal revelação
do Grêmio depois de Ronaldinho Gaúcho, e que
hoje defende as cores do Porto, de Portugal, é um dos
muitos atletas da equipe que guarda dentro de si o sonho do
ouro olímpico. Camisa dez e principal nome do time
de Nelson Rodrigues, o ex-gremista é puro otimismo.
“O ouro olímpico é o nosso objetivo,
mas primeiro temos que pensar em fazer o melhor pela sub-20
no Sul-americano. Passei por todas as categorias de base e
seleção é sempre seleção,
por isso precisamos dar o melhor e o máximo de nós.
Acredito muito no potencial desse grupo e acho que podemos
chegar bem às Olimpíadas, mas temos que dar
um passo de cada vez”, discursa o meia, com a autoridade
de um veterano.
Autoridade no discurso também mostra Ji-Paraná.
Revelado nas escolinhas de futebol do Corinthians aos 13 anos,
o agora capitão da seleção sub-20 não
destoa do discurso e também aposta suas fichas na nova
geração brasileira para acabar com o jejum olímpico
do país. “Pela qualidade dos jogadores e também
pela idade do grupo, podemos apostar na possibilidade de ganhar
o ouro olímpico sim. Basta nos prepararmos com afinco
e dedicação, dando sempre o melhor”, receita.
Companheiro de Ji-Paraná no Corinthians, o lateral-direito
Eduardo Ratinho, peça importante na conquista do Campeonato
Brasileiro do ano passado pelo Timão, decreta, deixando
a modéstia de lado, o que o mais fanático torcedor
sonha em ouvir de um jogador que veste a camisa verde e amarela.
“Somos o futuro da seleção brasileira
e vamos cumprir todas as etapas, uma de cada vez. Se Deus
quiser, com muito trabalho, estaremos nas Olimpíadas
lutando pelo ouro. Trabalhando duro, a gente chega lá”,
conclui.
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