| Por Paulo Amaral
| Foto: Reuters |
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Cannavaro ergue a taça:
pela quarta vez, a Azzurra é campeã
mundial
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A 18ª edição do torneio de futebol mais
importante do mundo chegou ao fim com uma nova seleção
tetracampeã: a Itália. Longe de apresentar o
futebol mais bonito da competição, a Azzurra
acabou triunfando por ser a mais eficiente, fato que a mantém
invicta há 25 jogos. Nos pênaltis, recuperou-se
da derrota sofrida nos mesmos moldes em 1994 para o Brasil,
bateu a França e chutou temporariamente para longe
o escândalo que envolve 13 atletas tetracampeões
em um possível esquema de manipulação
de resultados e que pode resultar no rebaixamento de grandes
equipes no campeonato nacional.
O êxito de Buffon, Cannavaro e companhia, no entanto,
não escondeu a grande decepção que os
amantes do futebol tiveram ao assistir a Copa da Alemanha.
Salvo raras exceções, como a goleada argentina
sobre Sérvia e Montenegro por 6 a 0 ainda na primeira
fase, os jogos do Mundial apresentaram um nível técnico
abaixo do esperado, com a preocupação defensiva
sempre se sobressaindo sobre a ofensiva, haja vista o esquema
dos dois finalistas: 4-5-1.
Craques de quilate indiscutível como Ronaldinho Gaúcho,
Shevchenko, Riquelme e Beckham também decepcionaram
os alemães e não apareceram com todo o brilho,
deixando o caminho aberto para o veterano Zidane, mais uma
vez, arrematar o prêmio de melhor jogador da competição.
O aposentado camisa dez francês foi eleito pela Fifa
como o craque do Mundial, mas deixou o torneio pela porta
dos fundos, depois de dar uma cabeçada no peito do
zagueiro italiano Materazzi e ser expulso na prorrogação.
Sua ausência na decisão por pênaltis acabou
colaborando para a derrota dos Bleus, já que
Zizou é o cobrador oficial da seleção
francesa. Chateado, nem voltou ao gramado para receber sua
medalha de prata.
Além de colocar a Itália nos calcanhares do
Brasil novamente, a Copa da Alemanha mostrou ao mundo um novo
soberano: Ronaldo. Se o principal objetivo do atacante falhou,
ao menos o camisa nove alcançou um novo estágio
em seu currículo, já que os gols marcados contra
Japão (2) e Gana colocaram o Fenômeno como maior
artilheiro da história das Copas do Mundo, com 15 gols,
superando o recorde do alemão Gerd Müller.
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Copas
com menor
índice de gols
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1990 |
2,21 |
2006 |
2,29 |
2002 |
2,52 |
1986 |
2,54 |
1970 |
2,55 |
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Gols, aliás, foram artigos raros na Alemanha. O Mundial
registrou a segunda pior média por partida da história
das Copas, superando apenas os números da competição
disputada na Itália em 1990, outra Copa que não
primou pelo brilho técnico. Na ocasião, foram
marcados 115 gols em 52 jogos, média de 2,21 por jogo.
Já neste ano, as redes balançaram em 147 oportunidades
nos 64 jogos, o que resultou em uma média de 2,29 por
partida.
Com a escassez de gols, o artilheiro máximo do Mundial
não poderia fugir à regra: Miroslav Klose, da
Alemanha, ganhou a chuteira de ouro da Fifa ao marcar apenas
cinco gols, o menor número registrado por um artilheiro
desde a primeira edição da Copa do Mundo, em
1930.
Na última vez em que uma Copa registrou uma média
de gols tão baixa, há 16 anos, a entidade maior
do futebol mundial agiu rápido e tomou providências
para o jogo se tornar mais atraente: proibiu os goleiros de
pegarem bolas recuadas com as mãos.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, já adiantou
que realizará um simpósio ainda este ano com
técnicos, árbitros, médicos e com o grupo
de estudos da entidade para ouvir sugestões e propostas
de novas mudanças na regra do esporte, como o aumento
das traves e o fim do impedimento. Mas descartou, de imediato,
a redução do número de atletas por equipe
de 11 para dez jogadores.
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