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10/07/2006

Por Paulo Amaral

Foto: Reuters
Cannavaro ergue a taça: pela quarta vez, a Azzurra é campeã mundial

A 18ª edição do torneio de futebol mais importante do mundo chegou ao fim com uma nova seleção tetracampeã: a Itália. Longe de apresentar o futebol mais bonito da competição, a Azzurra acabou triunfando por ser a mais eficiente, fato que a mantém invicta há 25 jogos. Nos pênaltis, recuperou-se da derrota sofrida nos mesmos moldes em 1994 para o Brasil, bateu a França e chutou temporariamente para longe o escândalo que envolve 13 atletas tetracampeões em um possível esquema de manipulação de resultados e que pode resultar no rebaixamento de grandes equipes no campeonato nacional.

O êxito de Buffon, Cannavaro e companhia, no entanto, não escondeu a grande decepção que os amantes do futebol tiveram ao assistir a Copa da Alemanha. Salvo raras exceções, como a goleada argentina sobre Sérvia e Montenegro por 6 a 0 ainda na primeira fase, os jogos do Mundial apresentaram um nível técnico abaixo do esperado, com a preocupação defensiva sempre se sobressaindo sobre a ofensiva, haja vista o esquema dos dois finalistas: 4-5-1.

Craques de quilate indiscutível como Ronaldinho Gaúcho, Shevchenko, Riquelme e Beckham também decepcionaram os alemães e não apareceram com todo o brilho, deixando o caminho aberto para o veterano Zidane, mais uma vez, arrematar o prêmio de melhor jogador da competição.

O aposentado camisa dez francês foi eleito pela Fifa como o craque do Mundial, mas deixou o torneio pela porta dos fundos, depois de dar uma cabeçada no peito do zagueiro italiano Materazzi e ser expulso na prorrogação. Sua ausência na decisão por pênaltis acabou colaborando para a derrota dos Bleus, já que Zizou é o cobrador oficial da seleção francesa. Chateado, nem voltou ao gramado para receber sua medalha de prata.

Além de colocar a Itália nos calcanhares do Brasil novamente, a Copa da Alemanha mostrou ao mundo um novo soberano: Ronaldo. Se o principal objetivo do atacante falhou, ao menos o camisa nove alcançou um novo estágio em seu currículo, já que os gols marcados contra Japão (2) e Gana colocaram o Fenômeno como maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 15 gols, superando o recorde do alemão Gerd Müller.

Copas com menor
índice de gols
1990
2,21
2006
2,29
2002
2,52
1986
2,54
1970
2,55

Gols, aliás, foram artigos raros na Alemanha. O Mundial registrou a segunda pior média por partida da história das Copas, superando apenas os números da competição disputada na Itália em 1990, outra Copa que não primou pelo brilho técnico. Na ocasião, foram marcados 115 gols em 52 jogos, média de 2,21 por jogo. Já neste ano, as redes balançaram em 147 oportunidades nos 64 jogos, o que resultou em uma média de 2,29 por partida.

Com a escassez de gols, o artilheiro máximo do Mundial não poderia fugir à regra: Miroslav Klose, da Alemanha, ganhou a chuteira de ouro da Fifa ao marcar apenas cinco gols, o menor número registrado por um artilheiro desde a primeira edição da Copa do Mundo, em 1930.

Na última vez em que uma Copa registrou uma média de gols tão baixa, há 16 anos, a entidade maior do futebol mundial agiu rápido e tomou providências para o jogo se tornar mais atraente: proibiu os goleiros de pegarem bolas recuadas com as mãos.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, já adiantou que realizará um simpósio ainda este ano com técnicos, árbitros, médicos e com o grupo de estudos da entidade para ouvir sugestões e propostas de novas mudanças na regra do esporte, como o aumento das traves e o fim do impedimento. Mas descartou, de imediato, a redução do número de atletas por equipe de 11 para dez jogadores.

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