| Por Henrique Moretti, especial
para a GE.Net
Foto: AFP |
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| Schumacher: colecionador de recordes na Fórmula 1 |
Michael Schumacher deixou a Fórmula 1 em 2006 como
o maior campeão de todos os tempos. Coincidência
ou não, desde então o equilíbrio
voltou a marcar a categoria, com grandes batalhas sendo
realizadas tanto na temporada 2007, vencida por Kimi Raikkonen,
como na de 2008, em que a briga entre Lewis Hamilton e
Felipe Massa é acirrada. A volta da emoção
tem conseqüência direta com a aposentadoria
do alemão ou é fruto do alto nível
técnico dos atuais pilotos?
Em 16 Mundiais disputados, Schumacher colecionou números
incontestáveis que o fazem ser o detentor de
vários recordes: 91 vitórias, 154 pódios,
1.369 pontos, 68 pole positions e, principalmente, sete
títulos conquistados. Considerado por muitos
o melhor piloto da história, o alemão
exerceu um domínio, seja pelo seu talento, seja
pela falta de concorrentes à altura, o que levou
a Fórmula 1 a ser conhecida pela monotonia.
Entretanto, desde 2007, ano em que deixou as pistas,
a categoria tem visto outro fenômeno acontecer:
o equilíbrio. Para provar a existência
desse contexto, dificilmente será possível
apontar um exemplo melhor do que a atual temporada,
na qual dois pilotos, Hamilton e Massa, brigam pelo
título ponto a ponto, sendo que tudo leva a crer
que essa disputa só terá fim no Grande
Prêmio do Brasil, marcado para o próximo
dia 2 de novembro.
Embora a definição do vencedor apenas
na última corrida do ano já tenha ocorrido
em 2007, quando Raikkonen, Hamilton e Alonso chegaram
a Interlagos em condições de triunfar,
e até em 2006, ano em que o espanhol confirmou
seu bicampeonato sobre Schumacher também no autódromo
paulistano, a temporada 2008 apresenta um importante
diferencial: sete pilotos dividiram as vitórias
nas 15 etapas realizadas até Cingapura, um número
que só encontra precedente em 2003, quando oito
corredores venceram em um campeonato no qual Schumacher
apenas se livrou das ameaças de Raikkonen e Juan
Pablo Montoya na prova final.
A partir da divisão da quantidade de vitórias,
surge uma estatística importante. O aproveitamento
de triunfos do atual líder do Mundial, Hamilton,
é o menor dos últimos nove anos (26,6%).
Com ‘somente’ quatro corridas ganhas em
um cenário de 15, o inglês tem um retrospecto
inferior, por exemplo, ao ostentado por Raikkonen no
ano passado – teve 33,3% ao faturar seis de 18
etapas.
Para a comparação ficar ainda mais desproporcional,
basta apontar a época dourada do heptacampeão
da Fórmula 1, que em quatro de seus cinco títulos
conquistados como ferrarista venceu mais da metade das
corridas realizadas, chegando
a um assombroso aproveitamento de 72,2% na temporada
2004, em que foi o primeiro colocado por 13 vezes e
venceu o campeonato com quatro corridas de antecedência.
Retornando aos nomes que já ganharam corridas
neste ano, esse grupo varia desde a favoritos como a
dupla de titulares de Ferrari e McLaren até a
surpresas como Sebastian Vettel, da Toro Rosso, Robert
Kubica, da BMW, e Alonso, que conseguiu levar de forma
inesperada o carro da Renault ao ponto mais alto do
pódio em Cingapura.
O fato de todos esses pilotos terem menos que 30 anos
e, portanto, pelo menos mais cinco temporadas na elite
pela frente, pode levar a apontá-los como representantes
de uma nova geração que promete se revezar
no comando da categoria nos próximos campeonatos,
conforme assinalam os especialistas ouvidos pela reportagem
da GE.Net.
| Fotos Divulgação |

Flávio Gomes |

Reginaldo Leme |

Lito Cavalcanti |

Emerson Fittipaldi |
“A geração atual é muito boa,
é excepcional”, garante Flávio Gomes,
comentarista de automobilismo da ESPN Brasil, que dos
ganhadores de 2008 só não considera Vettel
e Kovalainen como candidatos a títulos. “Mas
Raikkonen, Hamilton, Massa, Kubica e Alonso prometem equilíbrio,
não vai acontecer de um cara dominar o campeonato,
como o Schumacher dominou na época dele. Mesmo
que alguém tenha o melhor carro, os pilotos se
equivalem e o equilíbrio prevalecerá”,
prevê. Reginaldo Leme, da Rede Globo, concorda,
também projetando que o equilíbrio se
mantenha nas próximas temporadas, porém
evita citar o nome de Raikkonen, sempre rodeado por
boatos envolvendo uma aposentadoria precoce. “A
nova geração, que vai brigar ainda alguns
anos na Fórmula 1, é esta aí. Não
vai mudar tão cedo e tem Hamilton, Massa, Alonso,
Kubica e, talvez, Vettel, se continuar em ascensão
na carreira”, aponta.
Comentarista da SporTV, Lito Cavalcanti vê força
na maioria dos nomes apontados, mas é outro a
duvidar da motivação do finlandês
da Ferrari para seguir brilhando nas pistas. “Hoje
você vê o Raikkonen em um momento difícil.
Ele não está muito à vontade, parece
mostrar saturação quanto ao ambiente da
Fórmula 1, em que todos ficam vigiando o cara”,
afirma ele, que, por outro lado, prefere esperar mais
para colocar o alemão da Toro Rosso no patamar
dos demais. “O Vettel está longe de ser
maduro, ganhou uma corrida sensacional, mas teve a ajuda
da chuva. Não da para dizer que ele vá
lutar pelo titulo porque sentar no carro de uma equipe
grande demanda outra responsabilidade”.
Também consultado pela reportagem, o bicampeão
mundial Emerson Fittipaldi é mais um nome de
respeito a aprovar a nova geração de pilotos,
liderada, segundo ele, por Fernando Alonso. “Se
eu tivesse que contratar alguém hoje, eu escolheria
o Fernando, que tem experiência, sabe acertar
carro... é o mais completo. Na seqüência
você tem Felipe Massa e Lewis Hamilton, que consegue
se equiparar mesmo sem experiência nenhuma”.
E é exatamente por ter sabido encarar a pressão
apesar de ser muito jovem que Fittipaldi se diz impressionado
com o potencial do inglês que está muito
próximo de vencer o Mundial de Pilotos com apenas
23 anos de idade. “O Hamilton é excepcional.
Não há parâmetro na história
da Fórmula 1 de alguém que tenha feito
o que ele fez em seu primeiro ano somando com o que
vem fazendo no segundo”.
Questionado sobre os demais jovens que estão
despontando, o ex-piloto de McLaren, Lotus e Copersucar
elogiou Robert Kubica e Sebastian Vettel e surpreendeu
ao juntar à lista de revelações
o nome de Nelsinho Piquet, que vê seu emprego
na Renault sob risco para o ano que vem. “Eu destacaria
o Nelsinho, porque ele é muito bom e mostrou
isso algumas vezes neste ano, apesar da pressão
do sobrenome. Além dele, cito o Vettel, que desde
o ano passado vem aparecendo bem, e o Kubica, que já
está estabelecido”.
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