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10/10/2008
Montagem sobre foto AFP

Por Henrique Moretti, especial para a GE.Net

Foto: AFP
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Schumacher: colecionador de recordes na Fórmula 1
Michael Schumacher deixou a Fórmula 1 em 2006 como o maior campeão de todos os tempos. Coincidência ou não, desde então o equilíbrio voltou a marcar a categoria, com grandes batalhas sendo realizadas tanto na temporada 2007, vencida por Kimi Raikkonen, como na de 2008, em que a briga entre Lewis Hamilton e Felipe Massa é acirrada. A volta da emoção tem conseqüência direta com a aposentadoria do alemão ou é fruto do alto nível técnico dos atuais pilotos?

Em 16 Mundiais disputados, Schumacher colecionou números incontestáveis que o fazem ser o detentor de vários recordes: 91 vitórias, 154 pódios, 1.369 pontos, 68 pole positions e, principalmente, sete títulos conquistados. Considerado por muitos o melhor piloto da história, o alemão exerceu um domínio, seja pelo seu talento, seja pela falta de concorrentes à altura, o que levou a Fórmula 1 a ser conhecida pela monotonia.

Entretanto, desde 2007, ano em que deixou as pistas, a categoria tem visto outro fenômeno acontecer: o equilíbrio. Para provar a existência desse contexto, dificilmente será possível apontar um exemplo melhor do que a atual temporada, na qual dois pilotos, Hamilton e Massa, brigam pelo título ponto a ponto, sendo que tudo leva a crer que essa disputa só terá fim no Grande Prêmio do Brasil, marcado para o próximo dia 2 de novembro.

Embora a definição do vencedor apenas na última corrida do ano já tenha ocorrido em 2007, quando Raikkonen, Hamilton e Alonso chegaram a Interlagos em condições de triunfar, e até em 2006, ano em que o espanhol confirmou seu bicampeonato sobre Schumacher também no autódromo paulistano, a temporada 2008 apresenta um importante diferencial: sete pilotos dividiram as vitórias nas 15 etapas realizadas até Cingapura, um número que só encontra precedente em 2003, quando oito corredores venceram em um campeonato no qual Schumacher apenas se livrou das ameaças de Raikkonen e Juan Pablo Montoya na prova final.

A partir da divisão da quantidade de vitórias, surge uma estatística importante. O aproveitamento de triunfos do atual líder do Mundial, Hamilton, é o menor dos últimos nove anos (26,6%). Com ‘somente’ quatro corridas ganhas em um cenário de 15, o inglês tem um retrospecto inferior, por exemplo, ao ostentado por Raikkonen no ano passado – teve 33,3% ao faturar seis de 18 etapas.

Para a comparação ficar ainda mais desproporcional, basta apontar a época dourada do heptacampeão da Fórmula 1, que em quatro de seus cinco títulos conquistados como ferrarista venceu mais da metade das corridas realizadas, chegando a um assombroso aproveitamento de 72,2% na temporada 2004, em que foi o primeiro colocado por 13 vezes e venceu o campeonato com quatro corridas de antecedência.

Retornando aos nomes que já ganharam corridas neste ano, esse grupo varia desde a favoritos como a dupla de titulares de Ferrari e McLaren até a surpresas como Sebastian Vettel, da Toro Rosso, Robert Kubica, da BMW, e Alonso, que conseguiu levar de forma inesperada o carro da Renault ao ponto mais alto do pódio em Cingapura.

O fato de todos esses pilotos terem menos que 30 anos e, portanto, pelo menos mais cinco temporadas na elite pela frente, pode levar a apontá-los como representantes de uma nova geração que promete se revezar no comando da categoria nos próximos campeonatos, conforme assinalam os especialistas ouvidos pela reportagem da GE.Net.

Fotos Divulgação
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Flávio Gomes
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Reginaldo Leme
Foto: AFP
Lito Cavalcanti
Foto: AFP
Emerson Fittipaldi
“A geração atual é muito boa, é excepcional”, garante Flávio Gomes, comentarista de automobilismo da ESPN Brasil, que dos ganhadores de 2008 só não considera Vettel e Kovalainen como candidatos a títulos. “Mas Raikkonen, Hamilton, Massa, Kubica e Alonso prometem equilíbrio, não vai acontecer de um cara dominar o campeonato, como o Schumacher dominou na época dele. Mesmo que alguém tenha o melhor carro, os pilotos se equivalem e o equilíbrio prevalecerá”, prevê.

Reginaldo Leme, da Rede Globo, concorda, também projetando que o equilíbrio se mantenha nas próximas temporadas, porém evita citar o nome de Raikkonen, sempre rodeado por boatos envolvendo uma aposentadoria precoce. “A nova geração, que vai brigar ainda alguns anos na Fórmula 1, é esta aí. Não vai mudar tão cedo e tem Hamilton, Massa, Alonso, Kubica e, talvez, Vettel, se continuar em ascensão na carreira”, aponta.

Comentarista da SporTV, Lito Cavalcanti vê força na maioria dos nomes apontados, mas é outro a duvidar da motivação do finlandês da Ferrari para seguir brilhando nas pistas. “Hoje você vê o Raikkonen em um momento difícil. Ele não está muito à vontade, parece mostrar saturação quanto ao ambiente da Fórmula 1, em que todos ficam vigiando o cara”, afirma ele, que, por outro lado, prefere esperar mais para colocar o alemão da Toro Rosso no patamar dos demais. “O Vettel está longe de ser maduro, ganhou uma corrida sensacional, mas teve a ajuda da chuva. Não da para dizer que ele vá lutar pelo titulo porque sentar no carro de uma equipe grande demanda outra responsabilidade”.

Também consultado pela reportagem, o bicampeão mundial Emerson Fittipaldi é mais um nome de respeito a aprovar a nova geração de pilotos, liderada, segundo ele, por Fernando Alonso. “Se eu tivesse que contratar alguém hoje, eu escolheria o Fernando, que tem experiência, sabe acertar carro... é o mais completo. Na seqüência você tem Felipe Massa e Lewis Hamilton, que consegue se equiparar mesmo sem experiência nenhuma”.

E é exatamente por ter sabido encarar a pressão apesar de ser muito jovem que Fittipaldi se diz impressionado com o potencial do inglês que está muito próximo de vencer o Mundial de Pilotos com apenas 23 anos de idade. “O Hamilton é excepcional. Não há parâmetro na história da Fórmula 1 de alguém que tenha feito o que ele fez em seu primeiro ano somando com o que vem fazendo no segundo”.

Questionado sobre os demais jovens que estão despontando, o ex-piloto de McLaren, Lotus e Copersucar elogiou Robert Kubica e Sebastian Vettel e surpreendeu ao juntar à lista de revelações o nome de Nelsinho Piquet, que vê seu emprego na Renault sob risco para o ano que vem. “Eu destacaria o Nelsinho, porque ele é muito bom e mostrou isso algumas vezes neste ano, apesar da pressão do sobrenome. Além dele, cito o Vettel, que desde o ano passado vem aparecendo bem, e o Kubica, que já está estabelecido”.


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