| Por Fernando Narazaki
Cinquenta e três meses depois de tornar-se o quarto brasileiro
a ter um título mundial de boxe, o baiano Acelino 'Popó' Freitas
tem a chance de igualar uma marca histórica do país nesta
madrugada de domingo. Ele encara o uzbeque naturalizado armênio
Artur Grigorian, na cidade norte-americana de Connecticut,
em busca do cinturão mundial na segunda categoria diferente.
O confronto acontece às 2 horas (horário de
Brasília).
Popó tenta tomar o título de Grigorian dos pesos leves pela
Organização Mundial de Boxe (OMB) e igualar o feito de Éder
Jofre, campeões dos galos e penas nos anos 60 e 70. O baiano
é o campeão dos superpenas pela OMB e pela Associação Mundial
de Boxe (AMB) e deve subir de categoria, caso conquiste o
título nesta madrugada.
Para isso, Popó decidiu voltar às origens e competir na
categoria em que se projetou para o boxe. "Lutei 21 vezes
nos leves e estou muito feliz de retornar. Precisava disso
pela minha saúde e me sinto muito mais confortável", diz o
baiano, que não teve as mesmas dificuldades de outrora para
atingir o peso exigido dos leves (57,15kg).
No início da carreira, o baiano disputou 19 lutas nesta
categoria, tendo como resultado mais expressivo a vitória
sobre Francisco Tomas da Cruz por nocaute no segundo assalto,
que lhe rendeu o título brasileiro. Cruz foi um dos maiores
nomes do país nos anos 80 e perdeu do mexicano Julio Cesar
Chavez na disputa do título mundial.
Depois disso, Popó só viria a lutar nos pesos leves por
duas vezes, sendo que a última (contra o ganês Alfred Kotey)
o brasileiro obteve o primeiro triunfo por pontos na carreira.
"Ganhei a maioria das minhas lutas nos leves por nocaute e
estou pronto para isso. Eu me sinto mais confiante neste peso.
Deixo claro que não estou subindo de categoria, mas voltando
a minha original", afirma.
O baiano vem se preparando para o combate há mais de três
meses e acredita que o fato de não ter responsabilidades é
sua maior arma na luta. "Estou concentrado há três meses.
Tive de abrir mão de algumas coisas e vou buscar a vitória.
Sou o desafiante e não tenho nada a perder. Não preciso defender
meu título", provoca.
Outro ponto favorável apontado pelo baiano é a diferença
de idade de oito anos para Grigorian, que já tem 36 anos.
"Ele é um pouco mais velho que eu e isso pode me ajudar. Preciso
ser rápido e ter golpes duros", explica Popó, que terá pela
frente um difícil rival. Radicado na Alemanha, o uzbeque Grigorian
é campeão dos leves desde 1996 e defendeu o cinturão por 17
vezes, com nove triunfos por nocaute.
"Estou pronto para 12 assaltos. Quero mostrar que sou o
real campeão dos leves, sou campeão há muito tempo pois sou
mais forte que o resto do mundo", dispara o pugilista. O uzbeque
não entra nos ringues desde 18 de janeiro do ano passado,
quando bateu o polonês Matt Zegan em decisão muito contestada
pela imprensa internacional, que julgou Zegan como melhor
no combate.
Apesar da longa ausência, Grigorian acredita que isso não
atrapalhará o seu desempenho. "Tive uma operação no ombro
e foi difícil me recuperar, mas não acredito que isso vai
me atrapalhar. Estou muito confiante", diz o "Rei Artur",
como é conhecido na modalidade.
Será a primeira vez que Grigorian lutará fora da Europa
e o brasileiro acredita que poderá tirar vantagem desta inexperiência.
"Artur é talvez o mais forte de sua divisão, mas talvez nunca
tenha viajado tanto e contra alguém do meu calibre", diz Popó,
que promete uma festa diferente em caso de vitória nesta madrugada.
"Mas é surpresa. Depois da luta, você descobre", revela.
Em caso de vitória, Popó ainda poderá ficar mais próximo
de um combate contra o norte-americano Floyd Mayweather, atual
campeão dos leves pelo Conselho Mundial de Boxe (CMB). Os
dois cansaram de trocaram provocações nos superpenas, quando
Mayweather era detentor do título do CMB, mas a luta nunca
foi realizada.
"Ele vivia correndo. Vamos ver se agora ele tem um motivo.
Ele só fica subindo de peso, bebe muito e só entra em confusão",
diz Popó, que não descarta a volta para os superpenas, em
caso de uma derrota nesta madrugada. "Terei 30 dias para decidir
o que fazer. Vamos esperar, mas nem penso nesta possibilidade",
assegura. É um teste de verdade para o baiano igualar o maior
nome do boxe nacional em todos os tempos.
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