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02/01/2004
Popó volta às origens para igualar Éder Jofre
'Novo' amor incentiva Popó a buscar cinturão
Por Fernando Narazaki

Cinquenta e três meses depois de tornar-se o quarto brasileiro a ter um título mundial de boxe, o baiano Acelino 'Popó' Freitas tem a chance de igualar uma marca histórica do país nesta madrugada de domingo. Ele encara o uzbeque naturalizado armênio Artur Grigorian, na cidade norte-americana de Connecticut, em busca do cinturão mundial na segunda categoria diferente. O confronto acontece às 2 horas (horário de Brasília).

Popó tenta tomar o título de Grigorian dos pesos leves pela Organização Mundial de Boxe (OMB) e igualar o feito de Éder Jofre, campeões dos galos e penas nos anos 60 e 70. O baiano é o campeão dos superpenas pela OMB e pela Associação Mundial de Boxe (AMB) e deve subir de categoria, caso conquiste o título nesta madrugada.

Para isso, Popó decidiu voltar às origens e competir na categoria em que se projetou para o boxe. "Lutei 21 vezes nos leves e estou muito feliz de retornar. Precisava disso pela minha saúde e me sinto muito mais confortável", diz o baiano, que não teve as mesmas dificuldades de outrora para atingir o peso exigido dos leves (57,15kg).

No início da carreira, o baiano disputou 19 lutas nesta categoria, tendo como resultado mais expressivo a vitória sobre Francisco Tomas da Cruz por nocaute no segundo assalto, que lhe rendeu o título brasileiro. Cruz foi um dos maiores nomes do país nos anos 80 e perdeu do mexicano Julio Cesar Chavez na disputa do título mundial.

Depois disso, Popó só viria a lutar nos pesos leves por duas vezes, sendo que a última (contra o ganês Alfred Kotey) o brasileiro obteve o primeiro triunfo por pontos na carreira. "Ganhei a maioria das minhas lutas nos leves por nocaute e estou pronto para isso. Eu me sinto mais confiante neste peso. Deixo claro que não estou subindo de categoria, mas voltando a minha original", afirma.

O baiano vem se preparando para o combate há mais de três meses e acredita que o fato de não ter responsabilidades é sua maior arma na luta. "Estou concentrado há três meses. Tive de abrir mão de algumas coisas e vou buscar a vitória. Sou o desafiante e não tenho nada a perder. Não preciso defender meu título", provoca.

Outro ponto favorável apontado pelo baiano é a diferença de idade de oito anos para Grigorian, que já tem 36 anos. "Ele é um pouco mais velho que eu e isso pode me ajudar. Preciso ser rápido e ter golpes duros", explica Popó, que terá pela frente um difícil rival. Radicado na Alemanha, o uzbeque Grigorian é campeão dos leves desde 1996 e defendeu o cinturão por 17 vezes, com nove triunfos por nocaute.

"Estou pronto para 12 assaltos. Quero mostrar que sou o real campeão dos leves, sou campeão há muito tempo pois sou mais forte que o resto do mundo", dispara o pugilista. O uzbeque não entra nos ringues desde 18 de janeiro do ano passado, quando bateu o polonês Matt Zegan em decisão muito contestada pela imprensa internacional, que julgou Zegan como melhor no combate.

Apesar da longa ausência, Grigorian acredita que isso não atrapalhará o seu desempenho. "Tive uma operação no ombro e foi difícil me recuperar, mas não acredito que isso vai me atrapalhar. Estou muito confiante", diz o "Rei Artur", como é conhecido na modalidade.

Será a primeira vez que Grigorian lutará fora da Europa e o brasileiro acredita que poderá tirar vantagem desta inexperiência. "Artur é talvez o mais forte de sua divisão, mas talvez nunca tenha viajado tanto e contra alguém do meu calibre", diz Popó, que promete uma festa diferente em caso de vitória nesta madrugada. "Mas é surpresa. Depois da luta, você descobre", revela.

Em caso de vitória, Popó ainda poderá ficar mais próximo de um combate contra o norte-americano Floyd Mayweather, atual campeão dos leves pelo Conselho Mundial de Boxe (CMB). Os dois cansaram de trocaram provocações nos superpenas, quando Mayweather era detentor do título do CMB, mas a luta nunca foi realizada.

"Ele vivia correndo. Vamos ver se agora ele tem um motivo. Ele só fica subindo de peso, bebe muito e só entra em confusão", diz Popó, que não descarta a volta para os superpenas, em caso de uma derrota nesta madrugada. "Terei 30 dias para decidir o que fazer. Vamos esperar, mas nem penso nesta possibilidade", assegura. É um teste de verdade para o baiano igualar o maior nome do boxe nacional em todos os tempos.

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