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Fortes e fracos ganham reforço
em ano olímpico
| Foto Leonardo Soares/Adventure Press Brasil |
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Por Claudia Andrade
Anos olímpicos transformam esportes normalmente esquecidos
em atrativos para empresas que querem aparecer em uma época
favorável para isso. O problema é que o apoio
costuma terminar junto com os Jogos Olímpicos, deixando
atletas e entidades esportivas novamente sem recursos para
dar continuidade ao trabalho e fazer uma preparação
decente para o ciclo seguinte.
Nesta quinta-feira, no lançamento do Programa Nosso
Esporte, uma parceria da Secretaria Estadual da Juventude,
Esporte e Lazer com o banco Nossa Caixa para patrocinar federações
paulistas de quatro modalidades olímpicas, o secretário
Lars Grael deixou claro que pretende evitar um acordo efêmero.
"Temos a preocupação de não deixar
que a iniciativa seja mais uma ação sazonal
de ano olímpico."
O projeto vai destinar R$ 1,6 milhão às entidades
que cuidam do judô, tênis de mesa, ciclismo e
remo no Estado. O contrato vale até o fim deste ano,
e destina quantias diferentes para cada modalidade, segundo
sua expressão no cenário paulista e nacional.
O judô receberá o maior quinhão, R$ 520
mil. Ciclismo e tênis de mesa terão R$ 420 cada
e o remo receberá R$ 240 até dezembro.
No tênis de mesa, os cinco representantes do Brasil
nas Olimpíadas de Atenas serão beneficiados
com uma bolsa, já que todos fazem parte da federação
de São Paulo. Mas também será destinada
verba para a formação de atletas, ponto forte
também nas outras três entidades.
"Os atletas olímpicos também vão
receber uma bolsa, porque os resultados que obtiveram acabaram
fazendo com que fôssemos escolhidos para este projeto.
O Hugo (Hoyama) e a Lígia (Silva) já se dispuseram
a ir ao centro de treinamento para trabalhar com os mais novos",
diz o presidente da Federação Paulista de Tênis
de Mesa, Lidney Castro Valejo.
O judô, que tradicionalmente traz medalhas olímpicas
para o país, vai concentrar o dinheiro nos esportistas
até 18 anos. "Vamos trabalhar na formação
da base para um futuro próximo", garante o vice-presidente
da Federação Paulista, Mateus Sugizaki. "O
judô já tem uma tradição de resultados
olímpicos. O que faltava para nós era esse tipo
de suporte. A gente que trabalha com formação
ficava sem nada", completa.
| Foto Leonardo Soares/Adventure Press Brasil |
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Os eleitos - A escolha dos esportes beneficiados foi
feita com base em critérios distintos. "O ciclismo
é um esporte importante em São Paulo, que projeta
atletas de nível nacional. Dois dos três velódromos
do país estão em São Paulo, em Caieiras
e Americana. No tênis de mesa, a equipe olímpica
é uma equipe paulista e queremos implantar também
um local de treinamento na Vila Olímpica Mário
Covas (ainda não inaugurada)", diz o secretário
Lars Grael.
No remo, a idéia é resgatar uma modalidade
que no passado foi responsável pela expansão
esportiva no Estado e que atualmente está defasada.
"O objetivo é revigorar a prática do remo",
diz.
E o judô, o mais desenvolvido dos quatro escolhidos?
"Quando vem um patrocínio de estatal, ninguém
apóia o judô, que sempre fica esquecido. Queremos
corrigir essa injustiça histórica."
A Federação Paulista pretende concentrar a
aplicação de recursos apenas em atletas de 15
a 18 anos, o que exclui os de elite, que recebem recursos
da Confederação Brasileira. No entanto, parte
dos recursos vai para o veterano Aurélio Miguel, que
ainda não sabe o que terá em mãos nem
como vai empregar o que tiver. "Sou mais como um padrinho",
diz ele, que acha importante que o esporte vá onde
está a população menos favorecida.
O presidente da Federação Paulista Mateus Sugizaki
prevê a participação de Aurélio
em palestras e treinos, mas "sem um trabalho rotineiro."
Segundo ele, antes a entidade contava apenas com o dinheiro
gerado por eventos e pelo pagamento de anuidades. Nada vinha
de bingos. "A gente foi procurado, mas era difícil
entrar em acordo com eles. Nunca concordávamos",
conclui.
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