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Presidente do CPB defende judocas
acusados e critica denúncia
O presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro
(CPB), Vidal Severino Neto, criticou a decisão do judoca
Alessandro Fabiano de Oliveira de denunciar publicamente a
existência de
irregularidades na pré-convocação
da seleção brasileira de judô para Atenas.
Nesta quarta-feira, o dirigente classificou a atitude como
um gesto para chamar a atenção.
| Foto Marcelo Ferrelli/GP |
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"Isso é denúncia de um oculto e outro que se
mostra. O oculto ganhou duas medalhas em 1996 e 2000, mas
depois decidiu dedicar-se mais à política que
aos treinos. O outro é adversário direto de
quem denuncia, mas nunca venceu uma luta contra ele. É
uma tentativa de atrair os holofotes", afirmou Neto.
O dirigente explica o caso de Karla Ferreira Cardoso com
a mesma argumentação do presidente da Associação
Brasileira de Desportos para Cegos (ABDC), David Faria Costa.
Segundo eles, a atleta sofreria de uma doença degenerativa
que a tornou elegível para a vaga na equipe. "Ela tirou
a carta (de habilitação) em 2001, mas não
dirige", afirma Neto.
Outra atleta citada no caso, Daniele Bernardes da Silva,
também é apoiada pelo dirigente. "Elas (as duas
judocas) foram consideradas elegíveis no Brasil e voltaram
a ser avaliadas e consideradas elegíveis no Mundial
(de Quebec, em 2003). São duas medalhas de ouro seguras
(em Atenas)".
Para o bicampeão paraolímpico (Atlanta-96 e
Sydney-2000) Antônio Tenório da Silva, o caso
de Karla é delicado porque pode abrir precedentes para
que outros atletas afastados por irregularidades retornem.
"Se abre precedente com Karla, abre precedente para trazer
Esley, Erick, Ritinha e Marcão", diz citando casos
anteriores de atletas vetados.
"Desde 92 está tendo gato no judô", garante.
"Ou isso é um problema do médico ou da ABDC.
Talvez nem seja culpa do médico, o atleta pode ter
omitido a informação também", pondera,
afirmando não ter participação na denúncia.
"Partiu do Alessandro, da iniciativa dele. Mas eu questionei
várias vezes a Associação e nunca teve
um padrão justificado (na classificação).
Não estou tomando parte disso (da denúncia),
até porque tenho dois atletas envolvidos." Daniele
e Eduardo Paz Barreto Amaral pertencem ao Centro Brasileiro
de Movimento e Proteção dos Direitos dos Portadores
de Necessidades Especiais e Proteção das Crianças
e ao Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos da Pessoa
Portadora de Deficiência, respectivamente, instituições
das quais Tenório faz parte.
Tenório diz que sua preocupação é
salvaguardar o esporte paraolímpico e, por isso, seus
dois judocas estão dispostos a passar por nova avaliação.
"Se nossos atletas estiverem errados vamos retirá-los",
garante. "Mas aí alguém vai ter que responder.
Posso falar pelos meus atletas. Eles não se negam a
fazer novos exames. Mas até que se prove o contrário
são portadores de deficiência".
À justificativa para o caso Karla, Tenório
acha, no mínimo, estranha. "Será que ela é
qualificada? Acho que não. Se ocorreu (o processo degenerativo)
por que nunca deu baixa na carteira? A Ritinha competiu 8
anos e foi desqualificada. Estou achando que a ABDC usa um
peso e duas medidas".
A polêmica em torno dos três atletas denunciados
deve chegar ao fim nesta quinta-feira, quando a ABDC se reúne
para analisar os casos.
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