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26/03/2004
Montagem sobre foto de Luiz Felipe Fagundes/APBr
ABDC reintegra atleta à seleção paraolímpica
Decisão mantém polêmica acesa
Polêmica com classificação não é novidade
Presidente do CPB defende judocas acusados e critica denúncia
Mais atletas, mais investimentos, melhores resultados

Presidente do CPB defende judocas acusados e critica denúncia

O presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Vidal Severino Neto, criticou a decisão do judoca Alessandro Fabiano de Oliveira de denunciar publicamente a existência de irregularidades na pré-convocação da seleção brasileira de judô para Atenas. Nesta quarta-feira, o dirigente classificou a atitude como um gesto para chamar a atenção.

Foto Marcelo Ferrelli/GP

"Isso é denúncia de um oculto e outro que se mostra. O oculto ganhou duas medalhas em 1996 e 2000, mas depois decidiu dedicar-se mais à política que aos treinos. O outro é adversário direto de quem denuncia, mas nunca venceu uma luta contra ele. É uma tentativa de atrair os holofotes", afirmou Neto.

O dirigente explica o caso de Karla Ferreira Cardoso com a mesma argumentação do presidente da Associação Brasileira de Desportos para Cegos (ABDC), David Faria Costa. Segundo eles, a atleta sofreria de uma doença degenerativa que a tornou elegível para a vaga na equipe. "Ela tirou a carta (de habilitação) em 2001, mas não dirige", afirma Neto.

Outra atleta citada no caso, Daniele Bernardes da Silva, também é apoiada pelo dirigente. "Elas (as duas judocas) foram consideradas elegíveis no Brasil e voltaram a ser avaliadas e consideradas elegíveis no Mundial (de Quebec, em 2003). São duas medalhas de ouro seguras (em Atenas)".

Para o bicampeão paraolímpico (Atlanta-96 e Sydney-2000) Antônio Tenório da Silva, o caso de Karla é delicado porque pode abrir precedentes para que outros atletas afastados por irregularidades retornem. "Se abre precedente com Karla, abre precedente para trazer Esley, Erick, Ritinha e Marcão", diz citando casos anteriores de atletas vetados.

"Desde 92 está tendo gato no judô", garante. "Ou isso é um problema do médico ou da ABDC. Talvez nem seja culpa do médico, o atleta pode ter omitido a informação também", pondera, afirmando não ter participação na denúncia. "Partiu do Alessandro, da iniciativa dele. Mas eu questionei várias vezes a Associação e nunca teve um padrão justificado (na classificação). Não estou tomando parte disso (da denúncia), até porque tenho dois atletas envolvidos." Daniele e Eduardo Paz Barreto Amaral pertencem ao Centro Brasileiro de Movimento e Proteção dos Direitos dos Portadores de Necessidades Especiais e Proteção das Crianças e ao Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, respectivamente, instituições das quais Tenório faz parte.

Tenório diz que sua preocupação é salvaguardar o esporte paraolímpico e, por isso, seus dois judocas estão dispostos a passar por nova avaliação. "Se nossos atletas estiverem errados vamos retirá-los", garante. "Mas aí alguém vai ter que responder. Posso falar pelos meus atletas. Eles não se negam a fazer novos exames. Mas até que se prove o contrário são portadores de deficiência".

À justificativa para o caso Karla, Tenório acha, no mínimo, estranha. "Será que ela é qualificada? Acho que não. Se ocorreu (o processo degenerativo) por que nunca deu baixa na carteira? A Ritinha competiu 8 anos e foi desqualificada. Estou achando que a ABDC usa um peso e duas medidas".

A polêmica em torno dos três atletas denunciados deve chegar ao fim nesta quinta-feira, quando a ABDC se reúne para analisar os casos.

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