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05/04/2004
Mulheres lutam por espaço nas Olimpíadas
Vaidade é mantida até sobre o ringue

Mulheres lutam por espaço nas Olimpíadas

O boxe feminino vem ganhando cada vez mais espaço e, inclusive, deve ser uma das grandes novidades nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Engana-se quem pensa que o pugilismo é um “Clube do Bolinha”, onde mulheres não têm vez. De alguns anos para cá, o boxe feminino está em franco crescimento. Filhas de grandes mitos do pugilismo mundial, como Laila Ali (Muhammad Ali), Jack Frazier (Joe Frazier) e Freeda Foreman (George Foreman) ajudaram a impulsionar o esporte, mostrando que o “sexo frágil” é imagem do passado.

Foto: Regiane Musa/Memorial/Divulgação
Ivani Ferreira, Ana Carolina, Cláudia 'Kaká' Silva, Lourdes Soledad e Simone Duarte treinam duro

Em Santos, a equipe Memorial-Semes, que figura entre as cinco melhores do país, já tem espaço para a categoria. As pugilistas dividem espaço com o sexo oposto. Atualmente, cinco atletas levam a sério os treinamentos na academia, agora instalada no bairro do Jabaquara (na avenida Rangel Pestana, em frente à entrada do CT do Santos FC), e a expectativa é de crescimento total.

“O boxe feminino vem crescendo muito. No Campeonato Paulista já tivemos um número grande de participantes e a intenção é que cada vez mais tenhamos atletas na academia”, afirma o técnico Fábio Duarte. Ele ressalta que a modalidade é excelente para a rápida perda de peso, o condicionamento físico. “Sem falar na redução do estresse, no aumento da auto-estima e na melhora da coordenação motora. Mas tudo com treino sério”, ressalta o coordenador da academia, que tem aulas gratuitas para interessados de qualquer idade.

As pugilistas confirmam os benefícios, sobretudo a melhora da forma física e a perda de peso. “Antes de uma luta, eu perdi quatro quilos e meio em dois dias e não deixei de comer. Só com o treinamento”, afirma Lourdes Soledad. Aos 24 anos, a empresária treina há oito meses e já subiu ao ringue duas vezes. “É uma sensação ótima. Sempre gostei de boxe, acompanhava lutas e agora tenho a chance de competir”, destaca a boxeadora.

Outro bom exemplo é Simone Duarte (mulher do técnico e também atleta), que já treina há um ano e meio. Mãe de duas filhas, ela sempre gostou de academia e encontrou no boxe uma maneira para garantir um excelente condicionamento. “Eu sempre adorei atividade física. Fazia todas as novidades que apareciam e encontrei no boxe o ideal para mim. Quando engravidei, engordei 25 quilos e perdi rapidamente, fazendo o que gosto”, diz Simone, que tem 31 anos de idade e é mãe de duas filhas.

Campeã paulista e brasileira - Das cinco pioneiras na academia santista, o principal destaque é Ivani da Conceição Ferreira, atual campeã paulista e brasileira (até 52 quilos). Com seis lutas e cinco vitórias, ela sonha em atuar no exterior. “Todas temos nossas metas e quero treinar muito para lutar lá fora. Treino seis horas por dia e quero estar muito bem preparada”, afirma a atleta de 27 anos, que antes lutava kickboxing e muay thay, modalidades que dá aula.

“Acho que as mulheres têm tudo para ir bem no boxe. Somos mais técnicas e temos de batalhar muito pelo nosso espaço, porque hoje a modalidade não tem o devido reconhecimento. Por isso sempre estamos no sacrifício ”, acrescenta Ivani, que é aluna da Faculdade de Educação Física na Unimes, também seu patrocinador, com a Semes, e além dos títulos no boxe, é campeã paulista de full contact e vice sul-americana de kickboxing.

Também com futuro promissor, Cláudia Silva, a Kaká, espera conquistar espaço. “Muita gente não leva o boxe feminino a sério, mas vamos mostrar que viemos para ficar”, ressalta Kaká, que venceu quatro das seis lutas que fez. “O clima aqui na academia é muito legal. Todos nos respeitam e nos incentivam”, acrescenta Kaká.

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