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Por Fernando Narazaki
Após enfrentar escândalos de doping há
dois anos, quando cinco atletas do país foram
suspensos, o Brasil deu nesta semana o pontapé
para o sonho pela inédita medalha olímpica
no ciclismo nas Olimpíadas de Atenas. Nessa segunda-feira,
a União Ciclística Internacional (UCI)
confirmou a ida de uma equipe masculina para a prova
de estrada, além das classificações
de Jaqueline Mourão (mountain bike) e Janildes
Fernandes (estrada feminino) para os Jogos.
| Acervo/Gazeta Press |
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Nas nove participações anteriores, a
melhor posição do Brasil foi em Roma-1960,
quando Anésio Argenton ficou na quinta colocação
na prova de velocidade. Em Atenas, a maior aposta do
ciclismo é Luciano Pagliarini, paranaense que
está há quatro anos na equipe Lampre,
que defenderá o Brasil na prova de estrada, ao
lado de Murilo Fischer (foto) e Márcio May. Pelo
time italiano, Pagliarini se caracterizou como velocista
e participou da Volta da França-2002 e da Volta
da Espanha. A partir deste sábado, ele fecha
o ciclo de grandes provas com a atuação
na Volta da Itália, a última das três
principais competições da modalidade.
Na última semana, o paranaense ficou a frente
do italiano Alessandro Pettachi, apontado como um dos
maiores velocistas da atualidade, na primeira etapa
da Volta de Romandie, na Suíça. Além
de ter uma equipe pela primeira vez, o que pode facilitar
o trabalho de Pagliarini, o Brasil ainda conta com a
vantagem do terreno plano, que será utilizado
na prova em Atenas. "Pelo que vi, é um circuito
plano e que pode me facilitar para a chegada. Se houver
um trabalho, podemos chegar lá. O Brasil tem
chance concreta de buscar a medalha", explica Pagliarini,
que não esconde a mágoa por ter ficado
fora dos Jogos de Sydney-2000.
"Em Sydney, fui afastado por causa daquela politicagem
da gestão anterior da Confederação.
Eles fizeram uma palhaçada de uma seletiva aqui
no Brasil, que me tirou toda a chance, pois já
estava na Itália. Eu era o melhor do país
e acabei sendo tolido", desabafa.
Pagliarini admite que a participação
olímpica é a realização
de mais um sonho na carreira. "Será muito
bom para mim, mas ainda não quero pensar nisso.
Tenho o Giro da Itália pela frente e muitas outras
competições, antes dos Jogos. Quem sabe
até o Tour de France de novo. Vamos ver",
analisa. O ciclista explica que o pouco tempo de treinamento
do país não será uma adversidade
em Atenas. "Todos terão praticamente o mesmo
tempo. A Confederação ainda está
estudando alguma forma de treinarmos, mas o importante
é que já conseguimos a vaga e podemos
planejar o resto", diz.
Líder do ranking nacional e vencedor da Volta
do Rio de Janeiro, o catarinense Márcio May está
empolgado com a possibilidade de participar de uma conquista
inédita. "Vamos trabalhar para chegar no
final e deixar o Pagliarini no sprint. Aí teremos
uma chance boa de subir ao pódio. Ele tem mais
capacidade de competir com o pessoal", analisa
May, que é o único a treinar no Brasil,
já que os outros quatro representantes do país
nas Olimpíadas estão na Itália.
"Essa é uma dificuldade a mais, mas a Confederação
vai trabalhar para resolver isso. Sei que não
vou poder competir por lá em muitas provas, mas
pelo menos treinaria junto e já melhoraria o
entrosamento", comenta o catarinense, que parte
para sua terceira participação olímpica.
Ele havia participado das edições de Barcelona-1992
e Atlanta-1996, também na prova de estrada.
A CBC garante que resolverá o problema de May.
"Estamos analisando, mas é bem provável
que o Márcio vá treinar na Europa. Ele
deve ficar um mês por lá em Treviso (norte
da Itália) e isso ajudaria nos treinos. Temos
chances reais de medalha, pois o circuito favorece e
não podemos desperdiçar", aponta
o vice-presidente da entidade, José Carlos Vasconcellos.
Além da estrada, o dirigente também aposta
em Jaqueline Mourão nas Olimpíadas. "A
Jaqueline é atualmente a oitava do mundo e pode
beliscar um lugar no pódio se estiver no dia
certo", comenta Vasconcellos.
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