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04/05/2004

Montagem  sobre fotos de Marcelo  Ferrelli/Gazeta Press

Brasil classifica equipe e sonha com medalha olímpica
Esperança, Pagliarini comemora ano de firmação Solitário, May aumenta empenho para Jogos

Por Fernando Narazaki

Após enfrentar escândalos de doping há dois anos, quando cinco atletas do país foram suspensos, o Brasil deu nesta semana o pontapé para o sonho pela inédita medalha olímpica no ciclismo nas Olimpíadas de Atenas. Nessa segunda-feira, a União Ciclística Internacional (UCI) confirmou a ida de uma equipe masculina para a prova de estrada, além das classificações de Jaqueline Mourão (mountain bike) e Janildes Fernandes (estrada feminino) para os Jogos.

Acervo/Gazeta Press

Nas nove participações anteriores, a melhor posição do Brasil foi em Roma-1960, quando Anésio Argenton ficou na quinta colocação na prova de velocidade. Em Atenas, a maior aposta do ciclismo é Luciano Pagliarini, paranaense que está há quatro anos na equipe Lampre, que defenderá o Brasil na prova de estrada, ao lado de Murilo Fischer (foto) e Márcio May. Pelo time italiano, Pagliarini se caracterizou como velocista e participou da Volta da França-2002 e da Volta da Espanha. A partir deste sábado, ele fecha o ciclo de grandes provas com a atuação na Volta da Itália, a última das três principais competições da modalidade.

Na última semana, o paranaense ficou a frente do italiano Alessandro Pettachi, apontado como um dos maiores velocistas da atualidade, na primeira etapa da Volta de Romandie, na Suíça. Além de ter uma equipe pela primeira vez, o que pode facilitar o trabalho de Pagliarini, o Brasil ainda conta com a vantagem do terreno plano, que será utilizado na prova em Atenas. "Pelo que vi, é um circuito plano e que pode me facilitar para a chegada. Se houver um trabalho, podemos chegar lá. O Brasil tem chance concreta de buscar a medalha", explica Pagliarini, que não esconde a mágoa por ter ficado fora dos Jogos de Sydney-2000.

"Em Sydney, fui afastado por causa daquela politicagem da gestão anterior da Confederação. Eles fizeram uma palhaçada de uma seletiva aqui no Brasil, que me tirou toda a chance, pois já estava na Itália. Eu era o melhor do país e acabei sendo tolido", desabafa.

Pagliarini admite que a participação olímpica é a realização de mais um sonho na carreira. "Será muito bom para mim, mas ainda não quero pensar nisso. Tenho o Giro da Itália pela frente e muitas outras competições, antes dos Jogos. Quem sabe até o Tour de France de novo. Vamos ver", analisa. O ciclista explica que o pouco tempo de treinamento do país não será uma adversidade em Atenas. "Todos terão praticamente o mesmo tempo. A Confederação ainda está estudando alguma forma de treinarmos, mas o importante é que já conseguimos a vaga e podemos planejar o resto", diz.

Líder do ranking nacional e vencedor da Volta do Rio de Janeiro, o catarinense Márcio May está empolgado com a possibilidade de participar de uma conquista inédita. "Vamos trabalhar para chegar no final e deixar o Pagliarini no sprint. Aí teremos uma chance boa de subir ao pódio. Ele tem mais capacidade de competir com o pessoal", analisa May, que é o único a treinar no Brasil, já que os outros quatro representantes do país nas Olimpíadas estão na Itália.

"Essa é uma dificuldade a mais, mas a Confederação vai trabalhar para resolver isso. Sei que não vou poder competir por lá em muitas provas, mas pelo menos treinaria junto e já melhoraria o entrosamento", comenta o catarinense, que parte para sua terceira participação olímpica. Ele havia participado das edições de Barcelona-1992 e Atlanta-1996, também na prova de estrada.

A CBC garante que resolverá o problema de May. "Estamos analisando, mas é bem provável que o Márcio vá treinar na Europa. Ele deve ficar um mês por lá em Treviso (norte da Itália) e isso ajudaria nos treinos. Temos chances reais de medalha, pois o circuito favorece e não podemos desperdiçar", aponta o vice-presidente da entidade, José Carlos Vasconcellos. Além da estrada, o dirigente também aposta em Jaqueline Mourão nas Olimpíadas. "A Jaqueline é atualmente a oitava do mundo e pode beliscar um lugar no pódio se estiver no dia certo", comenta Vasconcellos.

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