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Por Marta Teixeira
Com a classificação de seis atletas para as provas
de triatlo nos Jogos Olímpicos de Atenas, em agosto,
a equipe brasileira trata agora de traçar a melhor estratégia
para trazer da Grécia uma medalha inédita. Para lutar
por um lugar no pódio, os brasileiros poderão até abrir
mão das ambições pessoais para trabalhar em equipe nas
provas.
“Isso é uma realidade hoje. Trabalhar em equipe para
conquistar a medalha”, destaca Leandro Macedo, triatleta
que também competiu nos Jogos de Sydney-2000. “Acho
que todos os três têm condições de buscar medalha, mas
com certeza aumentaria com o trabalho em conjunto”,
admite.
Para o patrocinador de todos os atletas que vão competir
em Atenas na modalidade, João Paulo Diniz, do Pão de
Açúcar Club, não há outra alternativa se o desejo for
subir ao pódio. “É impossível conseguir medalha olímpica
sem trabalho de equipe”, destaca, no que tem o apoio
do coordenador técnico da equipe, Marcos Paulo Reis.
“Com certeza, chance (de medalha) só com equipe”.
A questão, no entanto, ainda não está fechada e o
motivo é basicamente um: ego. “Isso não é fácil porque
envolve ego e patrocinadores”, reconhece Reis. Segundo
ele, a questão é tão crucial que uma medalha na modalidade
pode depender mais disso que de uma evolução técnica
dos atletas. “O Brasil precisa evoluir tecnicamente,
sim, mas evoluir filosoficamente é o mais difícil”,
completa.
A delicadeza da situação fica evidente na postura
de Carla Moreno. “A questão do trabalho em equipe ainda
vamos estar conversando. Se um de nós trouxer a medalha
será importante, mas cada um quer ganhar a medalha.
Agora é trabalhar duro”.
Indefinidos quanto à estratégia a ser adotada,
o fato é que, a partir de agora, cada um dos classificados
vai travar uma batalha pessoal para chegar melhor a
Atenas e, em caso de trabalho de equipe, ser o beneficiado
pela estratégia. “Você é quem vai fazer sua prova”,
explica Juraci Moreira. “Sei que se chegar em condições
de ganhar a medalha vou ser o escolhido”, explica.
Dono de uma das melhores corridas na equipe, ao lado
de Juraci, Macedo acha que a situação fica complicada
até para o escolhido. “É uma questão delicada porque
não me sentiria à vontade de alguém trabalhar para mim
por obrigação. É diferente se o grupo faz porque acredita
em você”.
A tática de equipe para lutar por medalhas não é novidade
no triatlo e nem foi criada na modalidade. No ciclismo,
o recurso é sistematicamente utilizado há muitos anos.
As equipes traçam uma estratégia poupando um determinado
atleta – geralmente o especialista em sprint – que deve
chegar mais “inteiro” ao final da prova para lutar pelo
pódio. Ao longo do percurso, o objetivo de cada companheiro
é manter posições no pelotão da frente.
No triatlo, os adeptos do sistema têm se multiplicado
a cada temporada e o Circuito Mundial deixou claro que
a arma será um diferencial nas Olimpíadas. “No Mundial,
a Espanha tinha seis atletas, cinco trabalhavam para
um”, ressalta Reis. Como resultado, o espanhol Ivan
Rana faturou o vice-campeonato desta temporada.
Mas, mesmo o trabalho em conjunto, não é garantia
de atingir a meta traçada na modalidade, como destaca
Juraci. “Não é tão fácil o trabalho em equipe no triatlo.
A gente pode armar uma estratégia, mas são só 40% de
chances da estratégia funcionar. É difícil, por exemplo,
o Shiro (Paulo Miyasiro) que é o melhor na natação,
nadar olhando para ver onde a gente está”.
Independente do resultado das negociações no esquema,
os brasileiros terão muitos incentivos para lutar por
uma medalha em Atenas. Além da óbvia satisfação pessoal,
o Pão de Açúcar Club, patrocinador dos seis atletas
olímpicos, já definiu uma premiação especial por qualquer
colocação no pódio. O campeão faturará R$ 200 mil, o
vice R$ 100 mil e o terceiro colocado, R$ 70 mil.
Em caso de trabalho de equipe, Juraci lembra que os
valores deverão ser compartilhados. “Havendo trabalho
de equipe, vou ser recompensado financeiramente também
porque o patrocinador vai reconhecer meu esforço. O
grande fator é que não adianta trabalhar individual
pela medalha”.
Mais que equipe – A competição pelas medalhas
pode ser tão acirrada que até a contratação de atletas
de outra nacionalidade tem sido utilizada para viabilizar
o trabalho em equipe. Moreira diz que há nos Jogos de
Sydney houve rumores de um esquema acertado entre um
atleta da África do Sul e a equipe francesa. Em junho,
em uma das etapas que valeu pela seletiva norte-americana,
o próprio brasileiro foi convidado por um atleta dos
Estados Unidos que queria contar com sua ajuda. Em Atenas,
o Brasil será representado no feminino por Carla Moreno,
Mariana Ohata e Sandra Soldan, Gisele Bertucci é a reserva.
No masculino, os classificados são Leandro Macedo, Juraci
Moreira e Paulo Miyasiro. Virgílio de Castilho é o reserva.
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