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14/05/2004

Montagem  sobre fotos

Brasil pode adotar estratégia de equipe para garantir medalha
Brasil pode adotar estratégia de equipe para garantir medalha
Triatletas esperam mais de Atenas
Época de se aprimorar
Caçula e veterano sonham com outras Olimpíadas

Por Marta Teixeira

Com a classificação de seis atletas para as provas de triatlo nos Jogos Olímpicos de Atenas, em agosto, a equipe brasileira trata agora de traçar a melhor estratégia para trazer da Grécia uma medalha inédita. Para lutar por um lugar no pódio, os brasileiros poderão até abrir mão das ambições pessoais para trabalhar em equipe nas provas.

“Isso é uma realidade hoje. Trabalhar em equipe para conquistar a medalha”, destaca Leandro Macedo, triatleta que também competiu nos Jogos de Sydney-2000. “Acho que todos os três têm condições de buscar medalha, mas com certeza aumentaria com o trabalho em conjunto”, admite.

Para o patrocinador de todos os atletas que vão competir em Atenas na modalidade, João Paulo Diniz, do Pão de Açúcar Club, não há outra alternativa se o desejo for subir ao pódio. “É impossível conseguir medalha olímpica sem trabalho de equipe”, destaca, no que tem o apoio do coordenador técnico da equipe, Marcos Paulo Reis. “Com certeza, chance (de medalha) só com equipe”.

A questão, no entanto, ainda não está fechada e o motivo é basicamente um: ego. “Isso não é fácil porque envolve ego e patrocinadores”, reconhece Reis. Segundo ele, a questão é tão crucial que uma medalha na modalidade pode depender mais disso que de uma evolução técnica dos atletas. “O Brasil precisa evoluir tecnicamente, sim, mas evoluir filosoficamente é o mais difícil”, completa.

A delicadeza da situação fica evidente na postura de Carla Moreno. “A questão do trabalho em equipe ainda vamos estar conversando. Se um de nós trouxer a medalha será importante, mas cada um quer ganhar a medalha. Agora é trabalhar duro”.

Indefinidos quanto à estratégia a ser adotada, o fato é que, a partir de agora, cada um dos classificados vai travar uma batalha pessoal para chegar melhor a Atenas e, em caso de trabalho de equipe, ser o beneficiado pela estratégia. “Você é quem vai fazer sua prova”, explica Juraci Moreira. “Sei que se chegar em condições de ganhar a medalha vou ser o escolhido”, explica.

Dono de uma das melhores corridas na equipe, ao lado de Juraci, Macedo acha que a situação fica complicada até para o escolhido. “É uma questão delicada porque não me sentiria à vontade de alguém trabalhar para mim por obrigação. É diferente se o grupo faz porque acredita em você”.

A tática de equipe para lutar por medalhas não é novidade no triatlo e nem foi criada na modalidade. No ciclismo, o recurso é sistematicamente utilizado há muitos anos. As equipes traçam uma estratégia poupando um determinado atleta – geralmente o especialista em sprint – que deve chegar mais “inteiro” ao final da prova para lutar pelo pódio. Ao longo do percurso, o objetivo de cada companheiro é manter posições no pelotão da frente.

No triatlo, os adeptos do sistema têm se multiplicado a cada temporada e o Circuito Mundial deixou claro que a arma será um diferencial nas Olimpíadas. “No Mundial, a Espanha tinha seis atletas, cinco trabalhavam para um”, ressalta Reis. Como resultado, o espanhol Ivan Rana faturou o vice-campeonato desta temporada.

Mas, mesmo o trabalho em conjunto, não é garantia de atingir a meta traçada na modalidade, como destaca Juraci. “Não é tão fácil o trabalho em equipe no triatlo. A gente pode armar uma estratégia, mas são só 40% de chances da estratégia funcionar. É difícil, por exemplo, o Shiro (Paulo Miyasiro) que é o melhor na natação, nadar olhando para ver onde a gente está”.

Independente do resultado das negociações no esquema, os brasileiros terão muitos incentivos para lutar por uma medalha em Atenas. Além da óbvia satisfação pessoal, o Pão de Açúcar Club, patrocinador dos seis atletas olímpicos, já definiu uma premiação especial por qualquer colocação no pódio. O campeão faturará R$ 200 mil, o vice R$ 100 mil e o terceiro colocado, R$ 70 mil.

Em caso de trabalho de equipe, Juraci lembra que os valores deverão ser compartilhados. “Havendo trabalho de equipe, vou ser recompensado financeiramente também porque o patrocinador vai reconhecer meu esforço. O grande fator é que não adianta trabalhar individual pela medalha”.

Mais que equipe – A competição pelas medalhas pode ser tão acirrada que até a contratação de atletas de outra nacionalidade tem sido utilizada para viabilizar o trabalho em equipe. Moreira diz que há nos Jogos de Sydney houve rumores de um esquema acertado entre um atleta da África do Sul e a equipe francesa. Em junho, em uma das etapas que valeu pela seletiva norte-americana, o próprio brasileiro foi convidado por um atleta dos Estados Unidos que queria contar com sua ajuda. Em Atenas, o Brasil será representado no feminino por Carla Moreno, Mariana Ohata e Sandra Soldan, Gisele Bertucci é a reserva. No masculino, os classificados são Leandro Macedo, Juraci Moreira e Paulo Miyasiro. Virgílio de Castilho é o reserva.

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