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17/05/2004

Montagem  sobre fotos

Carla se emancipa e rompe com técnico às vésperas dos Jogos
Carla se emancipa e rompe com técnico às vésperas dos Jogos
Novidades nos treinos e planos até 2016

Por Marta Teixeira

A mudança nada tem a ver com briga ou desentendimentos, garante a triatleta Carla Morena, mas depois de 18 anos treinando sob a supervisão do técnico Antonio Carlos Amaral ela decidiu se emancipar e vai treinar sozinha a partir de agora. Classificada para os Jogos Olímpicos de Atenas, Carla diz que se sente segura para assumir a responsabilidade total sobre sua preparação.

Foto: Fábio Valongo/ZDL/Divulgação

"Chegou a hora de fazer o que eu quero", afirma. "Não estava me sentindo à vontade. Não pela pessoa (do técnico), mas pelo trabalho mesmo. Queria me sentir um pouco mais sozinha para treinar", diz a triatleta (foto), que também pretende trocar a cidade de São Carlos por Santos para fazer a preparação.

A mudança de endereço só deve acontecer no início do próximo mês, depois que a nova casa estiver do jeito que Carla deseja. Mas as novidades no treino começaram nesta segunda-feira, primeiro dia de preparação isolada da atleta.

"Sou individualista sim, é meu jeito. Sou assim desde a natação (antes de se dedicar ao triatlo, Carla foi nadadora por dez anos). As pessoas começavam a treinar, iam parando e eu continuava". Em São Carlos, ela estava treinando ao lado de outras dez pessoas.

Triatleta há nove anos, Carla acredita que conhece o suficiente para manter uma boa preparação. "Não vou mudar nada", afirma, destacando as experiências anteriores de treino isolado. "Quando participava de provas no exterior ficava treinando sozinha".

Segundo Carla, a principal vantagem de sua independência será o controle do desgaste físico até Atenas. "Nesses três meses, o mais importante é tomar muito cuidado com lesões. Tenho que usar o feeling para dosar o treinamento", ressalta.

Apesar de abrir mão da supervisão técnica de Amaral, Carla faz questão de ressaltar a importância dele em sua formação. "Foram quase 19 anos juntos. Não posso dizer que meus resultados são só meus. Ele acertou em muita coisa e errou em outras. O mesmo que pode acontecer comigo".

A separação não afetou a amizade entre eles, afirma Carla. "Conversei muito com o Cali. A mulher dele esteve em casa. São 18 anos de convivência, ele é como um pai para mim. Não vou dizer que nunca mais vou ter técnico. Mas agora assim é melhor para mim".

Para confirmar que a separação foi amigável, Carla completa lembrando que, por ser a brasileira melhor posicionada no ranking internacional, terá o direito de levar o técnico como responsável pela equipe olímpica e caberá a Amaral esse papel. "Ele nem queria ir, mas eu disse que ele também conquistou a vaga".

Além de Amaral, Carla também abriu mão das orientações do australiano Brett Sutton, com quem treinava ocasionalmente.

Em Atenas, o Brasil repetirá a mesma equipe feminina de Sydney com Carla, Mariana Ohata e Sandra Soldan. Gisele Bertucci será a reserva. No masculino, o país também terá três representantes: Leandro Macedo, Juraci Moreira e Paulo Miyasiro, com Virgílio de Castilho como reserva.

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