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Por Marta Teixeira
A mudança nada tem a ver com briga ou desentendimentos,
garante a triatleta Carla Morena, mas depois de 18 anos
treinando sob a supervisão do técnico
Antonio Carlos Amaral ela decidiu se emancipar e vai
treinar sozinha a partir de agora. Classificada para
os Jogos Olímpicos de Atenas, Carla diz que se
sente segura para assumir a responsabilidade total sobre
sua preparação.
| Foto: Fábio Valongo/ZDL/Divulgação |
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"Chegou a hora de fazer o que eu quero",
afirma. "Não estava me sentindo à
vontade. Não pela pessoa (do técnico),
mas pelo trabalho mesmo. Queria me sentir um pouco mais
sozinha para treinar", diz a triatleta (foto),
que também pretende trocar a cidade de São
Carlos por Santos para fazer a preparação.
A mudança de endereço só deve
acontecer no início do próximo mês,
depois que a nova casa estiver do jeito que Carla deseja.
Mas as novidades no treino começaram nesta segunda-feira,
primeiro dia de preparação isolada da
atleta.
"Sou individualista sim, é meu jeito. Sou
assim desde a natação (antes de se dedicar
ao triatlo, Carla foi nadadora por dez anos). As pessoas
começavam a treinar, iam parando e eu continuava".
Em São Carlos, ela estava treinando ao lado de
outras dez pessoas.
Triatleta há nove anos, Carla acredita que conhece
o suficiente para manter uma boa preparação.
"Não vou mudar nada", afirma, destacando
as experiências anteriores de treino isolado.
"Quando participava de provas no exterior ficava
treinando sozinha".
Segundo Carla, a principal vantagem de sua independência
será o controle do desgaste físico até
Atenas. "Nesses três meses, o mais importante
é tomar muito cuidado com lesões. Tenho
que usar o feeling para dosar o treinamento", ressalta.
Apesar de abrir mão da supervisão técnica
de Amaral, Carla faz questão de ressaltar a importância
dele em sua formação. "Foram quase
19 anos juntos. Não posso dizer que meus resultados
são só meus. Ele acertou em muita coisa
e errou em outras. O mesmo que pode acontecer comigo".
A separação não afetou a amizade
entre eles, afirma Carla. "Conversei muito com
o Cali. A mulher dele esteve em casa. São 18
anos de convivência, ele é como um pai
para mim. Não vou dizer que nunca mais vou ter
técnico. Mas agora assim é melhor para
mim".
Para confirmar que a separação foi amigável,
Carla completa lembrando que, por ser a brasileira melhor
posicionada no ranking internacional, terá o
direito de levar o técnico como responsável
pela equipe olímpica e caberá a Amaral
esse papel. "Ele nem queria ir, mas eu disse que
ele também conquistou a vaga".
Além de Amaral, Carla também abriu mão
das orientações do australiano Brett Sutton,
com quem treinava ocasionalmente.
Em Atenas, o Brasil repetirá a mesma equipe feminina
de Sydney com Carla, Mariana Ohata e Sandra Soldan.
Gisele Bertucci será a reserva. No masculino,
o país também terá três representantes:
Leandro Macedo, Juraci Moreira e Paulo Miyasiro, com
Virgílio de Castilho como reserva.
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