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18/05/2004

Montagem  sobre fotos

Candidatura naufraga e desculpas também

Denis Eduardo Serio, especial para GE.Net
Colaborou Marta Teixeira

O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), o belga Jacques Rogge, deixou a entender que problemas com a segurança foram os principais causadores da desclassificação do Rio de Janeiro na pré-seletiva das candidatas a sede das Olimpíadas de 2012. Mas o próprio relatório divulgado pela entidade (www.olympics.com) contradiz tal análise.

Segundo o documento, fica claro que a afirmação de Rogge está longe de ser coerente. A decisão dos especialistas, ao lado do presidente do COI, sobre quais cidades continuariam na disputa, evidencia a falta de capacidade do Rio de Janeiro em quase todos os quesitos técnico-estruturais levados em consideração.

A versão de Rogge não foi engolida por todos os brasileiros que se empenhavam em trazer as Olimpíadas para o Rio, como o ministro dos esportes, Agnelo Queiroz, mas foi fielmente comprada pelo prefeito da cidade, César Maia. Em nota oficial, ele afirmou: "Temos que ter autocrítica e reconhecer que a questão de segurança pública continua sendo nossa maior chaga, que precisa ser tratada fora da política, como uma questão de Estado".

Queiroz acredita em complô político. "Nova York tem problemas de segurança mais graves que o Rio. Moscou também. Por isso, deduzo que houve uma intervenção política". A decisão dos comissários do COI levou em consideração onze critérios fundamentais à implementação dos Jogos. As cidades candidatas receberam uma nota mínima e máxima para cada um desses itens, que tiveram, por sua vez, pesos diferentes na deliberação do resultado.

O quesito segurança teve peso três em uma escala que variava entre dois e cinco. A cidade brasileira foi a sétima colocada em segurança, posição igual e até melhor que a alcançada em outros critérios. Em "Acomodações", por exemplo, o Rio ficou na oitava posição em um quesito de peso cinco.

Outra justificativa para a derrota, a falta da "tradição européia", uma bandeira empunhada pelo presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman, não foi fundamental na decisão e foi desmascarada pelo relatório. Um dos onze quesitos tratava exclusivamente da "Experiência em eventos esportivos". O peso era mínimo (dois) e, curiosamente, a Cidade Maravilhosa obteve seu melhor desempenho entre todas divisões avaliadas pela organização chefiada por Rogge: a quarta colocação entre as candidatas. Para os comissários do COI, pelo menos, não faltou tradição alguma.

Os números divulgados pelo Comitê desconstroem o mito de que a segurança tirou o Brasil da disputa pelo direito de ser sede dos Jogos Olímpicos de 2012. Como veremos a seguir, quesito por quesito, a falta de estrutura e as precárias condições financeiras do país pesaram em igual ou maior grau que os tiros disparados pelos traficantes do Rio e que a tradição do Velho Continente.

Uma prova de que beleza é fundamental, mas não é tudo.

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