|
Denis Eduardo Serio, especial para GE.Net
Colaborou Marta Teixeira
O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional),
o belga Jacques Rogge, deixou a entender que problemas
com a segurança foram os principais causadores
da desclassificação do Rio de Janeiro
na pré-seletiva das candidatas a sede das Olimpíadas
de 2012. Mas o próprio relatório divulgado
pela entidade (www.olympics.com)
contradiz tal análise.
Segundo o documento, fica claro que a afirmação
de Rogge está longe de ser coerente. A decisão
dos especialistas, ao lado do presidente do COI, sobre
quais cidades continuariam na disputa, evidencia a falta
de capacidade do Rio de Janeiro em quase todos os quesitos
técnico-estruturais levados em consideração.
A versão de Rogge não foi engolida por
todos os brasileiros que se empenhavam em trazer as
Olimpíadas para o Rio, como o ministro dos esportes,
Agnelo Queiroz, mas foi fielmente comprada pelo prefeito
da cidade, César Maia. Em nota oficial, ele afirmou:
"Temos que ter autocrítica e reconhecer
que a questão de segurança pública
continua sendo nossa maior chaga, que precisa ser tratada
fora da política, como uma questão de
Estado".
Queiroz acredita em complô político. "Nova
York tem problemas de segurança mais graves que
o Rio. Moscou também. Por isso, deduzo que houve
uma intervenção política".
A decisão dos comissários do COI levou
em consideração onze critérios
fundamentais à implementação dos
Jogos. As cidades candidatas receberam uma nota mínima
e máxima para cada um desses itens, que tiveram,
por sua vez, pesos diferentes na deliberação
do resultado.
O quesito segurança teve peso três em
uma escala que variava entre dois e cinco. A cidade
brasileira foi a sétima colocada em segurança,
posição igual e até melhor que
a alcançada em outros critérios. Em "Acomodações",
por exemplo, o Rio ficou na oitava posição
em um quesito de peso cinco.
Outra justificativa para a derrota, a falta da "tradição
européia", uma bandeira empunhada pelo presidente
do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos
Arthur Nuzman, não foi fundamental na decisão
e foi desmascarada pelo relatório. Um dos onze
quesitos tratava exclusivamente da "Experiência
em eventos esportivos". O peso era mínimo
(dois) e, curiosamente, a Cidade Maravilhosa obteve
seu melhor desempenho entre todas divisões avaliadas
pela organização chefiada por Rogge: a
quarta colocação entre as candidatas.
Para os comissários do COI, pelo menos, não
faltou tradição alguma.
Os números divulgados pelo Comitê desconstroem
o mito de que a segurança tirou o Brasil da disputa
pelo direito de ser sede dos Jogos Olímpicos
de 2012. Como veremos a seguir, quesito por quesito,
a falta de estrutura e as precárias condições
financeiras do país pesaram em igual ou maior
grau que os tiros disparados pelos traficantes do Rio
e que a tradição do Velho Continente.
Uma prova de que beleza é fundamental, mas não
é tudo.
|