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19/05/2004

Montagem  sobre foto Divulgação

César Castro testa salto olímpico na Itália

Por Marta Teixeira

O brasileiro César Castro tem um desafio extra para a próxima etapa da Copa do Mundo de Saltos Ornamentais. A partir do dia 28, ele disputa, em Roma, Itália, a oitava etapa da competição e vai aproveitar para testar o salto que está preparando para os Jogos Olímpicos de Atenas, em agosto.

Foto: Divulgação

A seu favor, para se destacar na Grécia, Castro conta com um fator que não passou despercebido em técnicos e especialistas estrangeiros. “Eles comentam sobre minha força e sobre o quanto eu subo na hora do salto. É uma característica pessoal, conseqüentemente, consigo fazer saltos mais difíceis”. Foi nessa linha que ele resolveu modificar seu salto anterior.

Há dois meses, Castro treina a apresentação que, segundo ele, tem dificuldade 1,10 superior à anterior. “Estou treinando um salto novo porque estava tendo problema com o parafuso para trás”, explica. Em Roma, o brasileiro vai apresentar um salto composto por duplo e meio para frente e mais um duplo parafuso.

Além de testar o salto olímpico, ele busca a classificação para a Super Final do GP, programada para os dias 19 e 20 de junho, na Cidade do México.

“Desta vez está difícil, mas vamos tentar”, promete o saltador. A insegurança tem um motivo. Apesar de ter ficado em quarto lugar na etapa de Zhuhai, em abril, Castro terminou na 11ª posição, em Woodlands, Estados Unidos, o que complicou sua possibilidade de chegar à Super Final, que reúne os oito melhores em cada modalidade de salto. “Não fui bem nos Estados Unidos. Errei o salto e isso complicou minha situação. Mas em todas as outras (etapas) fui bem, só que precisaria de uma medalha (em Roma) para garantir vaga na Super Final”.

Em um país sem tradição de grandes saltadores, Castro já conseguiu um lugar de relativo destaque no cenário internacional e, garante, que a cada dia o país tem ganhado mais e mais respeito no exterior.

“O Brasil está bem em técnica. Conseguiu mais duas vagas no trampolim (Juliana Veloso e Cassius Duran) e duas na plataforma (Juliana e Duran) coisa que grandes nomes do esporte, como Cuba e Estados Unidos, não conseguiram”, destaca. O salto qualitativo veio nos últimos dois anos e o prenúncio foi a própria presença de Castro no pódio da etapa dos Estados Unidos de 2002, ocupando a terceira colocação. No ano seguinte ele melhorou esse rendimento com o vice-campeonato na Alemanha.

De lá para cá, ele acha que muita coisa mudou. “Antes ninguém tinha conseguido isso. Hoje, o Brasil é visto lá fora de maneira diferente”, explica. Isso porque, a exemplo do que acontece em outras modalidades, quanto mais relevância um país tem no cenário internacional maiores as chances da arbitragem dar boas notas para seus atletas. “Sem dúvida tem o peso do nome, da tradição (nos julgamentos)”.

Dentro de casa, as mudanças também começaram. Com o bom resultado de dois anos atrás, ele assumiu que poderia lutar por uma vaga olímpica, e foi atrás. Primeiro abriu mão de disputar as provas na plataforma. “Saltava melhor no trampolim e comecei a ter problemas no punho (cisto) e ombro. É complicado ser bom nos dois e decidimos melhorar em um só. Deu certo”.

O próximo passo foi aprender com especialistas. “Passei 40 dias na China (que já fez inúmeros campeões), em janeiro de 2003, vendo como faziam as coisas”. Na volta, ele trouxe o veredito: a diferença fundamental estava no ginásio.

Feito o diagnóstico, o Mackenzie concordou em construir um Centro de Treinamento para Castro em Brasília, onde ele mora e treina, oferecendo os recursos necessários. Curiosamente, a mudança não foi no trabalho em piscina, mas fora dela. “Agora temos aparelhagem com cama elástica e trampolim no seco”, explica Castro, para quem a mudança foi fundamental em sua evolução.

Estréia olímpica - Aos 21 anos (12 deles dedicados aos saltos), ele se prepara para disputar sua primeira Olimpíada, e não esconde a ansiedade. A preparação para lutar por um resultado expressivo tem sido puxada. Todos os dias, ele passa de 7 a 8 horas no ginásio, aperfeiçoando, não apenas o
trabalho na água, mas também fazendo muitos exercícios de fortalecimento
para as pernas.

Na opinião do atleta, ele está em 75% de seu potencial com uma evolução que deve ser contínua até a Grécia. “Ainda estou subindo”, avisa, explicando que a carga de treino vai diminuir até agosto. “Vão ser cerca de 3 horas antes de Atenas, 1h30 de manhã e 1h30 à tarde”.

Depois de conquistar a vaga com a 14ª colocação na etapa grega da Copa, três acima de Duran, Castro acredita que chegar a uma final olímpica já é um bom resultado.

Nos Jogos, passam para a rodada decisiva os atletas com as 12 melhores notas na categoria. Até hoje, a melhor colocação nacional na competição foi o 14º lugar de Duran em Sydney-2000.

Russos, chineses, australianos e canadenses são os principais adversários. “Mas é difícil falar em favoritos”, destaca. “É como se fosse pênalti no futebol. O salto não permite erros”. Para completar a preparação, o brasileiro fará uma aclimatação na Alemanha a partir de 23 de julho e segue para Atenas em 7 de agosto.

Sétimo colocado no ranking mundial da temporada passada, Castro é o atual 20º colocado com 17 pontos conquistados em sete etapas. A liderança pertence ao canadense Alexandre Despatie, que domina o circuito com 82 pontos, seguido pelo chinês Feng Wang (52).

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