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Por Marta Teixeira
O brasileiro César Castro tem um desafio extra
para a próxima etapa da Copa do Mundo de Saltos
Ornamentais. A partir do dia 28, ele disputa, em Roma,
Itália, a oitava etapa da competição
e vai aproveitar para testar o salto que está
preparando para os Jogos Olímpicos de Atenas,
em agosto.
| Foto: Divulgação |
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A seu favor, para se destacar na Grécia, Castro
conta com um fator que não passou despercebido
em técnicos e especialistas estrangeiros. Eles
comentam sobre minha força e sobre o quanto eu
subo na hora do salto. É uma característica
pessoal, conseqüentemente, consigo fazer saltos
mais difíceis. Foi nessa linha que ele
resolveu modificar seu salto anterior.
Há dois meses, Castro treina a apresentação
que, segundo ele, tem dificuldade 1,10 superior à
anterior. Estou treinando um salto novo porque
estava tendo problema com o parafuso para trás,
explica. Em Roma, o brasileiro vai apresentar um salto
composto por duplo e meio para frente e mais um duplo
parafuso.
Além de testar o salto olímpico, ele
busca a classificação para a Super Final
do GP, programada para os dias 19 e 20 de junho, na
Cidade do México.
Desta vez está difícil, mas vamos
tentar, promete o saltador. A insegurança
tem um motivo. Apesar de ter ficado em quarto lugar
na etapa de Zhuhai, em abril, Castro terminou na 11ª
posição, em Woodlands, Estados Unidos,
o que complicou sua possibilidade de chegar à
Super Final, que reúne os oito melhores em cada
modalidade de salto. Não fui bem nos Estados
Unidos. Errei o salto e isso complicou minha situação.
Mas em todas as outras (etapas) fui bem, só que
precisaria de uma medalha (em Roma) para garantir vaga
na Super Final.
Em um país sem tradição de grandes
saltadores, Castro já conseguiu um lugar de relativo
destaque no cenário internacional e, garante,
que a cada dia o país tem ganhado mais e mais
respeito no exterior.
O Brasil está bem em técnica. Conseguiu
mais duas vagas no trampolim (Juliana Veloso e Cassius
Duran) e duas na plataforma (Juliana e Duran) coisa
que grandes nomes do esporte, como Cuba e Estados Unidos,
não conseguiram, destaca. O salto qualitativo
veio nos últimos dois anos e o prenúncio
foi a própria presença de Castro no pódio
da etapa dos Estados Unidos de 2002, ocupando a terceira
colocação. No ano seguinte ele melhorou
esse rendimento com o vice-campeonato na Alemanha.
De lá para cá, ele acha que muita coisa
mudou. Antes ninguém tinha conseguido isso.
Hoje, o Brasil é visto lá fora de maneira
diferente, explica. Isso porque, a exemplo do
que acontece em outras modalidades, quanto mais relevância
um país tem no cenário internacional maiores
as chances da arbitragem dar boas notas para seus atletas.
Sem dúvida tem o peso do nome, da tradição
(nos julgamentos).
Dentro de casa, as mudanças também começaram.
Com o bom resultado de dois anos atrás, ele assumiu
que poderia lutar por uma vaga olímpica, e foi
atrás. Primeiro abriu mão de disputar
as provas na plataforma. Saltava melhor no trampolim
e comecei a ter problemas no punho (cisto) e ombro.
É complicado ser bom nos dois e decidimos melhorar
em um só. Deu certo.
O próximo passo foi aprender com especialistas.
Passei 40 dias na China (que já fez inúmeros
campeões), em janeiro de 2003, vendo como faziam
as coisas. Na volta, ele trouxe o veredito: a
diferença fundamental estava no ginásio.
Feito o diagnóstico, o Mackenzie concordou em
construir um Centro de Treinamento para Castro em Brasília,
onde ele mora e treina, oferecendo os recursos necessários.
Curiosamente, a mudança não foi no trabalho
em piscina, mas fora dela. Agora temos aparelhagem
com cama elástica e trampolim no seco,
explica Castro, para quem a mudança foi fundamental
em sua evolução.
Estréia olímpica - Aos 21 anos
(12 deles dedicados aos saltos), ele se prepara para
disputar sua primeira Olimpíada, e não
esconde a ansiedade. A preparação para
lutar por um resultado expressivo tem sido puxada. Todos
os dias, ele passa de 7 a 8 horas no ginásio,
aperfeiçoando, não apenas o
trabalho na água, mas também fazendo muitos
exercícios de fortalecimento
para as pernas.
Na opinião do atleta, ele está em 75%
de seu potencial com uma evolução que
deve ser contínua até a Grécia.
Ainda estou subindo, avisa, explicando que
a carga de treino vai diminuir até agosto. Vão
ser cerca de 3 horas antes de Atenas, 1h30 de manhã
e 1h30 à tarde.
Depois de conquistar a vaga com a 14ª colocação
na etapa grega da Copa, três acima de Duran, Castro
acredita que chegar a uma final olímpica já
é um bom resultado.
Nos Jogos, passam para a rodada decisiva os atletas
com as 12 melhores notas na categoria. Até hoje,
a melhor colocação nacional na competição
foi o 14º lugar de Duran em Sydney-2000.
Russos, chineses, australianos e canadenses são
os principais adversários. Mas é
difícil falar em favoritos, destaca. É
como se fosse pênalti no futebol. O salto não
permite erros. Para completar a preparação,
o brasileiro fará uma aclimatação
na Alemanha a partir de 23 de julho e segue para Atenas
em 7 de agosto.
Sétimo colocado no ranking mundial da temporada
passada, Castro é o atual 20º colocado com
17 pontos conquistados em sete etapas. A liderança
pertence ao canadense Alexandre Despatie, que domina
o circuito com 82 pontos, seguido pelo chinês
Feng Wang (52).
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