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Por Claudia Andrade
Ana Paula e Sandra formam a dupla brasileira melhor
colocada no ranking provisório para as Olimpíadas
de Atenas, que será fechado no dia 11 de julho.
Elas estão em segundo lugar, atrás apenas
das campeãs mundiais, as norte-americanas Walsh
e May.
Campeãs do Circuito Mundial no ano passado e
tranqüilas em relação à participação
nos Jogos, elas se preocupam, por outro lado, com a
tendinite no punho que vem atrapalhando Ana Paula há
algum tempo. A dupla disputou apenas a etapa de abertura
da temporada 2004, em Fortaleza (CE), no início
de março, terminando em quinto lugar. Mas ficaram
fora do torneio da Grécia, encerrado no último
domingo, e também não vão disputar
o da China, nesta semana, e o do Japão, na semana
que vem.
Para Ana Paula, os problemas vieram na hora certa, porque
o importante é estar bem no momento decisivo,
o de brigar por uma medalha olímpica. Sandra
está ansiosa para voltar a jogar, e diz que,
apesar de ter perdido o primeiro rounde,
a dupla vai com tudo para o segundo.
Nesta entrevista à Gazeta Esportiva.Net,
a dupla também analisa o favoritismo das norte-americanas,
e o próprio, para os Jogos Olímpicos de
Atenas.
GE.Net - Como está a sua lesão?
Ana Paula - Está melhorando. Na última
semana teve uma grande melhora. Passei duas semanas
bem desanimada, porque não melhorava, mas o médico
disse para ter paciência, que demorava mesmo,
mas que teria um grande progresso e teve mesmo. Na próxima
segunda-feira devo voltar a treinar normalmente.
GE.Net - Mesmo assim vocês resolveram ficar
fora da etapa da China?
AP - Nós não vamos pra lá
porque nossa dupla já tá classificada,
não precisa de pontos. Se fôssemos pra
lá poderíamos pôr em risco três
semanas de fisioterapia, então preferimos não
ir e ficar zerada para as outras etapas, na Suíça,
Alemanha e Noruega. Se a gente precisasse ir pra China,
eu iria,
no sacrifício. Não estamos visando o Circuito
Mundial, mas sim as Olimpíadas.
GE.Net - Como está sendo a rotina de vocês
durante este período?
AP - Muita parte física, muita musculação,
salto, corrida, nossa, não agüento mais.
Eu treino todos os fundamentos, mas sem bola, salto
para ataque, bloqueio, e a parte física muito
bem trabalhada. Eu digo que Deus faz as coisas do jeito
certo. Antes da lesão, a gente tava priorizando
muito a parte técnica, e deixando a física
um pouco de lado. Estávamos em busca do ponto
ideal de conjunto, que a gente acha ainda tem que alcançar.
Mas com isso deu pra partir mais para a parte física
individual, tanto eu como a
Sandra.
Sandra Estou fazendo um treinamento normal.
Eles (técnicos) treinam comigo e o mais alto
faz o papel da Ana, quando vamos trabalhar o conjunto,
a parte mais tática. Estou sentindo falta de
treinar com ela. Para a equipe é ruim, mas para
ela é muito pior. Agora estou me preparando porque
sei que quando ela voltar, ela vai ter de ter todos
os créditos.
GE.Net - O que a dupla de vocês pode perder
ficando fora destas etapas?
S Nós não vamos para a China
e para o Japão. Vamos direto para o segundo rounde,
mas perdemos o primeiro. É sempre bom jogar,
treinar, assistir, filmar. Mas vamos tentar acelerar
esse processo nas outras competições.
Ainda temos tempo para isso. Estou sentindo falta de
jogar, mas o mais importante é que a Ana Paula
fique bem, porque é uma dor que limita os movimentos.
O importante é ela se recuperar para poder jogar
esses próximos torneios.
AP - Não perde nada, na verdade. Temos
uma pessoa filmando tudo pra gente lá fora e
a gente deve receber a fita da China nos próximos
dias. E nós vamos ter quatro etapas, talvez cinco
com a França, antes das Olimpíadas, o
que é mais do que suficiente para pegar ritmo
de jogo. Foi até melhor isso acontecer agora
do que depois, porque são exatamente as últimas
cinco etapas as mais importantes.
GE.Net - Nas Olimpíadas, o grande objetivo
de vocês, Walsh e May são mesmo a dupla
a bater? Ou além delas há outras que devem
dar trabalho em Atenas?
S Para cruzar com elas a gente tem que vencer
outras adversárias, por isso, tem que encarar
todas as outras com seriedade. A gente tem uma tática
para cada adversária, e precisa fazer bem nosso
jogo, porque talvez elas também tenham que pensar
na gente. Tem muita coisa para melhorar, até
porque a diferenciação tá muito
nos erros, e são eles que decidem no final. Elas
têm uma característica assim, não
forçam o saque, por isso não erram, e
esperam o erro das adversárias.
AP - Elas estão vivendo um momento muito
bom, mas a gente também tá na briga, como
a Adriana e a Shelda (segunda melhor dupla do Brasil
no ranking internacional), a outra dupla americana,
que eu ainda não sei qual é, porque têm
duas brigando pela segunda vaga (McPeak/Youngs e Jordan/Davis),
a australiana (Cook/Sanderson) a chinesa (Tian Jia/Wang
Fei). É verdade que elas tão vivendo um
momento bom, como nós no ano passado, quando
vencemos quatro etapas, estivemos em quase todas as
finais. Mas temos que acreditar e trabalhar para que
tudo aconteça na hora certa e não como
foi em Sydney (2000) quando a dupla da Austrália
ganhou da Shelda, o que nunca tinha acontecido antes,
e a dupla americana ganhou do Ricardo, sem nunca ter
vencido antes. Estamos tendo um começo meio conturbado,
mas isso não é preocupante, porque a curva
tinha que estar embaixo agora mesmo,
pra estar no alto no momento certo.
GE.Net - E esse trabalho para que tudo aconteça
na hora certa inclui uma preparação mental?
AP - Claro, com certeza que sim.
GE.Net - Como está sendo feita a de vocês?
AP - Eu faço ioga há um bom tempo,
e um dia desses tava lendo um artigo internacional que
dizia que a Walsh também faz. Vai ter uma briga
boa aí. A ioga trabalha respiração,
concentração e ajuda a se abster até
de todo o pensamento, você tem que ter confiança
no seu treinamento, na preparação que
fez. Se eu tô ali é porque tenho capacidade
de vencer qualquer um. E isso tem que ser automático,
não tem que pensar: Ah, se eu perder, ah
se eu ganhar. Tem só que pensar contra
quem você tá jogando e na tática
que vai usar.
GE.Net Vocês sempre dizem que ainda
precisam melhorar o entrosamento. Em que estágio
a dupla está agora?
S Nós jogamos há pouco tempo
juntas, não tem um ano ainda. É pouco
tempo para acertar o time. Mas estamos prestando atenção
nos treinos e isso acelera o processo. É uma
questão de adaptação mesmo. Nós
somos duas comandantes, com cada uma puxando mais para
um lado. A gente tá buscando um equilíbrio,
pra que nenhuma puxe mais que a outra, e se uma errar
muito a outra poder equilibrar.
GE.Net Esse período com treinos adaptados
prejudica um pouco esse entrosamento, não?
S Prejudica, mas não tem o que fazer.
Não era pra gente ir (para as etapas do Circuito
Mundial).
GE Net O fato de vocês estarem em baixa
agora pode virar uma vantagem nas Olimpíadas,
tirando os holofotes de vocês, ou a pressão
vai ser a mesma?
S Não muda nada. As adversárias
sabem, pelo ano passado, que a gente jogou bem, a dupla
ficou boa. E quando a gente voltar, vai ser filmada
e analisada, porque todo mundo vai estar tentando fazer
o melhor.
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