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25/05/2004
Montagem  sobre foto Fotocom

Por Claudia Andrade

Ana Paula e Sandra formam a dupla brasileira melhor colocada no ranking provisório para as Olimpíadas de Atenas, que será fechado no dia 11 de julho. Elas estão em segundo lugar, atrás apenas das campeãs mundiais, as norte-americanas Walsh e May.

Campeãs do Circuito Mundial no ano passado e tranqüilas em relação à participação nos Jogos, elas se preocupam, por outro lado, com a tendinite no punho que vem atrapalhando Ana Paula há algum tempo. A dupla disputou apenas a etapa de abertura da temporada 2004, em Fortaleza (CE), no início de março, terminando em quinto lugar. Mas ficaram fora do torneio da Grécia, encerrado no último domingo, e também não vão disputar o da China, nesta semana, e o do Japão, na semana que vem.

Para Ana Paula, os problemas vieram na hora certa, porque o importante é estar bem no momento decisivo, o de brigar por uma medalha olímpica. Sandra está ansiosa para voltar a jogar, e diz que, apesar de ter perdido o ‘primeiro rounde’, a dupla vai com tudo para o segundo.

Nesta entrevista à Gazeta Esportiva.Net, a dupla também analisa o favoritismo das norte-americanas, e o próprio, para os Jogos Olímpicos de Atenas.

GE.Net - Como está a sua lesão?
Ana Paula - Está melhorando. Na última semana teve uma grande melhora. Passei duas semanas bem desanimada, porque não melhorava, mas o médico disse para ter paciência, que demorava mesmo, mas que teria um grande progresso e teve mesmo. Na próxima segunda-feira devo voltar a treinar normalmente.

GE.Net - Mesmo assim vocês resolveram ficar fora da etapa da China?
AP - Nós não vamos pra lá porque nossa dupla já tá classificada, não precisa de pontos. Se fôssemos pra lá poderíamos pôr em risco três semanas de fisioterapia, então preferimos não ir e ficar zerada para as outras etapas, na Suíça, Alemanha e Noruega. Se a gente precisasse ir pra China, eu iria,
no sacrifício. Não estamos visando o Circuito Mundial, mas sim as Olimpíadas.

GE.Net - Como está sendo a rotina de vocês durante este período?
AP -
Muita parte física, muita musculação, salto, corrida, nossa, não agüento mais. Eu treino todos os fundamentos, mas sem bola, salto para ataque, bloqueio, e a parte física muito bem trabalhada. Eu digo que Deus faz as coisas do jeito certo. Antes da lesão, a gente tava priorizando muito a parte técnica, e deixando a física um pouco de lado. Estávamos em busca do ponto ideal de conjunto, que a gente acha ainda tem que alcançar. Mas com isso deu pra partir mais para a parte física individual, tanto eu como a
Sandra.

Sandra –
Estou fazendo um treinamento normal. Eles (técnicos) treinam comigo e o mais alto faz o papel da Ana, quando vamos trabalhar o conjunto, a parte mais tática. Estou sentindo falta de treinar com ela. Para a equipe é ruim, mas para ela é muito pior. Agora estou me preparando porque sei que quando ela voltar, ela vai ter de ter todos os créditos.

GE.Net - O que a dupla de vocês pode perder ficando fora destas etapas?
S –
Nós não vamos para a China e para o Japão. Vamos direto para o segundo rounde, mas perdemos o primeiro. É sempre bom jogar, treinar, assistir, filmar. Mas vamos tentar acelerar esse processo nas outras competições. Ainda temos tempo para isso. Estou sentindo falta de jogar, mas o mais importante é que a Ana Paula fique bem, porque é uma dor que limita os movimentos. O importante é ela se recuperar para poder jogar esses próximos torneios.

AP - Não perde nada, na verdade. Temos uma pessoa filmando tudo pra gente lá fora e a gente deve receber a fita da China nos próximos dias. E nós vamos ter quatro etapas, talvez cinco com a França, antes das Olimpíadas, o que é mais do que suficiente para pegar ritmo de jogo. Foi até melhor isso acontecer agora do que depois, porque são exatamente as últimas cinco etapas as mais importantes.

GE.Net - Nas Olimpíadas, o grande objetivo de vocês, Walsh e May são mesmo a dupla a bater? Ou além delas há outras que devem dar trabalho em Atenas?
S –
Para cruzar com elas a gente tem que vencer outras adversárias, por isso, tem que encarar todas as outras com seriedade. A gente tem uma tática para cada adversária, e precisa fazer bem nosso jogo, porque talvez elas também tenham que pensar na gente. Tem muita coisa para melhorar, até porque a diferenciação tá muito nos erros, e são eles que decidem no final. Elas têm uma característica assim, não forçam o saque, por isso não erram, e esperam o erro das adversárias.

AP - Elas estão vivendo um momento muito bom, mas a gente também tá na briga, como a Adriana e a Shelda (segunda melhor dupla do Brasil no ranking internacional), a outra dupla americana, que eu ainda não sei qual é, porque têm duas brigando pela segunda vaga (McPeak/Youngs e Jordan/Davis), a australiana (Cook/Sanderson) a chinesa (Tian Jia/Wang Fei). É verdade que elas tão vivendo um momento bom, como nós no ano passado, quando vencemos quatro etapas, estivemos em quase todas as finais. Mas temos que acreditar e trabalhar para que tudo aconteça na hora certa e não como foi em Sydney (2000) quando a dupla da Austrália ganhou da Shelda, o que nunca tinha acontecido antes, e a dupla americana ganhou do Ricardo, sem nunca ter vencido antes. Estamos tendo um começo meio conturbado, mas isso não é preocupante, porque a curva tinha que estar embaixo agora mesmo,
pra estar no alto no momento certo.

GE.Net - E esse trabalho para que tudo aconteça na hora certa inclui uma preparação mental?
AP -
Claro, com certeza que sim.

GE.Net - Como está sendo feita a de vocês?
AP -
Eu faço ioga há um bom tempo, e um dia desses tava lendo um artigo internacional que dizia que a Walsh também faz. Vai ter uma briga boa aí. A ioga trabalha respiração, concentração e ajuda a se abster até de todo o pensamento, você tem que ter confiança no seu treinamento, na preparação que
fez. Se eu tô ali é porque tenho capacidade de vencer qualquer um. E isso tem que ser automático, não tem que pensar: ‘Ah, se eu perder, ah se eu ganhar’. Tem só que pensar contra quem você tá jogando e na tática que vai usar.

GE.Net – Vocês sempre dizem que ainda precisam melhorar o entrosamento. Em que estágio a dupla está agora?
S –
Nós jogamos há pouco tempo juntas, não tem um ano ainda. É pouco tempo para acertar o time. Mas estamos prestando atenção nos treinos e isso acelera o processo. É uma questão de adaptação mesmo. Nós somos duas comandantes, com cada uma puxando mais para um lado. A gente tá buscando um equilíbrio, pra que nenhuma puxe mais que a outra, e se uma errar muito a outra poder equilibrar.

GE.Net – Esse período com treinos adaptados prejudica um pouco esse entrosamento, não?
S –
Prejudica, mas não tem o que fazer. Não era pra gente ir (para as etapas do Circuito Mundial).

GE Net – O fato de vocês estarem em baixa agora pode virar uma vantagem nas Olimpíadas, tirando os holofotes de vocês, ou a pressão vai ser a mesma?
S –
Não muda nada. As adversárias sabem, pelo ano passado, que a gente jogou bem, a dupla ficou boa. E quando a gente voltar, vai ser filmada e analisada, porque todo mundo vai estar tentando fazer o melhor.

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