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29/07/2004
Por Claudia Andrade

O nadador Gustavo Borges é recordista brasileiro em número de medalhas olímpicas, ao lado do iatista Torben Grael, cada um com quatro. Mas ele está preparado para perder esse título nos Jogos de Atenas, em agosto. “Ele (Torben) vai me passar. Vou torcer para isso”, afirma, categórico, o atleta que vai se aposentar na Grécia, com uma prata nos 100m livre em
Barcelona-92, outra prata, nos 200m e um bronze nos 100m, em Atlanta-96, para depois ser bronze no revezamento 4x100m livre em Sydney-00.

Borges já disse e repetiu várias vezes que, ao sair da piscina, depois do revezamento 4x100m livre, terá encerrado sua carreira. E não acredita que a despedida será com subida ao pódio.

Perguntado se o bronze dos Jogos de 2000 havia sido uma surpresa que poderia se repetir, ele dá uma resposta realista. “Em Sydney a gente sabia que tinha condições e agora a gente sabe que não tem”, afirma. “O limite do revezamento é a final. Não adianta falar que vai ganhar medalha.”

Sendo assim, o atleta vai aproveitar para fazer algo que não conseguiu nas suas três participações anteriores em Olimpíadas: se divertir.

“Sempre disputei cinco provas. Nadava todos os dias e ia embora. Agora, vou ter seis dias de descanso. Nado no segundo dia e depois quero assistir ao tênis, ver o Guga jogar, e acompanhar algumas provas de judô, sem contar a natação”, planeja.

O apoio aos jovens talentos nacionais será também uma prioridade para o veterano. “Já que é minha Olimpíada de despedida, vou aproveitar para ajudar os mais novos, não só na natação, mas nos outros esportes também. Minha função vai ser mais essa.”

Borges sai de cena, mas deixa o palco bem ocupado. “A gente está bem encaminhado. Várias pessoas têm condições de ir às finais. Até 2007, o esporte ainda vai crescer muito no Brasil. Conseqüentemente, dá pra conseguir melhores resultados em 2008”, acredita.

Entre os novos nomes da natação nacional, ele destaca um. “O Thiago (Pereira), um nome que vem se falando muito, estaria entre o terceiro e o quinto lugar (em uma prova)”, prevê.

Ele aproveita para aconselhar o jovem de 18 anos, que vai nadar os 200m e os 400m medley. “O importante é ficar concentrado na semi primeiro, depois na final, depois em ganhar medalha. Tem que ficar tranqüilo, descansar bem.” É o veterano antecipando as atividades de bastidores que tem preparadas para os Jogos de Atenas.

Borges estagiário

Candidato a porta-bandeira da delegação brasileira na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas. Candidato a presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. Em ano de eleições municipais, o nadador Gustavo Borges se mexe para continuar ligado ao esporte, mesmo depois de deixar as piscinas.

O desejo é antigo, mas fica mais perto de tornar-se realidade com a aposentadoria marcada para depois das Olimpíadas de agosto. Borges pensa em se preparar, para assumir o cargo que hoje é de Coaracy Nunes. “Acho interessante a proposta de eu assumir a CBDA no futuro e para isso, acho importante assumir algum cargo dentro da Confederação para aprender”, diz.

Ele quer estar pronto para substituir o presidente em 2008, ano em que o dirigente pensa em deixar a pasta. O próprio Nunes já manifestou vontade de ver Borges em seu lugar. “A gente (atletas) tem várias brigas boas com o Coaracy, mas são todas para melhorar a natação brasileira”, garante.

O cargo viria para aumentar sua longa lista de atividades. Empresário, ele é dono de três bares academias e uma escola de idiomas. Sem contar as inúmeras campanhas publicitárias.

Olimpíadas sem recordes

Uma polêmica da natação nos Jogos Olímpicos de Atenas foi a decisão de não cobrir a piscina em que o torneio será disputado. Para Gustavo Borges, variáveis como calor e vento podem interferir no rendimento. “Acho que nesta Olimpíada a busca por medalha vai prevalecer sobre a por recorde. Não sei se vai ter tantas marcas como em Sydney”, prevê.

Borges já competiu nestas condições, nos Jogos de Barcelona, quando fez sua estréia, e conquistou a prata nos 200m livre. “Em 92, o cenário foi perfeito, estava sol como vai estar também em Atenas. Além disso, é o mesmo para todo mundo, então não tem do que reclamar.”

As previsões individuais do brasileiro, no geral, não fogem às apostas gerais de quem acompanha a natação. “Acho que o (Michael) Phelps vai ser o grande destaque. Por causa dele, o ‘veterano’ (Ian) Thorpe, se é que a gente pode chamar assim alguém com 21 anos, vai perder um pouco o destaque”, afirma.

Phelps é recordista mundial dos 200m e 400m medley e 200m borboleta. Thorpe tem as melhores marcas do mundo nos 200m, 400m e 800m livre, e conquistou cinco medalhas nos Jogos de Sydney-00.

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