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Por Marta Teixeira, colaborou Luís Ricardo
Fini
Perder o sono, o controle dos músculos ou não conseguir
lidar com a pressão até comprometer seu rendimento.
Passar a noite em claro e, na hora de competir, sentir
o coração disparar e quase nem conseguir respirar. Em
véspera de Jogos Olímpicos, o controle emocional torna-se
peça chave para quem quiser conquistar um bom resultado.
Para tentar aplacar o problema, o Comitê Olímpico Brasileiro
(COB), contratou o psicólogo Dietmar Samulski, que prestará
assistência aos atletas na Vila Olímpica.
Ao contrário da fatídica experiência de Sydney-2000,
quando optou pelas técnica polêmicas de Roberto Shinyashiki,
o dessa vez o Comitê preferiu optar por um profissional
com passado reconhecido na psicologia esportiva. Desde
os Jogos australianos, Samulski trabalha com o Comitê
Paraolímpico e é essa experiência que ele pretende utilizar
na motivação dos novos clientes.
“Minha filosofia é a da psicologia aplicada ao esporte.
Trabalho com vários objetivos. Entre eles, desenvolver
as habilidades e capacidades psicológicas (dos atletas)”,
afirma o especialista, que lida com preparação psicológica
há 30 anos. Para atingir tal objetivo, Samulski recorre
a técnicas de relaxamento, concentração, equilíbrio
emocional e controle da ansiedade nas competições individuais.
Nas coletivas, ele destaca a psicologia social, espírito
de liderança e comunicação.
Racional, Samulski reconhece que suas possibilidades
de atuação são limitadas, até em função do pouco tempo
de integração com o grupo. “Não fui contratado para
uma missão impossível. Não tenho como cuidar de todos,
mas vou fazer o máximo possível para as equipes que
me procurarem”, afirma.
No entanto, talvez escaldados pela experiência de
Sydney talvez reticentes quanto a importância do psicológico
na preparação, nem todos os olímpicos procuraram o especialista.
O triatlo foi um dos que preferiu “passar” e o técnico
Marcos Paulo Reis explica por quê. “Se vai fazer tem
que ser com mais tempo para fazer bem estruturado”.
Ele reconhece que na reta final da preparação, contra
adversários do mesmo nível, a hora é de “trabalhar a
cabeça porque esse é um esporte muito duro”. Aí, cabe
mesmo ao treinador tentar fazer sua parte. “Conversar
com eles, motivar. Saber como falar”.
No basquete feminino, que também não recorreu a Samulski,
o técnico Antonio Carlos Barbosa segue a mesma linha.
“Você tem que lidar com a jogadora com o emocional.
Um técnico não pode ter problema emocional nenhum, tem
que controlar o sentimento. Ele é o espelho do grupo.
Eu trago a pressão sobre mim, imagine se deixo isso
para elas”.
O próprio psicólogo admite que o tempo está contra
ele. “O ideal seria a longo prazo. Dois anos (de integração)
seriam o ideal. Mas não vou ser nenhum salvador da pátria.
Esse é um desafio, um risco trabalhar em tão pouco tempo,
mas a gente sempre pode fazer algo”.
Pensando assim, ele está elaborando uma cartilha sobre
pressão psicológica para que os competidores saibam
se relacionar com cobranças, vitórias e fracassos, principalmente
para os estreantes. O manual também deverá conter dicas
de respiração e outras técnicas de relaxamento, além
de informações específicas para os treinadores.
Para Samulski, a psicologia esportiva identifica três
tipos básicos de atletas que variam sua reação sob pressão
de acordo com a personalidade: o bem preparado e com
alto nível de ativação e concentração; o jovem com alto
nível de ansiedade e o apático. No primeiro grupo, os
do estado de atenção, incluem-se, geralmente, os mais
experientes, que já aprenderam a lidar com as cobranças;
no segundo (os em estado de agitação) estão os que se
deixam levar pela pressão. Os apáticos são os que, pressionados,
perdem a motivação e podem até ter vontade de abandonar
a competição.
“Nessas situações é muito importante que o treinador
saiba orientar porque o psicólogo não pode estar lá
na hora da competição. O treinador é quem vai trabalhar
a diferença entre ansiedade e motivação”, explica. “Por
isso minha preocupação é a ligação com o treinador”.
Se ainda não pôde fazer muito na fase de preparação
olímpica, o psicólogo pretende ser um porto seguro na
Vila Olímpica. “Com certeza poderei ajudar a controlar
a ansiedade pré-competitiva. Pela minha experiência
sei que se chegam na final, muitos têm problema para
dormir e o atleta tem que dormir bem. Também posso orientar
sobre exercícios para fazer meia ou 1 hora antes e controlar
a ansiedade”.
As atividades de Samulski para o COB começaram há
três meses. O primeiro passo foi entrar em contato com
profissionais que já atendiam aos atletas e Confederações
para obter informações prévias. Em muitas modalidades
não havia a assistência psicológica e, aquelas que o
procuraram, ele encaminhou para uma equipe de confiança
dar atendimento.
“O ideal seria que cada seleção tivesse seu psicólogo
como tem fisioterapeuta e médico. Mas existem técnicos
que não acreditam em psicologia”, reconhece. Apesar
disso, ele diz que a preocupação com esse aspecto da
preparação tem crescido. “Praticamente metade dos atletas
tem preparação psicológica. Em Sydney, eram só dez ou
20. Esse é nosso primeiro contato, se der certo com
certeza para os próximos Jogos a situação será diferente”.
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