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Denis Eduardo Serio, especial para GE.Net
O discurso pronto de muitos atletas é: "nada
acontece por acaso". No caso do salto triplo, os
saltadores podem dizer tudo, menos esse clichê.
Jadel Gregório chega às Olimpíadas
de Atenas como uma das esperanças do atletismo
brasileiro, rebuscando a história escrita por
Adhemar Ferreira da Silva, Nelson Prudêncio e
João do Pulo, que acumulam juntos seis medalhas
olímpicas. Prudêncio, o único vivo
entre os medalhistas, não titubeia em falar:
"a tradição na prova é puro
acaso".
"É um fato. Não trabalhamos para
isso de forma sistemática. A cada dez, 11 anos,
surge um talento, mas não temos trabalho de base
voltado para a prova. Precisamos ter potencial para
que possamos ter mais atletas no nível do Jadel.
Isso vai fazer com que a qualidade chegue lá
em cima", explicou. Em Atenas, Jadel terá
de superar vários adversários de renome.
O maior deles é o sueco Christian Olsson, líder
do ranking e que vem dominando as provas nos últimos
Mundiais. O escandinavo permaneceu invicto durante 29
provas, tendo perdido tal seqüência no final
de julho, quando foi superado em um meeting por outro
gabaritado rival de Gregório no Grécia,
o romeno Marian Oprea.
Nesta sexta-feira, Jadel disputou a prova classificatória
e, com um único salto de 17,20m, conquistou o
direito de brigar pela sétima medalha olímpica
do salto triplo brasileiro neste domingo, tarefa que
tem a total confiança de Prudêncio.
"Em princípio, ele tem potencial para
isso, haja vista pelos resultados. Mas medalha é
conseqüência (do trabalho) e a Olimpíada
é uma incógnita", opinou. Prudêncio
deu uma sugestão a Gregório: pensar primeiro
na eliminatória e, depois, mais aliviado, focar-se
no pódio.
O ex-atleta afirmou que cinco países, além
do Brasil, têm condição de subir
no pódio: Suécia, Estados Unidos, Bahamas,
Cuba e Inglaterra, e deu a receita para Gregório
ficar com uma medalha. "A regularidade de resultado
dele é muito boa e o atleta vem repetindo marcas
na casa de 17,40m. Ao se estabilizar nesse nível,
deu um salto qualitativo. Se conseguir se estabilizar
acima dos 17,60m, vai ter medalha. E ele tem potencial
para isso", opinou.
Em alguns meetings europeus, o brasileiro foi superado
pelos concorrentes nos Jogos. Porém, Prudêncio
alerta que ele estavam em fase de adequação
física e que, nesse período, não
se consegue muitos resultados expressivos. Jadel ainda
disputará o salto em distância em Atenas
e, apesar de não estar entre os favoritos, também
é bem cotado por Prudêncio.
Além da medalha, Jadel Gregório vai à
Grécia para deixar acesa uma chama importantíssima
do esporte brasileiro. Certamente, ele será fundamental
para um outro "acaso" acontecer e, dentro
de alguns anos, novos triplistas do país entrarem
para a história do Brasil ao subirem no pódio
Olímpico.
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