Untitled Document
20/08/2004

Denis Eduardo Serio, especial para GE.Net

O discurso pronto de muitos atletas é: "nada acontece por acaso". No caso do salto triplo, os saltadores podem dizer tudo, menos esse clichê. Jadel Gregório chega às Olimpíadas de Atenas como uma das esperanças do atletismo brasileiro, rebuscando a história escrita por Adhemar Ferreira da Silva, Nelson Prudêncio e João do Pulo, que acumulam juntos seis medalhas olímpicas. Prudêncio, o único vivo entre os medalhistas, não titubeia em falar: "a tradição na prova é puro acaso".

"É um fato. Não trabalhamos para isso de forma sistemática. A cada dez, 11 anos, surge um talento, mas não temos trabalho de base voltado para a prova. Precisamos ter potencial para que possamos ter mais atletas no nível do Jadel. Isso vai fazer com que a qualidade chegue lá em cima", explicou. Em Atenas, Jadel terá de superar vários adversários de renome. O maior deles é o sueco Christian Olsson, líder do ranking e que vem dominando as provas nos últimos Mundiais. O escandinavo permaneceu invicto durante 29 provas, tendo perdido tal seqüência no final de julho, quando foi superado em um meeting por outro gabaritado rival de Gregório no Grécia, o romeno Marian Oprea.

Nesta sexta-feira, Jadel disputou a prova classificatória e, com um único salto de 17,20m, conquistou o direito de brigar pela sétima medalha olímpica do salto triplo brasileiro neste domingo, tarefa que tem a total confiança de Prudêncio.

"Em princípio, ele tem potencial para isso, haja vista pelos resultados. Mas medalha é conseqüência (do trabalho) e a Olimpíada é uma incógnita", opinou. Prudêncio deu uma sugestão a Gregório: pensar primeiro na eliminatória e, depois, mais aliviado, focar-se no pódio.

O ex-atleta afirmou que cinco países, além do Brasil, têm condição de subir no pódio: Suécia, Estados Unidos, Bahamas, Cuba e Inglaterra, e deu a receita para Gregório ficar com uma medalha. "A regularidade de resultado dele é muito boa e o atleta vem repetindo marcas na casa de 17,40m. Ao se estabilizar nesse nível, deu um salto qualitativo. Se conseguir se estabilizar acima dos 17,60m, vai ter medalha. E ele tem potencial para isso", opinou.

Em alguns meetings europeus, o brasileiro foi superado pelos concorrentes nos Jogos. Porém, Prudêncio alerta que ele estavam em fase de adequação física e que, nesse período, não se consegue muitos resultados expressivos. Jadel ainda disputará o salto em distância em Atenas e, apesar de não estar entre os favoritos, também é bem cotado por Prudêncio.

Além da medalha, Jadel Gregório vai à Grécia para deixar acesa uma chama importantíssima do esporte brasileiro. Certamente, ele será fundamental para um outro "acaso" acontecer e, dentro de alguns anos, novos triplistas do país entrarem para a história do Brasil ao subirem no pódio Olímpico.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net