|
Um quadro nada animador. Apesar de um investimento
de mais de R$ 60 milhões dos cofres públicos
nos últimos dois anos, o Brasil encarou nesta
semana a dura realidade que atravessa o esporte competitivo
na comparação mundial.
A política de curto prazo não surtiu efeito
e o país teve praticamente o mesmo desempenho
de Sydney-2000. No quadro de medalhas, o Brasil termina
a semana com dois bronzes contra duas pratas e um bronze
no mesmo período de 2000. A melhora vem nas sete
finais atingidas pelos atletas brasileiras na Grécia,
duas a mais que em território australiano.
Porém, é muito pouco para falar em potência
olímpica, como prometera o presidente do Comitê
Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman,
quando assumiu a entidade em 1995. Para se ter uma idéia,
das 96 medalhas oferecidas na natação
nesta semana, o Brasil teve chances reais de conquistar
apenas cinco: Thiago Pereira (quinto nos 200m medley),
Gabriel Mangabeira (sexto nos 100m borboleta), Joanna
Maranhão (quinto nos 400m medley), revezamento
4x200m livre feminino (sétimo) e Flávia
Delaroli (oitava nos 50m livre).
Tida como a "melhor equipe de todos os tempos",
a natação deixou os Jogos sem medalhas
pela primeira vez desde Seul-1988, e ainda viu a despedida
do ídolo Gustavo Borges. No judô, a equipe
afirmava ter chances nas 12 categorias. Na realidade,
cinco perderam logo na estréia e apenas dois
chegarem às decisões de medalhas: Leandro
Guilheiro e Flávio Canto, que terminaram com
a medalha de bronze no peito.
Nos outros esportes individuais, os dirigentes comemoraram
pequenas evoluções, mas que deixam o país
ainda muito longe das maiores potências. No remo,
Anderson Nocetti e Fabiane Beltrame disputaram a final
C, que define entre 13º e 18º lugares. Na
esgrima, Élora Pattaro e Maria Júlia Herklotz
protagonizaram a primeira participação
feminina na modalidade em 68 anos, mas saíram
sem uma vitória. O boxe, então, viu quatro
dos cinco representantes eliminados no primeiro combate.
Apesar da Lei Piva promulgada em 2002, e todo o "projeto
de potência olímpica" lançado
por Nuzman em 1995, as justificativas dos atletas são
as mesmas para as derrotas: "Falta intercâmbio
internacional. Isso fez muita diferença",
justificou a esgrimista Élora, após a
eliminação na estréia do sabre.
A única modalidade que realmente mostrou grande
evolução foi a ginástica artística,
que colocou uma equipe feminina pela primeira vez, duas
ginastas na final individual (Daniele Hypólito
e Camila Comin) e uma em final de aparelhos (Daiane
dos Santos, no solo). Na próxima semana, os brasileiros
podem, enfim, festejar. Afinal as maiores esperanças
nacionais: vela, vôlei, vôlei de praia,
basquete e futebol finalizam suas competições.
|