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21/08/2004

Um quadro nada animador. Apesar de um investimento de mais de R$ 60 milhões dos cofres públicos nos últimos dois anos, o Brasil encarou nesta semana a dura realidade que atravessa o esporte competitivo na comparação mundial.

A política de curto prazo não surtiu efeito e o país teve praticamente o mesmo desempenho de Sydney-2000. No quadro de medalhas, o Brasil termina a semana com dois bronzes contra duas pratas e um bronze no mesmo período de 2000. A melhora vem nas sete finais atingidas pelos atletas brasileiras na Grécia, duas a mais que em território australiano.

Porém, é muito pouco para falar em potência olímpica, como prometera o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, quando assumiu a entidade em 1995. Para se ter uma idéia, das 96 medalhas oferecidas na natação nesta semana, o Brasil teve chances reais de conquistar apenas cinco: Thiago Pereira (quinto nos 200m medley), Gabriel Mangabeira (sexto nos 100m borboleta), Joanna Maranhão (quinto nos 400m medley), revezamento 4x200m livre feminino (sétimo) e Flávia Delaroli (oitava nos 50m livre).

Tida como a "melhor equipe de todos os tempos", a natação deixou os Jogos sem medalhas pela primeira vez desde Seul-1988, e ainda viu a despedida do ídolo Gustavo Borges. No judô, a equipe afirmava ter chances nas 12 categorias. Na realidade, cinco perderam logo na estréia e apenas dois
chegarem às decisões de medalhas: Leandro Guilheiro e Flávio Canto, que terminaram com a medalha de bronze no peito.

Nos outros esportes individuais, os dirigentes comemoraram pequenas evoluções, mas que deixam o país ainda muito longe das maiores potências. No remo, Anderson Nocetti e Fabiane Beltrame disputaram a final C, que define entre 13º e 18º lugares. Na esgrima, Élora Pattaro e Maria Júlia Herklotz
protagonizaram a primeira participação feminina na modalidade em 68 anos, mas saíram sem uma vitória. O boxe, então, viu quatro dos cinco representantes eliminados no primeiro combate.

Apesar da Lei Piva promulgada em 2002, e todo o "projeto de potência olímpica" lançado por Nuzman em 1995, as justificativas dos atletas são as mesmas para as derrotas: "Falta intercâmbio internacional. Isso fez muita diferença", justificou a esgrimista Élora, após a eliminação na estréia do sabre.

A única modalidade que realmente mostrou grande evolução foi a ginástica artística, que colocou uma equipe feminina pela primeira vez, duas ginastas na final individual (Daniele Hypólito e Camila Comin) e uma em final de aparelhos (Daiane dos Santos, no solo). Na próxima semana, os brasileiros podem, enfim, festejar. Afinal as maiores esperanças nacionais: vela, vôlei, vôlei de praia, basquete e futebol finalizam suas competições.

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