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Maurício Svartman, especial para a GE.Net
O iatista Robert Scheidt é um dos maiores esportistas
de todos os tempos. Sua eficiência - é heptacampeão
mundial e bicampeão olímpico - pode ser comparada à
de Michael Schumacher na Fórmula 1, Pete Sampras no
tênis ou Alexander Popov na natação. Mesmo não tendo
escolhido um esporte de massa, difícil de ser acompanhado
pela TV no país do futebol, este paulistano dá alegrias
e recebe gratidão do povo brasileiro de quatro em quatro
anos. Só o triplista Adhemar Ferreira da Silva e os
iatistas Torben Grael e Marcelo Ferreira se igualam
a ele em número de medalhas de ouro olímpicas: duas.
Scheidt ainda conta uma prata, em Sydney-2000, que ajudou
a tornar a vela o esporte olímpico brasileiro com mais
medalhas: são seis de ouro, duas de prata e seis de
bronze, totalizando 14 conquistas.
| Foto Wander Roberto/COB/Divulgação |
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O ouro em Atenas teve um sabor especial para o velejador,
de 31 anos, com relação ao de Atlanta-1996. Havia oito
anos que um brasileiro não subia ao lugar mais alto
do pódio, já que em Sydney foram seis medalhas de prata
e seis de bronze. "Foi um sonho atingido", confirma
o paulista. "É a realização de uma esperança brasileira.
Estava engasgada desde Sydney." Apesar de admitir estar
mais maduro do que quando, aos 23 anos, trouxe seu primeiro
ouro, o iatista comemora como se fosse a primeira conquista
de sua carreira. "Ele acordou no hotel, no dia seguinte,
conferiu a medalha e gritou: "Eu ganhei, eu ganhei!",
afirma Carolina Nunes, namorada de Scheidt há dois anos
e meio. "E quando pulou na água, os fotógrafos que não
haviam feito a imagem pediam para ele pular de novo,
e ele subia e pulava, subia e pulava", brinca.
O bicampeão confessa que, mesmo após ter subido ao
pódio cerca de 140 vezes em sua carreira, a emoção ainda
é muito forte. "Você se sente no topo do mundo. Naquela
hora a minha perna estava bamba, eu estava olhando aquela
bandeira subir, meio que passa um filme da sua vida
toda." A medalha em Atenas, no entanto, era mais do
que esperada. Após ir a Sydney como favorito e deixar
escapar a vitória na última regata para o inglês Ben
Ainslie, Scheidt realizou uma preparação minuciosa para
Atenas.
"Fiz uma preparação excelente. Treinei bastante na
raia olímpica de Atenas, estava familiarizado com o
ambiente, mais do que eu só o iatista grego", brincou
Scheidt, se referindo a Evangelos Chimonas, que terminou
na 16ª colocação. "Mas acho que na Olimpíada não tem
muito isso de lógica, nem sempre os favoritos vencem
e nós vimos isso em outros esportes. Cheguei em Atenas
sabendo que tinha chances de ganhar, mas sabendo que
teria de velejar muito bem. Cheguei a ter algumas regatas
ruins no quarto dia do evento, mas felizmente consegui
juntar minhas forças e velejar bem no penúltimo e no
último dia para trazer o ouro", comemora.
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