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31/08/2004
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BRASIL
MUNDO

Da equipe Gazeta Esportiva.Net

1º de outubro de 2000. O Brasil deixa os Jogos de Sydney sem a tão propagada medalha de ouro, fica com seis pratas e seis bronzes, a 52ª colocação no quadro de medalhas e sem escutar o Hino Nacional pela primeira vez desde Montreal-1976.

29 de agosto de 2004. Quatro anos depois, a delegação recorde de 247 atletas sai de Atenas como um integrante dos 20 melhores colocados dos Jogos Olímpicos. Com quatro ouros, três pratas e três bronzes - a última delas na maratona - o Brasil termina a competição em 18º lugar, festeja o recorde de medalhas douradas em uma mesma edição olímpica e a melhor posição desde Moscou-1980, quando foi 17º colocado.

Uma performance digna de comemoração, certo? Nem tanto. Apesar das marcas atingidas, as modalidades premiadas há mais de uma década foram as mesmas que subiram no pódio de Atenas: vôlei, vôlei de praia, vela, atletismo, hipismo, futebol e judô.

Nenhuma novidade entre os esportes que subiram ao pódio nas últimas três edições e ainda duas modalidades (natação e basquete) deixaram de trazer medalhas. A única novata que chegou bem cotada foi a ginástica artística, mas Daiane dos Santos não repetiu as performances anteriores aos Jogos Olímpicos e terminou em quinto lugar.

Foto:Reuters
Foto:Reuters
Vôlei confirma expectativa e sai consagrado com o ouro.

Com exceção do vôlei masculino, os outros três ouros eram aguardados em Sydney, mas Robert Scheidt (classe Laser da vela), Marcelo Ferreira e Torben Grael (classe Star da vela) e Ricardo (que fazia parceria com Ricardo, no vôlei de praia) fracassaram no final. Rodrigo Pessoa (prata em Atenas), Adriana Behar e Shelda, e o judô também estiveram entre os cotados nos Jogos de 2000.

Lógico que não se pode negar a evolução de algumas modalidades, impulsionadas um pouco pela verba cedida pela Lei Piva (mais de R$ 60 milhões ao esporte em dois anos) e muito pelo talento individual dos competidores. Mesmo com os bons resultados, poucos foram os atletas que atribuíram os desempenhos a um trabalho estrutural, de formação de base e de intercâmbio.

“Não temos apoio e só somos lembrados na época do Pan ou da Olimpíada”, desabafou Diogo Silva, após o histórico quarto lugar no taekwondo, uma modalidade que jamais havia vencido em Olimpíadas. No mesmo esporte, Natália Falavignia perdeu a disputa do bronze, igualou o melhor resultado de uma brasileira em provas individuais nos Jogos (quarto lugar de Aída dos Santos em Tóquio-1964), mas também reclamou da falta de apoio.

Em outras, o apoio da Lei Piva foi fundamental para o crescimento. O salto ornamental festejou a primeira final desde Helsinque-1952, graças à melhora das condições do Centro de Treinamento da modalidade. “Foi fruto do desenvolvimento feito na nossa estrutura. Não dá para esquecer disso”, disse César Castro, responsável pelo feito histórico no trampolim 3m.

Já o intercâmbio foi a forma encontrada para o desenvolvimento no ciclismo, na ginástica artística, no handebol, na canoagem e no nado sincronizado. Ao mesmo tempo, o esporte nacional ainda carece de investimentos. Presente em Sydney, o levantamento de peso não contou com representantes em Atenas e culpou a falta de investimento pela ausência.

No pentatlo moderno, no tiro e no remo, os atletas chiaram contra o excesso de burocracias para terem uma preparação adequada. O próprio presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, admite que o esporte brasileiro ainda tem muito a melhorar, antes de se considerar uma potência olímpica.

“Especial é a melhoria do esporte brasileiro. Isso é o mais importante, mas fico com os pés no chão”, disse o dirigente, que prefere não fazer previsões para Pequim-2008, mas comemora o fato de os quatro ouros poderem reverter em investimentos no país. “É claro que vai mexer na questão do patrocínio”. Quem sabe com o apoio privado, o esporte brasileiro realmente deixe de ser um país “de fenômenos” para se transformar na nação “de resultados”.

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21s14
Foi o tempo da
participação de
Basílio Emidio, no atletismo, em Atenas