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Da equipe Gazeta Esportiva.Net
1º de outubro de 2000. O Brasil deixa os Jogos de
Sydney sem a tão propagada medalha de ouro, fica
com seis pratas e seis bronzes, a 52ª colocação
no quadro de medalhas e sem escutar o Hino Nacional pela
primeira vez desde Montreal-1976.
29 de agosto de 2004. Quatro anos depois, a delegação
recorde de 247 atletas sai de Atenas como um integrante
dos 20 melhores colocados dos Jogos Olímpicos.
Com quatro ouros, três pratas e três bronzes
- a última delas na maratona - o Brasil termina
a competição em 18º lugar, festeja
o recorde de medalhas douradas em uma mesma edição
olímpica e a melhor posição desde
Moscou-1980, quando foi 17º colocado.
Uma performance digna de comemoração,
certo? Nem tanto. Apesar das marcas atingidas, as modalidades
premiadas há mais de uma década foram
as mesmas que subiram no pódio de Atenas: vôlei,
vôlei de praia, vela, atletismo, hipismo, futebol
e judô.
Nenhuma novidade entre os esportes que subiram ao pódio
nas últimas três edições
e ainda duas modalidades (natação e basquete)
deixaram de trazer medalhas. A única novata que
chegou bem cotada foi a ginástica artística,
mas Daiane dos Santos não repetiu as performances
anteriores aos Jogos Olímpicos e terminou em
quinto lugar.
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Foto:Reuters
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| Vôlei confirma expectativa e sai consagrado
com o ouro. |
Com exceção do vôlei masculino,
os outros três ouros eram aguardados em Sydney,
mas Robert Scheidt (classe Laser da vela), Marcelo Ferreira
e Torben Grael (classe Star da vela) e Ricardo (que
fazia parceria com Ricardo, no vôlei de praia)
fracassaram no final. Rodrigo Pessoa (prata em Atenas),
Adriana Behar e Shelda, e o judô também
estiveram entre os cotados nos Jogos de 2000.
Lógico que não se pode negar a evolução
de algumas modalidades, impulsionadas um pouco pela
verba cedida pela Lei Piva (mais de R$ 60 milhões
ao esporte em dois anos) e muito pelo talento individual
dos competidores. Mesmo com os bons resultados, poucos
foram os atletas que atribuíram os desempenhos
a um trabalho estrutural, de formação
de base e de intercâmbio.
Não temos apoio e só somos lembrados
na época do Pan ou da Olimpíada,
desabafou Diogo Silva, após o histórico
quarto lugar no taekwondo, uma modalidade que jamais
havia vencido em Olimpíadas. No mesmo esporte,
Natália Falavignia perdeu a disputa do bronze,
igualou o melhor resultado de uma brasileira em provas
individuais nos Jogos (quarto lugar de Aída dos
Santos em Tóquio-1964), mas também reclamou
da falta de apoio.
Em outras, o apoio da Lei Piva foi fundamental para
o crescimento. O salto ornamental festejou a primeira
final desde Helsinque-1952, graças à melhora
das condições do Centro de Treinamento
da modalidade. Foi fruto do desenvolvimento feito
na nossa estrutura. Não dá para esquecer
disso, disse César Castro, responsável
pelo feito histórico no trampolim 3m.
Já o intercâmbio foi a forma encontrada
para o desenvolvimento no ciclismo, na ginástica
artística, no handebol, na canoagem e no nado
sincronizado. Ao mesmo tempo, o esporte nacional ainda
carece de investimentos. Presente em Sydney, o levantamento
de peso não contou com representantes em Atenas
e culpou a falta de investimento pela ausência.
No pentatlo moderno, no tiro e no remo, os atletas
chiaram contra o excesso de burocracias para terem uma
preparação adequada. O próprio
presidente do Comitê Olímpico Brasileiro
(COB), Carlos Arthur Nuzman, admite que o esporte brasileiro
ainda tem muito a melhorar, antes de se considerar uma
potência olímpica.
Especial é a melhoria do esporte brasileiro.
Isso é o mais importante, mas fico com os pés
no chão, disse o dirigente, que prefere
não fazer previsões para Pequim-2008,
mas comemora o fato de os quatro ouros poderem reverter
em investimentos no país. É claro
que vai mexer na questão do patrocínio.
Quem sabe com o apoio privado, o esporte brasileiro
realmente deixe de ser um país de fenômenos
para se transformar na nação de
resultados.
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