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Foto: Satiro Sodre/COB/Divulgação
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Por Fernando Narazaki
O Brasil encerrou a participação nas
Olimpíadas de Atenas com quatro ouros, três
pratas e três bronzes. Apontada pelo Comitê
Olímpico Brasileiro (COB) como a melhor campanha
da história, as marcas recordes estão
longe, entretanto, de representar um futuro ascendente
para o esporte
brasileiro.
Um dia após encerrados os Jogos, os atletas brasileiros
do nado sincronizado e do salto ornamental mostraram
muita preocupação com os próximos
anos, antes da chegada do Pan do Rio de Janeiro-2007.
Conscientes, eles esperam apenas que os investimentos
continuem nas modalidades.
Primeiras atletas do país a disputar uma final
olímpica da modalidade, o dueto Carolina e Isabela
é certamente o que está mais próximo
de um desfecho ruim. Posicionadas em 12º lugar
na final da prova em Atenas, as gêmeas devem encerrar
mesmo a carreira para conseguir, enfim, a independência
financeira.
A dupla recebeu um convite do Cirque du Soleil, um dos
maiores espetáculos circenses do mundo, e deve
ter a resposta até o final deste ano. Caso seja
afirmativa, as irmãs estarão próximas
de se aposentar. Estamos pesando as duas coisas,
mas é bem provável que a gente deixe o
esporte competitivo, explica Carolina.
Sem incentivos, elas acreditam que terão a possibilidade
de serem profissionais com a ida para o
circo. A gente seria finalmente profissional.
O nado sincronizado no Brasil melhorou, mas não
oferece a estrutura necessária ainda. É
uma pena, destaca Isabela, que faria assim companhia
à Fernanda Monteiro, outra ex-atleta do nado
sincronizado, que integra o grupo circense há
mais de dois anos.
Responsáveis diretas pela entrada de centenas
de crianças em escolas de nado sincronizado dentro
do clube Paineiras, em que são as estrelas, as
gêmeas garantem que só não deixaram
o esporte pela influência sobre a nova geração.
Isso é o que mais aperta a gente. Dói
muito saber que vamos sair, quando vemos um monte de
crianças se animando com a gente, diz Carolina.
Para a técnica da dupla, Andrea Cury, a lacuna
aberta pela possível saída das irmãs
Moraes pode provocar uma regressão da modalidade.
Sem elas vai ser difícil. Elas são
o nosso carro-chefe e vai demorar para aparecer atletas
do mesmo nível. É uma perda irreparável,
garante a treinadora.
No salto ornamental, o paulista Cassius Duran terá
de conviver com os mesmos problemas de seis anos. Ele
voltará a enfrentar a piscina gelada em que se
acostumou a treinar durante a carreira e já rendeu
uma grave lesão nas costas. Eliminado ainda nas
primeira fase da plataforma, o saltador lamenta a pouca
melhora de Sydney para Atenas.
Passou mais um ciclo olímpico e a gente
continua na mesma. O país melhorou algumas coisas,
mas só temos um centro de treinamento com as
condições mínimas de treino, que
fica no Rio de Janeiro, apontou Duran, que lamentou
ter errado a execução do primeiro salto.
Isso me custou a vaga na
semifinal. Foram 20 pontos que perdi, afirma.
Segundo ele, a falta de estrutura atrapalha inclusive
o aumento do intercâmbio. Com a estrutura
que temos nem adianta chamar técnico chinês.
Todas os principais países fazem isso, mas aqui
com piscina gelada, o chinês não resolve
nada, explica.
Com o fim das Olimpíadas, Duran tenta segurar
ainda o patrocínio pessoal com uma empresa de
plano de saúde privado. O contrato vence
no fim do ano e espero continuar tendo a mesma tranquilidade
que tive neste último ano. Senão começa
tudo de novo, aponta.
Apesar do saltador ter saído na primeira fase,
a modalidade comemorou dois resultados históricos
em Atenas: César Castro recolou o país
em uma final olímpica após 52 anos, e
Juliana Veloso igualou o melhor resultado feminino brasileiro
na modalidade com a 16ª posição na
plataforma. Mas, nem isso,
pode ser suficiente para manter o incentivo aos atletas
da modalidade.
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