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31/08/2004
Foto: Satiro Sodre/COB/Divulgação

Por Fernando Narazaki

O Brasil encerrou a participação nas Olimpíadas de Atenas com quatro ouros, três pratas e três bronzes. Apontada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) como a melhor campanha da história, as marcas recordes estão longe, entretanto, de representar um futuro ascendente para o esporte
brasileiro.

Um dia após encerrados os Jogos, os atletas brasileiros do nado sincronizado e do salto ornamental mostraram muita preocupação com os próximos anos, antes da chegada do Pan do Rio de Janeiro-2007. Conscientes, eles esperam apenas que os investimentos continuem nas modalidades.

Primeiras atletas do país a disputar uma final olímpica da modalidade, o dueto Carolina e Isabela é certamente o que está mais próximo de um desfecho ruim. Posicionadas em 12º lugar na final da prova em Atenas, as gêmeas devem encerrar mesmo a carreira para conseguir, enfim, a independência
financeira.

A dupla recebeu um convite do Cirque du Soleil, um dos maiores espetáculos circenses do mundo, e deve ter a resposta até o final deste ano. Caso seja afirmativa, as irmãs estarão próximas de se aposentar. “Estamos pesando as duas coisas, mas é bem provável que a gente deixe o esporte competitivo”, explica Carolina.

Sem incentivos, elas acreditam que terão a possibilidade de “serem profissionais” com a ida para o circo. “A gente seria finalmente profissional. O nado sincronizado no Brasil melhorou, mas não oferece a estrutura necessária ainda. É uma pena”, destaca Isabela, que faria assim companhia à Fernanda Monteiro, outra ex-atleta do nado sincronizado, que integra o grupo circense há mais de dois anos.

Responsáveis diretas pela entrada de centenas de crianças em escolas de nado sincronizado dentro do clube Paineiras, em que são as estrelas, as gêmeas garantem que só não deixaram o esporte pela influência sobre a nova geração. “Isso é o que mais aperta a gente. Dói muito saber que vamos sair, quando vemos um monte de crianças se animando com a gente”, diz Carolina.

Para a técnica da dupla, Andrea Cury, a lacuna aberta pela possível saída das irmãs Moraes pode provocar uma regressão da modalidade. “Sem elas vai ser difícil. Elas são o nosso carro-chefe e vai demorar para aparecer atletas do mesmo nível. É uma perda irreparável”, garante a treinadora.

No salto ornamental, o paulista Cassius Duran terá de conviver com os mesmos problemas de seis anos. Ele voltará a enfrentar a piscina gelada em que se acostumou a treinar durante a carreira e já rendeu uma grave lesão nas costas. Eliminado ainda nas primeira fase da plataforma, o saltador lamenta a pouca melhora de Sydney para Atenas.

“Passou mais um ciclo olímpico e a gente continua na mesma. O país melhorou algumas coisas, mas só temos um centro de treinamento com as condições mínimas de treino, que fica no Rio de Janeiro”, apontou Duran, que lamentou ter errado a execução do primeiro salto. “Isso me custou a vaga na
semifinal. Foram 20 pontos que perdi”, afirma.

Segundo ele, a falta de estrutura atrapalha inclusive o aumento do intercâmbio. “Com a estrutura que temos nem adianta chamar técnico chinês. Todas os principais países fazem isso, mas aqui com piscina gelada, o chinês não resolve nada”, explica.

Com o fim das Olimpíadas, Duran tenta segurar ainda o patrocínio pessoal com uma empresa de plano de saúde privado. “O contrato vence no fim do ano e espero continuar tendo a mesma tranquilidade que tive neste último ano. Senão começa tudo de novo”, aponta.

Apesar do saltador ter saído na primeira fase, a modalidade comemorou dois resultados históricos em Atenas: César Castro recolou o país em uma final olímpica após 52 anos, e Juliana Veloso igualou o melhor resultado feminino brasileiro na modalidade com a 16ª posição na plataforma. Mas, nem isso,
pode ser suficiente para manter o incentivo aos atletas da modalidade.

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