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13/09/2004

Por Fernando Narazaki

Ficar no Brasil, conciliar os estudos com a carreira esportiva e lutando por patrocínios ou então abandonar o país e partir para um esquema “mais profissional” com uma melhor programação estudantil.

Esta será a decisão que os jovens Thiago Pereira, Joanna Maranhão e Lucas Salatta, todos de 17 anos, terão de tomar no próximo mês. Os três são apontados como os maiores nomes da nova geração da modalidade e dois deles foram finalistas nas Olimpíadas de Atenas.

Pereira derrubou o recorde sul-americano e foi quinto colocado na final dos 200m medley, chegando a estar entre os três primeiros até a última virada dos 50m. Nos 400m medley, o carioca sentiu a pressão de competir no primeiro dia e caiu nas eliminatórias, assim como Lucas Salatta.

Joanna é outra que fez história, com um quinto lugar nos 400m medley, em que superou o recorde brasileiro em mais de três segundos. Ela igualou o feito de Piedade Coutinho, que foi quinta na final dos 400m livre nos Jogos de Londres-1948.

Para eles, outubro poderá marcar um ritual de passagem. Após o Mundial de Piscina Curta em Indianápolis, o trio decidirá pela permanência no Brasil ou então a mudança para a Europa, Austrália ou EUA, onde teriam oportunidade de ter uma carreira estudantil mais planejada, estariam mais próximos das principais competições internacionais, mas também distante das famílias, dos amigos e de possíveis patrocínios nacionais, já que dificilmente poderiam defender clubes do Brasil em eventos locais.

A decisão vem aliada a uma série de convites recebidos pelos nadadores para defender universidades dos EUA, da Austrália e da Espanha. “Tive muitos convites, algumas conversas, mas nada de concreto. Só chamaram para treinar, mas sem apresentar planos”, comenta Pereira.

Finalista de Atenas, Joanna também foi convidada por, pelo menos, três universidades norte-americanas, mas aguarda o fim do Mundial para tomar uma decisão. “Recebi alguns e-mails, ouvi algumas conversas, mas prefiro não pensar muito nisso agora. Vou debater com meu técnico e ouvir outras pessoas”, admite.

Se depender do técnico Nuno Trigueiro, que treina Joanna desde o início do ano, o futuro da nadadora deve ser mesmo o Brasil. “Ir lá para fora não é tão bom assim. Lá você é mais um e os americanos não estão nem aí para você. É isso que temo com a Joanna”, diz.

Para ele, uma possível mudança só seria bom para evitar a queda de competitividade da atleta. “Aqui a Joanna tem chance de medalhar em muitas provas. Ela não tem adversária nos 400m medley. Lá fora, ela aumentaria o nível de competitividade, mas ficaria longe da família e teria de saberlidar com o tratamento que terá”, explica Nuno, que chegou a competir por
universidades dos EUA em sua carreira.

O técnico também aposta em um possível acerto com uma universidade brasileira para manter Joanna no país. “Muita gente procurou ela depois das Olimpíadas. Agora proposta séria tem uma, é uma universidade de Pernambuco, mas temos de examinar. O importante é que a Joanna decida. O que ela optar, está bom”, destaca.

Já o adolescente Lucas Salatta está mais inclinado a permanecer no Brasil. No início de 2004, ele teve de trancar a matrícula no colégio, onde faz o terceiro ano do ensino médio, para se dedicar às Olimpíadas. Agora, Lucas sabe que precisa de uma nova adequação do calendário escolar ao esportivo. “O colégio me ajudou muito nisso, mas vou ter de me desdobrar para cobrir tudo. É a falta de um trabalho conciliado entre esporte e escola, mas não tem escolha. Não queria sair do Brasil”, comenta.

O trio de jovens pode seguir o mesmo caminho que Gustavo Borges e Fernando Scherer trilharam no início dos anos 90, mas os dois guardaram experiências opostas. “É uma boa chance, mas eles precisam ter consciência que não terão muitas coisas lá”, explica Borges, com a experiência de quem nadou por mais de cinco anos pela Universidade de Michigan.

Já Xuxa não guarda boas lembranças do tempo nos EUA. “Foi uma época difícil. Cada pessoa tem de avaliar e não sei se o ganho é tão grande assim. A Austrália é uma opção melhor”, avalia o nadador, bronze nos Jogos de Atlanta-1996 (50m livre) e Sydney-2000 (revezamento 4x100m livre).

Se decidirem pela ida para o exterior, os jovens deixarão o país órfãos de suas maiores revelações. “Mas se for o melhor para a minha carreira, não tem jeito”, encerra Pereira, sabendo da difícil decisão que precisa tomar após o Mundial.

Perfil dos três
Thiago Machado Vilela Pereira
Nascimento:
26/01/1986, em Volta Redonda (RJ)
Clube: Minas Tênis
Atenas: 5º lugar na final dos 200m medley e 17º lugar nas eliminatórias dos 400m medley
Lucas Vinícius Yokoo Salatta
Nascimento:
27/04/1987, em São Paulo (SP)
Clube: Pinheiros
Atenas: 19º lugar nas eliminatórias dos 400m medley
Joanna de Albuquerque Maranhão Bezerra de Melo
Nascimento:
29/04/1987, em Recife (PE)
Clube: Minas Tênis
Atenas: 5º lugar na final dos 400m medley, 7º lugar na final do revezamento 4x200m livre e 11º lugar nas semifinais dos 200m medley
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