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Por Fernando Narazaki
Ficar no Brasil, conciliar os estudos com a carreira esportiva
e lutando por patrocínios ou então abandonar
o país e partir para um esquema mais profissional
com uma melhor programação estudantil.
Esta será a decisão que os jovens Thiago Pereira,
Joanna Maranhão e Lucas Salatta, todos de 17 anos,
terão de tomar no próximo mês. Os três
são apontados como os maiores nomes da nova geração
da modalidade e dois deles foram finalistas nas Olimpíadas
de Atenas.
Pereira derrubou o recorde sul-americano e foi quinto colocado
na final dos 200m medley, chegando a estar entre os três
primeiros até a última virada dos 50m. Nos 400m
medley, o carioca sentiu a pressão de competir no primeiro
dia e caiu nas eliminatórias, assim como Lucas Salatta.
Joanna é outra que fez história, com um quinto
lugar nos 400m medley, em que superou o recorde brasileiro
em mais de três segundos. Ela igualou o feito de Piedade
Coutinho, que foi quinta na final dos 400m livre nos Jogos
de Londres-1948.
Para eles, outubro poderá marcar um ritual de passagem.
Após o Mundial de Piscina Curta em Indianápolis,
o trio decidirá pela permanência no Brasil ou
então a mudança para a Europa, Austrália
ou EUA, onde teriam oportunidade de ter uma carreira estudantil
mais planejada, estariam mais próximos das principais
competições internacionais, mas também
distante das famílias, dos amigos e de possíveis
patrocínios nacionais, já que dificilmente poderiam
defender clubes do Brasil em eventos locais.
A decisão vem aliada a uma série de convites
recebidos pelos nadadores para defender universidades dos
EUA, da Austrália e da Espanha. Tive muitos convites,
algumas conversas, mas nada de concreto. Só chamaram
para treinar, mas sem apresentar planos, comenta Pereira.
Finalista de Atenas, Joanna também foi convidada por,
pelo menos, três universidades norte-americanas, mas
aguarda o fim do Mundial para tomar uma decisão. Recebi
alguns e-mails, ouvi algumas conversas, mas prefiro não
pensar muito nisso agora. Vou debater com meu técnico
e ouvir outras pessoas, admite.
Se depender do técnico Nuno Trigueiro, que treina Joanna
desde o início do ano, o futuro da nadadora deve ser
mesmo o Brasil. Ir lá para fora não é
tão bom assim. Lá você é mais um
e os americanos não estão nem aí para
você. É isso que temo com a Joanna, diz.
Para ele, uma possível mudança só seria
bom para evitar a queda de competitividade da atleta. Aqui
a Joanna tem chance de medalhar em muitas provas. Ela não
tem adversária nos 400m medley. Lá fora, ela
aumentaria o nível de competitividade, mas ficaria
longe da família e teria de saberlidar com o tratamento
que terá, explica Nuno, que chegou a competir
por
universidades dos EUA em sua carreira.
O técnico também aposta em um possível
acerto com uma universidade brasileira para manter Joanna
no país. Muita gente procurou ela depois das
Olimpíadas. Agora proposta séria tem uma, é
uma universidade de Pernambuco, mas temos de examinar. O importante
é que a Joanna decida. O que ela optar, está
bom, destaca.
Já o adolescente Lucas Salatta está mais inclinado
a permanecer no Brasil. No início de 2004, ele teve
de trancar a matrícula no colégio, onde faz
o terceiro ano do ensino médio, para se dedicar às
Olimpíadas. Agora, Lucas sabe que precisa de uma nova
adequação do calendário escolar ao esportivo.
O colégio me ajudou muito nisso, mas vou ter
de me desdobrar para cobrir tudo. É a falta de um trabalho
conciliado entre esporte e escola, mas não tem escolha.
Não queria sair do Brasil, comenta.
O trio de jovens pode seguir o mesmo caminho que Gustavo Borges
e Fernando Scherer trilharam no início dos anos 90,
mas os dois guardaram experiências opostas. É
uma boa chance, mas eles precisam ter consciência que
não terão muitas coisas lá, explica
Borges, com a experiência de quem nadou por mais de
cinco anos pela Universidade de Michigan.
Já Xuxa não guarda boas lembranças do
tempo nos EUA. Foi uma época difícil.
Cada pessoa tem de avaliar e não sei se o ganho é
tão grande assim. A Austrália é uma opção
melhor, avalia o nadador, bronze nos Jogos de Atlanta-1996
(50m livre) e Sydney-2000 (revezamento 4x100m livre).
Se decidirem pela ida para o exterior, os jovens deixarão
o país órfãos de suas maiores revelações.
Mas se for o melhor para a minha carreira, não
tem jeito, encerra Pereira, sabendo da difícil
decisão que precisa tomar após o Mundial.
| Perfil dos
três |
Thiago Machado Vilela Pereira
Nascimento: 26/01/1986, em Volta Redonda (RJ)
Clube: Minas Tênis
Atenas: 5º lugar na final dos 200m medley
e 17º lugar nas eliminatórias dos 400m medley |
Lucas Vinícius Yokoo Salatta
Nascimento: 27/04/1987, em São Paulo (SP)
Clube: Pinheiros
Atenas: 19º lugar nas eliminatórias
dos 400m medley |
Joanna de Albuquerque Maranhão Bezerra de
Melo
Nascimento: 29/04/1987, em Recife (PE)
Clube: Minas Tênis
Atenas: 5º lugar na final dos 400m medley,
7º lugar na final do revezamento 4x200m livre e 11º
lugar nas semifinais dos 200m medley |
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