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28/09/2004
Foto CPB/Divulgação

Por Paula Almeida

Ao final dos Jogos Olímpicos, o Brasil comemorava as quatro medalhas de ouro conquistadas em Atenas, lamentava o fracasso da seleção feminina de vôlei, não se conformava com as mãos vazias de Daiane dos Santos... Mas mal sabiam os brasileiros que quase um mês depois, uma outra delegação voltaria ao país, com muito mais medalhas na bagagem, muito mais heróis, mais recordes batidos e muito mais emoção.

A delegação paraolímpica brasileira despede-se da capital grega com o surpreendente número de 33 medalhas, sendo 14 delas de ouro, 12 de prata e sete de bronze. O número, 50% superior em relação à cifra alcançada em Sydney, serviu para deixar o Brasil na 14ª colocação geral (terceira das Américas, atrás apenas de Canadá e Estados Unidos), muito acima das expectativas que embarcaram para Atenas com os atletas.

Foto CPB/Divulgação

Desde o primeiro ouro de Clodoaldo Silva, conquistado na natação no dia 19 de setembro, até a medalha conquistada pelo futebol de cinco, nesta terça, foram quase duas semanas de muitos êxitos na Grécia. “Terminar a Paraolimpíada com esse ouro significa o coroamento de todo o sacrifício e todo o desgaste que a atual gestão do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) sofreu”, desabafou Alberto Martins, chefe da delegação, ao final da partida entre Brasil e Argentina na decisão do ouro no futebol de cinco. “Esperamos o reconhecimento das iniciativas privada e pública quando chegarmos no Brasil”, completou João Silva, artilheiro da competição.

Os Heróis – Podem chamá-lo de Clodoaldo Recorde da Silva, Tubarão Paraolímpico, Michael Phelps Brasileiro ou Clodoaldo do Brasil. A verdade é que o verdadeiro nome do maior herói brasileiro nas Paraolimpíadas é Clodoaldo Silva, o nadador que trouxe seis medalhas de ouro e uma de prata para o país, além de quebrar recordes mundiais e paraolímpicos.

Clodoaldo liderou a equipe brasileira que conquistou 11 medalhas (sete de ouro, três de prata e uma de bronze). “A equipe brasileira mostrou que ter deficiência não significa ser incapaz”, afirma o Tubarão. “Será muito interessante se na próxima edição dos Jogos o grupo aumentar e as pessoas quiserem ultrapassar nossos recordes”.

Mas se na água triunfou o talento de um homem, nas pistas quem fez história foi uma mulher. A mineira Ádria Santos somou três medalhas a sua coleção, chegando ao incrível número de 12 em sua carreira paraolímpica. Hoje, ela é a maior atleta da história do país nos Jogos, com o maior número de conquistas.

E não foi só Ádria que fez bonito no estádio olímpico. No atletismo, o Brasil obteve 16 medalhas (cinco de ouro, seis de prata e cinco de bronze). Ciro Winckler, coordenador da modalidade, só pôde festejar. “Viemos com 17 atletas e nove ganharam medalhas. Todos vieram com condições de ganhar”.

Enquanto isso, os tatames serviram de palco para mais uma vitória de Antônio Tenório, tricampeão paraolímpico. Em Atenas, o campeão em Atlanta e Sydney mostrou que favoritismo nem sempre pesa.

Ao todo, o judô brasileiro garantiu quatro medalhas (uma de ouro, duas de prata e uma de bronze), terminando no quinto lugar geral. “O judô paraolímpico é forte porque o judô nacional é forte. Um pré-requisito para ser um judoca é treinar com os olímpicos”, explica Walter Russo, coordenador da modalidade. “O Antônio Tenório conseguiu um fato histórico para o Brasil, ser tricampeão paraolímpico na modalidade, algo realizado por mais dois judocas no mundo”.

Para completar, as duas seleções brasileiras de futebol conquistaram medalhas pela primeira vez. A equipe de futebol de sete ficou com a prata, após uma difícil partida contra a Ucrânia. Já os rapazes do futebol de cinco garantiram o ouro, em final emocionante contra a sempre rival Argentina. Parece que o Brasil é realmente o país do futebol...

Futuro – Apesar de todas as medalhas brasileiras concentrarem-se em apenas cinco das treze modalidades para as quais foram enviados os atletas, é necessário salientar que os 98 esportistas tiveram total apoio do CPB, o qual pretende manter seu suporte aos atletas.

A direção do Comitê anunciou que os esportistas continuarão recebendo a bolsa incentivo até 31 de dezembro de 2004. “Em outubro deste ano, fecharemos o planejamento estratégico para os próximos quatro anos. No ano que vem, após as eleições, quem estiver no comando do CPB terá disponível o planejamento. Mas sabemos que ainda é preciso melhorar a estrutura e trabalhar com novas fontes de financiamento”, explica Vital Severino Neto, presidente do CPB, certo de que com o ótimo resultado apresentado em Atenas, a cobrança em relação aos atletas paraolímpicos tende a aumentar. “Agora o trabalho é dobrado”.

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