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Por Paula Almeida
Ao final dos Jogos Olímpicos, o Brasil comemorava
as quatro medalhas de ouro conquistadas em Atenas, lamentava
o fracasso da seleção feminina de vôlei,
não se conformava com as mãos vazias de
Daiane dos Santos... Mas mal sabiam os brasileiros que
quase um mês depois, uma outra delegação
voltaria ao país, com muito mais medalhas na
bagagem, muito mais heróis, mais recordes batidos
e muito mais emoção.
A delegação paraolímpica brasileira
despede-se da capital grega com o surpreendente número
de 33 medalhas, sendo 14 delas de ouro, 12 de prata
e sete de bronze. O número, 50% superior em relação
à cifra alcançada em Sydney, serviu para
deixar o Brasil na 14ª colocação
geral (terceira das Américas, atrás apenas
de Canadá e Estados Unidos), muito acima das
expectativas que embarcaram para Atenas com os atletas.
| Foto CPB/Divulgação |
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Desde o primeiro ouro de Clodoaldo Silva, conquistado
na natação no dia 19 de setembro, até
a medalha conquistada pelo futebol de cinco, nesta terça,
foram quase duas semanas de muitos êxitos na Grécia.
Terminar a Paraolimpíada com esse ouro
significa o coroamento de todo o sacrifício e
todo o desgaste que a atual gestão do Comitê
Paraolímpico Brasileiro (CPB) sofreu, desabafou
Alberto Martins, chefe da delegação, ao
final da partida entre Brasil e Argentina na decisão
do ouro no futebol de cinco. Esperamos o reconhecimento
das iniciativas privada e pública quando chegarmos
no Brasil, completou João Silva, artilheiro
da competição.
Os Heróis Podem chamá-lo
de Clodoaldo Recorde da Silva, Tubarão Paraolímpico,
Michael Phelps Brasileiro ou Clodoaldo do Brasil. A
verdade é que o verdadeiro nome do maior herói
brasileiro nas Paraolimpíadas é Clodoaldo
Silva, o nadador que trouxe seis medalhas de ouro e
uma de prata para o país, além de quebrar
recordes mundiais e paraolímpicos.
Clodoaldo liderou a equipe brasileira que conquistou
11 medalhas (sete de ouro, três de prata e uma
de bronze). A equipe brasileira mostrou que ter
deficiência não significa ser incapaz,
afirma o Tubarão. Será muito interessante
se na próxima edição dos Jogos
o grupo aumentar e as pessoas quiserem ultrapassar nossos
recordes.
Mas se na água triunfou o talento de um homem,
nas pistas quem fez história foi uma mulher.
A mineira Ádria Santos somou três medalhas
a sua coleção, chegando ao incrível
número de 12 em sua carreira paraolímpica.
Hoje, ela é a maior atleta da história
do país nos Jogos, com o maior número
de conquistas.
E não foi só Ádria que fez bonito
no estádio olímpico. No atletismo, o Brasil
obteve 16 medalhas (cinco de ouro, seis de prata e cinco
de bronze). Ciro Winckler, coordenador da modalidade,
só pôde festejar. Viemos com 17 atletas
e nove ganharam medalhas. Todos vieram com condições
de ganhar.
Enquanto isso, os tatames serviram de palco para mais
uma vitória de Antônio Tenório,
tricampeão paraolímpico. Em Atenas, o
campeão em Atlanta e Sydney mostrou que favoritismo
nem sempre pesa.
Ao todo, o judô brasileiro garantiu quatro medalhas
(uma de ouro, duas de prata e uma de bronze), terminando
no quinto lugar geral. O judô paraolímpico
é forte porque o judô nacional é
forte. Um pré-requisito para ser um judoca é
treinar com os olímpicos, explica Walter
Russo, coordenador da modalidade. O Antônio
Tenório conseguiu um fato histórico para
o Brasil, ser tricampeão paraolímpico
na modalidade, algo realizado por mais dois judocas
no mundo.
Para completar, as duas seleções brasileiras
de futebol conquistaram medalhas pela primeira vez.
A equipe de futebol de sete ficou com a prata, após
uma difícil partida contra a Ucrânia. Já
os rapazes do futebol de cinco garantiram o ouro, em
final emocionante contra a sempre rival Argentina. Parece
que o Brasil é realmente o país do futebol...
Futuro Apesar de todas as medalhas brasileiras
concentrarem-se em apenas cinco das treze modalidades
para as quais foram enviados os atletas, é necessário
salientar que os 98 esportistas tiveram total apoio
do CPB, o qual pretende manter seu suporte aos atletas.
A direção do Comitê anunciou que
os esportistas continuarão recebendo a bolsa
incentivo até 31 de dezembro de 2004. Em
outubro deste ano, fecharemos o planejamento estratégico
para os próximos quatro anos. No ano que vem,
após as eleições, quem estiver
no comando do CPB terá disponível o planejamento.
Mas sabemos que ainda é preciso melhorar a estrutura
e trabalhar com novas fontes de financiamento,
explica Vital Severino Neto, presidente do CPB, certo
de que com o ótimo resultado apresentado em Atenas,
a cobrança em relação aos atletas
paraolímpicos tende a aumentar. Agora o
trabalho é dobrado.
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