Fale conosco Receba o boletim  
28/10/2004

Por Claudia Andrade

Foto Djalma Vassão/Gazeta Press
Revelação da equipe do Palmeiras o atacante William teve de interromper a carreira

Foi em exames de rotina que jovens atletas como o atacante Willian, 17 anos, e a levantadora Danielle Lins, 19 anos, descobriram que seus corações poderiam não suportar a alta carga de treinos do esporte profissional. O jogador precisou interromper o sonho de chegar a um grande time. Dani poderá ter mais sorte e voltar às quadras no ano que vem, quando uma bateria de exames iniciada em junho deste ano deverá terminar, dando o veredicto para a atleta.

Os casos são diferentes, mas apontam a mesma preocupação: preservar a vida do atleta e evitar desfechos trágicos, como a morte súbita. “Daria para evitar várias mortes com um exame mais rigoroso na hora da avaliação médica”, afirma o fisiologista Turíbio Barros. “Temos que desfazer o mito de que atleta é sinônimo de saúde”, defende.

Também especialista em medicina esportiva, Renato Lotufo aconselha a realização de avaliações anuais para cercar o atleta de cuidados. “Os exames devem ser refeitos uma vez por ano, porque há patologias que você pode desenvolver ao longo da vida”, explica. “A morte do húngaro ocorreu provavelmente porque ele não tinha feito um exame preventivo”, diz, referindo-se ao caso de Miklos Fehér, do Benfica.

A opinião do médico do Osasco, clube da jogadora Danielle, é contrária. Segundo Laércio Ricco, a estrutura à disposição no esporte de ponta não dá margem para erros. “Os atletas têm toda a supervisão necessária. Quando acontece alguma coisa é o imponderável”, acredita.

Ele ressalta que nem sempre os exames detectam problemas, se eles são causados por fatores externos, como uso de medicamentos, por exemplo. Isso porque esses fatores podem ou não se manifestar durante a avaliação. O caso de Dani, por exemplo, teria origem em uma forte gripe.

De qualquer forma, o especialista em ortopedia destaca a importância dos check-ups a cada início de temporada, desde as categorias de base. “Eles servem não só para avaliar a condição física, mas também para detectar alterações cardíacas e de outros tipos também, que podem colocar o atleta em risco, como a presença de um aneurisma cerebral, por exemplo.”Vale lembrar ainda que não basta fazer o exame; ele deve ser realizado por um médico. Se isso parece óbvio quando se trata de grandes campeonatos e esporte de elite, pode não ser em competições regionais menores e menos ainda, em academias, com atletas de fim de semana.

O atacante Adhemar, ex-São Caetano, ressalta a diferença de estrutura entre os clubes de futebol nacionais. Para ele, em times menores, os resultados poderiam até ser maquiados. “O São Caetano tem condições, o São Paulo tem, mas outros clubes, se colocasse uma lei obrigatória, não teriam condições. Poderiam até dar um relatório aprovando o jogador, mesmo com ele não estando bem”, alerta.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página