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25/12/2004

Golfe pode ser olímpico em 2012 Esporte e democracia Conheça o golfe

Marta Teixeira

O golfe já fez parte do programa olímpico em duas edições do torneio: 1900 e 1904 e sua reinclusão no programa oficial da competição é, volta e meia, considerada. Agora, a modalidade atravessa uma nova fase de aproximação dos Jogos. O Comitê Olímpico Internacional (COI) estuda incluir a modalidade nos Jogos de 2012, juntamente com outros quatro esportes: rúgbi, squash, patinação e hóquei. A decisão deve ser anunciada em julho do ano que vem, em Cingapura, ao mesmo tempo em que for divulgado o nome da sede dos Jogos. Para os profissionais brasileiros, no entanto, a regra é ver para crer.

O veterano Frederico German acredita que a própria dinâmica do jogo possa dificultar sua inclusão. "Golfe demora muito, depende de tempo. São cinco horas de jogo, é uma coisa um pouquinho mais complicada", diz.

A análise segue a lógica de que a maioria dos esportes olímpicos tem disputas mais curtas, mesmo as modalidades por fase como futebol, basquete ou as regatas da vela. A exceção que mais se aproximaria é o tênis, que não tem limitação de tempo para os jogos.

O presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Golfe (ABPG), Antonio Benedito Barbosa do Nascimento, acha que a inclusão da modalidade vai ser uma conseqüência natural e que o empecilho não seria nem a dinâmica das disputas, mas a logística do torneio. "A Olimpíada vai acontecer. (o golfe) Não entrou até agora porque queriam mandar os melhores do mundo".

Se isso fosse mantido, completa, Estados Unidos e Europa ficariam com todas as vagas. "O golfe precisaria daqueles torneios classificatórios para garantir as vagas por região".

Para fazer parte do programa fixo olímpico, as modalidades candidatas a uma vaga devem atender a 33 requisitos básicos entre eles número de praticantes no mundo (no mínimo 75 países em quatro continentes no masculino e 40 países e três continentes, no caso feminino), histórico do esporte e igualdade entre os sexos dentro da modalidade. Nestes aspectos, o golfe tem força. Homens e mulheres competem em condição de equilíbrio nos torneios, com uma história que pode ser resgatada na Escócia do século XV. Segundo a Federação Internacional de Golfe, a modalidade possui mais de 60 milhões de praticantes, sendo estimados de 15 a 17 mil só no Brasil.

Na proposta inicial, haveria duas competições separadas, masculina e feminina, em 72 buracos. O projeto prevê a participação de 50 jogadores por competição, podendo cada país ser representado por seus dois melhores golfistas, desde que estes estejam no grupo dos top 300 do ranking.

No entanto, para tentar tornar a participação mais diplomática, algumas vagas seriam destinadas a 'convidados', garantindo a representatividade de todos os continentes.

No entanto, segundo o presidente da Confederação Brasileira de Golfe, Pedro Raimundo Lins Cominese, a proposta já sofreu alterações. "Esta posição (os 300 melhores) faz com que os EUA tenham a maior participação. Agora, a FIG está pleiteando classificatórios, como no futebol".

Em outubro deste ano, representantes de 70 países reuniram-se durante o Mundial de Porto Rico e votaram pela inclusão do esporte, pensando nos Jogos de 2012. "Para 2008 não dá mais", afirma Cominese. "Em julho de 2005, o COI vota a proposta e se tudo der certo teremos sete anos com investimentos, recursos da Lei Piva e patrocínios para chegar bem lá".

Caso os obstáculos técnicos sejam superados, tanto German quanto Nascimento consideram que o golfe conseguirá um fôlego extra no Brasil. "Isto significa que você vai conseguir mais patrocínio. Hoje, isso está melhorando e estão começando a colocar dinheiro no golfe. Até então, eram empresários que jogavam golfe que investiam", ressalta Nascimento.

Cominese vai além. "No Brasil, o único esporte que tem algum tipo de benefício é o olímpico, ainda que pouco. Nossa taxa de importação é de 60% e vivemos sem ajuda do COB".

Em outubro, o Comitê Olímpico Brasileiro apresentou a previsão de recursos para a próxima temporada. A estimativa é que a Lei Piva garanta R$ 45 milhões para serem investidos nas modalidades olímpicas. Cada Confederação beneficiada receberá percentuais que variam de 0,5% a 4% deste montante (de R$ 229.500,00 a R$ 1.836.000,00).

Enquanto não conta com ajuda governamental, o golfe vai se mantendo com as contribuições de seus filiados e o apoio de algumas empresas. "O empresariado está descobrindo que o nicho do golfe é interessante. O público é formador de opinião e o retorno é quase sempre garantido", ressalta o presidente da CBG. Para ilustrar a situação, ele destaca o patrocínio de empresas que não têm ligação direta com a modalidade em suas atividades. No último final de semana de novembro desta no, o 6º Torneio Audi, voltado para amadores, foi um exemplo. Mas mesmo o Governo Federal parece ter descoberto o potencial da modalidade e resolveu explorá-lo.

No início do ano, a CBG assinou um convênio com a Embratur. Por meio deste, a autarquia traz golfistas de todo o mundo para jogar no Brasil. "Isso atrai divisas para o país e ajuda o esporte", lembra o presidente.

O quarto colocado no ranking brasileiro de profissionais, João Corteiz, é o mais cético sobre o assunto. "Golfe na olimpíada? Seria ótimo. Mas há mais de 20 anos que tem esse papo".

Segundo ele, quando começou com as primeiras tacadas nos campos de golfe o assunto já estava em pauta. "Há 15 anos sonhava em jogar uma Olimpíada, agora, com 40, não dá mais para pensar. Tem é muita conversa nisso".

As pretensões de golfe, rúgbi, squash, patinação e hóquei porém, esbarram no interesse do COI em manter o número de 28 modalidades disputadas a cada edição olímpica. A primeira sugestão apresentada para solucionar este problema foi a exclusão de esportes menos populares do calendário. Na lista do facão entraram pentatlo moderno, softbol e beisebol. Mas a briga de interesses é grande e depois a proposta de exclusão foi transformada em uma rotação experimental. Mas o destino destas oito só será definido mesmo no próximo ano.

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