|
Marta Teixeira
O golfe já fez parte do programa olímpico em duas edições
do torneio: 1900 e 1904 e sua reinclusão no programa oficial
da competição é, volta e meia, considerada. Agora, a modalidade
atravessa uma nova fase de aproximação dos Jogos. O Comitê
Olímpico Internacional (COI) estuda incluir a modalidade nos
Jogos de 2012, juntamente com outros quatro esportes: rúgbi,
squash, patinação e hóquei. A decisão deve ser anunciada em
julho do ano que vem, em Cingapura, ao mesmo tempo em que
for divulgado o nome da sede dos Jogos. Para os profissionais
brasileiros, no entanto, a regra é ver para crer.
O veterano Frederico German acredita que a própria dinâmica
do jogo possa dificultar sua inclusão. "Golfe demora muito,
depende de tempo. São cinco horas de jogo, é uma coisa um
pouquinho mais complicada", diz.
A análise segue a lógica de que a maioria dos esportes olímpicos
tem disputas mais curtas, mesmo as modalidades por fase como
futebol, basquete ou as regatas da vela. A exceção que mais
se aproximaria é o tênis, que não tem limitação de tempo para
os jogos.
O presidente da Associação Brasileira dos Profissionais
de Golfe (ABPG), Antonio Benedito Barbosa do Nascimento, acha
que a inclusão da modalidade vai ser uma conseqüência natural
e que o empecilho não seria nem a dinâmica das disputas, mas
a logística do torneio. "A Olimpíada vai acontecer. (o golfe)
Não entrou até agora porque queriam mandar os melhores do
mundo".
Se isso fosse mantido, completa, Estados Unidos e Europa
ficariam com todas as vagas. "O golfe precisaria daqueles
torneios classificatórios para garantir as vagas por região".
Para fazer parte do programa fixo olímpico, as modalidades
candidatas a uma vaga devem atender a 33 requisitos básicos
entre eles número de praticantes no mundo (no mínimo 75 países
em quatro continentes no masculino e 40 países e três continentes,
no caso feminino), histórico do esporte e igualdade entre
os sexos dentro da modalidade. Nestes aspectos, o golfe tem
força. Homens e mulheres competem em condição de equilíbrio
nos torneios, com uma história que pode ser resgatada na Escócia
do século XV. Segundo a Federação Internacional de Golfe,
a modalidade possui mais de 60 milhões de praticantes, sendo
estimados de 15 a 17 mil só no Brasil.
Na proposta inicial, haveria duas competições separadas,
masculina e feminina, em 72 buracos. O projeto prevê a participação
de 50 jogadores por competição, podendo cada país ser representado
por seus dois melhores golfistas, desde que estes estejam
no grupo dos top 300 do ranking.
No entanto, para tentar tornar a participação mais diplomática,
algumas vagas seriam destinadas a 'convidados', garantindo
a representatividade de todos os continentes.
No entanto, segundo o presidente da Confederação Brasileira
de Golfe, Pedro Raimundo Lins Cominese, a proposta já sofreu
alterações. "Esta posição (os 300 melhores) faz com que os
EUA tenham a maior participação. Agora, a FIG está pleiteando
classificatórios, como no futebol".
Em outubro deste ano, representantes de 70 países reuniram-se
durante o Mundial de Porto Rico e votaram pela inclusão do
esporte, pensando nos Jogos de 2012. "Para 2008 não dá mais",
afirma Cominese. "Em julho de 2005, o COI vota a proposta
e se tudo der certo teremos sete anos com investimentos, recursos
da Lei Piva e patrocínios para chegar bem lá".
Caso os obstáculos técnicos sejam superados, tanto German
quanto Nascimento consideram que o golfe conseguirá um fôlego
extra no Brasil. "Isto significa que você vai conseguir mais
patrocínio. Hoje, isso está melhorando e estão começando a
colocar dinheiro no golfe. Até então, eram empresários que
jogavam golfe que investiam", ressalta Nascimento.
Cominese vai além. "No Brasil, o único esporte que tem algum
tipo de benefício é o olímpico, ainda que pouco. Nossa taxa
de importação é de 60% e vivemos sem ajuda do COB".
Em outubro, o Comitê Olímpico Brasileiro apresentou a previsão
de recursos para a próxima temporada. A estimativa é que a
Lei Piva garanta R$ 45 milhões para serem investidos nas modalidades
olímpicas. Cada Confederação beneficiada receberá percentuais
que variam de 0,5% a 4% deste montante (de R$ 229.500,00 a
R$ 1.836.000,00).
Enquanto não conta com ajuda governamental, o golfe vai
se mantendo com as contribuições de seus filiados e o apoio
de algumas empresas. "O empresariado está descobrindo que
o nicho do golfe é interessante. O público é formador de opinião
e o retorno é quase sempre garantido", ressalta o presidente
da CBG. Para ilustrar a situação, ele destaca o patrocínio
de empresas que não têm ligação direta com a modalidade em
suas atividades. No último final de semana de novembro desta
no, o 6º Torneio Audi, voltado para amadores, foi um exemplo.
Mas mesmo o Governo Federal parece ter descoberto o potencial
da modalidade e resolveu explorá-lo.
No início do ano, a CBG assinou um convênio com a Embratur.
Por meio deste, a autarquia traz golfistas de todo o mundo
para jogar no Brasil. "Isso atrai divisas para o país e ajuda
o esporte", lembra o presidente.
O quarto colocado no ranking brasileiro de profissionais,
João Corteiz, é o mais cético sobre o assunto. "Golfe na olimpíada?
Seria ótimo. Mas há mais de 20 anos que tem esse papo".
Segundo ele, quando começou com as primeiras tacadas nos
campos de golfe o assunto já estava em pauta. "Há 15 anos
sonhava em jogar uma Olimpíada, agora, com 40, não dá mais
para pensar. Tem é muita conversa nisso".
As pretensões de golfe, rúgbi, squash, patinação e hóquei
porém, esbarram no interesse do COI em manter o número de
28 modalidades disputadas a cada edição olímpica. A primeira
sugestão apresentada para solucionar este problema foi a exclusão
de esportes menos populares do calendário. Na lista do facão
entraram pentatlo moderno, softbol e beisebol. Mas a briga
de interesses é grande e depois a proposta de exclusão foi
transformada em uma rotação experimental. Mas o destino destas
oito só será definido mesmo no próximo ano.
|