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25/05/2005
Montagem sobre fotos Divulgação/PPPress
Mountain bike busca seu espaço no Brasil
Falta de patrocínio ainda é problema para MTB


Por Luiz Ricardo Fini, especial para a GE.Net

Todo esporte que entra para o rol de modalidades olímpicas tende a ter um crescimento no reconhecimento junto ao público e à mídia. Com o mountain bike não foi diferente. A categoria estreou nos Jogos de Atlanta, em 1996, e desde então briga para conquistar cada vez mais espaço no Brasil.

Foto: Divulgação/PPPress
Edvando acredita no crescimento do esporte no Brasil
No próximo mês de agosto, a terra do futebol será o primeiro país da América Latina a sediar uma das etapas da Copa do Mundo de MTB. Além disso, desde o ano passado a Copa Internacional Powerbar Reebok (ex-Copa Ametur) conta pontos para a União Ciclística Internacional (UCI), o que favorece os atletas tupiniquins a subirem no ranking da entidade máxima do mountain bike mundial.

As melhorias do esporte em terras nacionais estão estimulando os ciclistas a disputarem cada vez mais competições importantes. Representante brasileiro nas Olimpíadas de Atenas, Edvando Souza Cruz reconhece que o MTB só tem crescido no país.

”Só tenho visto evolução. Eu participo de provas no exterior e percebi isso. Já corri na Suíça e na França e aqui não deixa a desejar em nada”, garantiu. O ciclista acredita que a melhora na organização das provas no Brasil tem contribuído para que o nível dos atletas também cresça.

”O esporte está crescendo aqui porque o nível dos atletas está subindo. Lá fora, se você pára cinco segundos para respirar, perde 20 posições. Por isso, esse aumento do nível aqui é importante. Quando disputamos uma prova como a Copa Ametur, brigamos pelo menos com cinco atletas fortes e precisamos ficar concentrados o tempo todo. Aprender a lidar com essa pressão é importante para quando vamos disputar algo lá fora”, explicou.

Referência para o mountain bike no Brasil na categoria feminina, Érika Gramiscelli também destaca o crescimento do esporte no país. Vencedora das duas primeiras etapas da Copa Internacional Powerbar Reebok, a atleta segue as declarações de Edvando e também ressalta o aumento do nível dos esportistas nacionais.

”Depois que passou a ser olímpico, deslanchou. Era o que faltava. A mountain bike está passando por uma evolução muito grande, tanto em termos de atleta quanto de organização. O nível técnico também está crescendo. Com o interesse dos organizadores, a tendência é o esporte evoluir ainda mais”, afirmou.

A atleta, porém, acredita que não foi apenas a inclusão do mountain bike nas Olimpíadas que contribuiu para o crescimento do esporte. Gramiscelli defende que a propagação de bicicletas entre a população em geral é um dos fatores que contribuiu para o ciclismo.

”Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que têm muito trânsito, a saída é a bicicleta. Não tem outro veículo que seja tão bom. A saída são as construções de ciclovias em grandes cidades. Muitas empresas já perceberam isso e estão incentivando seus funcionários a irem trabalhar de bike. O esporte não parou, está evoluindo. Qualquer um pode andar de bicicleta. Têm famílias inteiras que pegam a bike e vão para o parque no final de semana, é um esporte democrático, que atinge qualquer idade”, analisa.

A ciclista brasileira que está conseguindo mais se destacar no exterior é a mineira Jaqueline Mourão, uma das integrantes da seleção verde-amarela nas Olimpíadas de Atenas. A atleta, que chegou a ocupar a nona posição no ranking da UCI, mudou para o Canadá no ano passado e já consegue fazer frente às competidoras do exterior.

”O esporte tem crescido a cada ano e se tornado cada vez mais profissional. No Brasil, importantes marcas de bicicletas, como a Scott, ingressaram no mercado fornecendo equipamento de ponta e as indústrias nacionais também passaram a investir mais neste setor. Este crescimento foi não só resultado da inclusão do MTB como modalidade olímpica, mas também da busca de contato com a natureza e de uma vida mais saudável e fisicamente ativa”, comenta.

Atualmente, o Brasil ocupa a 20ª posição no ranking de nações da União Ciclística Internacional, sendo a melhor colocação de um país latino-americano. A equipe brasileira possui 826 pontos, enquanto a líder França soma 4134.

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