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26/05/2005
Montagem sobre foto Divulgação
Impulsionado pela Lei Piva, o boxe olímpico brasileiro vai ao ataque
Melhores resultados virão?
Situação ainda está longe do ideal

 

Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net

Evolução. Essa é a palavra que melhor define a situação atual do boxe olímpico no Brasil. Quase quarenta anos após a conquista do bronze de Servílio de Oliveira nos Jogos da Cidade do México, em 1968, única medalha olímpica brasileira na modalidade, o clima é de otimismo. Nocauteado pela crise durante todo esse tempo, o boxe brasileiro dá sinais de que vai reagir antes do soar do gongo.

"Esse é o melhor momento pelo qual a modalidade já passou no Brasil", afirma Luís Dórea, um dos mais importantes técnicos brasileiros, que revelou, entre outros nomes, Acelino "Popó" Freitas. Os progressos começaram em 2001, quando Lei Piva, que destina 2% da arrecadação das loterias ao esporte olímpico, entrou em vigor e permitiu investimentos em diversas modalidades.

Foto: Divulgação
Segundo a Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe), um milhão de reais serão destinados ao boxe amador em 2005. Essa quantia é utilizada para, entre outras coisas, financiar a participação de atletas em torneios internacionais, a estrutura de competições no Brasil e a manutenção da seleção olímpica permanente. "Agora temos condição de fazer um trabalho sério", comenta Luiz Claudio Boselli, presidente da CBBoxe. "Com a Lei Piva, a situação melhorou muito".

Os recursos do governo fizeram com que um esporte amador se aproxime de uma roupagem profissional. "Antigamente quase não havia verba, então os pugilistas eram recrutados "na olhada" para disputar os torneios", conta Boselli. Isso acabou. Desde 2002, existe uma seleção olímpica permanente, composta atualmente por 11 atletas, que se dedicam inteiramente ao esporte: Myke Carvalho, Ginaldo Santos, Glaucélio Abreu, Alex Oliveira, Willian da Silva, Rafael Lima, Pedro Lima, Elber Passos, Washington Silva, James Dean Pereira e Fabiano Astorino. Para isso, os pugilistas recebem uma ajuda de custo entre 300 e 1500 reais, valor que varia de acordo com seu histórico. Eles vivem na chamada "Casa do Boxe", localizada em Santo André, um alojamento de três quartos, duas salas, cozinha e lavanderia.

A estrutura dessa seleção é completa. Médicos, dentista, preparador físico e fisioterapeuta estão à disposição dos atletas, que treinam duas vezes por dia, três horas durante a manhã e duas à tarde, no ginásio Pedro della Antônia, distante dois quarteirões da casa. No resto do tempo, alguns atletas estudam ou fazem cursos, de acordo com sua preferência. Outros apenas se mantêm concentrados.

"Tenho mais regalias lá do que teria na minha casa", resume Glaucélio Abreu, um dos cinco boxeadores brasileiros que participaram das Olimpíadas de Atenas, em agosto do ano passado. Estar neste seleto grupo é uma oportunidade rara do atleta viver apenas do boxe. "Assim, o pugilista não precisa mais trabalhar para alimentar sua família e se dedica somente ao esporte", diz Abreu, que sustenta a mulher e o filho, residentes em Belém do Pará, com o dinheiro que ganha no esporte. "Quando comecei, o boxe era apenas um lazer. Agora é um emprego".

Para evitar que os selecionados se acomodem, a CBBoxe está sempre à procura de novos talentos. A idéia é estimular a competição por essas vagas para elevar o nível do boxe olímpico brasileiro. Por isso, quem se destaca nos torneios nacionais é convidado a fazer um teste, e, de acordo com o perfil e a disponibilidade das vagas, é convocado a integrar a seleção olímpica. "Os caras que estão de fora lutam para ter essa estrutura", afirma Boselli.

A preparação dos atletas também mudou bastante. Se antes da Lei Piva, a falta de intercâmbio com os grandes celeiros do boxe olímpico era uma reclamação freqüente, agora esse problema foi minimizado. Somente em 2005 serão realizadas cinco viagens de competição e duas de treinamento. No final deste mês de maio, por exemplo, alguns membros da equipe olímpica embarcam para Porto Rico, onde treinarão com a seleção local, e depois passam pela Venezuela, onde participarão do Torneio Batalha de Carabobo. Antes do Mundial da China, em novembro, os selecionados para a competição farão um treinamento de 21 dias em Cuba, país que abriga o melhor boxe olímpico do mundo: só em Atenas-2004, os pugilistas de ilha faturaram cinco medalhas de ouro.

Além disso, dois técnicos cubanos, Francisco Garcia e João Carlos Soares, estão no comando da seleção, juntamente com Gabriel de Oliveira, para ajudar de perto essa evolução. "Os treinamentos que eles fazem é 100%", comenta Deusdete Vasconcelos, veterano boxeador, que representou o Brasil nas Olimpíadas de Munique-1972. Sua opinião compartilhada com Gabriel: "O trabalho junto com os dois técnicos cubanos tem melhorado muito o nível do boxe brasileiro".

Apesar de todo o otimismo, alerta Boselli, a torcida brasileira não deve ficar na expectativa de ver grandes vitórias em curto prazo: "Nós começamos um trabalho realmente sério com o boxe amador há pouco tempo. Chegar a um bom nível ainda vai levar tempo, pois não é fácil formar um campeão. Mas todos que conhecem o meio são unânimes em dizer que estamos no caminho certo. Dar condições e proporcionar experiência é o caminho a ser seguido. E nós estamos fazendo isso."

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