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Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net
Evolução. Essa é a palavra que melhor define a situação atual
do boxe olímpico no Brasil. Quase quarenta anos após a conquista
do bronze de Servílio de Oliveira nos Jogos da Cidade do México,
em 1968, única medalha olímpica brasileira na modalidade,
o clima é de otimismo. Nocauteado pela crise durante todo
esse tempo, o boxe brasileiro dá sinais de que vai reagir
antes do soar do gongo.
"Esse é o melhor momento pelo qual a modalidade já passou
no Brasil", afirma Luís Dórea, um dos mais importantes técnicos
brasileiros, que revelou, entre outros nomes, Acelino "Popó"
Freitas. Os progressos começaram em 2001, quando Lei Piva,
que destina 2% da arrecadação das loterias ao esporte olímpico,
entrou em vigor e permitiu investimentos em diversas modalidades.
| Foto: Divulgação |
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Segundo a Confederação Brasileira
de Boxe (CBBoxe), um milhão de reais serão destinados ao boxe
amador em 2005. Essa quantia é utilizada para, entre outras
coisas, financiar a participação de atletas em torneios internacionais,
a estrutura de competições no Brasil e a manutenção da seleção
olímpica permanente. "Agora temos condição de fazer um trabalho
sério", comenta Luiz Claudio Boselli, presidente da CBBoxe.
"Com a Lei Piva, a situação melhorou muito".
Os recursos do governo fizeram
com que um esporte amador se aproxime de uma roupagem profissional.
"Antigamente quase não havia verba, então os pugilistas eram
recrutados "na olhada" para disputar os torneios", conta Boselli.
Isso acabou. Desde 2002, existe uma seleção olímpica permanente,
composta atualmente por 11 atletas, que se dedicam inteiramente
ao esporte: Myke Carvalho, Ginaldo Santos, Glaucélio Abreu,
Alex Oliveira, Willian da Silva, Rafael Lima, Pedro Lima,
Elber Passos, Washington Silva, James Dean Pereira e Fabiano
Astorino. Para isso, os pugilistas recebem uma ajuda de custo
entre 300 e 1500 reais, valor que varia de acordo com seu
histórico. Eles vivem na chamada "Casa do Boxe", localizada
em Santo André, um alojamento de três quartos, duas salas,
cozinha e lavanderia.
A estrutura dessa seleção é completa. Médicos, dentista,
preparador físico e fisioterapeuta estão à disposição dos
atletas, que treinam duas vezes por dia, três horas durante
a manhã e duas à tarde, no ginásio Pedro della Antônia, distante
dois quarteirões da casa. No resto do tempo, alguns atletas
estudam ou fazem cursos, de acordo com sua preferência. Outros
apenas se mantêm concentrados.
"Tenho mais regalias lá do que teria na minha casa", resume
Glaucélio Abreu, um dos cinco boxeadores brasileiros que participaram
das Olimpíadas de Atenas, em agosto do ano passado. Estar
neste seleto grupo é uma oportunidade rara do atleta viver
apenas do boxe. "Assim, o pugilista não precisa mais trabalhar
para alimentar sua família e se dedica somente ao esporte",
diz Abreu, que sustenta a mulher e o filho, residentes em
Belém do Pará, com o dinheiro que ganha no esporte. "Quando
comecei, o boxe era apenas um lazer. Agora é um emprego".
Para evitar que os selecionados se acomodem, a CBBoxe está
sempre à procura de novos talentos. A idéia é estimular a
competição por essas vagas para elevar o nível do boxe olímpico
brasileiro. Por isso, quem se destaca nos torneios nacionais
é convidado a fazer um teste, e, de acordo com o perfil e
a disponibilidade das vagas, é convocado a integrar a seleção
olímpica. "Os caras que estão de fora lutam para ter essa
estrutura", afirma Boselli.
A preparação dos atletas também mudou bastante. Se antes
da Lei Piva, a falta de intercâmbio com os grandes celeiros
do boxe olímpico era uma reclamação freqüente, agora esse
problema foi minimizado. Somente em 2005 serão realizadas
cinco viagens de competição e duas de treinamento. No final
deste mês de maio, por exemplo, alguns membros da equipe olímpica
embarcam para Porto Rico, onde treinarão com a seleção local,
e depois passam pela Venezuela, onde participarão do Torneio
Batalha de Carabobo. Antes do Mundial da China, em novembro,
os selecionados para a competição farão um treinamento de
21 dias em Cuba, país que abriga o melhor boxe olímpico do
mundo: só em Atenas-2004, os pugilistas de ilha faturaram
cinco medalhas de ouro.
Além disso, dois técnicos cubanos, Francisco Garcia e João
Carlos Soares, estão no comando da seleção, juntamente com
Gabriel de Oliveira, para ajudar de perto essa evolução. "Os
treinamentos que eles fazem é 100%", comenta Deusdete Vasconcelos,
veterano boxeador, que representou o Brasil nas Olimpíadas
de Munique-1972. Sua opinião compartilhada com Gabriel: "O
trabalho junto com os dois técnicos cubanos tem melhorado
muito o nível do boxe brasileiro".
Apesar de todo o otimismo, alerta Boselli, a torcida brasileira
não deve ficar na expectativa de ver grandes vitórias em curto
prazo: "Nós começamos um trabalho realmente sério com o boxe
amador há pouco tempo. Chegar a um bom nível ainda vai levar
tempo, pois não é fácil formar um campeão. Mas todos que conhecem
o meio são unânimes em dizer que estamos no caminho certo.
Dar condições e proporcionar experiência é o caminho a ser
seguido. E nós estamos fazendo isso."
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