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Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
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Por Carolina Maria Canossa, especial para a GE.Net
Entre tantos esportes no qual o Brasil se destaca, um é praticamente
desconhecido. Moda no início dos anos 90, a aeróbica, ao contrário
do que muita gente imagina, não morreu. Pelo contrário: cresceu,
se desenvolveu e virou uma modalidade competitiva, realizando
diversos campeonatos de alto nível. E, três das maiores atletas
da Ginástica Aeróbica Esportiva (GAE) da atualidade são brasileiras:
Marcela Lopez, Marina Lopez e Cibele Oliani formam juntas
o melhor trio do mundo neste esporte.
"Elas são um fenômeno maravilhoso e imbatível. Um modelo
para a nova geração", comenta o veterano Cláudio Franzen,
pentacampeão mundial de ginástica aeróbica. "Estão no máximo
em todos os sentidos: técnico, físico e psicológico", concorda
Luciana July, responsável-técnica da GAE no São Paulo Futebol
Clube e treinadora das meninas.
Os números mostram que ambos têm razão. Só nos últimos dois
anos, o trio formado por Marcela, Marina e Cibele conquistou
o bicampeonato do Suzuki World Cup, competição organizada
todos os anos pela Federação Internacional de Aeróbica (IAF),
o Campeonato Mundial da Federação Internacional de Ginástica
(FIG) e a etapa de Rodez (França) da Copa do Mundo da modalidade.
Competindo sozinha, Marcela também acumula todos esses títulos,
exceto o Mundial. E isso por conta de um imprevisto: "Eu tive
que escolher entre disputar a final do individual ou a do
trio porque o intervalo entre as disputas era menos de dez
minutos, o mínimo permitido pelas regras. Deixei o pódio do
individual", diz Marcela.
Surgida como uma forma diferente de se praticar exercícios
físicos, a ginástica aeróbica entrou na vida das irmãs Marina
e Marcela Lopez quase por acaso, em 1993. "A gente praticamente
morava aqui no São Paulo", comenta Marina, que praticava diversas
modalidades no clube: "Daí surgiu o AeroKids, que era uma
atividade bem academia. Depois de um tempo, a Luciana July
nos chamou para fazer parte da equipe de competição. Aí sim,
vimos como era realmente o esporte".
Dois anos depois surgiu Cibele, que entrou para a equipe
através de um teste. "Tinha acabado de sair da ginástica olímpica
e vim com uma amiga. Acabei gostando e fiquei", conta. A formação
do trio foi quase instantânea. "Nossa técnica queria montar
um trio e falou para que escolhêssemos uma menina que estava
no teste. Aí a gente apontou e disse: 'Ah, aquela ali, a baixinha'",
relembra Marina, dando risadas.
A passagem pela ginástica olímpica fez com que a então novata
não enfrentasse muitas dificuldades para se adaptar. "Já tinha
muita noção da parte de força e flexibilidade", comenta Cibele,
que, no entanto, faz uma ressalva: "Para pegar o ritmo necessário,
eu 'penei'".
Seis meses depois, logo no primeiro campeonato disputado,
uma competição local, veio o primeiro título. "Todo mundo
ficou surpreso, pois as três menininhas ganharam de todo mundo,
até de uns marmanjões que eram os favoritos", relembra Marcela.
Mas nem tudo foi perfeito: problemas com a idade fizeram com
que elas se separassem em 1997. Quatro anos se passaram até
que o trio voltasse a ser formado, decisão tomada em um encontro
durante um campeonato da modalidade. "Está agora está dando
certo", comemora a campeã individual Marcela.
Praticada em um tablado especial, com tamanho que varia
entre 49 e 100 metros quadrados, a GAE é disputada em cinco
categorias: individual masculino, individual feminino, pares
mistos, sextetos e trios, que podem contar tanto com homens
quanto com mulheres. Os atletas devem apresentar a coreografia
escolhida em um minuto e cinqüentas segundos, sem qualquer
tipo de objeto de apoio, e empolga muita gente: "A aeróbica
é muito bonita de se ver. É um esporte-show, feito para ser
assistido", afirma Franzen.
Uma banca de dez juízes avalia a rotina, que deve unir quatro
elementos com perfeição: força, flexibilidade, salto e força
estática, sendo que pelo menos seis movimentos de cada família
são obrigatórios. "O campeão é aquele que consegue juntar
tudo isso com o carisma", analisa Marcela, que ressalta a
importância da música: "Você tem que estar sempre de acordo
com a música: se ela é alegre, você também deve estar alegre.
Além disso, essa escolha tem que ser muito bem feita, porque
a música vai ser usada durante o ano inteiro".
"Não é uma dança e sim uma aeróbica forte misturada com
os elementos obrigatórios. Junta força, flexibilidade, criatividade
e ritmo", esclarece Cibele, para logo em seguida Marcela completar:
"O pessoal que fazia aeróbica antigamente começou a adaptar
elementos da ginástica olímpica e rítmica. Isso foi sendo
aperfeiçoado, aperfeiçoado até que surgiu a ginástica aeróbica".
Ao contrário das outras ginásticas, o tipo físico não é
essencial na modalidade. "Pessoas baixas em geral se dão melhor,
mas não é como na ginástica rítmica em que o atleta deve ter
muita flexibilidade, senão não consegue praticar", diz Marina,
citando exemplos: "O Grégory Alcan, campeão mundial masculino,
é alto".
Para chegar ao nível em que estão, as três atletas do São
Paulo acreditam que a união foi fundamental. "Sempre vemos
os trios mudando, mas quando se fala em Brasil, todo mundo
sabe: são as três baixinhas", continua Marina: "Nós três somos
como irmãs". Além disso, todas treinam muito: de quatro a
cinco horas por dia, descansando somente aos domingos.
Modestas, elas acreditam que o mais importante título conquistado
por elas, o Mundial, foi uma surpresa. "Treinamos com a esperança
de conquistar o primeiro lugar, mas não tínhamos certeza se
conseguiríamos, pois vínhamos de resultados ruins", relembra
Marcela. Cibele tinha a mesma opinião: "Foi um alívio, uma
sensação de dever cumprido: alcançamos nossa meta".
Porém, o ideal ainda não foi alcançado. Marina conta que,
apesar de exibirem desempenhos tão bons, a falta de apoio
já fez com que as meninas cogitassem a hipótese de uma aposentadoria
precoce: "Pensamos em parar algumas vezes, mas acho que a
gente ainda tem muita coisa para conquistar", afirma. "Só
queríamos o reconhecimento do Brasil", resume Marcela.
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