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22/07/05

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Por Carolina Maria Canossa, especial para a GE.Net

Entre tantos esportes no qual o Brasil se destaca, um é praticamente desconhecido. Moda no início dos anos 90, a aeróbica, ao contrário do que muita gente imagina, não morreu. Pelo contrário: cresceu, se desenvolveu e virou uma modalidade competitiva, realizando diversos campeonatos de alto nível. E, três das maiores atletas da Ginástica Aeróbica Esportiva (GAE) da atualidade são brasileiras: Marcela Lopez, Marina Lopez e Cibele Oliani formam juntas o melhor trio do mundo neste esporte.

"Elas são um fenômeno maravilhoso e imbatível. Um modelo para a nova geração", comenta o veterano Cláudio Franzen, pentacampeão mundial de ginástica aeróbica. "Estão no máximo em todos os sentidos: técnico, físico e psicológico", concorda Luciana July, responsável-técnica da GAE no São Paulo Futebol Clube e treinadora das meninas.

Os números mostram que ambos têm razão. Só nos últimos dois anos, o trio formado por Marcela, Marina e Cibele conquistou o bicampeonato do Suzuki World Cup, competição organizada todos os anos pela Federação Internacional de Aeróbica (IAF), o Campeonato Mundial da Federação Internacional de Ginástica (FIG) e a etapa de Rodez (França) da Copa do Mundo da modalidade. Competindo sozinha, Marcela também acumula todos esses títulos, exceto o Mundial. E isso por conta de um imprevisto: "Eu tive que escolher entre disputar a final do individual ou a do trio porque o intervalo entre as disputas era menos de dez minutos, o mínimo permitido pelas regras. Deixei o pódio do individual", diz Marcela.

Surgida como uma forma diferente de se praticar exercícios físicos, a ginástica aeróbica entrou na vida das irmãs Marina e Marcela Lopez quase por acaso, em 1993. "A gente praticamente morava aqui no São Paulo", comenta Marina, que praticava diversas modalidades no clube: "Daí surgiu o AeroKids, que era uma atividade bem academia. Depois de um tempo, a Luciana July nos chamou para fazer parte da equipe de competição. Aí sim, vimos como era realmente o esporte".

Dois anos depois surgiu Cibele, que entrou para a equipe através de um teste. "Tinha acabado de sair da ginástica olímpica e vim com uma amiga. Acabei gostando e fiquei", conta. A formação do trio foi quase instantânea. "Nossa técnica queria montar um trio e falou para que escolhêssemos uma menina que estava no teste. Aí a gente apontou e disse: 'Ah, aquela ali, a baixinha'", relembra Marina, dando risadas.

A passagem pela ginástica olímpica fez com que a então novata não enfrentasse muitas dificuldades para se adaptar. "Já tinha muita noção da parte de força e flexibilidade", comenta Cibele, que, no entanto, faz uma ressalva: "Para pegar o ritmo necessário, eu 'penei'".

Seis meses depois, logo no primeiro campeonato disputado, uma competição local, veio o primeiro título. "Todo mundo ficou surpreso, pois as três menininhas ganharam de todo mundo, até de uns marmanjões que eram os favoritos", relembra Marcela. Mas nem tudo foi perfeito: problemas com a idade fizeram com que elas se separassem em 1997. Quatro anos se passaram até que o trio voltasse a ser formado, decisão tomada em um encontro durante um campeonato da modalidade. "Está agora está dando certo", comemora a campeã individual Marcela.

Praticada em um tablado especial, com tamanho que varia entre 49 e 100 metros quadrados, a GAE é disputada em cinco categorias: individual masculino, individual feminino, pares mistos, sextetos e trios, que podem contar tanto com homens quanto com mulheres. Os atletas devem apresentar a coreografia escolhida em um minuto e cinqüentas segundos, sem qualquer tipo de objeto de apoio, e empolga muita gente: "A aeróbica é muito bonita de se ver. É um esporte-show, feito para ser assistido", afirma Franzen.

Uma banca de dez juízes avalia a rotina, que deve unir quatro elementos com perfeição: força, flexibilidade, salto e força estática, sendo que pelo menos seis movimentos de cada família são obrigatórios. "O campeão é aquele que consegue juntar tudo isso com o carisma", analisa Marcela, que ressalta a importância da música: "Você tem que estar sempre de acordo com a música: se ela é alegre, você também deve estar alegre. Além disso, essa escolha tem que ser muito bem feita, porque a música vai ser usada durante o ano inteiro".

"Não é uma dança e sim uma aeróbica forte misturada com os elementos obrigatórios. Junta força, flexibilidade, criatividade e ritmo", esclarece Cibele, para logo em seguida Marcela completar: "O pessoal que fazia aeróbica antigamente começou a adaptar elementos da ginástica olímpica e rítmica. Isso foi sendo aperfeiçoado, aperfeiçoado até que surgiu a ginástica aeróbica".

Ao contrário das outras ginásticas, o tipo físico não é essencial na modalidade. "Pessoas baixas em geral se dão melhor, mas não é como na ginástica rítmica em que o atleta deve ter muita flexibilidade, senão não consegue praticar", diz Marina, citando exemplos: "O Grégory Alcan, campeão mundial masculino, é alto".

Para chegar ao nível em que estão, as três atletas do São Paulo acreditam que a união foi fundamental. "Sempre vemos os trios mudando, mas quando se fala em Brasil, todo mundo sabe: são as três baixinhas", continua Marina: "Nós três somos como irmãs". Além disso, todas treinam muito: de quatro a cinco horas por dia, descansando somente aos domingos.

Modestas, elas acreditam que o mais importante título conquistado por elas, o Mundial, foi uma surpresa. "Treinamos com a esperança de conquistar o primeiro lugar, mas não tínhamos certeza se conseguiríamos, pois vínhamos de resultados ruins", relembra Marcela. Cibele tinha a mesma opinião: "Foi um alívio, uma sensação de dever cumprido: alcançamos nossa meta".

Porém, o ideal ainda não foi alcançado. Marina conta que, apesar de exibirem desempenhos tão bons, a falta de apoio já fez com que as meninas cogitassem a hipótese de uma aposentadoria precoce: "Pensamos em parar algumas vezes, mas acho que a gente ainda tem muita coisa para conquistar", afirma. "Só queríamos o reconhecimento do Brasil", resume Marcela.

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