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09/09/05
Montagem sobre foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press

Fotos: Fernando Pilatos/Gazeta Press

Guilherme Guido
Guilherme Guido embarca na próxima terça
Thiago Pereira

"Vou tentar ser aprovado na universidade em janeiro", afirma Thiago Pereira

Gabriel Mangabeira
Mangabeira voltou após cinco anos nos EUA
Flavia Delaroli
Delaroli: "Foi uma experiência muito válida"
Joanna Maranhão
Joanna Maranhão não se adaptou no exterior

Por Marcelo Cazavia

A chance de cursar uma universidade gratuita e, ao mesmo tempo, desenvolver um programa de treinamento visando resultados relevantes no cenário internacional tem cada vez mais atraído os nadadores brasileiros para os Estados Unidos.

Apontado pelo presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, como um dos grandes nomes da nova geração da natação brasileira, Guilherme Guido, 18 anos, é o próximo atleta do País a embarcar para os Estados Unidos.

"Fui convidado e decidi ir. Vou viajar para lá no dia 13 de setembro e ficarei treinando por dois meses e meio. Depois, vou tentar entrar em uma faculdade e, caso consiga, ficarei mais cinco anos", conta o atleta do Pinheiros, que deixa claro que a decisão de ir para o exterior foi devido aos estudos. "A estrutura que eu tenho aqui é excelente, mas no Brasil eu dificilmente teria a oportunidade de estudar em uma universidade boa e de graça", diz.

Campeão mundial dos 200m medley em Piscina Curta e sexto colocado na final olímpica da mesma prova nos Jogos de Atenas-2004, Thiago Pereira é outro que deixará o País em breve. O nadador de 19 anos já vinha treinando nos Estados Unidos, mas ficou afastado das piscinas por quatro meses após uma lesão no joelho direito.

"Volto em breve para os Estados Unidos, provavelmente após este torneio. Escolhi ir porque pretendo cursar uma universidade lá. Vou tentar ser aprovado em janeiro", conta Thiago, que retornou às competições no Troféu José Finkel, disputado entre os dias 6 e 11 deste mês.

Gabriel Mangabeira, sexto colocado nos 100m borboleta em Atenas, é um dos atletas da nova geração que já tiveram a experiência de treinar no exterior e estão de volta ao País. "Fiquei cinco anos nos Estados Unidos. Fui mais pela área acadêmica. Aqui no Brasil você pode ser um grande nadador, mas para conciliar a faculdade fica complicado", afirma o nadador de 23 anos, que se formou em Administração de Empresas Agrícolas. "Acredito que essa é uma área que dificilmente fecha as portas e que ainda tem muito o que expandir no Brasil", completa.

Outra jovem nadadora que já esteve nos Estados Unidos é Flavia Delaroli, oitava colocada nos 50m livre em Atenas. "É mais fácil de conciliar o esporte e os estudos lá", atesta a atleta de 22 anos. "Fiquei dois anos e meio nos Estados Unidos. Não pretendo voltar, mas acho que foi uma experiência muito válida. Antigamente eu não tinha no Brasil as condições de treinamento que tenho agora, e também por isso eu decidi ir. Hoje possuo uma estrutura aqui que, talvez, eu não tivesse lá", conta.

Joanna Maranhão, quinta colocada nos 400m medley nas Olimpíadas, também passou por um período de treinamentos no exterior. Mas a atleta de 18 anos ficou apenas seis meses longe nos Estados Unidos. "Voltei porque senti muita saudade da família, dos amigos e também foi um período em que sofri muita pressão", afirma a nadadora, lembrando das críticas que recebeu por não ter chegado à final dos 400m medley no Mundial de Montreal, em julho.

Enquanto alguns saem, outros optam por ficar, mesmo já tendo recebido convite para deixar o País. É o caso de César Cielo, do Pinheiros, que, segundo Gustavo Borges, é um atleta de futuro muito promissor. "Treinamos juntos nos últimos anos e ele sempre me deu bastante trabalho. Tem um estilo muito parecido com o meu e acho até que seja mais veloz. Basta aprimorar a técnica para conseguir ótimos resultados", diz Gustavo, maior nadador da história do País, que se retirou da natação após os Jogos de Atenas-2004.

Cielo foi convidado para ir para os Estados Unidos, mas a proposta não o seduziu. "Estou muito feliz com o trabalho do meu treinador e, além disso, o Gustavo está sempre por perto me ajudando muito. Por enquanto eu não penso em sair, mas, se eu for fazer isso, com certeza vou buscar o apoio do Gustavo, que já esteve lá. Na época dele, não havia uma boa estrutura aqui, mas hoje já melhorou muito", comenta o nadador de 18 anos.

Gustavo Borges, aliás, é o maior exemplo de nadador brasileiro que obteve sucesso treinando fora do País. Durante o período de dez anos em que esteve nos Estados Unidos, o nadador conquistou quatro medalhas olímpicas (prata nos 100m livre em Barcelona-1992, bronze nos 100m livre e prata nos 200m livre em Atlanta-1996 e bronze no revezamento 4x100 livre em Sydney-2000), além de um bronze no Mundial de Roma-1994.

Ele diz que "seria hipócrita se falasse que o intercâmbio não é bom" e que, "embora a infra-estrutura dos Estados Unidos seja muito mais avançada, as condições no Brasil têm melhorado muito, inclusive sediando competições importantes".

"Não dá para comparar o nosso modelo de clube com o modelo universitário dos norte-americanos. O que eu acho é que o atleta deve se sentir bem onde quer que esteja. O jovem tem a curiosidade de conhecer lugares diferentes e, por isso, se o atleta acha que deve ir, tem de ir mesmo. Agora, o mais importante de tudo é o atleta mostrar resultados. A Joanna (Maranhão), por exemplo, foi, não se adaptou, voltou e continua nadando muito bem", opina Gustavo, que foi para os Estados Unidos em 1990, se formou em Economia e hoje tem um instituto que licencia academias para a prática da natação.

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