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Por Marcelo Cazavia
A chance de cursar uma universidade gratuita e, ao mesmo
tempo, desenvolver um programa de treinamento visando resultados
relevantes no cenário internacional tem cada vez mais
atraído os nadadores brasileiros para os Estados Unidos.
Apontado pelo presidente da Confederação Brasileira
de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, como
um dos grandes nomes da nova geração da natação
brasileira, Guilherme Guido, 18 anos, é o próximo
atleta do País a embarcar para os Estados Unidos.
"Fui convidado e decidi ir. Vou viajar para lá
no dia 13 de setembro e ficarei treinando por dois meses e
meio. Depois, vou tentar entrar em uma faculdade e, caso consiga,
ficarei mais cinco anos", conta o atleta do Pinheiros,
que deixa claro que a decisão de ir para o exterior
foi devido aos estudos. "A estrutura que eu tenho aqui
é excelente, mas no Brasil eu dificilmente teria a
oportunidade de estudar em uma universidade boa e de graça",
diz.
Campeão mundial dos 200m medley em Piscina Curta e
sexto colocado na final olímpica da mesma prova nos
Jogos de Atenas-2004, Thiago Pereira é outro que deixará
o País em breve. O nadador de 19 anos já vinha
treinando nos Estados Unidos, mas ficou afastado das piscinas
por quatro meses após uma lesão no joelho direito.
"Volto em breve para os Estados Unidos, provavelmente
após este torneio. Escolhi ir porque pretendo cursar
uma universidade lá. Vou tentar ser aprovado em janeiro",
conta Thiago, que retornou às competições
no Troféu José Finkel, disputado entre os dias
6 e 11 deste mês.
Gabriel Mangabeira, sexto colocado nos 100m borboleta em
Atenas, é um dos atletas da nova geração
que já tiveram a experiência de treinar no exterior
e estão de volta ao País. "Fiquei cinco
anos nos Estados Unidos. Fui mais pela área acadêmica.
Aqui no Brasil você pode ser um grande nadador, mas
para conciliar a faculdade fica complicado", afirma o
nadador de 23 anos, que se formou em Administração
de Empresas Agrícolas. "Acredito que essa é
uma área que dificilmente fecha as portas e que ainda
tem muito o que expandir no Brasil", completa.
Outra jovem nadadora que já esteve nos Estados Unidos
é Flavia Delaroli, oitava colocada nos 50m livre em
Atenas. "É mais fácil de conciliar o esporte
e os estudos lá", atesta a atleta de 22 anos.
"Fiquei dois anos e meio nos Estados Unidos. Não
pretendo voltar, mas acho que foi uma experiência muito
válida. Antigamente eu não tinha no Brasil as
condições de treinamento que tenho agora, e
também por isso eu decidi ir. Hoje possuo uma estrutura
aqui que, talvez, eu não tivesse lá", conta.
Joanna Maranhão, quinta colocada nos 400m medley nas
Olimpíadas, também passou por um período
de treinamentos no exterior. Mas a atleta de 18 anos ficou
apenas seis meses longe nos Estados Unidos. "Voltei porque
senti muita saudade da família, dos amigos e também
foi um período em que sofri muita pressão",
afirma a nadadora, lembrando das críticas que recebeu
por não ter chegado à final dos 400m medley
no Mundial de Montreal, em julho.
Enquanto alguns saem, outros optam por ficar, mesmo já
tendo recebido convite para deixar o País. É
o caso de César Cielo, do Pinheiros, que, segundo Gustavo
Borges, é um atleta de futuro muito promissor. "Treinamos
juntos nos últimos anos e ele sempre me deu bastante
trabalho. Tem um estilo muito parecido com o meu e acho até
que seja mais veloz. Basta aprimorar a técnica para
conseguir ótimos resultados", diz Gustavo, maior
nadador da história do País, que se retirou
da natação após os Jogos de Atenas-2004.
Cielo foi convidado para ir para os Estados Unidos, mas a
proposta não o seduziu. "Estou muito feliz com
o trabalho do meu treinador e, além disso, o Gustavo
está sempre por perto me ajudando muito. Por enquanto
eu não penso em sair, mas, se eu for fazer isso, com
certeza vou buscar o apoio do Gustavo, que já esteve
lá. Na época dele, não havia uma boa
estrutura aqui, mas hoje já melhorou muito", comenta
o nadador de 18 anos.
Gustavo Borges, aliás, é o maior exemplo de
nadador brasileiro que obteve sucesso treinando fora do País.
Durante o período de dez anos em que esteve nos Estados
Unidos, o nadador conquistou quatro medalhas olímpicas
(prata nos 100m livre em Barcelona-1992, bronze nos 100m livre
e prata nos 200m livre em Atlanta-1996 e bronze no revezamento
4x100 livre em Sydney-2000), além de um bronze no Mundial
de Roma-1994.
Ele diz que "seria hipócrita se falasse que o
intercâmbio não é bom" e que, "embora
a infra-estrutura dos Estados Unidos seja muito mais avançada,
as condições no Brasil têm melhorado muito,
inclusive sediando competições importantes".
"Não dá para comparar o nosso modelo de
clube com o modelo universitário dos norte-americanos.
O que eu acho é que o atleta deve se sentir bem onde
quer que esteja. O jovem tem a curiosidade de conhecer lugares
diferentes e, por isso, se o atleta acha que deve ir, tem
de ir mesmo. Agora, o mais importante de tudo é o atleta
mostrar resultados. A Joanna (Maranhão), por exemplo,
foi, não se adaptou, voltou e continua nadando muito
bem", opina Gustavo, que foi para os Estados Unidos em
1990, se formou em Economia e hoje tem um instituto que licencia
academias para a prática da natação.
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