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24/11/05
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Por Marta Teixeira

Os Jogos Abertos do Interior (JAs) querem suavizar o sotaque caipira e entrar de vez na realidade competitiva das modalidades olímpicas. Depois da edição realizada em Botucatu, que reuniu mais de 13 mil atletas, São Bernardo do Campo pretende trazer o sonho olímpico para os Jogos de 2006. Sinal disso, é que, pelo secretário de esportes do município, José Fiorizi, a competição deveria se desvincular de vez do apelido de Olimpíadas Caipira. Termo que, para ele, chega a ter conotação pejorativa.

“Você investiria em um evento com esse nome?”, questiona. Na organização para 2006, a cidade do ABC paulista quer que os Jogos sigam a mentalidade de profissionalização dos esportes e se tornem um “colaborador para o desenvolvimento dos Jogos Abertos e das modalidades olímpicas em todo o estado”. Na prática, isso significará aproximar o evento do que é feito nos Jogos Olímpicos e Pan-americanos.

A primeira providência é tentar mais semelhanças entre os programas das competições. Para isso, São Bernardo propõe a inclusão de modalidades olímpicas extras, que normalmente não fazem parte dos JAs. As sugestões contemplam 19 modalidades: tiro com arco, tiro esportivo, badminton, hipismo – adestramento, completo e salto -, pólo-aquático, salto ornamental, nado sincronizado, beisebol, softbol, pentatlo moderno, mountain bike, triatlo, levantamento de peso, canoagem, remo, vela, ginástica no trampolim, hóquei na grama e esgrima.

Para que entrem na programação, precisarão do apoio das cidades, que deverão responder a uma pesquisa apontando as que mais lhes interessam. Por enquanto, lideram a lista hipismo, mountain bike e triatlo.

“Estamos tentando puxar um movimento de colaboração com os esportes olímpicos”, afirma Fiorizi. “Os Jogos Abertos têm uma dimensão e uma expressão nacional muito grande. Têm uma importância enorme no movimento olímpico e o Brasil ainda não descobriu essa importância. Repensar os Jogos Abertos é pensar no papel do Brasil nas Olimpíadas. Por que o país tem poucas chances em algumas modalidades? Porque não são quase praticadas”.

Incorporando essa ‘missão olímpica’, São Bernardo adotou um sistema de trabalho e organização que busca inspiração nas grandes competições internacionais. A cidade se propõe a oferecer um centro de fisioterapia e atendimento médico “similar aos de olimpíadas e pan”, garante o secretário. Além disso, também há estudos para implantação de um sistema on-line de informações em todas as sedes e um sistema de transporte público exclusivo para o evento.

“Se quer pensar em fazer o Brasil grande em olimpíadas, tem que pensar em crescimento”, afirma Fiorizi. “Temos que fazer os JAs adequados à realidade esportiva de agora”.

Para isso, São Bernardo está disposta a investir pesado e bancar essas necessidades. Sem falar em valores, o secretário confirma que a Prefeitura está reformando todo o parque esportivo da cidade com dinheiro próprio. Além disso, a cidade vai ganhar uma nova pista de atletismo com 3 mil lugares e um parque aquático coberto de 4 mil m² para as provas de natação e salto ornamental.

As duas instalações serão erguidas no terreno do ex-clube da Volkswagen e estão em processo de licitação. Mas o secretário garante que ficam prontas em tempo para os Jogos, programados para o período de 11 a 24 de setembro.

A confiança é tanta que ele projeta, para o primeiro semestre, a realização de eventos-testes das instalações. A medida que as sedes forem ficando prontas, incluindo as que estão em reforma, receberão torneios, já com a participação de convidados dos outros municípios envolvidos nos JAs, assim como ocorre em Olimpíadas.

Com 40 anos de Jogos Abertos e participação em Olimpíadas e Pans como membro de delegação, Fiorizi arrisca uma comparação ousada. “Quem participa dos Jogos Abertos não sente dificuldade de participar de Pan e Olimpíada porque são eventos iguais, considerando as diferenças estruturais”.

E nesse ambiente de internacionalização como ficam as modalidades que dão o tom regional dos JAs como biribol, bocha, damas, capoeira, karatê, malha e xadrez? Estariam com seus dias contados nesse tendência de profissionalização? Fiorizi acredita que não e o motivo vem da cultura. “Elas têm efetiva participação na vida esportiva das cidades e têm relação com aspectos culturais, como a bocha e a imigração italiana.

Se os Jogos não pretendem se desligar de seus membros mais exóticos e tentam se aproximar da profissionalização, a estrutura para receber as delegações visitantes ainda não tem previsão de mudança. No ABC paulista, mais uma vez, o clima ‘bucólico’ dos alojamentos será mantido. Vôlei, basquete, atletismo, e mesmo alguns olímpicos da natação e do judô foram a Botucatu nesta situação. A elite, claro, ficou em hotel e não nos alojamentos montados nas escolas da rede pública.

“A construção de uma vila olímpica é economicamente inviável”, admite o secretário de esportes. “Mas tomara que um dia tenhamos JAs com vila olímpica”, sonha.

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