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Por Marta Teixeira
Os Jogos Abertos do Interior (JAs) querem suavizar o sotaque
caipira e entrar de vez na realidade competitiva das modalidades
olímpicas. Depois da edição realizada
em Botucatu, que reuniu mais de 13 mil atletas, São
Bernardo do Campo pretende trazer o sonho olímpico
para os Jogos de 2006. Sinal disso, é que, pelo secretário
de esportes do município, José Fiorizi, a competição
deveria se desvincular de vez do apelido de Olimpíadas
Caipira. Termo que, para ele, chega a ter conotação
pejorativa.
Você investiria em um evento com esse nome?,
questiona. Na organização para 2006, a cidade
do ABC paulista quer que os Jogos sigam a mentalidade de profissionalização
dos esportes e se tornem um colaborador para o desenvolvimento
dos Jogos Abertos e das modalidades olímpicas em todo
o estado. Na prática, isso significará
aproximar o evento do que é feito nos Jogos Olímpicos
e Pan-americanos.
A primeira providência é tentar mais semelhanças
entre os programas das competições. Para isso,
São Bernardo propõe a inclusão de modalidades
olímpicas extras, que normalmente não fazem
parte dos JAs. As sugestões contemplam 19 modalidades:
tiro com arco, tiro esportivo, badminton, hipismo adestramento,
completo e salto -, pólo-aquático, salto ornamental,
nado sincronizado, beisebol, softbol, pentatlo moderno, mountain
bike, triatlo, levantamento de peso, canoagem, remo, vela,
ginástica no trampolim, hóquei na grama e esgrima.
Para que entrem na programação, precisarão
do apoio das cidades, que deverão responder a uma pesquisa
apontando as que mais lhes interessam. Por enquanto, lideram
a lista hipismo, mountain bike e triatlo.
Estamos tentando puxar um movimento de colaboração
com os esportes olímpicos, afirma Fiorizi. Os
Jogos Abertos têm uma dimensão e uma expressão
nacional muito grande. Têm uma importância enorme
no movimento olímpico e o Brasil ainda não descobriu
essa importância. Repensar os Jogos Abertos é
pensar no papel do Brasil nas Olimpíadas. Por que o
país tem poucas chances em algumas modalidades? Porque
não são quase praticadas.
Incorporando essa missão olímpica,
São Bernardo adotou um sistema de trabalho e organização
que busca inspiração nas grandes competições
internacionais. A cidade se propõe a oferecer um centro
de fisioterapia e atendimento médico similar
aos de olimpíadas e pan, garante o secretário.
Além disso, também há estudos para implantação
de um sistema on-line de informações em todas
as sedes e um sistema de transporte público exclusivo
para o evento.
Se quer pensar em fazer o Brasil grande em olimpíadas,
tem que pensar em crescimento, afirma Fiorizi. Temos
que fazer os JAs adequados à realidade esportiva de
agora.
Para isso, São Bernardo está disposta a investir
pesado e bancar essas necessidades. Sem falar em valores,
o secretário confirma que a Prefeitura está
reformando todo o parque esportivo da cidade com dinheiro
próprio. Além disso, a cidade vai ganhar uma
nova pista de atletismo com 3 mil lugares e um parque aquático
coberto de 4 mil m² para as provas de natação
e salto ornamental.
As duas instalações serão erguidas no
terreno do ex-clube da Volkswagen e estão em processo
de licitação. Mas o secretário garante
que ficam prontas em tempo para os Jogos, programados para
o período de 11 a 24 de setembro.
A confiança é tanta que ele projeta, para o
primeiro semestre, a realização de eventos-testes
das instalações. A medida que as sedes forem
ficando prontas, incluindo as que estão em reforma,
receberão torneios, já com a participação
de convidados dos outros municípios envolvidos nos
JAs, assim como ocorre em Olimpíadas.
Com 40 anos de Jogos Abertos e participação
em Olimpíadas e Pans como membro de delegação,
Fiorizi arrisca uma comparação ousada. Quem
participa dos Jogos Abertos não sente dificuldade de
participar de Pan e Olimpíada porque são eventos
iguais, considerando as diferenças estruturais.
E nesse ambiente de internacionalização como
ficam as modalidades que dão o tom regional dos JAs
como biribol, bocha, damas, capoeira, karatê, malha
e xadrez? Estariam com seus dias contados nesse tendência
de profissionalização? Fiorizi acredita que
não e o motivo vem da cultura. Elas têm
efetiva participação na vida esportiva das cidades
e têm relação com aspectos culturais,
como a bocha e a imigração italiana.
Se os Jogos não pretendem se desligar de seus membros
mais exóticos e tentam se aproximar da profissionalização,
a estrutura para receber as delegações visitantes
ainda não tem previsão de mudança. No
ABC paulista, mais uma vez, o clima bucólico
dos alojamentos será mantido. Vôlei, basquete,
atletismo, e mesmo alguns olímpicos da natação
e do judô foram a Botucatu nesta situação.
A elite, claro, ficou em hotel e não nos alojamentos
montados nas escolas da rede pública.
A construção de uma vila olímpica
é economicamente inviável, admite o secretário
de esportes. Mas tomara que um dia tenhamos JAs com
vila olímpica, sonha.
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