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Por
Marcelo Cazavia
| Fotos:Fernando
Pilatos e Djalma Vassão/GP |
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| Atual bicampeão
da São Silvestre, o queniano Robert Cheruiyot
prestigiou a festa, que contou também com
as presenças de Julio Deodoro (à esq.
na segunda foto), José João da Silva
(campeão da São Silvestre) e do secretário
estadual de esportes, Lars Grael (à dir.) |
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Uma tarde de muito sol no estádio Ícaro de Castro Mello e
a arquibancada de 3.500 lugares totalmente lotada formaram
o cenário da 12ª edição da São Silvestrinha, a versão infantil
da tradicional Corrida de São Silvestre. Duas mil crianças
esgotaram as inscrições para o evento e, muitas delas, deixaram
seus Estados de ônibus na expectativa de participar da festa,
que contou com a presença de dirigentes, políticos e atletas.
“É uma emoção muito grande ver o crescimento de uma sementinha
que foi plantada há 12 anos. Hoje tem mais de dez corridas
semelhantes no Brasil inspirada na São Silvestrinha. A alegria
é grande porque essas duas mil crianças que estão aqui e as
outras mais de 20 mil que já passaram aqui, tiveram uma informação
de como ser um esportista com responsabilidade e, acima de
tudo, um cidadão bem informado, pois ele participa de um evento
organizado nos mesmos moldes das grandes competições oficiais.
E eles levam para casa, para sua escola, a alegria de ter
participado de uma competição como essa. Todos eles recebem
uma medalha de participação como prêmio pelo esforço e pela
dedicação dele no esporte e no estudo, e isso incentiva outras
crianças a virem participar da São Silvestrinha”, afirma o
superintendente do site Gazeta Esportiva.Net e idealizador
do projeto, Julio Deodoro.
O evento teve total apoio da Federação Paulista de Atletismo,
que foi representada pelo seu presidente, José Antônio Martins
Fernandes. “Ao longo dos anos ela está se mostrando uma prova
que realmente vem suprir uma necessidade da cidade em investir
no esporte para a área social e para o adolescente. É uma
oportunidade muito grande de ter um primeiro contato com o
atletismo para que depois possa continuar com os treinamentos,
evoluindo, e vir a ser um atleta de potencial no futuro”,
destaca Toninho.
Atual bicampeão da São Silvestre, o queniano Robert Cheruiyot
foi um dos atletas convidados para fazer algumas entregas
de troféus aos campeões. E ele contou que esse tipo de iniciativa
pode gerar grandes campeões no futuro. “É importante incentivar
as crianças a praticar o atletismo, e isso acontece também
no Quênia. O que é feito lá ajuda a revelar novos valores
para o país, pois os escolhidos nesses eventos são encaminhados
para um centro de treinamento específico”, conta Cheruiyot.
Um desses exemplos de sucesso na São Silvestrinha é Frank
Caldeira. Hoje com 22 anos e com um título de campeão na Maratona
de São Paulo no currículo, o atleta participou do evento em
1998, disputando a categoria 15 anos. E o fato de ter ficado
em 9° lugar na ocasião acabou impulsionando a carreira de
Frank, que no próximo dia 31 é uma das principais esperanças
de pódio para o Brasil na São Silvestre.
“Quanto mais crianças puderem participar é importante para
amanhã surgirem mais campeões. Se você pegar 500 crianças
aqui, cerca de uma dezena vai sair para o atletismo, outros
vão sair para outras modalidades, enfim, vão ingressar no
esporte. No meu caso, quando eu participei, não esperava hoje
ser o campeão da Maratona de São Paulo, mas pisei na pista
com a consciência de que a prova poderia ser um marco para
a minha história, como está sendo hoje. Aqui foi praticamente
o início da minha carreira, pois a equipe pela qual eu treinava
à época dizia que, para eu poder conquistar um espaço maior
no atletismo, eu teria que participar de uma prova importante,
e essa prova importante era a São Silvestrinha. A partir daquele
momento, aprimorei meu treinamento para seguir carreira no
atletismo”, relata Cladeira.
Outro que prestigiou o evento foi secretário da Juventude,
Esporte e Lazer do Estado de São Paulo, Lars Grael. “Esse
é um evento da maior importância porque cria toda uma atmosfera,
o ambiente, o engajamento para a futura geração de atletas,
democratizando o atletismo. Isso traz a motivação e a esperança
para os jovens cidadãos num evento vinculado à principal prova
de pedestrianismo da América Latina, levando a essas crianças
um pouco da proposta da São Silvestre. Além disso, agrega
uma série de valores para a formação de futuros cidadãos.
Isso mexe com um pouco de esporte, um pouco de lazer e um
pouco de confraternização de final de ano. Outro aspecto que
eu acho importante é que a São Silvestrinha esteja acontecendo
no templo nacional do atletismo, que é o Estádio Ícaro de
Castro Mello”, destacou Lars, que trouxe seu filho, Nicholas,
para participar da competição pela primeira vez. “Ele é apaixonado
por futebol, está começando na vela, mas quando falei da possibilidade
de participar dessa competição ele ficou motivado, pois nunca
teve uma experiência anterior na corrida”, disse.
Julio Deodoro, porém, lembra que o evento não se restringe
apenas à esfera esportiva. “É uma realização que vai para
o campo social, da educação, da cultura, da saúde. É uma coisa
maravilhosa ver essas criancinhas correndo e mostrando que
podem ser campeões no futuro, no esporte ou como cidadão”,
diz. E sua opinião é compartilhada por outros.
“Todo evento que você envolve a criança numa atividade que
leve à convivência, ao desenvolvimento da relação do dia-a-dia,
a aprender o que é grupo, o que é time, o que é respeitar
um ao outro, é fundamental. Hoje a gente vê em estádios de
futebol casos de violência que a gente não teria se essas
ações acontecessem antes. Você vê aqui uma platéia lotada,
as crianças vibrando, e isso é uma coisa de civilidade. É
uma convivência pacífica e sadia. O esporte é a única atividade
que agrega tudo isso”, afirma o secretário de Esportes, Lazer
e Recreação da cidade de São Paulo, Heraldo Corrêa Ayrosa
Galvão. “Pretendemos, a partir do ano que vem, estimular o
atletismo nas ruas de lazer e nos clubes da cidade para recrutarmos
crianças para a formação de três novos times infantis para
a cidade”, completa o secretário.
Quem também chamou a atenção para o caráter social da prova
foi o presidente da Federação Paulista de Atletismo. “Temos
aqui cerca de duas mil crianças despertando dentro de si a
cidadania. Ela pode não ser um atleta depois, mas será um
cidadão que respeita o próximo, respeita a competição. Lógico
que tem crianças que se preparam meses para disputar a São
Silvestrinha, mas mais de 95% vêm, muitas de outras cidades,
apenas pelo prazer de competir, sentir o que é correr em uma
pista de primeiro mundo, como é o caso do Ibirapuera”, afirma.
Julio Deodoro conta que pretende ampliar a São Silvestrinha
nos próximos anos. “Nós tivemos que fechar as inscrições dois
dias antes do prazo porque as vagas já estavam todas preenchidas.
Não temos como realizar o evento com mais de duas mil pessoas.
Mas queremos aumentar a competição para dois dias e, assim,
trazer três, quatro, cinco mil crianças para cá. Estamos agendando
algumas reuniões para o início do ano para que os órgãos públicos
participem desse projeto da São Silvestrinha e que possam
nos dar apoio material, apoio financeiro, para que a gente
amplie essa realização”, afirma o superintendente, lembrando
da ação social gerada pelo evento.
“Há três anos nós tivemos a idéia de, em vez de cobrar uma
taxa de inscrição, solicitar àqueles que quisessem participar
da prova a doação de cinco quilos de alimentos não perecíveis
para serem distribuídos a entidades que cuidam de crianças
carentes. Este ano, nós arrecadamos sete toneladas e meia
de alimentos. A São Silvestrinha tem esse lado cidadão e se
preocupa com as crianças que não tiveram a mesma sorte que
essas que estão competindo. Mas com esse incentivo, esse apoio,
lá na frente elas terão as mesmas condições de competir, de
participar, de dar sua contribuição para melhorar a nossa
sociedade em busca de uma paz completa. E se conseguirmos
aumentar o número de participantes, conseqüentemente aumentaremos
o número de alimentos arrecadados e poderemos ajudar mais
gente”, finaliza.
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