Voltar para a home Terça, 02 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
29/12/05

Por Marcelo Cazavia

Fotos:Fernando Pilatos e Djalma Vassão/GP
Atual bicampeão da São Silvestre, o queniano Robert Cheruiyot prestigiou a festa, que contou também com as presenças de Julio Deodoro (à esq. na segunda foto), José João da Silva (campeão da São Silvestre) e do secretário estadual de esportes, Lars Grael (à dir.)

Uma tarde de muito sol no estádio Ícaro de Castro Mello e a arquibancada de 3.500 lugares totalmente lotada formaram o cenário da 12ª edição da São Silvestrinha, a versão infantil da tradicional Corrida de São Silvestre. Duas mil crianças esgotaram as inscrições para o evento e, muitas delas, deixaram seus Estados de ônibus na expectativa de participar da festa, que contou com a presença de dirigentes, políticos e atletas.

“É uma emoção muito grande ver o crescimento de uma sementinha que foi plantada há 12 anos. Hoje tem mais de dez corridas semelhantes no Brasil inspirada na São Silvestrinha. A alegria é grande porque essas duas mil crianças que estão aqui e as outras mais de 20 mil que já passaram aqui, tiveram uma informação de como ser um esportista com responsabilidade e, acima de tudo, um cidadão bem informado, pois ele participa de um evento organizado nos mesmos moldes das grandes competições oficiais. E eles levam para casa, para sua escola, a alegria de ter participado de uma competição como essa. Todos eles recebem uma medalha de participação como prêmio pelo esforço e pela dedicação dele no esporte e no estudo, e isso incentiva outras crianças a virem participar da São Silvestrinha”, afirma o superintendente do site Gazeta Esportiva.Net e idealizador do projeto, Julio Deodoro.

O evento teve total apoio da Federação Paulista de Atletismo, que foi representada pelo seu presidente, José Antônio Martins Fernandes. “Ao longo dos anos ela está se mostrando uma prova que realmente vem suprir uma necessidade da cidade em investir no esporte para a área social e para o adolescente. É uma oportunidade muito grande de ter um primeiro contato com o atletismo para que depois possa continuar com os treinamentos, evoluindo, e vir a ser um atleta de potencial no futuro”, destaca Toninho.

Atual bicampeão da São Silvestre, o queniano Robert Cheruiyot foi um dos atletas convidados para fazer algumas entregas de troféus aos campeões. E ele contou que esse tipo de iniciativa pode gerar grandes campeões no futuro. “É importante incentivar as crianças a praticar o atletismo, e isso acontece também no Quênia. O que é feito lá ajuda a revelar novos valores para o país, pois os escolhidos nesses eventos são encaminhados para um centro de treinamento específico”, conta Cheruiyot.

Um desses exemplos de sucesso na São Silvestrinha é Frank Caldeira. Hoje com 22 anos e com um título de campeão na Maratona de São Paulo no currículo, o atleta participou do evento em 1998, disputando a categoria 15 anos. E o fato de ter ficado em 9° lugar na ocasião acabou impulsionando a carreira de Frank, que no próximo dia 31 é uma das principais esperanças de pódio para o Brasil na São Silvestre.

“Quanto mais crianças puderem participar é importante para amanhã surgirem mais campeões. Se você pegar 500 crianças aqui, cerca de uma dezena vai sair para o atletismo, outros vão sair para outras modalidades, enfim, vão ingressar no esporte. No meu caso, quando eu participei, não esperava hoje ser o campeão da Maratona de São Paulo, mas pisei na pista com a consciência de que a prova poderia ser um marco para a minha história, como está sendo hoje. Aqui foi praticamente o início da minha carreira, pois a equipe pela qual eu treinava à época dizia que, para eu poder conquistar um espaço maior no atletismo, eu teria que participar de uma prova importante, e essa prova importante era a São Silvestrinha. A partir daquele momento, aprimorei meu treinamento para seguir carreira no atletismo”, relata Cladeira.

Outro que prestigiou o evento foi secretário da Juventude, Esporte e Lazer do Estado de São Paulo, Lars Grael. “Esse é um evento da maior importância porque cria toda uma atmosfera, o ambiente, o engajamento para a futura geração de atletas, democratizando o atletismo. Isso traz a motivação e a esperança para os jovens cidadãos num evento vinculado à principal prova de pedestrianismo da América Latina, levando a essas crianças um pouco da proposta da São Silvestre. Além disso, agrega uma série de valores para a formação de futuros cidadãos. Isso mexe com um pouco de esporte, um pouco de lazer e um pouco de confraternização de final de ano. Outro aspecto que eu acho importante é que a São Silvestrinha esteja acontecendo no templo nacional do atletismo, que é o Estádio Ícaro de Castro Mello”, destacou Lars, que trouxe seu filho, Nicholas, para participar da competição pela primeira vez. “Ele é apaixonado por futebol, está começando na vela, mas quando falei da possibilidade de participar dessa competição ele ficou motivado, pois nunca teve uma experiência anterior na corrida”, disse.

Julio Deodoro, porém, lembra que o evento não se restringe apenas à esfera esportiva. “É uma realização que vai para o campo social, da educação, da cultura, da saúde. É uma coisa maravilhosa ver essas criancinhas correndo e mostrando que podem ser campeões no futuro, no esporte ou como cidadão”, diz. E sua opinião é compartilhada por outros.

“Todo evento que você envolve a criança numa atividade que leve à convivência, ao desenvolvimento da relação do dia-a-dia, a aprender o que é grupo, o que é time, o que é respeitar um ao outro, é fundamental. Hoje a gente vê em estádios de futebol casos de violência que a gente não teria se essas ações acontecessem antes. Você vê aqui uma platéia lotada, as crianças vibrando, e isso é uma coisa de civilidade. É uma convivência pacífica e sadia. O esporte é a única atividade que agrega tudo isso”, afirma o secretário de Esportes, Lazer e Recreação da cidade de São Paulo, Heraldo Corrêa Ayrosa Galvão. “Pretendemos, a partir do ano que vem, estimular o atletismo nas ruas de lazer e nos clubes da cidade para recrutarmos crianças para a formação de três novos times infantis para a cidade”, completa o secretário.

Quem também chamou a atenção para o caráter social da prova foi o presidente da Federação Paulista de Atletismo. “Temos aqui cerca de duas mil crianças despertando dentro de si a cidadania. Ela pode não ser um atleta depois, mas será um cidadão que respeita o próximo, respeita a competição. Lógico que tem crianças que se preparam meses para disputar a São Silvestrinha, mas mais de 95% vêm, muitas de outras cidades, apenas pelo prazer de competir, sentir o que é correr em uma pista de primeiro mundo, como é o caso do Ibirapuera”, afirma.

Julio Deodoro conta que pretende ampliar a São Silvestrinha nos próximos anos. “Nós tivemos que fechar as inscrições dois dias antes do prazo porque as vagas já estavam todas preenchidas. Não temos como realizar o evento com mais de duas mil pessoas. Mas queremos aumentar a competição para dois dias e, assim, trazer três, quatro, cinco mil crianças para cá. Estamos agendando algumas reuniões para o início do ano para que os órgãos públicos participem desse projeto da São Silvestrinha e que possam nos dar apoio material, apoio financeiro, para que a gente amplie essa realização”, afirma o superintendente, lembrando da ação social gerada pelo evento.

“Há três anos nós tivemos a idéia de, em vez de cobrar uma taxa de inscrição, solicitar àqueles que quisessem participar da prova a doação de cinco quilos de alimentos não perecíveis para serem distribuídos a entidades que cuidam de crianças carentes. Este ano, nós arrecadamos sete toneladas e meia de alimentos. A São Silvestrinha tem esse lado cidadão e se preocupa com as crianças que não tiveram a mesma sorte que essas que estão competindo. Mas com esse incentivo, esse apoio, lá na frente elas terão as mesmas condições de competir, de participar, de dar sua contribuição para melhorar a nossa sociedade em busca de uma paz completa. E se conseguirmos aumentar o número de participantes, conseqüentemente aumentaremos o número de alimentos arrecadados e poderemos ajudar mais gente”, finaliza.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página