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18/03/2006
Gazeta Press

Por Marcelo Cazavia

O Mundial de Xangai, no início de abril, encerrou o ciclo de competições em piscina curta. A partir de agora, os atletas brasileiros voltam suas atenções para as disputas em piscinas de 50 metros, as mesmas que serão utilizadas nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, e dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim.

A primeira competição, seletiva para o Pan do Rio de Janeiro, será o Troféu José Finkel, no fim de maio, em São Paulo. “Na seqüência, haverá treinamento em altitude, circuito europeu, Pan-Pacífico no Canadá, Troféu Brasil, Torneio Open e, já em 2007, terá o Mundial de Melbourne, novo treinamento em altitude, circuito europeu e finalmente os Jogos Pan-Americanos”, conta Ricardo de Moura.

O supervisor da seleção revela que, desde já, o foco está no Rio de Janeiro. “Vai ser o Pan mais difícil da história, pois Estados Unidos e Canadá virão reforçados. Teremos que repetir nossos bons desempenhos num nível ainda mais forte. Não tínhamos uma competição forte em piscina de 50 metros na América do Sul como os estrangeiros que disputam o Pan-Pacífico e o Europeu. Por isso, fizemos questão de começar a competir em Pan-Pacíficos. O deste ano, em Vancouver, será nossa segunda vez”, afirmou.

A mudança da piscina curta para a piscina longa, no entanto, exige algumas alterações no treinamento dos atletas. Rebeca Gusmão, por exemplo, disse que “agora muda o esporte”. “Não tem mais o obstáculo da virada, no caso dos 50m livre. Por isso, preciso melhorar bastante a minha saída”, diz a velocista, que também terá de se adaptar fisicamente. “Na piscina longa eu preciso estar um pouco mais leve, preciso estar grande e técnica. Na curta, preciso estar grande e forte, porque tem a virada”, explica.

Destaque brasileiro em Xangai, com duas medalhas, Kaio Márcio de Almeida deve deixar a prova dos 50m borboleta em segundo plano, já que ela não faz parte dos programas pan-americano e olímpico. Na preparação das demais provas, o técnico Léo Arruda explica que “muda a parte tática e técnica, porque o ritmo é diferente, não tem tanto impulso na parede”. “Em Xangai, percebemos que a pernarda submersa não foi o que ele costuma fazer. Foi ruim porque não conseguimos melhores resultados, mas foi bom para saber que não é isso que está fazendo ele se destacar na curta, o que dá mais esperança para a longa. A grande evolução que ele teve foi na parte da coordenação motora, que vale para as duas piscinas”, continua o treinador.

“Na verdade, a preparação do Kaio sempre foi feita para piscina longa. Após as Olimpíadas de Atenas ele me disse que seu grande sonho era ser recordista mundial, em qual piscina fosse. Aí começamos a nos preparar para isso, trabalhando em piscina curta porque era neste tipo de piscina que aconteceriam as próximas competições, e dando mais ênfase às viradas, ao jogo de pernas, às chegadas”, completa Léo.

O treinador do atleta acredita que Kaio não terá maiores dificuldades para brilhar também na piscina de 50 metros. “Ele tem potencial para estar entre os melhores do mundo na longa. Os grandes nadadores transferem os bons resultados da curta para a longa. Então, é só darmos seqüência ao trabalho e tentar os mesmos objetivos”, diz.

O nadador também acredita que tanto ele como os demais integrantes da seleção têm tudo para conseguir um bom desempenho nas próximas competições. “Depois do Mundial de Montreal (em piscina longa), a gente teve uma temporada de curta até este mês de abril e isso facilitou para aprimorarmos os resultados. Agora esperamos repetir na piscina longa. A natação do Brasil está crescendo bastante nas duas. O Brasil está com uma seleção revitalizada, com novos talentos, muito boa e com vontade de crescer, o que é mais importante”, opinou.

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