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02/07/2006
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Foto: Gazeta Press

Fabiana obteve resultados consistentes no primeiro semestre, mas precisa confirmá-los no circuito europeu

NA BRIGA DO PAN
Na briga do Pan Os nomes que defenderão o Brasil no atletismo do Pan do Rio de Janeiro só serão conhecidos no ano que vem. De acordo com a CBAt, os campeões de cada prova no Troféu Brasil de 2007, marcado para 1º de junho, e o primeiro colocado do ranking brasileiro de adultos garantem convocação.

No caso de um mesmo atleta figurar como dono das duas vagas, será convocado o subseqüente do ranking.

A exceção está nos revezamentos, onde as equipes serão compostas pelos três melhores classificados nas provas de 100m e 400m do Troféu Brasil, os dois melhores classificados do ranking brasileiro de adultos no ano da competição, além de um atleta indicado pelo treinador das provas.

Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net

Depois de anos dependente de nomes como Claudinei Quirino, André Domingos, Vicente Lenílson, Sanderlei Parrella e mais recentemente de Jadel Gregório, Vanderlei Cordeiro e Maurren Higa Maggi, o atletismo brasileiro convive com a expectativa de que novas promessas consigam se firmar no cenário nacional e mundial.

A necessidade de trabalho e resultados é urgente. A pouco mais de um ano do Pan 2007, que será realizado entre 13 a 29 de julho, os atletas se esforçam para assegurar vaga na competição e para angariar prestígio que lhes coloquem com possibilidades de medalha no evento mais importante para os brasileiros no próximo ano.

Com excelentes resultados em categorias juvenis e adultas, aos poucos, jovens como Fabiana Murer, Jefferson Sabino, Rogério Bispo e Franciela Krasucki mostram que têm chances reais de levar uma medalha no evento carioca, tornando-se boas surpresas para a torcida nacional. Em comum, todos possuem a mesma empolgação para a disputa do Pan, além da confiança de técnicos renomados como Nélio Moura e Adriano Vitorino. Entretanto, assim como estímulo, eles recebem dos treinadores forte cobrança para manter o alto nível.

Com a autoridade de quem treina Maurren Higa Maggi e já trabalhou com Jadel Gregório, Nélio garante que o aparecimento e os resultados desses jovens atletas não se deram por acaso. “Na verdade, para nós técnicos, esses desempenhos já eram esperados. De 2002 para cá, temos comentado que esta é uma geração muito promissora de juvenis. E o bom é que vários estão conseguindo dar o passo seguinte, que é ser tornar bons competidores adultos”, comenta Moura, que treina Sabino, Keila e Bispo. “Estamos muito contente com os resultados obtidos este ano”, garante.

Treinador de Franciela, Adriano Vitorino concorda. “Grandes valores vêm aparecendo nos últimos quatro ou cinco anos no masculino e um pouco mais recentemente no feminino”, explica o técnico.

Os dois também estão juntos ao apontar a causa para este aparecimento: os programas sociais que abrem espaço para a prática do atletismo. “Alguns lugares do Brasil têm feito um bom trabalho com a base no atletismo. O Rogério e o Jefferson mesmo saíram do Projeto Futuro de São Paulo”, explica Moura, que se envolve pessoalmente com o programa.

“É nos projetos sociais que começa a nova geração”, resume Vitorino, que ressalta, porém, que a propensão de uma criança ou adolescente para o esporte continua sendo fundamental. “Os resultados da Fran vêm de um trabalho de base e são conseqüência de fatores como talento e características físicas ideais para a corrida. Ela também costuma se cobrar muito sozinha, nunca deixou de treinar. O atletismo é uma coisa que ela gosta de fazer”, lembra.

De acordo com os especialistas, o maior problema para os jovens é conseguir manter o mesmo patamar atuando na categoria adulta. “A dificuldade vai ser muito maior daqui para frente” alerta Vitorino. “Não existe milagre: o segredo é trabalhar. Aumenta a nossa responsabilidade, mas também a nossa motivação”, emenda.

Moura, por sua vez, ressalta que os jovens, ao menos por enquanto, estão lidando bem com a pressão das competições adultas. “Eles já estão muito bem orientados e sabem que o grande momento para a carreira deles será em 2007, com o Pan. Não tenho preocupação, pois eles são bastante responsáveis”, afirma.

Apesar do bom cenário, tanto Vitorino quanto Moura acreditam que a situação poderia ser bem melhor, se houvesse maior investimento na modalidade. “Pela quantidade de crianças que nós temos, poucas estão praticando atletismo. Falta capacitação dos professores de Educação Física e comunicação entre os treinadores e a escola”, analisa o treinador de Franciela.

“Dava para ter um trabalho muito maior porque a molecada tem qualidade. O número de projetos ainda é insuficiente para o Brasil se tornar uma potência olímpica”, completa Moura. “A gente espera que essa geração honre os seus antecessores. Agora temos muitos atletas na elite da maioria das provas. Dentro do que está previsto, é um cenário promissor”, resume.

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