| Foto: Wander Roberto/Divulgação
CBB

Leandrinho é um dos 10 atletas da seleção
com experiência internacional |
Por Marta Teixeira
Em casa, a situação pode estar meio bagunçada, mas
para os 12 jogadores que estão com a seleção brasileira
masculina de basquete no Japão para a disputa do Campeonato
Mundial, a partir deste sábado, recolocar o país no
mapa do basquete internacional de alto nível é a única
coisa que conta. “A realidade da seleção não é a do
Campeonato Nacional”, resume o ala/pivô Tiago Splitter,
uma das estrelas da equipe.
A frase deixa claro o espírito com que o grupo encara
a responsabilidade de reconduzir o país a resultados
expressivos. Com apenas 21 anos, Splitter já tem cinco
temporadas no basquete europeu, três delas na primeira
divisão do Espanhol, defendendo o Tau Cerâmica.
O perfil é partilhado por outros companheiros da equipe.
Dos 12 que jogarão no Japão, apenas Nezinho e Estevam
nunca jogaram no exterior. Para os demais, muitos dos
adversários que encontrarão no Mundial são companheiros
de equipes ou oponentes do dia a dia.
O ala/armador Marcelinho Machado considera que este
é um dos grandes trunfos do grupo. “Tiago tem três anos
de Espanha, Guilherme também joga na Europa e podem
falar alguma coisa quando jogamos contra europeus. Tem
o Anderson e o Leandrinho na NBA. Eu também já joguei
lá fora. Isto faz com que o time se sinta mais apto”,
explica o jogador de 31 anos, que é o ‘veterano’ da
equipe.
Apesar de ser o mais velho, ele acha que as responsabilidades
estão bem estabelecidas e cada um sabe qual é sua parte.
“Eu tenho certa experiência por estar há dez anos na
seleção. Mas cada um soma uma coisa”, afirma.
Décimo quinto colocado no ranking da Confederação
Internacional de Basquete (Fiba), o Brasil é o único
país, ao lado dos Estados Unidos, que participou de
todos os Mundiais da história. Dono de dois títulos
do torneio: 1959 e 63, e apesar de alguns bons resultados
continentais nos últimos anos, há tempos não brilha
em Mundial e há três edições não se classifica para
as Olimpíadas. É com o desafio de superar estes problemas
que o time verde e amarelo encara a responsabilidade
no Japão. Em uma competição na qual candidatos ao título
não faltam, os brasileiros não falam em posicionamento
na tabela. A meta é obter o máximo possível, mas o sonho
do pódio não é abandonado.
“Claro que todo mundo vai para ganhar. Ficar entre
os quatro seria um passo grande e uma evolução para
a modalidade”, projeta Splitter, apoiado por Guilherme.
“Este é um time mais jovem, mais atlético e mais talentoso
em relação ao outro (de 2002). O time está bem, apesar
de ser um Mundial mais difícil também. A meta é ser
campeão, mas a gente vai para fazer o melhor possível”.
Apontados como a geração mais talentosa desde o ciclo
de Oscar e Cia., os membros da atual seleção brasileira
não se incomodam com o crescimento das expectativas
de resultado. “Esta é uma cobrança normal quando você
vê um time que tem tanto potencial”, considera Guilherme.
O técnico Aluísio Ferreira, o Lula, é outro que não
receia ser atrapalhado pela expectativa geral. “A pressão
existe, mas é distribuída”, afirma, acrescentando que
o perfil dos atletas só contribui para lidar com a situação.
“Craque não tem idade e a responsabilidade pode ser
dividida”.
Para ele, não há exageros em cima das perspectivas
brasileiras. “É justo esperar o máximo, estamos representando
o basquete do país. O que se vai alcançar é diferente”,
explica, sem negar a consciência da responsabilidade.
“Tem que disputar medalha”, reconhece Lula, para quem
a competição no Japão é a oportunidade desta geração
se firmar. “Esta geração está sendo trabalhada desde
2001. Agora é a hora, é a nossa vez”, aposta.
O ala Alex, que viu as portas da NBA se abrirem após
a participação no Pré-olímpico de Porto Rico-2003, acrescenta.
“Este Mundial é muito importante não só para a seleção,
mas também para nós”.
O primeiro teste foi no Mundial de Indianápolis-2002,
quando a base desta seleção estava na casa dos 20 anos.
A segunda chance foi em Porto Rico. Nas duas oportunidades,
o resultado ficou longe do esperado: oitavo lugar no
primeiro e sétimo no segundo. Agora, com mais três anos
de bagagem todos acreditam estar mais prontos.
“Para este grupo, o tempo corre a favor”, ressalta
Lula. Depois de três temporadas na Espanha e duas nos
Estados Unidos, Anderson concorda que é outro atleta
comparado ao que esteve no Mundial de 2002, situação
semelhante à de seus companheiros. “Aprendi muito. Melhorei
minha leitura de jogo. Aprendi muito com vários jogadores
mais experiente que enfrentei. Do último Mundial para
este, todos temos mais experiência. São quatro anos
a mais. O Leandrinho é hoje um dos principais de sua
equipe (Phoenix Suns, na NBA)”, explica, dando aquela
que acredita ser a receita para o sucesso do time no
Japão. “O importante é a gente jogar basquete feliz,
solto, alegre, sem colocar muita pressão, chegar bem”.
Mas toda confiança do grupo não esconde a consciência
da dificuldade do desafio. “Em um Campeonato como esse,
a gente sabe que é um detalhe que faz diferença. Como
podemos ficar entre os quatro, podemos ficar entre os
oito”, alerta Anderson.
Comparando com a experiência de 2002, Leandrinho acrescenta
que no Japão os desafios serão maiores. “Este Mundial
vai ser mais forte sim. Nossa primeira chave é muito
boa. Estou bastante ansioso, mas esperançoso também”.
No Japão, a seleção está no Grupo C, com sede em Hamamatsu.
O time estréia neste sábado, à 1h30, enfrentando a Austrália.
Na mesma chave estão Catar, Grécia, Turquia e Lituânia.
Os gregos são os atuais campeões europeus e os lituanos
terminaram em quinto no torneio e nenhum deles esteve
no Mundial anterior. O mesmo acontece com o Catar, terceiro
colocado no campeonato asiático. Os turcos chegam ao
Japão como convidados, já que não se classificaram pelo
Europeu e terminaram em nono em Indianápolis.
| OS
CONVOCADOS |
| ATLETA |
POSIÇÃO |
CLUBE |
| 4 - Marcelinho Machado |
ala/armador
|
Zalgiris de Kaunas (LIT) |
| 5 - Welington dos Santos (Nezinho) |
ala/armador |
- |
| 6 - Murilo Becker |
pivô
|
Franca Basquete (BRA) |
| 7 - Estevam Ferreira Jr |
pivô
|
Franca Basquete (BRA) |
| 8 - Leandrinho |
armador
|
Phoenix Suns (EUA) |
| 9 - Marcelinho Huertas |
armador
|
Joventut de Badalona (ESP) |
| 10 - Alex Garcia |
ala/armador
|
- |
| 11 - Anderson Varejão |
pivô
|
Cleveland Cavaliers (EUA) |
| 12 - Guilherme Giovannoni |
ala
|
BC Kiev (UKR) |
| 13 - Caio Torres |
pivô
|
Rayet Guadajara (ESP) |
| 14 - André Bambu |
pivô
|
Parmesa Castellón (ESP) |
| 15 - Tiago Splitter |
pivô
|
Tau Vitoria (ESP) |
COMISSÃO
TÉCNICA Técnico:
Lula Ferreira Assistentes:
Flávio Davis, Jorge Guerra e José
Alves Neto Preparador físico:
Clóvis Francescon Médico:
Carlos Vicente Andreoli Fisioterapeuta:
Paulo Cinelli |
Em um torneio com a presença de Espanha, Argentina,
Alemanha, Estados Unidos e tantas outras equipes de
ponta no páreo, a chave brasileira nem é das piores.
Mas o técnico Lula sabe que a vantagem inicial pode
virar um problema na segunda fase. “Quando você cai
em grupo forte e consegue se classificar bem, teoricamente,
seu próximo adversário será mais fraco”. O problema,
lembra, é que na etapa seguinte, o grupo brasileiro
vai cruzar com os times do grupo D que reúne Estados
Unidos (em busca da redenção), China, Itália (combalida,
mas ainda prata olímpico), Porto Rico (responsável pela
não classificação para os Jogos de Atenas), Eslovênia
e Senegal.
O título mundial vale ao campeão presença garantida
nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008. Quem não se classificar
na Ásia terá ainda outras duas oportunidades de classificação
olímpica. A primeira na Copa América de 2007 e outra
em uma repescagem mundial, também no próximo ano.
Se não conseguir surpreender a todos no Japão, os
brasileiros vão acompanhar a fase final torcendo para
que, pelo menos, o campeão seja um representante do
continente americano, tirando um adversário do pré-olímpico
e da repescagem.
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