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17/08/2006

Foto: Wander Roberto/Divulgação CBB

Leandrinho é um dos 10 atletas da seleção com experiência internacional

Por Marta Teixeira

Em casa, a situação pode estar meio bagunçada, mas para os 12 jogadores que estão com a seleção brasileira masculina de basquete no Japão para a disputa do Campeonato Mundial, a partir deste sábado, recolocar o país no mapa do basquete internacional de alto nível é a única coisa que conta. “A realidade da seleção não é a do Campeonato Nacional”, resume o ala/pivô Tiago Splitter, uma das estrelas da equipe.

A frase deixa claro o espírito com que o grupo encara a responsabilidade de reconduzir o país a resultados expressivos. Com apenas 21 anos, Splitter já tem cinco temporadas no basquete europeu, três delas na primeira divisão do Espanhol, defendendo o Tau Cerâmica.

O perfil é partilhado por outros companheiros da equipe. Dos 12 que jogarão no Japão, apenas Nezinho e Estevam nunca jogaram no exterior. Para os demais, muitos dos adversários que encontrarão no Mundial são companheiros de equipes ou oponentes do dia a dia.

O ala/armador Marcelinho Machado considera que este é um dos grandes trunfos do grupo. “Tiago tem três anos de Espanha, Guilherme também joga na Europa e podem falar alguma coisa quando jogamos contra europeus. Tem o Anderson e o Leandrinho na NBA. Eu também já joguei lá fora. Isto faz com que o time se sinta mais apto”, explica o jogador de 31 anos, que é o ‘veterano’ da equipe.

Apesar de ser o mais velho, ele acha que as responsabilidades estão bem estabelecidas e cada um sabe qual é sua parte. “Eu tenho certa experiência por estar há dez anos na seleção. Mas cada um soma uma coisa”, afirma.

Décimo quinto colocado no ranking da Confederação Internacional de Basquete (Fiba), o Brasil é o único país, ao lado dos Estados Unidos, que participou de todos os Mundiais da história. Dono de dois títulos do torneio: 1959 e 63, e apesar de alguns bons resultados continentais nos últimos anos, há tempos não brilha em Mundial e há três edições não se classifica para as Olimpíadas. É com o desafio de superar estes problemas que o time verde e amarelo encara a responsabilidade no Japão. Em uma competição na qual candidatos ao título não faltam, os brasileiros não falam em posicionamento na tabela. A meta é obter o máximo possível, mas o sonho do pódio não é abandonado.

“Claro que todo mundo vai para ganhar. Ficar entre os quatro seria um passo grande e uma evolução para a modalidade”, projeta Splitter, apoiado por Guilherme. “Este é um time mais jovem, mais atlético e mais talentoso em relação ao outro (de 2002). O time está bem, apesar de ser um Mundial mais difícil também. A meta é ser campeão, mas a gente vai para fazer o melhor possível”.

Apontados como a geração mais talentosa desde o ciclo de Oscar e Cia., os membros da atual seleção brasileira não se incomodam com o crescimento das expectativas de resultado. “Esta é uma cobrança normal quando você vê um time que tem tanto potencial”, considera Guilherme.

O técnico Aluísio Ferreira, o Lula, é outro que não receia ser atrapalhado pela expectativa geral. “A pressão existe, mas é distribuída”, afirma, acrescentando que o perfil dos atletas só contribui para lidar com a situação. “Craque não tem idade e a responsabilidade pode ser dividida”.

Para ele, não há exageros em cima das perspectivas brasileiras. “É justo esperar o máximo, estamos representando o basquete do país. O que se vai alcançar é diferente”, explica, sem negar a consciência da responsabilidade. “Tem que disputar medalha”, reconhece Lula, para quem a competição no Japão é a oportunidade desta geração se firmar. “Esta geração está sendo trabalhada desde 2001. Agora é a hora, é a nossa vez”, aposta.

O ala Alex, que viu as portas da NBA se abrirem após a participação no Pré-olímpico de Porto Rico-2003, acrescenta. “Este Mundial é muito importante não só para a seleção, mas também para nós”.

O primeiro teste foi no Mundial de Indianápolis-2002, quando a base desta seleção estava na casa dos 20 anos. A segunda chance foi em Porto Rico. Nas duas oportunidades, o resultado ficou longe do esperado: oitavo lugar no primeiro e sétimo no segundo. Agora, com mais três anos de bagagem todos acreditam estar mais prontos.

“Para este grupo, o tempo corre a favor”, ressalta Lula. Depois de três temporadas na Espanha e duas nos Estados Unidos, Anderson concorda que é outro atleta comparado ao que esteve no Mundial de 2002, situação semelhante à de seus companheiros. “Aprendi muito. Melhorei minha leitura de jogo. Aprendi muito com vários jogadores mais experiente que enfrentei. Do último Mundial para este, todos temos mais experiência. São quatro anos a mais. O Leandrinho é hoje um dos principais de sua equipe (Phoenix Suns, na NBA)”, explica, dando aquela que acredita ser a receita para o sucesso do time no Japão. “O importante é a gente jogar basquete feliz, solto, alegre, sem colocar muita pressão, chegar bem”.

Mas toda confiança do grupo não esconde a consciência da dificuldade do desafio. “Em um Campeonato como esse, a gente sabe que é um detalhe que faz diferença. Como podemos ficar entre os quatro, podemos ficar entre os oito”, alerta Anderson.

Comparando com a experiência de 2002, Leandrinho acrescenta que no Japão os desafios serão maiores. “Este Mundial vai ser mais forte sim. Nossa primeira chave é muito boa. Estou bastante ansioso, mas esperançoso também”.

No Japão, a seleção está no Grupo C, com sede em Hamamatsu. O time estréia neste sábado, à 1h30, enfrentando a Austrália. Na mesma chave estão Catar, Grécia, Turquia e Lituânia. Os gregos são os atuais campeões europeus e os lituanos terminaram em quinto no torneio e nenhum deles esteve no Mundial anterior. O mesmo acontece com o Catar, terceiro colocado no campeonato asiático. Os turcos chegam ao Japão como convidados, já que não se classificaram pelo Europeu e terminaram em nono em Indianápolis.
OS CONVOCADOS
ATLETA
POSIÇÃO
CLUBE
4 - Marcelinho Machado
ala/armador
Zalgiris de Kaunas (LIT)
5 - Welington dos Santos (Nezinho)
ala/armador
-
6 - Murilo Becker
pivô
Franca Basquete (BRA)
7 - Estevam Ferreira Jr
pivô
Franca Basquete (BRA)
8 - Leandrinho
armador
Phoenix Suns (EUA)
9 - Marcelinho Huertas
armador
Joventut de Badalona (ESP)
10 - Alex Garcia
ala/armador
-
11 - Anderson Varejão
pivô
Cleveland Cavaliers (EUA)
12 - Guilherme Giovannoni
ala
BC Kiev (UKR)
13 - Caio Torres
pivô
Rayet Guadajara (ESP)
14 - André Bambu
pivô
Parmesa Castellón (ESP)
15 - Tiago Splitter
pivô
Tau Vitoria (ESP)
COMISSÃO TÉCNICA
Técnico: Lula Ferreira
Assistentes: Flávio Davis, Jorge Guerra e José Alves Neto
Preparador físico: Clóvis Francescon
Médico: Carlos Vicente Andreoli
Fisioterapeuta: Paulo Cinelli

Em um torneio com a presença de Espanha, Argentina, Alemanha, Estados Unidos e tantas outras equipes de ponta no páreo, a chave brasileira nem é das piores. Mas o técnico Lula sabe que a vantagem inicial pode virar um problema na segunda fase. “Quando você cai em grupo forte e consegue se classificar bem, teoricamente, seu próximo adversário será mais fraco”. O problema, lembra, é que na etapa seguinte, o grupo brasileiro vai cruzar com os times do grupo D que reúne Estados Unidos (em busca da redenção), China, Itália (combalida, mas ainda prata olímpico), Porto Rico (responsável pela não classificação para os Jogos de Atenas), Eslovênia e Senegal.

O título mundial vale ao campeão presença garantida nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008. Quem não se classificar na Ásia terá ainda outras duas oportunidades de classificação olímpica. A primeira na Copa América de 2007 e outra em uma repescagem mundial, também no próximo ano.

Se não conseguir surpreender a todos no Japão, os brasileiros vão acompanhar a fase final torcendo para que, pelo menos, o campeão seja um representante do continente americano, tirando um adversário do pré-olímpico e da repescagem.

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