
Por Marta Teixeira
Em 2003, o cavaleiro brasileiro Rodrigo Pessoa ficou
fora dos Jogos Pan-americanos por causa de questões
técnicas ligadas à utilização do sela francesa Baloubet
du Rouet, em Santo Domingo. Na próxima edição, marcada
para o Rio de Janeiro em 2007, a presença do principal
cavaleiro nacional é novamente dúvida. Com planos de
aposentadoria para sua principal montaria, o ginete
condiciona sua participação à possibilidade de encontrar
um animal à altura do evento e ressalta a necessidade
de os representantes nacionais treinarem no exterior
para manter sua competitividade.
”O ano que vem será uma fase delicada para repor um
cavalo de nível. Participar do Pan depende do cavalo
que vou ter e de como será a seletiva”, explica Rodrigo,
que esteve semana passada em São Paulo, disputando o
CSI-W Indoor de São Paulo. “Seria muito especial participar
de um Pan em meu país, mas vamos ver como as coisas
avançam. Disputado no Brasil, o Pan é um objetivo para
mim, mas depende de qual cavalo vou ter e como será
a seletiva”.
Rodrigo trabalha atualmente com duas opções de montaria.
A égua Cantate Z e o garanhão Oásis. A primeira tem
sido usada pelo brasileiro em algumas competições internacionais
e, segundo ele, “tem bom potencial”. Oásis está com
o ginete há dois meses e pela avaliação de Rodrigo mostrou
potencial para disputar uma vaga no Pan.
”Mas ainda temos que deixar correr um pouco antes
de decidirmos, porque é preciso conseguir um cavalo
bom para chegar bem, ganhar por equipe e brigar no individual.
Só participar não é minha meta”, garante.
O hipismo já rendeu 15 medalhas ao país nos Jogos,
nove delas no salto. Apesar disso, a competitividade
nacional tem de superar dificuldades geográficas. Longe
do principal centro da modalidade (Europa), os cavaleiros
nacionais têm de compensar a distância com esforços
próprios para poder treinar e/ou competir no exterior,
fator que Rodrigo considera determinante para as aspirações
de resultados em 2007.
“Não vejo conjuntos fortes aqui para ganhar. Os que
têm precisam se preparar na Europa para conseguir bons
resultados”, avisa o ginete cujo pai foi vice-campeão
pan-americano individual em Winnipeg/67. Os principais
adversários brasileiros no Rio devem continuar sendo
os Estados Unidos e o Canadá, que contam com vários
conjuntos treinando e disputando no circuito europeu.
| Principais conquistas |
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. Campeão individual das Olimpíadas de Atenas-2004
. Tricampeão da Copa do Mundo (1998, 99 e 2000)
. Campeão por equipe nos Jogos Pan-americanos de
Mar del Plata-95
. Vice-campeão da Copa do Mundo (2001 e 03)
. Bronze por equipes nas Olimpíadas de Sydney-2000
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Olimpíadas - Se a aposentadoria de Baloubet
já cria problemas para o Pan-americano, para os Jogos
Olímpicos de Pequim-2008 a situação fica ainda mais
delicada. Mas o cavaleiro mantém a confiança.
“A gente vai fazer tudo para ter um cavalo à altura
deste campeonato”, diz Pessoa, que reconhece ter uma
tarefa difícil pela frente. “Substituir um cavalo como
este não é fácil e muita gente procura animais desta
categoria. Mas este é um trabalho nosso de dia-a-dia”.
Atual campeão olímpico com o sela francesa, Rodrigo
não teve a satisfação de comemorar a conquista no pódio.
O ouro só passou a suas mãos um ano depois, quando foi
confirmado o doping do cavalo campeão. Apesar dos obstáculos,
ele acredita que uma medalha ainda é uma meta viável.
“A gente vai fazer de tudo para ter um cavalo. Não
vai ser da mesma qualidade, mas quem sabe achamos alguma
coisa. Ainda temos dois anos de trabalho e acho que,
sem dúvida, a gente pode pensar (em uma medalha). Participar
da Olimpíada vai ser de novo uma emoção, mas ainda longe
para dizer com qual cavalo e muita coisa pode acontecer”.
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