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01/10/2006

Montagem sobre foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press
Por Marta Teixeira

Em 2003, o cavaleiro brasileiro Rodrigo Pessoa ficou fora dos Jogos Pan-americanos por causa de questões técnicas ligadas à utilização do sela francesa Baloubet du Rouet, em Santo Domingo. Na próxima edição, marcada para o Rio de Janeiro em 2007, a presença do principal cavaleiro nacional é novamente dúvida. Com planos de aposentadoria para sua principal montaria, o ginete condiciona sua participação à possibilidade de encontrar um animal à altura do evento e ressalta a necessidade de os representantes nacionais treinarem no exterior para manter sua competitividade.

”O ano que vem será uma fase delicada para repor um cavalo de nível. Participar do Pan depende do cavalo que vou ter e de como será a seletiva”, explica Rodrigo, que esteve semana passada em São Paulo, disputando o CSI-W Indoor de São Paulo. “Seria muito especial participar de um Pan em meu país, mas vamos ver como as coisas avançam. Disputado no Brasil, o Pan é um objetivo para mim, mas depende de qual cavalo vou ter e como será a seletiva”.

Rodrigo trabalha atualmente com duas opções de montaria. A égua Cantate Z e o garanhão Oásis. A primeira tem sido usada pelo brasileiro em algumas competições internacionais e, segundo ele, “tem bom potencial”. Oásis está com o ginete há dois meses e pela avaliação de Rodrigo mostrou potencial para disputar uma vaga no Pan.

”Mas ainda temos que deixar correr um pouco antes de decidirmos, porque é preciso conseguir um cavalo bom para chegar bem, ganhar por equipe e brigar no individual. Só participar não é minha meta”, garante.

O hipismo já rendeu 15 medalhas ao país nos Jogos, nove delas no salto. Apesar disso, a competitividade nacional tem de superar dificuldades geográficas. Longe do principal centro da modalidade (Europa), os cavaleiros nacionais têm de compensar a distância com esforços próprios para poder treinar e/ou competir no exterior, fator que Rodrigo considera determinante para as aspirações de resultados em 2007.

“Não vejo conjuntos fortes aqui para ganhar. Os que têm precisam se preparar na Europa para conseguir bons resultados”, avisa o ginete cujo pai foi vice-campeão pan-americano individual em Winnipeg/67. Os principais adversários brasileiros no Rio devem continuar sendo os Estados Unidos e o Canadá, que contam com vários conjuntos treinando e disputando no circuito europeu.

Principais conquistas
foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press
. Campeão individual das Olimpíadas de Atenas-2004
. Tricampeão da Copa do Mundo (1998, 99 e 2000)
. Campeão por equipe nos Jogos Pan-americanos de Mar del Plata-95
. Vice-campeão da Copa do Mundo (2001 e 03)
. Bronze por equipes nas Olimpíadas de Sydney-2000
Olimpíadas - Se a aposentadoria de Baloubet já cria problemas para o Pan-americano, para os Jogos Olímpicos de Pequim-2008 a situação fica ainda mais delicada. Mas o cavaleiro mantém a confiança.

“A gente vai fazer tudo para ter um cavalo à altura deste campeonato”, diz Pessoa, que reconhece ter uma tarefa difícil pela frente. “Substituir um cavalo como este não é fácil e muita gente procura animais desta categoria. Mas este é um trabalho nosso de dia-a-dia”.

Atual campeão olímpico com o sela francesa, Rodrigo não teve a satisfação de comemorar a conquista no pódio. O ouro só passou a suas mãos um ano depois, quando foi confirmado o doping do cavalo campeão. Apesar dos obstáculos, ele acredita que uma medalha ainda é uma meta viável.

“A gente vai fazer de tudo para ter um cavalo. Não vai ser da mesma qualidade, mas quem sabe achamos alguma coisa. Ainda temos dois anos de trabalho e acho que, sem dúvida, a gente pode pensar (em uma medalha). Participar da Olimpíada vai ser de novo uma emoção, mas ainda longe para dizer com qual cavalo e muita coisa pode acontecer”.

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