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06/10/2006
Montagem sobre foto de Fernando Pilatos/Gazeta Press
   
   

Por Marta Teixeira


Quem nunca ouviu falar em curso à distância ou ensino por correspondência? Em muitas destas opções, o aluno faz sua preparação sozinho, em casa, e só encontra o responsável pela avaliação no dia da aplicação da prova. O sistema era comum nas décadas de 70 a 90, principalmente como opção para as pessoas que deixaram a escola antes de concluir os estudos e depois precisaram de um diploma para conseguir um emprego melhor ou uma vaga na universidade.

Exclusividade educacional? Não, o sistema é mais ou menos o mesmo adotado para definir quem representará o Brasil na equipe de adestramento nos Jogos Pan-americanos Rio-2007. O responsável pela seleção é o técnico sueco Eric Lette, que mora na Europa, mas desde 2005 trabalha na formação da equipe pan-americana do Brasil.

Desde então, Lette já esteve sete vezes no país para ministrar clínicas a um grupo seleto de candidatos. Nestas oportunidades, o trabalho consiste basicamente em verificar se cavaleiro e cavalo estão ‘falando a mesma língua’, ou seja, se o animal está respondendo de maneira adequada aos estímulos. Além disso, o treinador, que também é juiz internacional, dá dicas sobre detalhes técnicos que podem aumentar a nota nas competições. “Estes são os aspectos principais: fazer os cavalos melhores no básico e tentar ensinar aos cavaleiros algumas maneiras de evitar erros”, explica Lette.

Enquanto está no país, além das clínicas, ele acompanha a performance dos conjuntos em competições para avaliar o progresso dos pré-selecionados. “Estou satisfeito com a evolução. Muita coisa aconteceu neste meio tempo”, garante.

Da Europa, ele monitora os resultados obtidos pelos concorrentes em suas principais competições e ainda recebe vídeos com as apresentações. Para ele, trabalhar com o grupo à distância não inviabiliza o projeto. “Você tem outros técnicos europeus que trabalham como eu na Holanda, Alemanha e outros locais. Não me incomodo”, explica, confiante na eficiência do sistema. “Eu nunca teria aceitado participar se não acreditasse. Nós temos estrutura e organização para mais de um ano de trabalho porque é impossível montar uma equipe em um mês”, explica, reconhecendo que seu nome também está em jogo no projeto. “Conseguir um bom resultado aqui vai ser bom para minha reputação na Europa. Eu nunca teria aceitado se não acreditasse no projeto”.

A diretora do departamento de adestramento da Confederação Brasileira de Hipismo, Sandra Saboya, também não vê problemas com o sistema. “Não interfere na avaliação. Isto é comum no esporte”, garante, destacando que a preocupação não é exclusiva para o Rio-2007. “O projeto está sendo seguido, mas não fica só focado no Pan. Já houve uma evolução geral na modalidade, a vinda dele entusiasmou todo mundo”.

A seleção de Lette não se restringe aos conjuntos baseados no Brasil. Pelo menos quatro cavaleiros que treinam na Europa também estão na briga para o Pan. Para estes, o sistema de avaliação é diferente. “Vamos escolher uma competição internacional para que todos disputem ao mesmo tempo. Eles vão competir uns com os outros”. Na definição da equipe, Lette levará em conta o nível destes conjuntos e dos que realizam o trabalho em território nacional.

As equipes para o Pan-americano serão formadas por três conjuntos, mais um reserva. Lette lamenta a restrição no número de participantes. “No Pan não são tantos países. Fico um pouco triste pela Federação Internacional (FEI) ter reduzido o número de participantes para três. Posso aceitar isso para o Mundial e o Europeu, mas aqui você pode contar o número de países que teriam quatro cavalos: Estados Unidos, Canadá, México e Brasil. Talvez também Colômbia e algum outro país. Mas seriam cinco ou seis países. Não seriam tantos cavalos e seria fácil de lidar, mas temos de nos conformar com as regras”.

Apesar de longe do centro mundial da modalidade (a Europa), os cavaleiros brasileiros recebem elogios do sueco. “Há bons cavaleiros no Brasil. Eles ainda precisam ganhar mais experiência, mas com certeza estão melhorando o nível”.

Os cavalos nacionais também têm agradado ao treinador. Acostumado a ver o domínio dos alemães nos torneios internacionais, ele sai em defesa das, cada vez mais populares no Brasil, montarias lusitanas. “Estou muito feliz porque vi bons cavalos, mesmo que talvez nem todos estejam prontos para os Jogos Pan-americanos. Algumas pessoas são contra (os lusitanos) e acham que eles não são bons o suficiente, mas em minha opinião, vocês têm bons lusitanos e no final não importa qual é a cor do cavalo. O melhor é que vai vencer”.

Prazo limite para definição da equipe pan-americana - Junho/2007
Seletivas de avaliação no Brasil
Concurso Internacional da Sociedade Hípica Paulista 8 de setembro
Concurso Internacional do Rio de Janeiro 8 de outubro
Campeonato Brasileiro Sênior em Porto Alegre de 19 a 23 de outubro
Seletiva de avaliação na Europa
A definir  

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