Por Marta Teixeira
Quem nunca ouviu falar em curso à distância ou ensino
por correspondência? Em muitas destas opções, o aluno
faz sua preparação sozinho, em casa, e só encontra o responsável
pela avaliação no dia da aplicação da prova. O sistema
era comum nas décadas de 70 a 90, principalmente como
opção para as pessoas que deixaram a escola antes de concluir
os estudos e depois precisaram de um diploma para conseguir
um emprego melhor ou uma vaga na universidade.
Exclusividade educacional? Não, o sistema é mais ou menos
o mesmo adotado para definir quem representará o Brasil
na equipe de adestramento nos Jogos Pan-americanos Rio-2007.
O responsável pela seleção é o técnico sueco Eric Lette,
que mora na Europa, mas desde 2005 trabalha na formação
da equipe pan-americana do Brasil.
Desde então, Lette já esteve sete vezes no país para
ministrar clínicas a um grupo seleto de candidatos.
Nestas oportunidades, o trabalho consiste basicamente
em verificar se cavaleiro e cavalo estão ‘falando a
mesma língua’, ou seja, se o animal está respondendo
de maneira adequada aos estímulos. Além disso, o treinador,
que também é juiz internacional, dá dicas sobre detalhes
técnicos que podem aumentar a nota nas competições.
“Estes são os aspectos principais: fazer os cavalos
melhores no básico e tentar ensinar aos cavaleiros algumas
maneiras de evitar erros”, explica Lette.
Enquanto está no país, além das clínicas, ele acompanha
a performance dos conjuntos em competições para avaliar
o progresso dos pré-selecionados. “Estou satisfeito
com a evolução. Muita coisa aconteceu neste meio tempo”,
garante.
Da Europa, ele monitora os resultados obtidos pelos
concorrentes em suas principais competições e ainda
recebe vídeos com as apresentações. Para ele, trabalhar
com o grupo à distância não inviabiliza o projeto. “Você
tem outros técnicos europeus que trabalham como eu na
Holanda, Alemanha e outros locais. Não me incomodo”,
explica, confiante na eficiência do sistema. “Eu nunca
teria aceitado participar se não acreditasse. Nós temos
estrutura e organização para mais de um ano de trabalho
porque é impossível montar uma equipe em um mês”, explica,
reconhecendo que seu nome também está em jogo no projeto.
“Conseguir um bom resultado aqui vai ser bom para minha
reputação na Europa. Eu nunca teria aceitado se não
acreditasse no projeto”.
A diretora do departamento de adestramento da Confederação
Brasileira de Hipismo, Sandra Saboya, também não vê
problemas com o sistema. “Não interfere na avaliação.
Isto é comum no esporte”, garante, destacando que a
preocupação não é exclusiva para o Rio-2007. “O projeto
está sendo seguido, mas não fica só focado no Pan. Já
houve uma evolução geral na modalidade, a vinda dele
entusiasmou todo mundo”.
A seleção de Lette não se restringe aos conjuntos baseados
no Brasil. Pelo menos quatro cavaleiros que treinam
na Europa também estão na briga para o Pan. Para estes,
o sistema de avaliação é diferente. “Vamos escolher
uma competição internacional para que todos disputem
ao mesmo tempo. Eles vão competir uns com os outros”.
Na definição da equipe, Lette levará em conta o nível
destes conjuntos e dos que realizam o trabalho em território
nacional.
As equipes para o Pan-americano serão formadas por
três conjuntos, mais um reserva. Lette lamenta a restrição
no número de participantes. “No Pan não são tantos países.
Fico um pouco triste pela Federação Internacional (FEI)
ter reduzido o número de participantes para três. Posso
aceitar isso para o Mundial e o Europeu, mas aqui você
pode contar o número de países que teriam quatro cavalos:
Estados Unidos, Canadá, México e Brasil. Talvez também
Colômbia e algum outro país. Mas seriam cinco ou seis
países. Não seriam tantos cavalos e seria fácil de lidar,
mas temos de nos conformar com as regras”.
Apesar de longe do centro mundial da modalidade (a
Europa), os cavaleiros brasileiros recebem elogios do
sueco. “Há bons cavaleiros no Brasil. Eles ainda precisam
ganhar mais experiência, mas com certeza estão melhorando
o nível”.
Os cavalos nacionais também têm agradado ao treinador.
Acostumado a ver o domínio dos alemães nos torneios
internacionais, ele sai em defesa das, cada vez mais
populares no Brasil, montarias lusitanas. “Estou muito
feliz porque vi bons cavalos, mesmo que talvez nem todos
estejam prontos para os Jogos Pan-americanos. Algumas
pessoas são contra (os lusitanos) e acham que eles não
são bons o suficiente, mas em minha opinião, vocês têm
bons lusitanos e no final não importa qual é a cor do
cavalo. O melhor é que vai vencer”.
Prazo limite para definição
da equipe pan-americana - Junho/2007
| Seletivas
de avaliação no Brasil |
| Concurso Internacional da Sociedade
Hípica Paulista |
8 de setembro |
| Concurso Internacional do Rio de Janeiro |
8 de outubro |
| Campeonato Brasileiro Sênior em Porto
Alegre |
de 19 a 23 de outubro |
| Seletiva
de avaliação na Europa |
| A definir |
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