Por Gustavo
Faria
Gazeta Press
Rio de Janeiro (RJ) - Disputar um
Mundial é, sem dúvida, um grande sonho
para a maioria dos esportistas. Mas em algumas situações,
como no caso das seleções brasileiras
de pólo aquático masculina e feminina,
é diferente. Mesmo antes de saber se conseguirão
a vaga no Mundial de 2007 em Melbourne, atletas, técnicos
e dirigentes garantem que a prioridade para o ano que
vem será a disputa dos Jogos Pan-americanos do
Rio de Janeiro.
"A prioridade número um para a gente é
o Pan-americano, pois só teremos outro Pan aqui
daqui a cem anos. Mundial tem a cada dois anos. Com
o Pan podemos aumentar a auto-estima do povo brasileiro,
caso a gente consiga bons resultados", disse Coaracy
Nunes, presidente da Confederação Brasileira
de Desportos Aquáticos (CBDA), à reportagem
da GE.Net.
Roberto Chiapini, técnico da seleção
feminina, garante que todo o foco de sua comissão
técnica está voltado para a competição
do ano que vem no Rio de Janeiro. Até mesmo a
Copa Pan-americana, que será disputada até
5 de novembro no Parque Júlio Delamare, tem este
objetivo para o treinador.
"A gente vem trabalhando com este grupo há
cerca de um ano e oito meses, e esta Copa Pan-americana
é mais uma etapa onde podemos observar adversárias
que deveremos encontrar no Pan. Desde que assumi a nossa
proposta é essa, visando o Pan-americano do Rio
de Janeiro. O Mundial serve como experiência para
nós", afirmou Chiapini.
| Foto: Satiro Sodré/CBDA/Divulgação |
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| Flavia Fernandes: sonho de todo atleta é
disputar o Pan, ainda mais em casa |
Uma das jogadoras de confiança de Roberto Chiapini
é a capitã Flávia Fernandes, que
não esconde a expectativa e a ansiedade por competir
com o apoio dos brasileiros no Rio de Janeiro. "O
sonho de todo atleta é estar no Pan, ainda mais
jogando em casa. O Mundial será um treino de
luxo para a gente, já que temos poucas oportunidades
de jogar contra as equipes mais fortes lá de
fora", comentou.
No masculino, a situação não é
diferente. O cubano Bárbaro Dias, que comanda
a seleção masculina há cerca de
três meses, promete não dar descanso aos
jogadores até a hora de o Brasil cair na água
no Pan. "Vamos trabalhar muito nesse tempo que
temos pela frente, com dedicação e disciplina,
porque sem isso não chegaremos a lugar nenhum",
ressaltou.
Auxiliar-técnico da seleção masculina,
Paulo Rogério Rocha aponta outra questão
para que o Brasil dê ainda mais importância
ao Pan de 2007, além do fato dele ser disputado
no Rio de Janeiro. "A gente ainda não sentou
para falar sobre isso, mas o objetivo é focar
nos Jogos Pan-americanos, até porque o campeão
se classifica para as Olimpíadas" afirmou,
citando o principal adversário neste desafio.
"Os EUA são os favoritos e o Brasil surge
como segunda força".
Com a prioridade definida, atletas e dirigentes descartam
a briga pelo ouro, já que os norte-americanos
despontam como os favoritos. Mas garantem a presença
no pódio e sonham em repetir Santo Domingo-2003,
quando o país foi prata no masculino e bronze
no feminino. "Temos que ser realistas. Em relação
à equipe feminina, EUA e o Canadá estão
entre as cinco melhores do mundo. Ouro e prata é
muito difícil. No masculino, os Estados Unidos
também estão entre os cinco melhores do
mundo, mas vamos brigar pela prata", comentou Coaracy.
Capitão da seleção masculina,
Daniel Mameri admite a dificuldade que o Brasil deverá
encontrar caso cruze com os Estados Unidos. Mas o jogador
de 34 anos alimenta o sonho de fazer história
no ano que vem.
"No Pan, nosso primeiro objetivo é chegar
à semifinal. Chegando lá, vamos tentar
avançar e na final deveremos encontrar os Estados
Unidos. É muito difícil ganhar deles,
mas não impossível", disse Daniel,
que já disputou três edições
do Pan. "Para a gente é muito bom jogar
em casa, perto dos nossos parentes. Com certeza, vai
ser diferente dos outros" completou o jogador.
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