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03/11/2006
Em ano de Mundial, Pan é prioridade

Por Gustavo Faria
Gazeta Press

Rio de Janeiro (RJ) - Disputar um Mundial é, sem dúvida, um grande sonho para a maioria dos esportistas. Mas em algumas situações, como no caso das seleções brasileiras de pólo aquático masculina e feminina, é diferente. Mesmo antes de saber se conseguirão a vaga no Mundial de 2007 em Melbourne, atletas, técnicos e dirigentes garantem que a prioridade para o ano que vem será a disputa dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro.

"A prioridade número um para a gente é o Pan-americano, pois só teremos outro Pan aqui daqui a cem anos. Mundial tem a cada dois anos. Com o Pan podemos aumentar a auto-estima do povo brasileiro, caso a gente consiga bons resultados", disse Coaracy Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), à reportagem da GE.Net.

Roberto Chiapini, técnico da seleção feminina, garante que todo o foco de sua comissão técnica está voltado para a competição do ano que vem no Rio de Janeiro. Até mesmo a Copa Pan-americana, que será disputada até 5 de novembro no Parque Júlio Delamare, tem este objetivo para o treinador.

"A gente vem trabalhando com este grupo há cerca de um ano e oito meses, e esta Copa Pan-americana é mais uma etapa onde podemos observar adversárias que deveremos encontrar no Pan. Desde que assumi a nossa proposta é essa, visando o Pan-americano do Rio de Janeiro. O Mundial serve como experiência para nós", afirmou Chiapini.

Foto: Satiro Sodré/CBDA/Divulgação
Foto: Satiro Sodré/CBDA/Divulgação
Flavia Fernandes: sonho de todo atleta é disputar o Pan, ainda mais em casa

Uma das jogadoras de confiança de Roberto Chiapini é a capitã Flávia Fernandes, que não esconde a expectativa e a ansiedade por competir com o apoio dos brasileiros no Rio de Janeiro. "O sonho de todo atleta é estar no Pan, ainda mais jogando em casa. O Mundial será um treino de luxo para a gente, já que temos poucas oportunidades de jogar contra as equipes mais fortes lá de fora", comentou.

No masculino, a situação não é diferente. O cubano Bárbaro Dias, que comanda a seleção masculina há cerca de três meses, promete não dar descanso aos jogadores até a hora de o Brasil cair na água no Pan. "Vamos trabalhar muito nesse tempo que temos pela frente, com dedicação e disciplina, porque sem isso não chegaremos a lugar nenhum", ressaltou.

Auxiliar-técnico da seleção masculina, Paulo Rogério Rocha aponta outra questão para que o Brasil dê ainda mais importância ao Pan de 2007, além do fato dele ser disputado no Rio de Janeiro. "A gente ainda não sentou para falar sobre isso, mas o objetivo é focar nos Jogos Pan-americanos, até porque o campeão se classifica para as Olimpíadas" afirmou, citando o principal adversário neste desafio. "Os EUA são os favoritos e o Brasil surge como segunda força".

Com a prioridade definida, atletas e dirigentes descartam a briga pelo ouro, já que os norte-americanos despontam como os favoritos. Mas garantem a presença no pódio e sonham em repetir Santo Domingo-2003, quando o país foi prata no masculino e bronze no feminino. "Temos que ser realistas. Em relação à equipe feminina, EUA e o Canadá estão entre as cinco melhores do mundo. Ouro e prata é muito difícil. No masculino, os Estados Unidos também estão entre os cinco melhores do mundo, mas vamos brigar pela prata", comentou Coaracy.

Capitão da seleção masculina, Daniel Mameri admite a dificuldade que o Brasil deverá encontrar caso cruze com os Estados Unidos. Mas o jogador de 34 anos alimenta o sonho de fazer história no ano que vem.

"No Pan, nosso primeiro objetivo é chegar à semifinal. Chegando lá, vamos tentar avançar e na final deveremos encontrar os Estados Unidos. É muito difícil ganhar deles, mas não impossível", disse Daniel, que já disputou três edições do Pan. "Para a gente é muito bom jogar em casa, perto dos nossos parentes. Com certeza, vai ser diferente dos outros" completou o jogador.

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