Por Marta Teixeira
Quem olha os números dos investimentos imagina que
o projeto inicial para os Jogos Pan-americanos de 2007
ganhou estofo desde a apresentação da candidatura. Mas
as aparências enganam. Apesar de o orçamento para o
evento ter mais do que dobrado (de US$ 225 milhões para
cerca de US$ 590 milhões), pela dificuldade de se encontrar
parceiros privados para viabilizar as propostas, o Rio-2007
perdeu em dimensões.
Algumas sedes saíram da lista original e outras tiveram
sua destinação alterada como o Miécimo da Silva, que
seria a casa do futsal, mas agora vai receber o caratê,
a patinação e o squash. No Complexo Esportivo João Havelange,
o sonho de combinar as instalações de competição (futebol
e atletismo) a um Centro Olímpico de Treinamento de
primeiro mundo foi adiado. Sem recursos para tocar os
dois projetos, a opção da organização foi desvincular
as iniciativas.
Foto: Djalma Vassão/Gazeta
Press

Presidente da RioUrbe avisa: Prefeitura pode até
ajudar no COT, mas não para o Pan |
A construção do João Havelange, responsabilidade da
Prefeitura carioca, saiu do papel, enquanto o COT ainda
espera na fila. “Este é um projeto do Comitê Olímpico
e será totalmente custeado com recursos de captação
que (o COB) venha a fazer”, explica o presidente da
RioUrbe, João Luis Reis da Silva.
Com as despesas na obra do estádio duplicadas, manter
o projeto do Centro, que começou a ser idealizado em
1992, ficou inviável. Entretanto, a administração municipal
mantém a chama acesa. “Pode ser que no futuro a Prefeitura
venha até, em uma parceria, ajudar na construção, mas
não para o Pan”, completa Silva.
A cidade também sofreu com a limitação de recursos
para os projetos prometidos. Novos viadutos, reurbanização
de vias, ampliação do metrô. Muito foi prometido no
caderno de candidatura da Cidade Maravilhosa, mas hoje
pouca coisa resta como provável realidade.
Provável, porque em todas as sedes em construção,
as obras no entorno (responsabilidade da Prefeitura)
ainda estão em fase de licitação ou pior, como no caso
da Vila Pan-americana, paralisada por suspeita de irregularidade.
Região escolhida para receber o evento, a Barra seria
"premiada" com o prolongamento da rede de
metrô, com a criação da linha 4, o que deveria facilitar
também o acesso do público aos locais de disputa. A
obra beneficiaria a população carioca de forma direta,
mas foi vetada porque não fazia parte do orçamento municipal.
Propostas como a criação do Transpan (primo-irmão
do malfadado fura-fila paulista e que ligaria o aeroporto
de Jacarepaguá à Barra) e a duplicação da via de ligação
Lagoa/Barra tiveram o mesmo fim. Ambos porque exigiriam
investimentos elevados, não previstos anteriormente.
Isso somado ao calendário dos Jogos tornou a proposta
impraticável.
O lado social do evento também sofreu um desvio de
rota. No dia em que o Rio bateu a cidade norte-americana
de San Antonio na disputa, o presidente do Comitê Olímpico
Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman declarou: “Os
legados serão imensos, sobretudo na parte social, já
que estará em curso um programa de desenvolvimento do
esporte e inclusão social”.
A iniciativa foi encampada com auxílio do Ministério
do Esporte com o programa Segundo Tempo PanSocial, funcionando
em 250 núcleos próximos aos locais em que serão realizados
os Jogos. Neles, os jovens têm acesso a atividades esportivas
e sócio-educativas como aulas de informática, teatro,
dança etc, de acordo com o perfil de necessidade da
região. Entretanto, outras atividades de incentivo ao
esporte acabaram restritas. E há até quem considere
que a comunidade acabou perdendo com os Jogos.
Mesmo a utilização do Fundo de Mobilização do Esporte
Olímpico, criado pela Prefeitura carioca, está sob suspeita.
Em outubro passado, o relatório da Coordenadoria de
Auditoria e Desenvolvimento do Tribunal de Contas do
Município (TCM) acusou o desvio de quase R$ 11,5 milhões
da verba do Fundo para obras na avenida Brasil. O problema
é que, por lei, os recursos só poderiam ser utilizados
na formação e preparação de atletas para os Jogos ou
no patrocínio de eventos esportivos ligados a modalidades
olímpicas.
| Projetos |
No papel |
No concreto |
| Infra-estrutura urbana |
Linha 4 do metrô, Transpan, duplicação
de vias, grandes intervenções no entorno
dos novos equipamentos esportivos |
Emissário submarino da Barra, restrição
das obras de entorno nos novos equipamentos |
| Instalações |
Construção de um Centro Olímpico
de Treinamento ao lado do Estádio João
Havelange |
Adiado |
| Projetos Sociais |
Imensos, no dizer de Nuzman |
Até o momento, restrito ao Segundo Tempo
PanSocial |
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