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24/01/2007
Foto Caetano Barreira/Gazeta Press
Na hora do sprint,
seletiva do ciclismo ainda pedala devagar
Critério técnico causa polêmica
Provas de pista são escapatórias para "renegados" Clima é de otimismo, apesar de indefinição

Por Carolina Canossa, especial para GE.Net

Foto: Divulgação/Site Pessoal
Foto: Divulgação/Site Pessoal
Competindo na Europa, Luciano Pagliarini está oficialmente pré-convocado para o Rio-2007. Em Sydney-2000, ele perdeu vaga por problemas na seletiva.
Ranking? Um dia de competições? Soma de pontos após uma série de etapas? Histórico? Simples escolha dos dirigentes? Estas e uma série de outras questões permeiam a cabeça dos ciclistas brasileiros. A menos de seis meses dos Jogos Pan-americanos, no Rio de Janeiro, as possibilidades sobre os critérios de classificação são inúmeras, mas o resumo é que até agora ninguém sabe ao certo quem vai vestir a camisa verde-amarela no evento.

A novela já se arrasta há algum tempo. Na metade do ano passado, a Gazeta Esportiva.Net entrou em contato com a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) a fim de obter informações sobre as seletivas das provas de estrada, pista, mountain bike (MTB) e BMX, que, juntas, distribuirão 18 medalhas de ouro, número mais que suficiente para fazer a diferença na classificação de um país no quadro geral de medalhas. A promessa era de que a convocação sairia após os Jogos Sul-americanos, em novembro na cidade de Buenos Aires.

A competição argentina, no entanto, passou e a data do anúncio foi adiada para o final do ano. Janeiro se encaminha para o fim e até agora, nada. E a idéia parece ter mudado e algumas definições começam a aparecer. “Na categoria de estrada nós estaremos observando os atletas até o último evento que antecede o Pan, que é mais ou menos 45 dias antes da competição”, comenta o presidente da CBC, José Vasconcellos, sem no entanto citar as competições que serão observadas. “Também já temos classificados o Luciano Pagliarini e estamos na dependência de o Murilo Fischer vir ou não. Depois, precisamos decidir mais dois corredores por nível técnico”, revela o dirigente.

Segundo o coordenador técnico das provas de estrada, Mauro Ribeiro, atualmente 30 nomes disputam as 11 vagas (seis masculinas e cinco femininas). Como a modalidade conta com as sub-divisões resistência e contra-relógio, um mesmo ciclista pode disputar mais de uma prova. Os pré-classificados, cuja identidade ele não revela, foram escolhidos com base em observações feitas em 2006. E eles continuarão sendo observados até as vésperas do Pan. “A idéia é fazer um programa de competição onde todos estarão na mesma linhagem para chegar no mês de maio com todo mundo 100%. Ali, sempre tem um ou outro que estará um pouco melhor. Serão esses que chamaremos para a seleção”, explicou.

Foto: Divulgação/Site Pessoal
Foto: Divulgação/Site Pessoal
Residindo no Canadá, a atleta Jaqueline Mourão não confirma, nas suas colegas revelam que ela está classificada

A seletiva de mountain bike também começa a ganhar contornos. “Em março, após o Pan-americano da modalidade, vamos estipular duas provas no Brasil. Aí fechamos o calendário para a escolha”, explica Vasconcellos. De acordo com o presidente, os critérios para o BMX e para a pista, que deve ter alguns atletas pré-convocados para treinamentos, e as especificidades da estrada e do MTB serão divulgadas em breve. “Tudo isso estará exposto no site da Confederação após a nossa Assembléia, no dia 27 de janeiro”, assegura.

Maiores interessados no assunto, os atletas também não se entendem. Cada um deles acredita em uma possibilidade baseando-se em diversas justificativas, mas nada totalmente garantido. Há, porém, quem tenha fontes mais confiáveis. Campeã brasileira de estrada e MTB, a mineira Érika Gramiscelli é uma dessas pessoas.

“Não saiu na imprensa ainda, mas no mountain bike vai a Jaqueline Mourão e na estrada três mulheres também já estão definidas. E eu vou começar a fazer um trabalho no final do mês junto à CBC para me preparar para correr na pista”, revela a atleta, citando uma reunião ocorrida nos Jogos Sul-americanos. “Lá a gente sentou, conversou para ver quais eram as possibilidades de eu estar ingressando novamente na seleção brasileira, já que fui campeã em várias modalidades”, completa.

Atualmente residindo no Canadá, Jaqueline foi eleita cinco vezes seguidas a melhor atleta brasileira de MTB pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), além de ter sido a primeira atleta nacional a se classificar para uma Olimpíada, em Atenas-2004. Em conversa com a GE.Net, entretanto, ela se mostrou um pouco cautelosa em confirmar sua presença. “Oficialmente ainda não fui avisada de nada, mas é claro que para todo atleta é uma honra participar de um Pan”, afirma. Mas o coordenador técnico de mountain bike da CBC, Eduardo Ramirez, deixou clara uma forte tendência. “Não é uma verdade anunciada, mas se for por critérios técnicos ela tem a vaga”, comenta.

Também não é difícil descobrir quem deve ficar com o lugar da estrada, que por enquanto só tem Pagliarini confirmado oficialmente. “Eu, a Janildes Fernandes Silva e a Uenia Fernandes Souza estamos pré-classificadas. Só não vamos se acontecer algo. Já estamos em ritmo de Pan”, assegura Clemilda Fernandes Souza, tricampeã da Copa América de ciclismo. Sua irmã, Janildes, é o maior nome do ciclismo brasileiro, representando o país em Sidney-2000 e Atenas-2004, além de ter levado prata no Pan e Santo Domingo e bronze em Winnipeg. As duas treinam na Itália, um dos maiores pólos do mundo no ciclismo, assim como a prima Uenia. Segundo elas, a confirmação veio de pessoas ligadas ao COB.

Distribuição das vagas do ciclismo no Pan
(um mesmo atleta pode ficar com mais de uma)
CICLISMO DE ESTRADA
Masculino:
• Resistência - 172 km - quatro ciclistas por país
• Contra Relógio 30 km - dois ciclistas por país

Feminino:
• Resistência 100 km - três ciclistas por país
• Contra relógio 15 km - dois ciclistas por país

PISTA

Masculino:
• Velocidade 200m - dois ciclistas por país
• Velocidade por equipe - três ciclistas por país
• Keirin - um ciclista por país
• Perseguição individual 4 km - um ciclista por país
• Perseguição por equipe 4 km - quatro ciclistas por país
• Prova por Pontos 50 km - um ciclista por país
• Prova Madison 50 km - dois ciclistas por país

Feminino:
• Velocidade - dois ciclistas por país
• Perseguição Individual - um ciclista por país
• Prova por Pontos - um ciclista por país

MOUNTAIN BIKE (CROSS COUNTRY)

Masculino:
• 40 km - dois ciclistas por país

Feminino:
• 20 km. - um ciclista por país

BMX

Masculino:
• dois ciclistas por país

Feminino:
• dois ciclistas por país
Atletas no Pan
Oficialmente pré-convocado
Luciano Pagliarini

Extra-oficialmente pré-convocados

Murilo Fischer, Janildes Fernandes Silva, Clemilda Fernandes Silva, Uenia Fernandes Souza, Jaqueline Mourão e Érika Gramiscelli

Estreante no Pan, o BMX também pode ter pelo menos uma de suas quatro vagas por critérios técnicos. “Estão dizendo por aí que uma das vagas vai ser por currículo. Tenho confiança nessa vaga porque aqui no Brasil ninguém tem um desempenho como o meu”, garante Deivillin Baltazar, hexacampeão brasileiro. “Mas também tenho informações de que a seletiva será a primeira e a segunda etapa do Brasileiro”, assegura. Ao mesmo tempo, ele reclama que a indecisão prejudica seu planejamento. “Preciso definir quando estarei com o condicionamento físico no auge: se só no Pan ou se na seletiva e no Pan”, explica.

O próprio coordenador técnico da pista, categoria onde os brasileiros têm o pior desempenho, Adir Romeu, também aguarda as decisões da Assembléia do dia 27 de janeiro. “Até tenho uma relação de nomes, que está passando por uma avaliação da CBC, mas não posso adiantá-los para não criar grandes expectativas”, justifica o dirigente.

Dada a pouca infiltração das provas de pista no Brasil, os representantes nacionais no Pan deverão ser em sua maioria oriundos de outras modalidades. Como estamos às vésperas da competição, o plano de treinamento – que seria importante para a adaptação – está sendo montado de acordo com as possibilidades e realidade do ciclismo brasileiro. “Começa em fevereiro e haveria períodos de estágio de 3 ou 4 dias em clubes para correções de técnica. O resto ficaria com o treinador. Sonho mais em fazer meu trabalho que com medalha”, resume Romeu.

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