Por Marta Teixeira
No dialeto da vela, a expressão bons ventos significa
boa sorte. Mas como todo mundo sabe que sorte é importante,
mas não substitui boa preparação, a Federação Brasileira
de Vela e Motor (FBVM) não quis perder tempo e tratou
de largar na frente na definição de sua equipe pan-americana.
Responsável por 55 medalhas pan-americanas para o
Brasil, a vela é a primeira modalidade entre as principais
medalhistas a ter sua equipe titular completamente definida
para os Jogos Pan-americanos, em julho, no Rio de Janeiro.
O martelo foi batido neste sábado, após a disputa da
Semana Pré-Pan, no Iate Clube do Rio. Após uma disputa
acirrada, seis medalhistas vão lutar por novas conquistas
pan-americanas. O principal destaque é Robert Scheidt.
Tricampeão pan-americano (Mar Del Plata/95, Winnipeg/99
e Santo Domingo/2003), ele retornou à classe somente
para lutar pelo tetra. No ano passado, o paulista bicampeão
paulista velejou ao lado de Bruno Prada na Star, liderando
o ranking mundial. Para garantir a vaga no Pan, começou
em dezembro um treinamento concentrado para readquirir
a velha forma na antiga classe. Deu resultado, apesar
de o catarinense Bruno Fontes ter dado muito trabalho.
Outra classificação sem surpresas foi a de Ricardo
Winicki, o Bimba. Campeão pela Mistral em Santo Domingo,
ele vai tentar o bi com a nova prancha a vela: RS:X.
No desafio, ele encontrará amigos com quem costuma treinar
regularmente: o venezuelano Carlos Flores e o mexicano
David Mieryt. A dupla esteve no Brasil antes do Pré-Pan,
treinando em Búzios (RJ) e ficou hospedada com Bimba.
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press

Patrícia Castro, da RS:X, é uma das
atletas entre os 16 classificados na vela para o
Rio-2007 |
“São todos meus amigos”, garante o brasileiro, que
afirma contar com a torcida adversária. “Quando terminou
a regata ele (Flores) disse: no Pan, o ouro é teu. Eu
quero conseguir uma medalha o que já é uma vitória para
mim”. Segundo colocado no Pré-Pan, atrás do português
João Rodrigues, foi a primeira vez que Flores ganhou
de Bimba (3º).
Mas nem em todas as classes o ambiente foi tão cordial.
Na J/24, a água ferveu entre o campeão mundial Maurício
Santa Cruz (velejando com João Carlos Jordão, Alexandre
Saldanha e Daniel Santiago) e o barco de Daniel Glomb.
Santa Cruz levou a melhor e em julho tenta transformar
a prata de 2003 em ouro.
Responsável pelo treinamento de Robert Scheidt enquanto
ele se dedicava apenas à Laser, Cláudio Biekarck (velejando
com Gunnar Ficker e Marcelo Silva) será o representante
da Lightning. Com seis medalhas no torneio, inclusive
um ouro em 83, ele tentará manter a tradição de não
voltar com as mãos abanando.
A Hobie Cat16 só definiu seu representante na última
regata. Bernardo Arndt (com Bruno Oliveira) ficou com
vaga no regulamento. Vice-campeão pan-americano de 91
na 470, seu barco terminou empatado em 13 com o de José
Roberto Jesus. Como os dois tinham campanha idêntica,
a decisão foi para a regra de desempate. Arndt levou
a melhor por ter vencido a última regata.
As mulheres também estiveram guerreiras na Baía da
Guanabara. Nas duas classes femininas, a decisão ficou
para a última regata com Patrícia Castro vencendo na
RS:X e Adriana Kostiw na Laser Radial. Tranqüilidade
na raia só para Bernardo Low-Beer. Único candidato da
Sunfish, já chegou sabendo que a vaga era sua.
Com ingresso garantido nos Jogos com 153 dias de antecedência,
eles só vêem vantagem nos meses que terão apenas para
se preparar para a responsabilidade de competir no Pan.
Veteraníssimo nas disputas internacionais, Scheidt tem
esta opinião. “Eu acho muito bom porque dá mais tempo
de preparação específica”.
Bimba acrescenta a esta vantagem outra nada desprezível.
“Os atletas também terão mais tempo para batalhar por
patrocínio estando classificados”.
Uma das poucas vozes dissonantes nesta toada é a de
Bruno Bethlem, atual campeão pan-americano da Snipe,
que perdeu a vaga para Alexandre Paradeda (velejando
com Pedro Tinoco), campeão em Winnipeg-99. “Por um lado
isso é bom porque dá mais tempo. Mas ao mesmo tempo
é ruim porque alguém pode relaxar. Na verdade, é uma
faca de dois gumes”.
Além da vela, triatlo e boliche já têm
suas equipes definidas. No squash, tênis de mesa,
tiro esportivo e trampolim também já ha
nomes confirmados, apesar de as equipes não estarem
completas. Ao todo, são 36 nomes carimbados com
o passaporte do Pan.
Arriscada ou não, a antecipação no mínimo facilita
a definição de prioridades e sistemas de treinamentos.
Um luxo que alguns atletas não poderão desfrutar como,
por exemplo, a dupla de vôlei de praia cujo nome sai
apenas na metade de junho.
A situação é a mesma para o judô. Mas os atletas do
tatame levam uma vantagem. A Confederação trabalha com
dois atletas pré-classificados em cada categoria. Eles
terão acesso aos mesmos treinamentos e participarão
de torneios internacionais até a definição da vaga.
A mesma regra – de dois atletas por peso em uma pré-seleção
– também é utilizada pelo caratê, taekwondo e boxe.
O sistema de pré-classificação é a alternativa escolhida
por outras modalidades, entre elas o atletismo, responsável
pelo maior número de medalhas pan-americanas do Brasil
(114). Na maioria dos esportes, a seleção brasileira
já tem uma cara, que se não é a definitiva, pelo menos
dá uma boa idéia de quem estará representando o País
no Rio de Janeiro.
Confira
aqui a lista de quem já está classificado ou disputa
vaga no Rio-2007.
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