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12/02/2007
Foto Fernando Pilatos/Gazeta Press

Por Marta Teixeira

No dialeto da vela, a expressão bons ventos significa boa sorte. Mas como todo mundo sabe que sorte é importante, mas não substitui boa preparação, a Federação Brasileira de Vela e Motor (FBVM) não quis perder tempo e tratou de largar na frente na definição de sua equipe pan-americana.

Responsável por 55 medalhas pan-americanas para o Brasil, a vela é a primeira modalidade entre as principais medalhistas a ter sua equipe titular completamente definida para os Jogos Pan-americanos, em julho, no Rio de Janeiro. O martelo foi batido neste sábado, após a disputa da Semana Pré-Pan, no Iate Clube do Rio. Após uma disputa acirrada, seis medalhistas vão lutar por novas conquistas pan-americanas. O principal destaque é Robert Scheidt.

Tricampeão pan-americano (Mar Del Plata/95, Winnipeg/99 e Santo Domingo/2003), ele retornou à classe somente para lutar pelo tetra. No ano passado, o paulista bicampeão paulista velejou ao lado de Bruno Prada na Star, liderando o ranking mundial. Para garantir a vaga no Pan, começou em dezembro um treinamento concentrado para readquirir a velha forma na antiga classe. Deu resultado, apesar de o catarinense Bruno Fontes ter dado muito trabalho.

Outra classificação sem surpresas foi a de Ricardo Winicki, o Bimba. Campeão pela Mistral em Santo Domingo, ele vai tentar o bi com a nova prancha a vela: RS:X. No desafio, ele encontrará amigos com quem costuma treinar regularmente: o venezuelano Carlos Flores e o mexicano David Mieryt. A dupla esteve no Brasil antes do Pré-Pan, treinando em Búzios (RJ) e ficou hospedada com Bimba.

 
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
Patrícia Castro, da RS:X, é uma das atletas entre os 16 classificados na vela para o Rio-2007

“São todos meus amigos”, garante o brasileiro, que afirma contar com a torcida adversária. “Quando terminou a regata ele (Flores) disse: no Pan, o ouro é teu. Eu quero conseguir uma medalha o que já é uma vitória para mim”. Segundo colocado no Pré-Pan, atrás do português João Rodrigues, foi a primeira vez que Flores ganhou de Bimba (3º).

Mas nem em todas as classes o ambiente foi tão cordial. Na J/24, a água ferveu entre o campeão mundial Maurício Santa Cruz (velejando com João Carlos Jordão, Alexandre Saldanha e Daniel Santiago) e o barco de Daniel Glomb. Santa Cruz levou a melhor e em julho tenta transformar a prata de 2003 em ouro.

Responsável pelo treinamento de Robert Scheidt enquanto ele se dedicava apenas à Laser, Cláudio Biekarck (velejando com Gunnar Ficker e Marcelo Silva) será o representante da Lightning. Com seis medalhas no torneio, inclusive um ouro em 83, ele tentará manter a tradição de não voltar com as mãos abanando.

A Hobie Cat16 só definiu seu representante na última regata. Bernardo Arndt (com Bruno Oliveira) ficou com vaga no regulamento. Vice-campeão pan-americano de 91 na 470, seu barco terminou empatado em 13 com o de José Roberto Jesus. Como os dois tinham campanha idêntica, a decisão foi para a regra de desempate. Arndt levou a melhor por ter vencido a última regata.

As mulheres também estiveram guerreiras na Baía da Guanabara. Nas duas classes femininas, a decisão ficou para a última regata com Patrícia Castro vencendo na RS:X e Adriana Kostiw na Laser Radial. Tranqüilidade na raia só para Bernardo Low-Beer. Único candidato da Sunfish, já chegou sabendo que a vaga era sua.

Com ingresso garantido nos Jogos com 153 dias de antecedência, eles só vêem vantagem nos meses que terão apenas para se preparar para a responsabilidade de competir no Pan. Veteraníssimo nas disputas internacionais, Scheidt tem esta opinião. “Eu acho muito bom porque dá mais tempo de preparação específica”.

Bimba acrescenta a esta vantagem outra nada desprezível. “Os atletas também terão mais tempo para batalhar por patrocínio estando classificados”.

Uma das poucas vozes dissonantes nesta toada é a de Bruno Bethlem, atual campeão pan-americano da Snipe, que perdeu a vaga para Alexandre Paradeda (velejando com Pedro Tinoco), campeão em Winnipeg-99. “Por um lado isso é bom porque dá mais tempo. Mas ao mesmo tempo é ruim porque alguém pode relaxar. Na verdade, é uma faca de dois gumes”.

Além da vela, triatlo e boliche já têm suas equipes definidas. No squash, tênis de mesa, tiro esportivo e trampolim também já ha nomes confirmados, apesar de as equipes não estarem completas. Ao todo, são 36 nomes carimbados com o passaporte do Pan.

Arriscada ou não, a antecipação no mínimo facilita a definição de prioridades e sistemas de treinamentos. Um luxo que alguns atletas não poderão desfrutar como, por exemplo, a dupla de vôlei de praia cujo nome sai apenas na metade de junho.

A situação é a mesma para o judô. Mas os atletas do tatame levam uma vantagem. A Confederação trabalha com dois atletas pré-classificados em cada categoria. Eles terão acesso aos mesmos treinamentos e participarão de torneios internacionais até a definição da vaga. A mesma regra – de dois atletas por peso em uma pré-seleção – também é utilizada pelo caratê, taekwondo e boxe.

O sistema de pré-classificação é a alternativa escolhida por outras modalidades, entre elas o atletismo, responsável pelo maior número de medalhas pan-americanas do Brasil (114). Na maioria dos esportes, a seleção brasileira já tem uma cara, que se não é a definitiva, pelo menos dá uma boa idéia de quem estará representando o País no Rio de Janeiro.

Confira aqui a lista de quem já está classificado ou disputa vaga no Rio-2007.

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