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Por Marta Teixeira
Acertando as arestas, desenrolando os fios. Mais de um
ano após o início das primeiras obras de preparação do
Rio de Janeiro para os Jogos Pan-americanos, em julho,
o ritmo segue acelerado. Com o relativo alívio da definição
no caso Marina da Glória (o problema agora é quem vai
bancar o custo das instalações provisórias), a principal
preocupação continua sendo o ginásio do Maracanãzinho.
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press

No Maracanãzinho, ainda resta muito trabalho
a fazer |
Com reforço de caixa de R$ 43 milhões do Governo Federal,
a prioridade é tirar o trabalho do atraso. Para isso,
as equipes de operários se revezam em três turnos, totalizando
cerca de 800 trabalhadores no local. A Gazeta Esportiva.Net
visitou a instalação antes do Carnaval e constatou que
as duas torres externas de acesso aos níveis superiores
já começavam a ser erguidas.
Dentro, o ritmo também é intenso. Na área central,
teve início a colocação do contrapiso, que servirá de
suporte para a quadra. Nas paredes já são abertos os
vãos para os aparelhos de ar-condicionado, que garantirão
a climatização do ambiente. Na arcada central, o teto
também estava sendo fechado, após a retirada de toneladas
de concreto. Mas trabalho é o que não falta para ser
feito. Entretanto, de acordo com o presidente da Empresa
de Obras Públicas da Cidade do Rio de Janeiro (Emop),
Ícaro Moreno Júnior, a instalação será entregue até
o final de maio.
Bem mais distante, já na Barra, ponto central de realização
das competições, o Complexo do Autódromo já começa a
dar mostras de progressos também na parte externa. A
principal rua de acesso ao local está sendo recuperada.
Homens e máquinas trabalham no asfaltamento e renovação
da via que receberá calçamento e toda infra-estrutura
viária.
Apesar disso, o impasse em relação ao posto de gasolina
localizado bem ao lado do Complexo permanece. A disputa
está na Justiça há mais de dez anos, mas não é capaz
de preocupar a confiança do ministro dos Esportes, Orlando
Silva. Acompanhando de perto cada desdobramento da preparação
para o evento por determinação expressa do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, ele está seguro. “Já enfrentamos
tantas coisas. Não será um posto de gasolina que irá
inviabilizar os Jogos”.
Na área interna, depois de uma longa espera, o velódromo
já começa a tomar forma. Trabalhando em todas as frentes
ao mesmo tempo, a equipe de construção já instalou a
estrutura metálica e os suportes da cobertura e começa
a alicerçar o contrapiso. O prédio de apoio também está
em fase de construção. A instalação é a que tem o calendário
mais apertado no local. Iniciada em outubro deve ficar
pronta apenas em 15 de junho, cerca de um mês antes
da abertura dos Jogos, ao custo de R$ 9.758.267,60.
A Arena Multiuso já está coberta e as armações para
as cadeiras que receberão o público estão sendo instaladas.
Na primeira fase foram gastos cerca de R$ 84.503.337,88
até agosto do ano passado. A fase complementar teve
início em setembro e deverá consumir pouco menos de
R$ 34,7 milhões. Com cerca de 600 operários atuando
em dois turnos, a Riourbe, órgão da Secretaria de Obras
encarregado pelos trabalhos, acredita que tudo ficará
pronto até o mês de maio.
O Parque Aquático tem expectativa ainda mais otimista
de entrega: abril. Orçado em R$ 74.827.418,63 já está
em fase de revestimento dos tanques de mergulho e concretagem
das arquibancadas.
No Estádio João Havelange, o Engenhão, finalmente
a questão jurídica com uma escola localizada nas proximidades
foi resolvida. De acordo com o secretário de obras Eider
Dantas, a Prefeitura concordou em ceder outro terreno
para o campo de futebol e, finalmente, a rampa de acesso
Leste pode começar a ser construída.
“A rampa leste só foi liberada agora, quando era para
ter sido há um ano e meio atrás. Então, uma coisa que
eu ia fazer durante um ano, vou fazer durante quatro/cinco
meses, mas eu faço. Se fosse um mês antes (dos Jogos)
eu não faria mais, não teria jeito. Estou com 50 homens
largando brasa para poder dar acesso”, prometeu Dantas.
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press

Depois de longa espera, velódromo toma forma |
Outra instalação que teve problemas com a Justiça,
mas já está com a situação regularizada é o Estádio
de Remo. Segundo a Glen Entertainment, concessionária
responsável pelas obras, o Governo Estadual entrou em
acordo com a Federação Estadual de Remo (FRERJ) e os
trabalhos poderão prosseguir sem novos atropelos até
o final.
Sede das competições de remo e canoagem, o Estádio
teve uma de suas arquibancadas originais derrubada no
ano passado, mas a outra será mantida. O vão sob a construção
será fechado com paredes de vidro. No local serão instaladas
as salas de apoio ao evento que, após o Pan, darão lugar
à área de gastronomia do empreendimento.
Com dois turnos de trabalho dos operários, as instalações
referentes ao Pan – arquibancada, reurbanização do entorno
e estacionamento (que também será utilizado como área
de apoio) – têm previsão de entrega até 31 de maio.
O Governo Estadual planeja investir R$ 12 milhões nas
obras, incluindo as despesas com dragagem da lagoa,
importação de raias, construção de arquibancadas e das
tendas que irão abrigar provisoriamente os barcos da
FRERJ. Deste total, R$ 4,5 milhões são exclusivos para
as obras ligadas ao Pan.
Depois que a competição for encerrada, a empresa continua
a reforma no local, que será transformado em um complexo
de lazer com seis cinemas e um centro gastronômico.
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