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04/04/2007
Fotos Gazeta Press

Por Marta Teixeira

A 100 dias do início dos Jogos Pan-americanos no Rio, apenas em oito das 41 modalidades do programa o Brasil tem sua equipe completamente definida. Sete têm parte dos classificados conhecidos, 13 optaram pela pré-convocação e o restante está no escuro. Dos 699 atletas previstos para representar o país na competição, somente 14,87% dos nomes estão garantidos.

Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
Novo presidente da Confederação mudou seletivas do salto e provocou recusa de Rodrigo Pessoa em participar do Pan
Em algumas modalidades, a indefinição é apenas parcial. Várias confederações optaram por trabalhar com o sistema de pré-classificação no qual um grupo de atletas treina com apoio da entidade para posterior definição da equipe pan-americana. Outras, porém, têm mais dúvidas que certezas. No ciclismo, por exemplo, um único nome é garantido: Luciano Pagliarini, na estrada. Para as demais categorias o mistério permanece até o término das seletivas, elas próprias definidas apenas no final de janeiro.

Misturando fórmulas como observação de resultados (estrada), índices técnicos (pista) e seletivas tradicionais (BMX), a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) aposta que poderá formar a melhor equipe para o evento, mesmo que a definição de alguns nomes fique apenas para junho, o que inviabiliza uma preparação específica para os Jogos.

No levantamento de peso, a situação está no meio do caminho. Nomes garantidos no Pan ainda não há. As comissões técnicas trabalham com uma pré-lista e os 15 titulares saem apenas em junho. Mas o calendário de treinamentos está definido, assegura o técnico da equipe masculina Edmilson Dantas.

Definido, mas atrasado. Inicialmente, a modalidade previa treinar o grupo a partir de março. Como a instalação de um centro de treinamento atrasou, tudo teve de ser reestruturado. “Evidentemente, gostaria de ter começado um mês antes. Mas é apenas um mês de diferença”, minimiza o treinador.

Crítico, Dantas destaca que um bom planejamento pan-americano tem de ser feito com quatro anos de antecedência. “É evidente que o tempo (100 dias) é reduzido, mas a situação já está muito melhor que antes”, compara. “Este Pan vai ser um aprendizado para todo mundo o que será outro legado dos Jogos”, assegura com o conhecimento de quem conquistou três bronzes em Havana/91 e outros dois em Mar del Plata/95.

O centro de treinamento, fato inédito na modalidade, é outro motivo de comemoração. “Além de beneficiar o levantamento de peso também ajuda outras modalidades como o pólo aquático, o judô e o handebol”, afirma Dantas. Para os Jogos do Rio, o CT foi instalado no Clube Pinheiros, em São Paulo, onde atletas destas outras modalidades também treinam e do qual Dantas é funcionário. “A idéia é manter esta estrutura em um pólo importante do país e São Paulo é um ponto de passagem sempre que há uma competição internacional”, defende.

Assim como as indefinições de programação e atrasos no calendário, os problemas de bastidores têm complicado a vida de quem tem o Pan como meta. No hóquei sobre grama, as equipes seguem em aberto após a polêmica em torno da greve de jogadoras na seleção feminina e do pedido de troca de técnicos. A celeuma levou o presidente da Confederação Brasileira de Hóquei, Sydnei Rocha, a reestruturar toda a equipe de trabalho.

Alexandre Caldas assumiu a diretoria técnica e as seleções masculina e feminina ganharam cada uma, um chefe de delegação. “A idéia é trabalhar a conciliação”, explica Caldas, que está no cargo desde fevereiro. “Houve problemas pessoais, mas estamos trabalhando para que se saiba que se não há má-fé o importante é representar o Brasil dignamente”.

Para contornar as tensões, o ex-técnico do feminino Cláudio Rocha deixou o cargo e agora trabalha diretamente com o COB na organização da modalidade no Pan. O nome do novo treinador ainda não está definido.

No masculino, o ex-jogador Leonardo Lemos assumiu o comando da equipe. Nenhuma das duas seleções está fechada e as comissões técnicas trabalham com uma pré-lista que só deverá ter os nomes finais anunciados em 14 de junho.

Cerca de 25 jogadoras estão em observação no feminino em uma relação que, atualmente, não inclui as pivôs do conflito, as irmãs Roberta e Alessandra Flores e Mariana Stasi. “Neste primeiro momento elas não estão na lista, mas também não estão descartadas”, minimiza o chefe da delegação Bruno Patrício de Oliveira.

Durante este mês, os pré-qualificados seguem com a preparação individual em seus clubes. Os primeiros treinos coletivos começam em maio, provavelmente, no Rio de Janeiro.

Até lá, a Confederação espera ter definido o nome de uma peça fundamental no projeto para o Pan: o coordenador-técnico, que será responsável pelas duas seleções. “Ele vai ser como um head-coach ou o técnico dos técnicos”, explica Caldas.

O que está estabelecido até agora é que o titular do posto será um argentino, pela tradição da modalidade no país vizinho. O contratado chega em maio e fica até o final de julho.

Depois disso, a Confederação pretende manter alguém no cargo, que pode ou não ser o mesmo do Pan, para dar continuidade ao projeto de expansão da modalidade no Brasil. “Vai depender da disponibilidade dele continuar ou não”.

A programação das seleções além dos treinos de maio é outro elemento delineado, mas em aberto. “Podemos disputar um evento teste oficial, convidar uma equipe para jogar no Brasil ou viajar para a Argentina para ganhar ritmo de jogo”, enumera Caldas.

A definição da alternativa aplicada escapa ao controle da entidade: depende de quando o campo oficial dos Jogos ficará pronto porque no Brasil não há campos adequados ao esporte. Tanto que o treinamento prévio será feito em instalações alternativas. “Em maio vamos treinar em grama sintética para, pelo menos, pegar estilo de jogo”, explica o diretor-técnico.

Com tantas dificuldades pelo caminho, as expectativas da modalidade no Pan são modestas. “Um quinto ou sexto lugar seria um resultado satisfatório”, confessa Oliveira. A meta principal nos Jogos está além dele.

“Para o hóquei, o Pan faz parte de um processo. Vai ser uma oportunidade de as pessoas conhecerem o esporte, de ele se organizar no país para fazer um trabalho que dentro de quatro ou oito anos dê resultados expressivos. Queremos fazer o melhor treinamento possível com um esporte amador”, destaca Caldas.

Mas 60 dias de treinamento são suficientes para isso? “O ideal é que já tivesse um conjunto, mas existe a pré-lista e as pessoas são cobradas. Dois meses é prazo suficiente para que se tenha uma equipe integrada”, conclui.

No hipismo, a polêmica é mais concentrada, mas nem por isso menos preocupante. Todo problema gira em torno do salto, categoria que mais medalhes rendeu à modalidade em Pan-americanos (9 de 15). Insatisfeito com o sistema das seletivas (reduzido às provas no Brasil sem incluir nenhum Concurso na Europa para facilitar o acesso dos cavaleiros que vivem fora do país), o campeão olímpico Rodrigo Pessoa, que estava pré-selecionado, abriu mão de sua vaga e disse que não participará do Pan.

A declaração provocou reação não apenas entre atletas solidários ou não ao companheiro, mas também na alta cúpula dos Jogos. Ao tomar conhecimento do assunto, o ministro dos Esportes Orlando Silva disse que pediria ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que interviesse na questão e o presidente do COB e do Comitê Organizador dos Jogos (CO-Rio), Carlos Arthur Nuzman, entrou em ação.

Segundo o presidente da Confederação Brasileira de Hipismo, Maurício Manfredi, a opinião do ministro chegou por terceiros, mas a conversa com Nuzman foi pessoal. De prático, a reunião não produziu nada, já que a CBH reafirmou a intenção de manter os critérios seletivos para o Pan. Ficou apenas a promessa de COB, CBH e Ministério ‘trabalharem no sentido de convencer Rodrigo a mudar de idéia’.

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