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14/05/2007
Fotos Divulgação

Experiente, Cuattrin quer o sonhado ouro

Maior nome da história da canoagem nacional, o argentino naturalizado brasileiro Sebastian Cuattrin tem um objetivo bem claro no Pan do Rio de Janeiro: subir ao lugar mais alto do pódio. Presença constante na delegação verde-amarela desde os Jogos de Havana-1991, ele jamais conseguiu levar a medalha de ouro para casa.

Ao todo, são nove pódios: cinco pratas - K1 1000m (1999), K1 1000m (1999) K1 500m (2003), K1 1000m (2003), K4 1000m (2003) - e quatro bronzes - K1 1000m (1995), K2 1000m (1995), K2 500m (1999), K4 1000m (1999) - além de quatro participações em Olimpíadas. Bem-humorado, o atleta tenta fazer o tabu cair. “A idéia é não deixar ninguém chegar na frente para a medalha não escapar”, brincou Cuattrin, que mora em São Bernardo do Campo, onde treina com a seleção nacional.

Na Lagoa Rodrigo de Freitas, ele irá participar de duas provas: o K1 1000m e o K4 1000m. “A preparação está sendo ideal. Estamos conseguindo fazer tudo o que o treinador pediu, a Confederação Brasileira tem feito as coisas que ele tem sugerido, como viagens, alimentação, material... Temos plenas condições de andar bem no Pan”, destaca.

 
Divulgação/Wander Roberto
foto divulgação
Mais brasileiro dos argentinos, Cuattrin convive com sonho de transformar nove pódios em ouro no Rio

Ele confessa que um ouro no Pan do Rio seria o seu maior momento na competição. Porém, acredita que o fator casa, se não for bem trabalhado, pode até mesmo atrapalhar o desempenho dos atletas nacionais. “Isso vai pesar um pouco, pois vamos sentir a pressão da torcida. Mas estamos sendo preparados para encarar a torcida como um atleta a mais no barco. A nossa cabeça tem sido trabalhada assim para que cheguemos lá e o ouro não escape desta vez”, explica o atleta, de 33 anos.

Se depender da união dos brasileiros, ele assegura que isso vai acontecer. “O clima é muito legal e isso é fruto de um trabalho do Ákos, que reconstruiu um grupo que havia sido dividido por uma série de motivos. Aqui cada um aprendeu a respeitar o outro: todo mundo sabe quando o colega está nervoso e quando você pode brincar com ele, o que nos fez muito bem”, conta.

Como o Pan será disputado em condições diferentes daquela em que a seleção se acostumou em São Bernardo, Cuattrin espera concentração total da equipe. “Temos que nos adaptar em um clima quente, já que em São Bernardo faz frio. Mas isso já vai começar com a estadia na primavera da Europa. Em seguida, já vamos direto para o Rio, ficar concentrados dois meses se preparando com a cabeça focada, o tempo todo ligado naquilo que a gente quer”, garante.

O canoísta veio morar no Brasil quando tinha cinco anos de idade. Na ocasião, seu pai havia recebido um convite para dar aulas em uma faculdade da cidade mineira de Governador Valadares. Passou a fazer canoagem aos 14 anos e aos 17, para participar do Pan de Havana, teve que se naturalizar brasileiro. “Cada um dos cinco irmãos teve a oportunidade de escolher e alguns ficaram com a dupla nacionalidade, mas eu optei por não ter”, explica Cuattrin.

E para quem insiste em vê-lo como um “hermano”, ele responde dizendo que é muito mais brasileiro que argentino, apesar de só conversar com a mãe em castelhano. “Já assimilei a cultura, a educação, as coisas boas e um pouquinho das coisas ruins também (risos). Então, não dá para dizer que o Sebastian tem alguma coisa de argentino. É só o nome que ficou”, encerra.

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