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14/05/2007
Fotos Divulgação
Projetos sociais dão esperanças para canoa


Divulgação/Wander roberto
Foto Divulgação

Nivalter chegou à desistir da canoagem e só retornou graças a patrocínio de técnico da seleção

Equipe da canoa
Nivalter Santos - C1 1000m e 500m

Vilson da Conceição e Wladimir Moreno -C2 1000m e 500m

Eles ainda estão aprendendo a lidar com o assédio às vésperas do Pan. Tímidos, parecem ainda não ter assimilado direito que podem, em julho no Rio de Janeiro, entrar para a história da canoagem brasileira, como os primeiros atletas a conseguirem uma medalha na canoa em uma edição dos Jogos Pan-americanos. Serão quatro provas na disputa: C1 500m, C1 1000m, C2 500m e C2 1000m.

Em Santo Domingo, a tentativa bateu na trave por duas vezes. Tanto Euvado Ramos (C1 1000m), quanto Antônio Borges e Rogério Souza (C2 1000m) conquistaram dois quarto lugares. Agora, a expectativa é de que finalmente o tão sonhado pódio chegue. E a esperança está nas mãos de dois meninos pobres, que descobriram a canoagem quase que por acaso: Nivalter Santos (C1 500m e C1 1000m) e Vilson da Conceição, além do já experiente Vladimir Moreno (C2 500m e C2 1000m).

Oriundos de famílias humildes, eles foram apresentados à modalidade através de projetos sociais, o “Navega São Paulo”, de São Vicente, e o “Navegar/Canoa Brasil”, na cidade baiana de Itacaré. “Entrei na canoagem com 17 anos, através de um amigo, que me convidou para ir ao clube. No começo, tinha que pagar 20 reais, aí ele me deu dez e eu paguei o que faltava. Fui só para ver se gostava e gostei”, relata Nivalter, o Cabelo, sensação da equipe. Na disputa da etapa croata da Copa do Mundo, que é usada pelo Brasil como preparação para o Pan, ele foi o único atleta da equipe nacional a alcançar uma final A, superando o desempenho de nomes como Sebastien Cuattrin, seu inspirador no esporte. Terminou o C1 200m na sexta colocação geral.

Como a de tantos outros atletas, a trajetória do menino que nasceu no Sergipe por muito pouco não se esvaiu por falta de condições financeiras. “No segundo mês de canoagem, eu não tinha mais como pagar os 20 reais e saí. Fiquei um tempo afastado até que o Pedro Sena me encontrou em uma feira e disse que me dava uma bolsa para eu voltar a praticar o esporte”, relata o atleta. Agora as metas são ambiciosas. “Só de ter participado da seletiva eu já estava muito feliz, mas agora eu quero pegar uma medalha e quebrar essa marca da canoa. Depois, quero ir para as Olimpíadas”, emenda.

Principal apoiador, Sena tem confiança de que o sonho de Cabelo será realizado. “Eu posso falar com veemência que as nossas chances de sucesso são totais”, afirma o treinador, que prefere não se concentrar nos adversários na raia da Lagoa Rodrigo de Freitas. “Não estamos preocupados se os adversários vão mandar equipe principal ou não. Temos um lema na canoa que é ‘Para quem está com Deus, obstáculos são estímulos’. Nós vamos lá para fazer a diferença e dar alegria ao povo brasileiro”, discursa.

O treinador também exalta o outro novato da canoa, Vilson da Conceição. “Ele é um garoto que entrou na última seletiva e há uns cinco meses começou a crescer nos treinos, superar outros atletas... Ele e o Nivalter são garotos que vão ser espelhos para novas crianças e isso me deixa muito feliz... Fazer com que o esporte seja um exemplo para as pessoas. O Brasil pode esperar muito destes jovens”, assegura.

Extremamente acanhado, Vilson explica que começou sua carreira no esporte pelo futebol. “Só que o pessoal falava que eu era muito ruim de bola e me incentivou a remar. Aí entrei na canoagem e até hoje estou aí”, diverte-se o atleta, que trabalhava como ajudante de cozinha. “Minha família me deu o maior apoio. Fui gostando aos pouquinhos”, admite.

A ansiedade para competir em casa é grande. “Vou tentar dar o máximo possível para ganhar medalha para o Brasil. Sonho com isso. Todo dia quando eu acordo penso na torcida, em como vai ser”, confessa o novato.

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