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14/05/2007
Fotos Divulgação
Mistura de gerações marca seleção do caiaque

Com medalhas na disputa de caiaque nos últimos três pan-americanos, o Brasil quer continuar com os bons resultados no Rio de Janeiro em julho. Para isso, o país conta com seis atletas, que formam uma equipe marcada pela mistura de duas gerações da modalidade.
Divulgação/Rodrigo Ramirez
Foto Divulgação

Dono do único ouro da canoagem em Pan, Guto Campos (à esq) divide com Cuattrin função de liderar novatos, entre ele Roberto Meheler (à dir).

De um lado estão Sebastien Cuattrin e Guto Campos. Enquanto o primeiro participou de todos os Pans

desde Havana-1991, o segundo é o dono da única medalha de ouro conquistada pelo país na competição neste esporte. Eles lideram um grupo de jovens que vão fazer a sua estréia na competição: Roberto Maheler, Jonathan Silva e Givago Bitencourt Ribeiro. Entre as duas gerações, encontra-se Edson Silva, o Edinho, reserva em Santo Domingo.

A experiência dos mais velhos com a garra dos novatos é vista como a fórmula ideal para o sucesso no Pan. “A expectativa é a melhor possível. A gente está treinando muito pensando em ganhar o ouro”, afirma Guto Campos, que destaca o fato de a disputa ser em casa. “Alguns se sentem pressionados, mas eu me sinto melhor. Isso vai me fazer um bem: chegar aos últimos 200 metros e sentir aquela vibração vai me renovar”, prevê.

Ele, porém, nega a condição de líder do grupo. “Líder não, mas a gente passa bastante experiência. O principal é a tranqüilidade, a confiança na hora da prova”, comenta Campos, que garante não existir nenhum conflito de gerações entre os atletas, já que a diferença
Equipe do caiaque
Edson Silva - K1 500m
Guto Campos e Roberto Maheler - K2 500m
Jonathan Silva e Givago Bitencourt Ribeiro - K2 1000m
Sebastián Cuattrin, Guto Campos, Edson Silva e Roberto Maheler - K4 1000m
Mayara Cardoso - K1 500m
Naiane Pereira e Ariela Pinto - K2 500m
Mayara Cardoso, Daniela Alvarez, Naiane Pereira e Ariela Pinto - K4 500m

de idade entre eles chega a superar os dez anos. “Está havendo uma troca legal e a empolgação deles está me fazendo bem”, completa.

Com apenas 19 anos, Jonathan Silva, que vai fazer a prova de K2 1000m concorda. “Eles nunca disseram que são mais ou menos do que nós. É de igual para igual”, assegura. Ele não vê pressão devido a pouca idade. “A responsabilidade é grande, tanto para mim quanto para os mais velhos. Talvez isso ajude para o lado bom, pois quero resultado agora”, explica o canoísta de Santa Maria (RS). Questionado se esperava disputar uma competição do nível do Pan tão cedo, ele é sincero. “Sempre esperei um resultado positivo, pois trabalhei em cima de uma meta e conquistei o que eu visei”, explica.

O novato destaca a força de um grupo unido na modalidade. “O pensar junto também pode decidir porque no barco de dois, como o meu, temos que ter a mesma força e o mesmo ritmo. Para isso, é preciso estar bem entrosado, há muito tempo treinando junto”, explica Silva. “Tem que estar bem dentro e fora d’água. Mas o pessoal é bem responsável quanto a isso e estamos trocando experiências com os mais velhos”, afirmou.

Paranaense de Cascavel, Roberto Maheler demonstra confiança em Guto e Cuattrin. “Se eles estão falando que a gente tem chance de buscar o ouro, eu tenho que concordar com eles”, brinca o paranaense de Cascavel. “Estamos aprendendo tudo com eles para podermos ser a elite da canoagem e representar bem o país como eles fazem hoje”, destaca, bastante empolgado com a disputa. “Vai ser uma guerra. Vou lutar como se fosse caso de vida ou morte”, assegura.

Oriundo de um projeto social, Givago Bitencourt Ribeiro também está otimista para o seu primeiro pan-americano. “Acredito que a prova vai ser muito disputada, mas tenho consciência de que com o trabalho que se está fazendo dá para ter um bom resultado”, destaca o atleta, relatando o trabalho da equipe. “Temos que conversar muito, ver o que está faltando na remada, sentindo até problemas particulares para isso não afetar no treinamento”, assegura.

E se tem alguém “mordido” nesta seleção é Edinho, que por muito pouco não competiu em Santo Domingo. “Eu era titular e o treinador da época resolveu me trocar por outra pessoa. E isso para mim não foi muito bom, pois ainda por cima vi meus amigos ganhando várias medalhas”, relata, prometendo recuperar o tempo perdido no Rio de Janeiro.

“Já passei várias dificuldades e agora venho com toda a munição para o Pan. Quero duas medalhas para substituir a de 2003”, brinca. Para ele, o pódio é um passo principal no projeto de se fixar na modalidade. “Quero substituir o Sebastian e o Guto e fazer o meu nome como eles fizeram o deles”, sonha.

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