Mistura de gerações marca seleção do caiaque
Com medalhas na disputa de caiaque nos últimos três
pan-americanos, o Brasil quer continuar com os bons
resultados no Rio de Janeiro em julho. Para isso, o
país conta com seis atletas, que formam uma equipe marcada
pela mistura de duas gerações da modalidade.
| Divulgação/Rodrigo Ramirez |
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Dono do único ouro da canoagem em
Pan, Guto Campos (à esq) divide com
Cuattrin função de liderar
novatos, entre ele Roberto Meheler (à
dir).
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De um lado estão Sebastien Cuattrin e Guto Campos.
Enquanto o primeiro participou de todos os Pans
desde Havana-1991, o segundo é o dono da única medalha
de ouro conquistada pelo país na competição neste esporte.
Eles lideram um grupo de jovens que vão fazer a sua
estréia na competição: Roberto Maheler, Jonathan Silva
e Givago Bitencourt Ribeiro. Entre as duas gerações,
encontra-se Edson Silva, o Edinho, reserva em Santo
Domingo.
A experiência dos mais velhos com a garra dos novatos
é vista como a fórmula ideal para o sucesso no Pan.
“A expectativa é a melhor possível. A gente está treinando
muito pensando em ganhar o ouro”, afirma Guto Campos,
que destaca o fato de a disputa ser em casa. “Alguns
se sentem pressionados, mas eu me sinto melhor. Isso
vai me fazer um bem: chegar aos últimos 200 metros e
sentir aquela vibração vai me renovar”, prevê.
Ele, porém, nega a condição de líder do grupo. “Líder
não, mas a gente passa bastante experiência. O principal
é a tranqüilidade, a confiança na hora da prova”, comenta
Campos, que garante não existir nenhum conflito de gerações
entre os atletas, já que a diferença
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Equipe do caiaque
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| Edson Silva - K1 500m |
| Guto Campos e Roberto Maheler - K2 500m |
| Jonathan Silva e Givago Bitencourt Ribeiro - K2
1000m |
| Sebastián Cuattrin, Guto Campos, Edson
Silva e Roberto Maheler - K4 1000m |
| Mayara Cardoso - K1 500m |
| Naiane Pereira e Ariela Pinto - K2 500m |
| Mayara Cardoso, Daniela Alvarez, Naiane Pereira
e Ariela Pinto - K4 500m |
de idade entre eles chega a superar os dez anos. “Está
havendo uma troca legal e a empolgação deles está me
fazendo bem”, completa.
Com apenas 19 anos, Jonathan Silva, que vai fazer
a prova de K2 1000m concorda. “Eles nunca disseram que
são mais ou menos do que nós. É de igual para igual”,
assegura. Ele não vê pressão devido a pouca idade. “A
responsabilidade é grande, tanto para mim quanto para
os mais velhos. Talvez isso ajude para o lado bom, pois
quero resultado agora”, explica o canoísta de Santa
Maria (RS). Questionado se esperava disputar uma competição
do nível do Pan tão cedo, ele é sincero. “Sempre esperei
um resultado positivo, pois trabalhei em cima de uma
meta e conquistei o que eu visei”, explica.
O novato destaca a força de um grupo unido na modalidade.
“O pensar junto também pode decidir porque no barco
de dois, como o meu, temos que ter a mesma força e o
mesmo ritmo. Para isso, é preciso estar bem entrosado,
há muito tempo treinando junto”, explica Silva. “Tem
que estar bem dentro e fora d’água. Mas o pessoal é
bem responsável quanto a isso e estamos trocando experiências
com os mais velhos”, afirmou.
Paranaense de Cascavel, Roberto Maheler demonstra confiança em Guto e Cuattrin. “Se eles estão falando que a gente tem chance de buscar o ouro, eu tenho que concordar com eles”, brinca o paranaense de Cascavel. “Estamos aprendendo tudo com eles para podermos ser a elite da canoagem e representar bem o país como eles fazem hoje”, destaca, bastante empolgado com a disputa. “Vai ser uma guerra. Vou lutar como se fosse caso de vida ou morte”, assegura.
Oriundo de um projeto social, Givago Bitencourt Ribeiro também está otimista para o seu primeiro pan-americano. “Acredito que a prova vai ser muito disputada, mas tenho consciência de que com o trabalho que se está fazendo dá para ter um bom resultado”, destaca o atleta, relatando o trabalho da equipe. “Temos que conversar muito, ver o que está faltando na remada, sentindo até problemas particulares para isso não afetar no treinamento”, assegura.
E se tem alguém “mordido” nesta seleção é Edinho, que por muito pouco não competiu em Santo Domingo. “Eu era titular e o treinador da época resolveu me trocar por outra pessoa. E isso para mim não foi muito bom, pois ainda por cima vi meus amigos ganhando várias medalhas”, relata, prometendo recuperar o tempo perdido no Rio de Janeiro.
“Já passei várias dificuldades e agora venho com toda a munição para o Pan. Quero duas medalhas para substituir a de 2003”, brinca. Para ele, o pódio é um passo principal no projeto de se fixar na modalidade. “Quero substituir o Sebastian e o Guto e fazer o meu nome como eles fizeram o deles”, sonha.
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